Èşù Òdàrà






Oríkì Èşù

Mensageiro Divino, Divino Mensageiro da Transformação,
Mensageiro Divino fala com poder.
Homem das encruzilhadas, dançar ao som do tambor.
Faz cócegas com o dedo do pé no tambor.
Ultrapassar o conflito.
Discórdia é contrária aos Espíritos do Reino Invisível.
Una os pés instáveis no desmame dos filhos.
A palavra do Mensageiro Divino é sempre respeitada.
Mensageiro Divino, não me faça mal. Mensageiro Divino, não me faça mal.
Mensageiro Divino, não me faça mal.
Faça mal ao filho do outro.
Acabe com meus sofrimentos.
Dá-me a bênção da cabaça.
Àse o.

Èşù Mensageiro Divino. Dizem que ele traduz a linguagem do òrìsà para os humanos e vice e versa. Ele existe no mundo visível e invisível ao mesmo tempo e, portanto, sabe de tudo.
Ele é conhecido por muitos nomes, Èşù ou Elégbará são os mais comuns. Na diáspora muitos acreditam que são dois irunmọlẹ diferentes, porém, isto não é correto. Alguns dizem que Elégbará vem de Alágbárá (O Forte ou proprietário da força, apenas nomes de louvor).
Eu soube que Elégbará vem de:
Ẹlà egbe ará.
Que significa: O corpo daquele que possui a luz.
Outra tradução de Bará seria: Força ou poder.
Ilè Bará que significa: A casa do poder.
Èşù Elégbará é um dos aspectos de Èşù associado aos guerreiros.
O poder dos Guerreiros

O Odù Ọwọnrin Òsá diz:

Elégbará não será executado no dia da luta.
Luta gloriosa é o àse de Elégbará
Airá não será executado no dia da luta.
Luta gloriosa é o àse de Airá.
O leão não corre no dia da luta.
Luta gloriosa é o àse do leão.
Eu não correrei no dia da luta,
De modo que meus soldados não vão correr no dia da luta.
Não correrão para que possamos ter honra e glória.
Chamaremos o Odù marcado na bandeja, para colocar na mistura.
Vamos moer ìpe-ele (ewè Ifá).
Vamos colocá-lo em uma cabaça e misturar com Agídí para beber com nossos soldados (ebo de coragem para um combate).
Àse


Èşù Òdàrà nasce no Odù Òsétúrá.  Ele nasce neste Odù.
Talvez a confusão esteja neste detalhe. Odù diferentes para Èşù leva-nos a pensar que eles são irunmọlẹ diferentes. Porém, Òdàrà é o 'pai' de todos os outros Èşù, pois eles não são irunmọlẹ diferentes. A multiplicidade de caminhos e nomes é explicada, um pouco, no Odù Òsétúrá.
Èşù estava envolvido em uma batalha com Ikú (Morte).
Ele estava caçando Èşù há muito tempo, Ikú vinha como uma maldição.
Ele pegou um instrumento especial de sua propriedade para cortar Èşù ao meio.
Porém, a cada vez que ele cortava Èşù as metades renasciam.
Logicamente Ikú se apavorou e saiu correndo desesperadamente.
Não somente este itọn explica como tantos Èşù vieram a aparecer, porém, é a prova de que eles são os mesmos. Grande parte da confusão em torno dos vários caminhos de Èşù vem do fato de que cada Odù e cada òrìsà tem seu próprio Èşù. Os Èşù para diferentes òrìsà nascem no Odù Ọwọnrin Ìwòrì onde vemos Èşù Ananaki para Şàngó, onde vemos Èşù Oke para Ợbàtálá em Ọwọnrin Ogbè.
Diz-se que a cada Orí que é criado um Èşù é acoplado a ele.
Alguns nomes de Èşù são bem conhecidos tais como:
Èşù Láròóyè que se traduz como: Perto das mães.
Este Èşù está associado à Òsún e carrega o àse da sensualidade e da fertilidade.
Èşù Elekun é aquele que está associado aos guerreiros. Elekun significa Senhor do leopardo e estão associados com força, astúcia e coragem. Características que refletem o àse de Ògún.
Èşù Láàlú é o Èşù da dança, dança que provoca possessão.
Èşù Iseri é o Èşù do orvalho da manhã e refere-se às plantas da floresta e está associado à Osányìn.
Èşù Oro é o Èşù do poder da palavra (Ìká) é o Èşù que coloca o àse em nossas orações e invocações.
Existem muitos outros nomes ou podemos dizer de Èşù.
Dizem que eles são 21 (vinte e um), mas na realidade são muito mais.
Èşù é comumente conhecido como: O Malandro, nome que representa a oportunidade. Porém, devemos questionar se este é realmente o papel mais importante de Èşù.
Ele é o executor cármico que simplesmente proporciona efeito em suas ações. As boas e as más.
Ele nos lembra de que nós, e somente nós, somos responsáveis por nossas ações. Não culpe Òlódùmarè, ele não se envolve em assuntos cotidianos, não culpe seus pais, seu chefe ou o seu cônjuge. Culpe-se por não se corrigir e não resolver seus conflitos internos.
Èşù é o princípio do caos e da transformação. Ele nos empurra a crescer, ele é causa e efeito. Ele faz a mediação entre os seres humanos e os Ajogun. Por fim, Ele é o guardião e o conferidor do àse.
Àse imbui o som, o espaço, a energia e a matéria com a reestrutura existente. Para depois transformar e controlar o mundo físico.
Reduzir Èşù a fabricante de maldades ou trapaceiro é ser completamente idiotia e ignorante do seu verdadeiro papel no universo.
Èşù nos provoca a pensar antes de agir, para que suas escolhas e livre arbítrio possam afetar o seu destino.
Um verso de Ogbè’ worin ilustra este aspecto de Èşù.

Pressa é desnecessária para o sucesso.
Alguém pode se envolver em atividades criminosas.
Foi lançado Ifá para Ọrúnmìlà.
No dia em que ele iria implorar por um filho à òrìsà.
Ele foi avisado a cuidar da Terra e fazer ebo.
Àse






Neste itọn, Ọrúnmìlà vai a Ợbàtálá para pedir um filho, nesta época ele só tinha Orí defeituosos em seu estoque. Ọrúnmìlà queria um de qualquer maneira, ele não queria esperar. Ele pensou que mais tarde poderia consertá-lo. Ele nomeou ọmọlókún.  O garoto estava podre até as entranhas. Quando este ficou mais velho, Ọrúnmìlà descobriu através do oráculo que ele queria matá-lo, então, ele fez ebo e manteve um encanto embaixo do travesseiro. Quando ọmọlókún veio para matá-lo, Ọrúnmìlà acordou. Depois de uma longa perseguição, ọmọlókún estava exausto e se transformou em uma rocha (Yangi a pedra de Èşù) para se esconder. Porém, Ọrúnmìlà não se deixou enganar e quando ia matar o pequeno ele resolveu apontar o seu encanto para a pedra e ordenou que ele ficasse como estava para sempre e disse:
Todos os recados que você havia recusado, enquanto meu filho, você de agora em diante vai responder a todos.
O itọn termina com esta canção:

Quem vai dirigir a minha boa sorte para mim?
Èşù Òdàrà
Ele é o único que irá dirigir a minha boa sorte para mim.
Èşù Òdàrà
Àse

Neste itọn de Ogbè'wórín vemos que, apesar de Èşù estar por traz do castigo por causa da pressa, ele também, ajudou Ọrúnmìlà a sair daquela situação. Assim é a natureza dual de Èşù, é como ele mantém o equilíbrio. Vemos também, como Èşù pode nos abençoar com boa sorte. Interessante é o nome do filho problemático de Ọrúnmìlà, ọmọlókún, o filho do Espirito do Oceano. É Ọlọkún quem cria abundância e riquezas nas profundezas negras e desconhecidas do oceano. É Ọlọkún cuja energia está ligada a de Èşù Yangi, a pedra de Èşù.

Èşù nasce no Odù Òsétúrá. Ele é o filho da Deusa do rio, Òsún e Ọrúnmìlà são os seus pais.
Quando no início, Òlódùmarè enviou 17 irunmọlẹ para a Terra ficar habitável para os seres humanos, apenas um deles era do sexo feminino, esta era Òsún. Eles ignoraram por completo a presença dela e deliberavam sozinhos sobre todos os assuntos. Òşún sempre se mantinha calma e fria.
Ela fez questão que todos os assuntos deles não progredissem, que todas as suas ações dessem erradas.
Assim, os irunmọlẹ voltaram para Òlódùmarè e perguntaram por que tudo que fizeram resultou em um enorme fracasso. Òlódùmarè perguntou quantos eles eram quando vieram para a Terra.
Eles disseram que eram dezessete.
Òlódùmarè disse:
Quantos de vocês estão aqui?
Eles disseram:
Nós somos dezesseis.
Ele perguntou:
Onde está o décimo sétimo?
Eles responderam:
Bem, ela está na Terra.
Nós não a trouxemos por que ela é apenas uma mulher.
Òlódùmarè disse:
Isto não é bom, é melhor vocês voltarem e pedirem perdão.
Eles então obedeceram.
Ela não aceitou as desculpas e informou que esperava um filho e se este fosse uma menina iria haver guerra. Porém, se fosse homem, ela os perdoaria e deixaria ele ter com eles.
A criança nasceu do sexo masculino e recebeu o nome de Òsétúrá.
As orações de todos os irunmọlẹ foram respondidas.
Quando terminamos nosso ritual ou oração cantamos:
Òşéturá (a-wu-ire-la) wa Agbe, ala wa, àse.
Òsétúrá (o Odù que faz nossas orações se manifestarem) nos apoiará e nos abençoará.
Bi mo duro, bi mo wure.
Ire ti emi, ko ni se aigba.
Bi mo bere, bi mo wure.
Ire ti emi, ko ni se aigba.
Bi mo joko, bi mo wure.
Ire ti emi, ko ni se aigba.


Se eu orar de pé
Minhas orações se manifestarão.
Se eu ficar parado ou ajoelhado enquanto oro.
Minhas orações se manifestarão
Se eu me sentar e orar.
Minhas orações se manifestarão.
Àse

Isto faz parte de um poema que é dito diariamente pelo Áwo, para que seu àse cresça. Todo ritual de Ifá/òrìsà e tomado de medicamentos, magias e etc., há um método de ligar palavras a ações desejadas. Este método faz parte do treinamento do Áwo. Ligar à palavra a ação é fundamental para a teoria metafisica yorùbá, pois, no início não havia o som. Somente Ọrúnmìlà e Èşù trabalhando juntos é que fazem com que as coisas aconteçam.
O seguinte verso é um exemplo de ohun - afose (expressando o àse e fazendo-o acontecer).


A-a-se, o poder da palavra vem e faz acontecer.
A adivinhação infalível pertence à Ifá.
O mesmo acontece com a declaração profética (afose), ela pertence à Ọrúnmìlà.
É o àse do vegetal egunmo que prevalece na família dos legumes.
Enquanto o àse do macaco Pantaguenon é a lei no mundo animal.
Da mesma forma erekese (uma espécie de algodão) é insuperável em sua brancura, entre todas as espécies de algodão.
Tal como se deseja, Elegbede (um tipo de gorila) produz sons musicais em qualquer árvore que ele esfregue sua palma da mão.
Passando e se tornando cumprido são qualidades nativas de Ilakose (um pequeno caracol terrestre tropical).
A folha ògbò sempre está em conformidade com a ordem que é dada a ela.
Igba (a corda para subir em palmeiras) infalivelmente obedece às ordens de seu usuário.
O trato firmado entre o roedor e a terra é uma questão eterna.
Òrìsà, o criador chefe, concede todos os desejos que o camaleão lhe apresenta.
Enquanto o aleijado e o corcunda nunca revertem seus destinos, o òrìsà Dadá Şàngó, nunca recusará o pedido do orogbo (sua noz favorita).
Um òrìsà nunca recusará um pedido feito com Obi (seu fruto favorito).
Ợbàtálá nunca rejeita contas brancas (sua cor favorita).
Pequenos insetos que rastejam no solo nunca desafiarão a autoridade de ayetale (outra espécie de inseto que vive na terra).
Um Obà nunca recusa proposta que traga a paz e a harmonia para seus domínios.
Ojú-oro (erva de santa Luzia) nunca antagoniza com a água.
Nem osibatá (lírio d'água) briga com o pequeno riacho.
É a natureza de eerun (formiga marrom) perdurar inquestionavelmente sobre o que o arbusto lhe dá.
Okira (espada afiada de Ògún) sempre corta de forma limpa e completa.
Okira nunca falha.
Uma vez que se cospe, (to, o som da saliva quando sai da boca) a mesma saliva nunca retorna para a boca.
O rio que flui continuamente abaixo, nunca retorna.
Rapidamente a folha inà (folha de Şàngó), queima (como a hera venenosa).
Uma folha seca que cai no chão, jamais irá passar a noite no topo da árvore.
É totalmente estranho a natureza adiar Adigbonranku, (a data correta de sua morte), mesmo que seja por um dia.
Realização é uma característica imutável da fruta Aidan.
É no mesmo dia em que a criança buscas a erva doce, oyin, que ele acha.
Da mesma forma, é no dia em que se consome álcool em excesso que se apresentam os sintomas da embriaguez.
É no dia em que nos preparamos para o plantio do inhame que as mudas são colocadas no chão.
No momento do parto a placenta é enterrada, no mesmo dia em que aparece.
Leva apenas um dia para um incêndio na floresta destruir todas as árvores.
O veneno da cobra, também, não leva um dia para causar danos ao corpo humano.
A urina colocada no solo é totalmente absorvida pela terra no final do dia.
É sem demora que um macaco desce a árvore coberta por grossas colunas de formigas pretas (soldados).
Rapidamente as crianças saltam nas árvores envoltas com a trepadeira iwerepe (planta coceira de vaca).
É com rapidez e sem cerimônia que assistimos a morte das larvas.
Rapidamente possa o meu pedido vir a passar, rapidamente.
Àse, àse, àse o!

O àse é manipulado usado o poder das palavras. É Èşù quem fornece a energia (em conjunto com as mães, entre as quais a sua Òsún, a líder).

O Mensageiro Divino do poder da palavra causa confrontos.
Mensageiro Divino do poder da palavra, não me cause confrontos.
O Mensageiro Divino do poder da palavra tem o poder da voz.
O Mensageiro Divino do poder da palavra tem a voz que pode ser ouvida em todo universo.
Àse.


Òtúrá’Ọwọnrin

Karikasikata Imorimo, o Onisciente,
Pessoas com conhecimento da fazenda,
Pessoas com conhecimento da cidade,
Pessoas com conhecimento da Terra
E pessoas com conhecimento do Céu
Devem ver outra vez.
Por que as formigas se separam sem precisar se reunir novamente em um só lugar?
Estes foram os que lançaram Ifá para aqueles que estavam mortos pela manhã.
De onde as pessoas da Terra vieram, é o lugar para onde elas retornaram.
Por que as lágrimas?
Para que tristeza?
Por que temos que ir e voltar?
Por que temos que jejuar?
Aquele que nos envia, é o mesmo que nos chama de volta para casa.
Aquilo que nos agrada no mundo, não agrada o criador.
Filhos da terra se sentam na terra, por isso eles não vão fazer coisas ruins.
O Criador não quer isso.
O Criador não aceita isso.
Se eu disser para você ir, você irá.
Se eu disser venha, você virá.
Se uma criança não sabe quem são seus pais, a Terra não é um bom lugar para se ficar.
A morte é a única que faz uma criança conhecer o Ợrùn.
Quem está pensando no Criador?
Se não houvesse Èşù, quem pensaria em comida e bebida (ebo)?
Você conhece a escuridão filho que não conhece pai e mãe.
Fale comigo para que eu possa falar com você,
É pela voz que nos conhecemos na escuridão.
(O Mensageiro Divino do poder da palavra tem uma voz que pode ser ouvida em todo universo).
Àse.




Èşù é o caos.
Ele é a contradição.
Ele pode aparecer como um homem velho ou como uma criança.
Èşù-Elégbará, Asoju (observador),
É alguém baixo e alto
Cuja cabeça é pouco visível quando ele passa por uma fazenda de amendoim
Graças ao fato dele ser muito alto
Mas Èşù deve escalar a pedra da lareira a fim de colocar sal na panela de sopa...
Labolarinde, se você alcançar a fronteira.
E não encontrá-lo na porta da cidade, ele estará trabalhando no campo
Você vai encontrá-lo na vizinhança e ele está sempre acessível
Para todos, incluindo os enfermos.


Oriki Èşù

Èşù Òdàrà. Eu me curvo.
Láàlú, Ele vai ao redor da fazenda.
Ele olha para uma luta com alguém e consegue vencê-lo.
Ele veste calças curtas na sua qualidade de guardião de Olórun.
Rei no país de Ketu.
Guardião dos espíritos travessos, assim que ele acorda, ele toma conta da medicina.
Ele concerta o povo do Benin.
O chorão derrama lágrimas, Láròóyè derramar sangue.
Ele faz com que o culpado se torne inocente.
Ele faz com que o culpado se torne inocente.
Ele tem 800 associações (grupos).
Ele tem 160 porretes.
O baterista toca o tambor bata.
O pequeno homem que segue as pessoas de casa para o mercado a noite.
O homem que está muito perto ao lado da estrada.
Profundo respeito.
Àse.


Outra parte importante da compreensão de Èşù é a sua relação com Ọrúnmìlà.
De acordo com O.I. Posogon e A.O. Akande em:
Ifá Divination Trays from Isale-Oyo.
A figura de Èşù é sempre representada nas bandejas (Ọpọn) yorùbá de adivinhação, é um símbolo da forte amizade entre Ọrúnmìlà e Èşù (Personal communication, May 2011 [com Fatokun Morakinyo]).
Está associação fica evidente no Odù Ogbè ‘fún.
A narração do Odù é esta:

Ogbè devolva o que foi mantido sob sua custódia para o proprietário
Não, eu não vou devolvê-lo.
A mesma adivinhação foi realizada para Èşù e todas as outras divindades que eram seus amigos.
Ele também fez adivinhação para Ọrúnmìlà e Èşù que eram amigos.

Segundo a história, um dia Èşù pensou que ele era o mais sábio entre todas as divindades. Ele tinha colocado todos eles em teste e todos falharam. Somente Ọrúnmìlà ainda não tinha sido testado.
Ele, portanto, decidiu aplicar em Ọrúnmìlà seu próprio teste.
Ele foi ao mercado e comprou um macaco (aaya). Ele amarrou o macaco com uma corda frágil. Depois disso, ele foi até Ọrúnmìlà com o macaco e perguntou a Ọrúnmìlà se ele poderia ajudá-lo a manter o macaco por um tempo, porque ele (Èşù) queria embarcar em uma longa viagem que levaria sete dias. Ọrúnmìlà aceitou manter o macaco, mas pediu a Èşù para amarrá-lo a uma árvore na frente de sua casa. Èşù assim fez e saiu imediatamente.
Ọrúnmìlà rapidamente consultados Ifá para saber a intenção de Èşù. Ifá pediu-lhe para executar um sacrifício, com muitas bananas. Ele deveria levar o sacrifício em uma densa floresta. Ọrúnmìlà fez. Depois de concluído o sacrifício, ele descobriu que o macaco tinha arrebentado a corda e fugido.
Não muito tempo depois desta descoberta, Èşù voltou e informou a Ọrúnmìlà que ele já não iria mais viajar, ele, portanto, exigiu seu macaco de volta. Ọrúnmìlà disse-lhe que o macaco tinha fugido. Èşù ficou furioso e começou a chorar. Ọrúnmìlà sabia que haveria problemas se ele não encontrasse o macaco. Levariam sete dias até as lágrimas de Èşù caírem no chão e uma vez que as lágrimas caíssem na frente da casa de Ọrúnmìlà, não haveria paz dentro e fora da casa de Ọrúnmìlà novamente.
Ọrúnmìlà rapidamente consultou o oráculo. O oráculo disse a Ọrúnmìlà para voltar onde ele largou o sacrifício e que neste mesmo ponto ele iria encontrar o macaco. Quando Ọrúnmìlà chegou ao ponto onde (na floresta), ele havia deixado o sacrifício, ele encontrou o macaco comendo as bananas. Ele pegou o macaco e o levou de volta para casa e entregou a Èşù.
Èşù ficou surpreso, pois, Ọrúnmìlà havia encontrado seu macaco e sair desta situação embaraçosa. Ele soube que havia uma divindade que poderia desmanchar sua intriga. A partir deste dia, ele prometeu ajudar Ọrúnmìlà em todos os seus empreendimentos. Desde então se tornou uma tradição a figura de Èşù fixada na principal posição da bandeja de adivinhação.
Èşù é indispensável na adivinhação, no ebo e na iniciação de cerimônias. Èşù Òdàrà é considerado o "pai" de todos os Èşù e representa a fertilidade, bem como a transformação. Conforme expresso pelo Áwo Falokun Fatunmbi:
Ifá está baseado no entendimento do Odù. Em Odù aprendemos que Èşù Òdàrà (O Mensageiro Divino), nasceu no Odù Òsétúrá. Èşù Òdàrà significa:
Espirito que traz divisão e é a fonte da fertilidade do universo.
Como fonte de fertilidade, Èşù tem o àse que abre a possibilidade para o Áwo ser possuído por todos os òrìsà, é desta forma que o Áwo pode se comunicar com todos os òrìsà. Por este motivo Èşù é chamado de Mensageiro Divino e é o décimo sétimo na ordem de antiguidade hierárquica. Ele é o primeiro Odù após os méjì. Em Itelodu ele é invocado na cabeça do iniciado após os méjì. Isso faz os Odù méjì copularem na cabeça do iniciado no momento em que ele se torna Áwo (dai Èşù ser o símbolo da fertilidade). O processo libera os 256 Odù no Orí do Áwo dando o òfò àse (poder da palavra) para poder invocar e fazer òrìsà, desbloqueando a capacidade de um Áwo ser tomado por todos os òrìsà.
Este é o lugar aonde Èşù como "mensageiro divino da transformação" vem. Além disso, agora podemos entender por que Osun é "mãe" de Èşù. A deusa da fertilidade gera a fonte de fertilidade. O que isto significa para os níveis cosmogônicos e metafísica é uma discussão dentro e de si mesma.
Há uma história sobre como Ọrúnmìlà e Èşù se tornaram tão bons amigos (Itọn - Histórias - são utilizados para explicar princípios metafísicos, bem como ensinar ética, história e iluminar a cultura).

Itọn

Ọrúnmìlà um dia queria ver como seus amigos iriam reagir à notícia de sua morte, por isso ele instruiu sua esposa (Apètèbí) para espalhar a notícia de sua morte, e, em seguida, se escondeu no sótão.
Vários òrìsà apareceram na casa para prestar suas homenagens, mas todos eles disseram à esposa que Ọrúnmìlà lhes devia dinheiro e etc., ela pagou a todos (eles estavam mentindo). Mas quando Èşù veio, ele chorava copiosamente e perguntou se caso precisasse de alguma coisa ela precisava apenas chamá-lo e etc. Além disso, ele disse a ela que devia algum dinheiro a Ọrúnmìlà e prontamente pagou. Ọrúnmìlà então desceu do sótão e disse à Èşù que ele era um verdadeiro amigo. A partir de então, os laços entre os dois foi apertado. Foram depois disso que Èşù ensinou a Ọrúnmìlà os segredos da Ìyàámi e trouxe equilíbrio para a polaridade feminino-masculino na Terra.

Èşù é o mensageiro de Ifá, o oráculo. Ele também cuida da sessão de adivinhação para que tudo corra bem. Áwo tem ìgbà Èşù ao lado do Ìgbà de Ọrúnmìlà, Òlódùmarè fez dele o òrìsà mais poderoso, ele existe na Terra e no òrun ao mesmo tempo. Èşù desempenha um papel fundamental no processo do ebo, dentro do conceito yorùbá de reciprocidade. Èşù não só traduz a linguagem dos seres humanos para a do òrìsà, ele também atenua a situação entre seres humanos e Ajogun. Estes são energias negativas que impedem o progresso dos habitantes da Terra. A crença yorùbá se baseia na ideia do equilíbrio de todas as coisas e todos se esforçam para mantê-lo. Èşù equilibra as duas forças opostas. Quando criamos algo bom, algo ruim também é criado.
Ajogun se manifesta como perdas, doenças e etc. Quando fazemos ebo, é Èşù quem os leva ao òrìsà, Égún, Ìyàámi ou Ajogun. Èşù leva o seu ebo ao destinatário, neste caso pode ser um Ajogun, para que o aceitem em troca da eliminação dos problemas do suplicante. Ele pode ser visto como árbitro entre a pessoa que fez o ebo e os Ajogun em um universo onde se tem que neutralizar as polaridades. Èşù é a força que mantém o equilíbrio entre positivo e negativo, garantindo a virilidade para a continuação da obra de Òlódùmarè. "Enquanto Ifá é como um sistema de alerta contra o ataque do Ajogun, É Èşù que se encarrega de todos os planos de contingência para reduzir ou frustrar o impacto de suas atividades" (Salami). Alguns acreditam que Èşù seja o responsável pelos Ajogun (o equívoco de que Èşù é um sujeito ruim), mas eu acho que é mais apropriado dizer que ele tem um acordo com eles. Esta interpretação é apoiada por um verso em Òsá Ogbè:
Èşù era aluno de Ọrúnmìlà.
Ọrúnmìlà estava sempre ocupado fazendo adivinhações e ebo para as pessoas.
Naturalmente, as pessoas, uma vez que tinham seus problemas resolvidos, esquecia-se de Ọrúnmìlà.
Èşù, sendo seu primeiro aluno, fazia a maior parte do trabalho.
Èşù estava chateado com esta situação, já que eles estavam passando fome o tempo todo.
Um dia, Èşù viu uma gangue inteira de um Ajogun vindo para a Terra.
Ele disse a baba Ọrúnmìlà.
Ọrúnmìlà reuniu vários tipos de comida e instruiu Èşù a ir levá-las ao Ajogun e perguntar-lhes se eles aceitavam o alimento no lugar das pessoas tristes que estavam vindos em seguida.
Os Ajogun depois de alguma reflexão aceitaram os presentes como intervenções e pouparam as pessoas inocentes de vários tormentos.
Isto deu a Èşù um par de ideias.
Ele perguntou aos Ajogun se no futuro, quando eles estivessem atrás de alguém, se eles aceitariam os presentes e poupariam as pessoas.
Eles disseram que não seria mau.
[Então ele fez um trato com eles, dizendo que seria o único a trazer tais presentes]. Ele contou tudo a Ọrúnmìlà e disse que a partir deste dia, ele levaria as ofertas para os Ajogun e ficariam com uma parte da oferta.
Desta forma Èşù e os Babalawo nunca mais sofreriam de fome e pobreza novamente.
Outro equívoco, algumas pessoas acreditam que Èşù leva nossas ofertas para os Ajogun e salva-nos da ira deles e pronto. O que nós temos que fazer é a oferta como prescrito.
Èşù é quem nos empurra para frente, para o crescimento espiritual por meio da transformação.
Se o seu papel de transportador de ebo é este, então ele poderia tranquilamente frustrar nosso progresso. Um olhar mais atento sobre a palavra Ajogun vai espalhar luz sobre este ponto.
Ajogun = A jo oògùn.
Que significa:
Eu danço com o medicamento. Na verdade estamos dizendo:
Evitamos tomar o medicamento.
A medicina (oògùn) é a solução para tudo que impede a transformação espiritual. É função básica d Èşù nos empurrar através da porta para a nossa transformação e crescimento espiritual.
Então por que Èşù evitaria tomar o medicamento?
Essa aparente contradição é esclarecida com o edital yorùbá:
Nenhum òrìsà poderá intervir sem o consentimento de nosso Orí.
Èşù somente poderá intervir em nosso nome se tivermos entrado pela porta, ou seja, quando nós aceitamos a lição contida no Odù em que o ebo foi marcado. O òrìsà ajuda-nos no reino invisível, mas devemos ajudar-nos no reino físico, isto significa que teremos que realizar algum tipo de trabalho em relação a tal problema.

Eu estou me movendo para frente.
Disse Èşù.
Todo mundo está preocupado, eu também, ele respondeu.
Os caninos dos Ajogun se moveram.
Quem é o próximo?
Èşù perguntou.
Eles disseram que era fulano (nome).
Será que ele/a ofereceu o ebo?
Ele ofereceu, disseram (ou não).
Àse.

Seguindo em frente, o crescimento espiritual e a transformação, é o que queremos. O Ajogun (assim como outras forças) pode impedir nosso progresso. Èşù nos permite continuar a crescer, saciando essas forças negativas, com o ebo que fazemos.
Mesmo que tenhamos um destino pré-determinado, nada é garantido. São nossas escolhas que nos mantém em alinhamento ou não. Èşù nos traz as consequências de nossas escolhas e ao fazer isso nos leva de volta ao alinhamento e seguimos em frente.
Èşù é uma força neutra, mas, na maioria das vezes só pensa nele trazendo problemas. Se for isso que você pensa, talvez, você esteja vendo seu próprio comportamento. A relação entre Èşù e Ọrúnmìlà é que enquanto Ifá é um sistema de alerta precoce para problemas eminentes, Èşù é o único que pode evitar esses problemas (Salami). A verdade é que Èşù frequentemente nos protege e traz coisas boas.
Um itọn do Odù Ọwọnrin ‘Òsá é um bom exemplo:
Havia um rei que teve seu filho levado ao rio para uma iniciação.
O grupo de Áwo foi informado pelo Áwo mais jovem que nesta iniciação não deveria ser usado sangue.
Os Áwo mais velhos não deram credito ao jovem Áwo, como o sangue não significaria pagar mais ou menos a eles.
Então eles ofereceram uma galinha e assim o sangue caiu no chão, o filho do rei desmaiou.
O rei furioso disse aos Áwo que eles deveriam ressuscitar seu filho ou estariam todos mortos.
Todos os Áwo fugiram, mas foi somente ìgbìn (caracol), o Áwo mais novo que foi salvo por Èşù.
Èşù o escondeu sob uma folha de Okooko.
Mais tarde o jovem Áwo foi capaz de ressuscitar o filho do rei (na verdade foi Èşù quem fez isso).
Ele foi recompensado com muita riqueza.
Dizemos que Ifá é melhor que os clarividentes, por que enquanto os clarividentes podem ver o futuro, eles não podem fazer este tipo de coisa ou alterá-lo. Ifá pode, e é Èşù quem fornece esse aspecto que dá status superior a Ifá. Ifá nos reconecta com nosso destino e Èşù ajuda-nos a chegar lá.

Òsá méjì

Troca, troca
O sacerdote de Ifá da casa de Elepe
Ele mandou trocar o animal
Pela sua vida, por causa de Ikú (Morte).

Com uma parceria na adivinhação com Ọrúnmìlà, Èşù é o executor e o causador de todas as ações. Ofertas ditadas por Ọrúnmìlà para o interlocutor do oráculo de Ifá são normalmente oferecidas no igbá de Èşù. Todo ritual começa e termina com Èşù. Ele tem o poder de traduzir a linguagem humana para a linguagem do espirito e da natureza e vice e versa.
Èşù é o princípio do caos no universo, mas, ele também traz ordem a partir do caos através do controle sobre o ebo. Ele pode optar por não conter o Ajogun que vai afetar a pessoa arrogante, a fim de ensinar-lhe uma lição. Ele informa, como O Mensageiro, a Òlódùmarè, ao òrìsà ou Ajé quando o ebo está pronto. Ele vê o uso adequado do sacrifício ritualístico.
Embora a oferta seja difícil, ela não é pior que a morte.
Ire é a vida, saúde, dinheiro, filhos, vida longa e etc. A conversão de morte em vida ou Ìbì em ire, são poderes especiais de Èşù.

Ògúndá Ìrẹtẹ.

Pescador que não sabe de onde o mar recebe água e nem sabe a origem da lagoa lançou Ifá para Elégbará no dia em que ele disse que precisava de apaziguamento antes de levar um ebo ao òrun.
Ọrúnmìlà perguntou como ele iria mostrar que seu ebo tinha sido levado para o òrun.
Elégbará disse que aquelas pessoas que havia feito ebo, saberiam se foi aceito.
Para aqueles que nunca fizeram ebo antes, estes deveriam dizer:
Que meu ebo alcance o mar e a lagoa.

Se assim o fizerem, ele será aceito.
Ele disse:
Quem quer que tenha feito ebo antes devo dizer, Meu ebo chegará ao òrun.
A Elégbará foi solicitado que oferecesse ebo, para que as pessoas do mundo seguissem sua orientação.

Ọrúnmìlà fornece o conhecimento necessário à pessoa que veio a consulta, isto inclui soluções que já foram testadas para vários tipos de problemas, bem como oferta ritualística necessária para trazer as coisas de volta a sua ordem natural ou para trazer bênçãos para o cliente (transformar Ìbì em ire).
A ordem é restaurada através do ebo, pois, é Èşù quem supervisiona tudo.
O papel do adivinho é transformar Ìbì (energia negativa, caos ou resistência) em ire (energia positiva, ordem ou abertura a mudanças).

Òsé méjì

O mundo está quebrado em pedaços.
O mundo está dividido, aberto (caos).
O mundo está quebrado sem ninguém para consertá-lo.
O mundo está dividido, aberto sem ninguém para concertá-lo
(Não há maneira de trazer ordem ao caos).
Foi lançado Ifá para os seis mais velhos.
Que desceram em Ilé Ifé.
Eles foram convidados a cuidar de Mole
Eles foram informados que fariam o bem.
Se eles fizessem ebo (através do ebo, a ordem poderia ser levada ao caos).
Se o ebo para Èşù não for feito, não será aceito no Ợrùn.
Àse.


Podemos ver que Èşù é uma divindade maravilhosa e benevolente, não é digno da má reputação que lhe é dada. Ele tem o poder de representação e realização. Ele pode limitar as ações das forças negativas, bem como trazer bênçãos das divindades brancas (positivas) para os seres humanos.
Em minha opinião o maior papel de Èşù é nos golpear na cabeça quando estamos presos a um dogma. Èşù nos lembra de que a verdade não é estática e nada é permanente. Quando Èşù 'satisfaz você na rua' (ditado yorùbá) pode ser doloroso, especialmente se você tem investido muito em sua verdade concreta, é por isso que ele recebe uma má reputação das pessoas. Em Ifá, dogma é a personificação do mal. É isso, por isso e pronto. É isto que separa Ifá das outras religiões mundiais. Quando uma pessoa vai para uma consulta, um Odù é revelado. Ele pode vir em ire (sorte) ou Ìbì (má sorte), positivo ou negativo. Ìbì em yorùbá significa placenta ou recém-nascido. Quando você está no útero, você precisa dela para viver, mas após o seu nascimento, ela pode matá-lo. Assim, em yorùbá, 'o mal' é obra do Diabo. Isto é dogma. É trabalho de Èşù agitá-lo, soltá-lo das amarras para que você possa crescer e alcançar seu destino.
Como todos os Òrìşà e a própria energia, Èşù é ao mesmo tempo positivo e negativo. Muitos se concentram apenas nos aspectos negativos de Èşù. Aqueles que têm uma consciência mais elevada irão focar no lado positivo. Èşù Òdàrà, O Mensageiro Divino da Transformação, irá transformá-lo. Ele tem conhecimento do bem e do mal, bem como a sabedoria e o poder de lidar com as duas forças.
Èşù está intimamente ligado ao mercado, à encruzilhada, todos os locais de liminiaridade, onde a sorte pode mudar em um instante. A encruzilhada em yorùbá é Yangi, e a palavra Yangi significa a intersecção de três ruas e não duas. A coluna vertebral é uma estrada, os ombros são a segunda estrada e a linha entre a glândula Pineal e o òrun é a terceira estrada. A cabeça e o coração entram em alinhamento na parte de traz do pescoço. Em Ifá, esta é a casa de Èşù.
Quando a cabeça e o coração estão em alinhamento, estamos em comunicação com Èşù, ele nos dá as ferramentas para falar com o òrìsà, o que significa que ele nos coloca no caminho com Iponri ou o Eu Superior (Fatunmbi). Èşù nos fala em 'como fazer' e tomar decisões.
A existência de Èşù significa que cada momento envolve uma escolha, de modo a atravessar as três estradas de àse, ou seja, qual caminho percorrer (Fatunmbi). Existe um itọn sobre Èşù que ilustra não só a sua conexão com o mercado, mas também como ele vai fazer você pagar por suas transgressões.
Havia uma mulher bem-sucedida no mercado, que foi orientada a fazer ebo para que ela pudesse manter os frutos de seus esforços.
Ela não fez seu ebo prescrito, pensando que ela era 'a poderosa'.
Enquanto no mercado, Esu começou um incêndio em sua casa.
Ela chegou muito tarde e sua casa foi incendiada.
Enquanto ela corria para sua casa para apagar o fogo, um ladrão (Èşù) roubou todos os bens de sua tenda no mercado.
Novamente, essas histórias, ou itọn, tem um significado metafísico.
Neste caso, o mercado representa a Terra e sua casa representa "o céu", ou melhor, traduzido, "o reino dos antepassados”.
O fogo representa a transformação.
Seus bens no mercado representam sua boa sorte (ire) na Terra.
Mas a sua resistência à transformação espiritual afeta sua sorte no reino invisível, o que faz com que ela perca sua sorte no mundo físico, assim como acima e abaixo. Seu destino está desalinhado, como resultado, o ebo vai demorar em trazê-la de volta ao seu caminho (destino).
Èşù favorece apenas aqueles que fazem o ebo prescrito. E com certeza vai agir contra aqueles que não fazem.
Èşù ocupa estes mundos marginais, tais como:
Mercados, encruzilhadas, estradas e portões. Como Anúbis, ele é o espaço liminar entre o claro e o escuro.
Às vezes Èşù nos provoca a fazer coisas estupidas. No entanto, sempre com seus melhores interesses em mente, ele quer que você cresça, pode ser doloroso, mas é o seu desejo mais íntimo. É por isso que cristãos o traduzem como "O Diabo". Esta é uma aberração.
Existe outro itọn que nos mostra este aspecto de Èşù.
Havia dois amigos, eles foram orientados a fazer ebo para que sua amizade durasse a vida inteira. Eles não viram necessidade. Os dois eram agricultores bem sucedidos e suas fazendas eram próximas. Um dia eles estavam trabalhando, cada um em sua fazenda em lados opostos. Èşù desceu no meio da estrada, ele estava disfarçado, ele usava um chapéu preto de um lado e vermelho do outro, depois que ele passou, um amigo disse para o outro você viu aquele homem que acabou de passar por aqui?
O outro respondeu:
Sim eu vi, e eu reparei em seu chapéu vermelho, é muito bonito.
O outro respondeu:
Eu não vi nenhum chapéu vermelho, o chapéu era preto!
A conversa descambou para os insultos e um chamou o outro de mentiroso, que terminou em confronto físico.
Èşù voltou na estrada e falou do seu truque do chapéu colorido. Os amigos se reconciliaram (em outra versão eles lutam a té destruir a plantação e se matam). Èşù os fez ver que eles acabaram destruindo um ao outro e ao seu trabalho, Èşù os fez ver que nem sempre as coisas são do jeito que a gente vê.

Ọbàrà méjì

Ọbàrà o que você vende que o fez tão rico?
Vendi aboboras.
O Abutre é calvo por não ter medo de navalha.
Píton, o sacerdote de Àgbaalè.
O ferreiro não quer ver o fim das guerras na face da Terra.
Foi este que lançou Ifá para Èjì Ọbàrà.
A criança entre todos eles.
No dia que eles foram lançar Ifá na casa de Olófin.
Estes quatro eram os que lançavam Ifá para Olófin a cada quatro dias.
Sempre que eles vinham Olófin lhes dava comida e bebida.
Porém, um dia.
Olófin pegou quatro aboboras abriu e colocou dinheiro dentro delas.
Ele colocou contas Okun e Iyùn dentro delas.
Ele colocou láàràngúnkàn, as roupas do rei.
Ele também colocou outras coisas valiosas da cidade de Ilé Ifé
Depois que ele terminou o trabalho
Èşù esfregou suas mãos sobre elas fazendo as marcas da faca desaparecerem.
Quando Ọbàrà e seus amigos chegaram
Olófin não lhes deu comida e nem bebida
Depois eles foram descansar por um tempo
Olófin deu uma abobora para cada um
Três estavam curiosos sobre o que fazer com as aboboras
Eles disseram:
Ọbàrà por que você não leva as aboboras?
E foi assim que eles empurraram as aboboras para Ọbàrà
Quando ele chegou a casa
Ele deu as aboboras para sua esposa
Ela disse:
O que eu farei com essas aboboras?
Ele também as recusou e as deixou para Ọbàrà.
Quando a fome lhe apertou o estomago, ele foi à cozinha.
Ele colocou uma panela no fogo
Quando ele cortou as aboboras o dinheiro apareceu em quantidade.
Quando ele cortou as outras três
Ele encontrou muitas coisas valiosas
Que o Olófin havia colocado dentro delas
Foi assim que Ọbàrà se tornou um homem rico
Quando eles retornaram a casa do Olófin
Ele já estava construindo sua casa
Ele já tinha uma nova esposa
Ele havia comprado um cavalo preto
Ele também comprou um cavalo vermelho
Ọbàrà se tornou um homem famoso no mundo inteiro
Ele começou a se alegrar
Os sinos tocaram em Ìpóró
Os tambores foram tocados em Ìkijá
As varas foram usadas incessantemente em vários tipos de tambor,
Na cidade de Ìserimogbe.
Ọbàrà louvou seu Áwo
Seu Áwo louvou Ifá
Ifá louvou Òlódùmarè
Ele abriu sua boca
E Èşù colocou uma canção
Ele disse que foi exatamente como previsto pelo Áwo
Eles usaram suas vozes para louvar Ifá
Ọbàrà, o que você vendeu para ficar tão rico?
Vendi aboboras.
O Abutre é calvo por que não tem medo da navalha.
Píton o sacerdote de Àgbaalè
O ferreiro não quer que a guerra acabe no mundo.
Foram eles que lançaram Ifá para Èjì Ọbàrà
O filho e tudo
No dia em que eles iriam lançar Ifá no palácio de Olófin
Eles não colocam mais Ọbàrà em último lugar
Ele é o primeiro de todos
Èjì Ọbàrà pegou um cavalo preto
Èjì Ọbàrà pegou um cavalo vermelho
Èjì Ọbàrà o que você vende?
Aboboras.
O que foi que o deixou tão rico?
Aboboras.
Àse.

Os nomes dos Áwo geralmente são pistas para a interpretação do Odù. Aqui temos o Abutre, a Píton e o Ferreiro. O Abutre representa as Mães, o Ferreiro representa Ògún, a Píton representa um menos conhecido, porém, muito poderoso òrìsà Òsùmàrè.
As mães, em forma de Òsún, a personificação do princípio feminino. Ògún a personificação do princípio masculino e a unidade simbolizada na Píton (ere). A Píton é o símbolo de Òsùmàrè, que aparece em forma de arco-íris, frequentemente representado por um par de serpentes ou uma única serpente com duas cabeças. Òsùmàrè está associado com a riqueza e a prosperidade.
Curiosamente, a palavra 'marè' (significa: O Imenso, o Infinito ou a Eternidade), aparece em Òsùmàrè e em Òlódùmarè. Diz no antigo mito que o arco-íris é uma mensagem de Òlódùmarè para sua mãe, a Píton, no submundo. Aqui encontramos a antiga ideia de que Òlódùmarè, a luz, saiu da escuridão, a mãe dele no submundo.
O equilíbrio das forças no interior do indivíduo, o alinhamento do Ori Inu (Eu interior) com seu Orí (destino) e os Iponri (Eu superior) leva a riqueza e a prosperidade espiritual, abundância (gbogbo ire). O princípio central de Ifá é a necessidade de estabelecer uma boa relação com o mundo que habitamos. Praticantes de Ifá acreditam em reencarnação, onde o indivíduo retorna repetidamente após sua morte, para saudar a Terra, enquanto parte de sua essência continua residindo no òrun como seu duplo espiritual.
Em Ifá o conceito de troca justa significa cumprimentar a terra com seu bom caráter (Iwa Pèlé, uma elisão de: Iwa òpẹ ilé. Que significa: Venho cumprimentar a terra), aonde o mundo natural vai recebe-lo e o apoiar.
Em yorùbá a palavra para ser humano é eniyan, que significa: Os escolhidos.
Escolhido para continuar trazendo o bem para a Terra. Devemos viver em harmonia com as estações do ano, o meio ambiente e os outros habitantes da Terra. Claramente deve ser entendido que nosso respeito ao meio ambiente está ligado ao não abuso e ao desperdício, os dons e bênçãos que desfrutamos enquanto estamos sobre a terra, o não respeito a estes valores, trará consequências negativas e sofrimentos.
Para viver um caminho honrado, devemos desenvolver atributos específicos do bom caráter e do comportamento ético. Isto implica em responsabilidade pessoal, a natureza gentil e uma disposição para a humildade. Porém, além disso, é preciso equilibrar as forças internas. O objetivo de Ifá é equilibrar todos os elementos da consciência. Temos aqui o Abutre, o Ferreiro e a Píton.
As coisas colocadas dentro da abobora tem seu significado esotérico também. Vamos apenas dizer que o Ori de Ọbàrà (consciência/destino) está sendo elevado em um grande momento. Ọbàrà sempre foi humilde ao ir lançar Ifá para Olófin, pois, sempre foi relegado ao último lugar. Ele não dizia nada, apenas se manteve calmo. As aboboras também tem seu significado esotérico, pois, os outros Áwo e sua esposa não as queriam e isto denota certa falta de caráter por parte deles.
Os cavalos, vermelho e preto, as cores de Èşù. Cavalos representam títulos elevados, como Olófin ou um Obà. Èşù cuida daqueles que fazem o ebo adequadamente. Ọbàrà não discutiu com os outros sobre suas aboboras, ele não foi arrogante a ponto de supor que elas eram inúteis e Èşù o recompensou. Ele não caiu em desgraça aos pés do "Malandro".
Há muitos itọn que falam deste aspecto de Èşù, o Malandro Divino. No entanto, se você mantiver sua mente aberta e não ficar preso em dogmas e trabalhar sobre Orí tutu e Iwà Pèlé, Èşù poderá lhe ajudar e abençoar. A maioria das pessoas propiciam Èşù e parte de seus Oríkì mais populares pedem para que Èşù não nos faça mal.
Esta frase tem vários significados. Um deles é: Estamos pedindo a Èşù para manter uma linha clara de comunicação conosco, para que possamos ver coisas como elas realmente são e assim evitarmos erros estúpidos, como vimos no exemplo acima dos dois bons amigos.
O outro significado é pedir para que ele não nos isole para uma lição, como fez com a mulher no mercado.
A pessoa sábia não tem medo de Èşù, nem necessidade de propiciar-lhe constantemente, por que ele/a não vai agir com pressa, arrogância ou deixar de lembrar que a verdade é fundamental. A pessoa que alcançou ìwà pèlé (bom caráter), mantem Orí tutu e tem a humildade de enxergar a verdadeira verdade, não precisa se preocupar se Èşù vai lhe dar uma lição. Os anciãos que viveram uma vida de ìwà pèlé, Orí tutu e obrigações ritualísticas e prosperaram, são reverenciados em terras yorùbá. Eles não sabem quem é o Èşù Malandro, mas, sabem quem é o "Doador dos presentes". Por exemplo, os membros Ògbóni, o conselho dos anciãos, não precisam fazer oferendas a Èşù fora das obrigações anuais e/ou ritualísticas.

Èşù pele, Opin, Ajibike, Okaramaho, Oyinsese,
Ọlọfin- Apeka’lu, Amonisegun-mapo.
(Mensageiro Divino, eu chamo você por seus nomes de louvor).
Èşù, Eu honro você por causa do seu poder.
Èşù, você é o criador da estrada.
Venha com bondade para mim e para minha família,
Que atende com presentes
Èşù, você é o doador de presentes.
Faça-me rico e a "mãe" de bons filhos
Nunca permita que vossos filhos sofram infortúnios
Venha com sua aparência linda,
 Você, filho dos búzios.
Àse


Iba re Òlódùmarè mi igbo
Oba ateni legelege fori s’apeji omi

Reverências a você poderoso Òlódùmarè
O rei que espalha um tapete fino, usando a cabeça como uma fonte de chuva
Àse.

Por Áwo Fategbe
Tradução: Odé Ợlaigbò


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