quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Ọșogbo – O reino de Òşún



A festa anual das oferendas a Òşún, realizada em Ọșogbo na Nigéria é uma reatualização do pacto que o primeiro rei local contraiu com o rio do mesmo nome.
“Laro”, o antepassado do atual rei, depois de prolongadas atribulações procurando um lugar favorável onde pudesse instalar-se com seu povo chegaram ao rio Òşún, onde a água corria permanentemente.
Segundo se conta alguns dias mais tarde uma das filhas desapareceu nas águas quando se banhava no rio e, passado algum tempo, delas saiu, esplendidamente vestida. Declarou aos seus pais que fora admiravelmente recebida e tratada pela divindade que ali morava.
Laro foi fazer oferendas de agradecimento ao rio. Muitos peixes, mensageiros da divindade, em sinal de aceitação, vieram comer o que o rei jogou na água. Um peixe de grande tamanho veio nadar perto do lugar onde ele se encontrava e cuspiu água.
Laro recolheu essa água em um cabaça e bebeu-a, celebrando assim um pacto de aliança com o rio. “Em seguida estendeu as mãos e o grande peixe saltou nelas e assim assumiu o título de Àtàója, contração da frase yorùbá” A le’wo gba eja (aquele que estende as mãos e pega o peixe).
A partir disso ele declara “Òşún gbo”, isto é, (Òşún encontra-se em estado de maturidade, suas águas sempre serão abundantes).
Daí originou-se o nome da cidade, Ọșogbo.
No dia da festa “Òdùn Òşún” o “Àtàója” vai com grande pompa até o rio. Leva na cabeça uma coroa monumental feita de pequeninas contas. Usa um pesado traje de veludo e caminha com gravidade e calma, rodeado por suas esposas e dignitários.
Uma filha do “Àtàója” carrega nessa procissão anual, uma cabaça de Òşún. Ela tem o título de “Arúgbó Òşún” (aquela que carrega a cabaça de Òşún) e só pode exercer essa função antes da puberdade.
Ela representa a menina que desapareceu outrora no rio. Sua pessoa é sagrada e o próprio “Àtàója” inclina-se diante dela.
O Àtàója vai sentar-se numa clareira e acolhe as pessoas que vieram assistir à cerimônia. Os reis e chefes das cidades vizinhas comparecem ou enviam seus representantes. A todo o momento chegam delegações precedidas por orquestras. Troca de saudações, prosternações e danças, como marca de cortesia recíproca que se sucede em crescente animação.
No final da manhã, o Àtàója, acompanhado de sua corte e convidados aproxima-se do rio Òşún e manda jogar nele, através da Iya Òşún e do Aworo, oferendas de comidas: “agídí” (massa feita de milho), inhames cozidos, ” iyanli” (espécie de sopa) etc.
Os peixes disputam as comidas sob o olhar atento das sacerdotisas de Òşún.
 A seguir o Àtàója vai ao recinto de um pequeno templo vizinho e senta-se em cima da pedra (Òkúta Laro) onde seu antepassado Laro repousou outrora.
O Àtàója está rodeado pelos dignitários do culto de Òşún:
Iya Òşún, a mulher que se encontra à frente das sacerdotisas.
Aworo, o homem que se encontra à frente dos sacerdotes e seus substitutos.
Jagun Òşún, a mulher guerreira de Òşún.
Balògun Òşún, o guerreiro de Òşún.
Ololigan Òşún, o homem que se encontra à frente de todos aqueles que fazem oferendas a Òşún.
Ìyàlódè Òşún, à mulher que se encontra à frente de todos os adoradores de Òşún, com exceção dos “Ìwòrò”.
Iyan gba Òşún, a mulher que, a cada quatro dias, vai procurar água para lavar os seixos de Òşún.
Àkùn Yungba Òşún, chefe dos cantores do culto a Òşún.
Prosseguindo ao cerimonial da festa a “Iya Òşún e o Aworo” realizam a adivinhação para saber se a divindade ficou contente com as oferendas que acabam de fazer-lhe e se tem alguma vontade a exprimir.
A seguir as pessoas cantam em torno do Àtàója, sentado no Okuta Laro. “Seguem-se então cantigas em louvor a Òşún seguido de cânticos em comemoração à ação de Òsànyìn cujas palavras evocam as virtudes simbólicas de certas folhas”.
Ìrókò, que produz calma.
Ògègè a árvore na qual se sobe para ficar protegido.
Òdúndún, sempre fresca.
A parte religiosa pública chegou ao fim. O Àtàója, seguido pela multidão volta à clareira onde recebe seus convidados e os trata com uma generosidade digna da reputação de Òşún.
Fora desta data anual são feitas oferendas a Òşún a cada quatro dias (semana yorùbá).
A festa anual (Òdùn Òşún) retorna portando a cada noventa e duas semanas yorùbá, perdendo um dia em cada ano solar normal e dois dias a cada ano solar bissexto.
O Àtàója, referindo-se a deusa Òşún diz:
“O povo de Ọșogbo e o Àtàója tem um pacto com o rio Òşún”.
Eles acreditam que o espírito de Òşún mora no rio Òşún e tem ali seu palácio, em lugar próximo de Ọșogbo. Pensam também que todos os lugares profundos do rio Òşún, a partir de “Ìgèdè” onde ele nasce até a laguna de “Leke” onde ele despeja suas águas, são habitados pelos espíritos de todos os seguidores, servidores e amigos quando ela vivia.
Esses lugares profundos recebem a denominação de “Ibú”.
Finalizando diz:
Todos os rios tributários que deságuam no rio Òşún são os dedos da deusa e todos os peixes que nele existem, bem como em seus afluentes são os mensageiros de Òşún.
Os tesouros de Òşún são guardados no palácio do “Àtàója” templo este que fica situado nas proximidades do rio Òşún.


Òsó Igbó pèlé o, gbogbo ìkòkò mi lé tí fo tan.
Feiticeiro da Floresta faça devagar, você já quebrou todos os meus vasos.
A tẹwọ gbáà eja.
O que deu origem a Àtàója
(Contração de frase yorùbá ele estende as mãos e recebe o peixe).

Àtàója declarou então:
Òşún gbó!
Sélèrú àgbò, àgbàrá àgbò,
L’Òşún fi we ợmợ rè
Kí dókítà ó tó dé

Òşún está em estado de maturidade,
Suas águas são abundantes.
Torrentes de poções
É onde Òşún banha seus filhos
Antes que venham os doutores.


domingo, 2 de julho de 2017

Tipos de Ẹgbẹ Ợrùn

O texto abaixo nos remete ao conhecimento de que não existe apenas o Ẹgbẹ Abiku como único Ẹgbẹ Ợrùn, problemas na infância ou mesmo na fase adulta podem estar ligados a algum desses clãs. Um sacerdote versado é a escolha indicada para investigar, diagnosticar e tratar desse assunto. Veremos uma pequena amostra desse universo poderoso, oculto e admirável chamado Ẹgbẹ Ợrùn.
O pequeno texto abaixo é uma compilação do livro homônimo de Ayò Salami.
Segue:



Também chamado de Alaragbo em alguns lugares das terras yorùbá, Ẹgbẹ é geralmente associado com as crianças do que com adultos. De acordo com um verso de Ifá em Èjì Ogbè, Ifá diz:

Pelos atos de um inhame, optamos por convertê-lo em inhame pilado
Pelos atos do milho, nós os escolhemos como papa.
Pelos atos de uma mulher, ela mesma se faz ser a favorita
Pelos atos do filho de alguém, é ele que se marca como Aręmợ*
Ifá foi lançado para Ọrúnmìlà
No dia em que Ifá estava formando o Ẹgbẹ de filhos
Não leve o Áwo a ruína
Vamos utilizar as folhas de kókò para marcar a árvore Òpę.

*Aręmợ é o filho mais velho de uma família que na maioria das vezes é visto como o herdeiro aparente.

Os yorùbá acreditam na formação de um filho desde o nascimento para que possa ser útil a si mesmo e para a sociedade. Logo que ele nasce, a adivinhação do Esentayé se realiza para determinar a trajetória do filho nessa vida. Padrões e inclinações de conduta também darão pistas para se conhecer e o que fazer para ajudá-lo moralmente e aumentar suas possibilidades de êxito em suas empresas no futuro. Quando um filho rouba, chora sem para, mente com freqüência ou mostra qualidades de liderança, há rituais que se faz para mudar a situação ou melhorar os rasgos positivos. Algumas situações ajudam a identificar a ‘firma espiritual’ de um filho, de maneira que isso não venha atrapalhar suas possibilidades entre seus pares durante sua vida.
Sobre essa base de rasgos de caráter dos seres humanos na Terra, os yorùbá tem classificado Ẹgbẹ em diferentes categorias. Antes de discutir essas categorias notemos que Ẹgbẹ se conhece como:
Como incontáveis são as áreas na Terra. Isso mostra que eles são incontáveis e é impossível fazer uma lista de todas elas. Na continuação veremos alguns exemplos.

Ìyálóde

Ìyá l’óde é considerada como a líder de Ẹgbẹ na Terra, a qualidade de liderança é característica mais evidente dessa classe de Ẹgbẹ. Olhando pelo nome, pode parecer que somente as mulheres podem pertencer a Ẹgbẹ Ìyálóde. A liderança de Ìyálóde pode, no entanto, limitar-se a Terra como Ifá declara em um verso de Ìròsùn mèjì:

Asékéséké ìlèkè
Ìlèkè náà asékéséké
São eles que lançam Ifá para Jánjásá
Jánjásá é a chefe de Ẹgbẹ no Ợrùn
Portanto, todas as fortunas da riqueza devem seguir para a casa de Jánjásá
Asékéséké ìlèkè
Ìlèkè náà asékéséké
A fortuna das pessoas devem seguir para a casa de Jánjásá
Asékéséké ìlèkè
Ìlèkè náà asékéséké
A fortuna dos filhos devem seguir para a casa de Jánjásá
Asékéséké ìlèkè
Ìlèkè náà asékéséké
Todas as boas fortunas devem seguir para a casa de Jánjásá
Asékéséké ìlèkè
Ìlèkè náà asékéséké

O verso mostra que Jánjásá poder ser o nome do chefe de Ẹgbẹ Ợrùn, enquanto Ìyálóde é a chefe de Ègbè na Terra ou Jánjásá é outro nome para ela que é conhecida como Ìyálóde. Também apreciamos que há incontáveis Ìyálóde na Terra. Ìyálóde sonham estar perto da motivação e bem vestidas. Um de seus nomes de louvor é:
A d’aso bi eku eégún.
Que significa:
Ela que se veste com roupas coloridas, como um baile de máscaras.

Elas se encantam com festas, ser reconhecida com sua presença onde quer que esteja. Normalmente estão mentalmente distante e são criativas, Ìyálóde cuida bem de seus filhos e trabalha para sua segurança, proteção e sucesso.
A devoção ao Ẹgbẹ que a Ìyálóde dá, também proporciona aos filhos e pode trazer riqueza. Entretanto a classe de Ẹgbẹ que se conhece como:

Decano de Olódùmarè
Venham ver a divindade que os delegados de Olódùmarè
Concedem a seus filhos
Éré5 nunca concede seu saber à outra pessoa.

Outro verso para Ìyálóde diz:

Alátédé, Ìyálóde é um rei
Ele que tem antídoto contra Àbíkú
Não posso me atrever
Meu senhor está parte superior da árvore Ose
Onde mostram seus numerosos filhos como mercadorias.

Dar filhos, riquezas e proteção a seus devotos não são os únicos benefícios da devoção a Ìyálóde, os poderes psíquicos são comuns em todos do Ẹgbẹ, porém, é altamente mais atuante na Ìyálóde, a maioria dos psíquicos que podem aproveitar a energia do reino subconsciente o fazem através da ajuda de Ẹgbẹ. Infelizmente, muitos destes psíquicos não sabem que suas habilidades serão melhoradas através de Ẹgbẹ.

5- Outros nome pelo qual Ìyálóde é conhecida
6- Se tratam de filhos que morrem e voltam a Terra em várias ocasiões através dos mesmos pais.

No verdadeiro sentido, o duplo espiritual (Enikèjì Ợrùn) com o psíquico, mantém diálogos com o duplo espiritual do cliente para tirar informações, quanto mais forte é a afinidade do psíquico, maior será a transferência de informação.
Talvez as características que todos conhecem de Ìyálóde pode haver sido a razão dessa descrição que se encontra dentro de algum de seus nomes de louvor.

Ele que tudo vê de dentro para fora
Ele se envolve em sabedoria como tecido
Mulher multi-vestida com um lado da cintura incomodando os ladrões
É muito perigoso ofender Ìyálóde. Tão benevolente como ela é, também pode se má. Todas as formas conhecidas de Ajogun serão enviadas ao infrator.
Um de seus cantos de louvor diz:

O amigo do tocador do tambor dundun
Ele resgata alguém em dias ruins
Meu amor, não exija a hospitalidade que você não pode pagar7Ìyálóde
Isso faz seu vestido um traje de disfarce
Não há nada que o destino não possa estragar
Por favor não mexa em meu destino
Não use meu Ori como um dispositivo para assar inhames.


As linhas 6 e 7 desse canto, mostram que ofender Ìyálóde ou qualquer Ẹgbẹ equivale a colocar em perigo o próprio destino, não importando o quanto destino de alguém possa ser e carregar de bom. Se Ẹgbẹ é antagônico, alguém acordará na desgraça. Não há tabu em geral ou alimentos favoritos conhecidos para Ìyálóde, fora os alimentos favoritos de Ẹgbẹ. Mesmo que sendo um líder de Ẹgbẹ, muitas sacerdotisas dizem que a comida oferecida a Ìyálóde geralmente é maior em volume em comparação com outro tipo de Ẹgbẹ. 

Ire Alaafia


Tradução: Odé Ợlaigbo

sábado, 27 de maio de 2017

Deus segundo Spinoza, Baruch

Para de ficar rezando e batendo o peito!
O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
Para de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias.
Aí é onde eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
Para de me culpar da tua vida miserável:
Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau.
O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Para de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo.
Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho...
Não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir.
Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
Para de ter tanto medo de mim.
Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo.
Eu sou puro amor.
Para de me pedir perdão.
Não há nada a perdoar.
Se Eu te fiz...
Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio.
Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez?
Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade?
Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti.
A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre.
Não há prêmios nem castigos.
Não há pecados nem virtudes.
Ninguém leva um placar.
Ninguém leva um registro.
Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho.
Vive como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir.
Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não.
Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste...
Do que mais gostaste?
O que aprendeste?
Para de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar.
Eu não quero que acredites em mim.
Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Para de louvar-me!
Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?
Me aborrece que me louvem.
Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato?
Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido? ...
Expressa tua alegria!
Esse é o jeito de me louvar.
Para de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim.
A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas.
Para que precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora!
Não me acharás.
Procura-me dentro...
Aí é que estou batendo em ti.

Baruch de Espinoza (24 de novembro de 1632, Amsterdã — 21 de fevereiro de 1677, Haia), foi um dos grandes racionalistas e filósofos do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Nasceu em Amsterdã, nos Países Baixos, no seio de uma família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno.

Spinoza sem saber nos joga dentro do Ifismo/Culto de òrìşà e prega o cumprimento do nosso destino, a liberdade de escolha, a buscar ajuda nas forças da natureza e cumprir tudo aquilo que nossa filosofia prega.

Pegue sua vida e faça o melhor que puder com ela.

Epa Odù. Epá Òrìşà.


sexta-feira, 19 de maio de 2017

Ìbà Òşún oooooooooo



Os assuntos de Òşún são importantes.
Os assuntos de minha mãe são importantes.
Os assuntos de Òşún, são importantes.
Eu nunca brincarei com os assuntos de Òşún.
Os assuntos de Òşún são importantes.
Òşún, mulher valente, viril e muito experiente.
Minha mãe Origimoba, mulher como o homem,
Que fez a sua maior contribuição libertando, despertando e conscientizando as mulheres de todo o mundo desde o início.
Durante o tempo de vida física dos Irunmọlẹ neste planeta Terra, nossa mãe tentou o seu melhor antes de ascender através da água e deixar a Terra para o Céu.
Se não fosse por Òşún, às mulheres não seriam dadas qualquer reconhecimento e honra (Òsétúrá).
As mulheres não teriam conhecido os seus direitos e as tarefas à frente delas, se não fosse nossa mãe.
Você, como uma mulher, qual a contribuição que você quer dar para a humanidade e para a posteridade, como você será conhecida?
Firmemente levante-se para trabalhar até o ponto mais crítico de sua energia, na contribuição justa para a cultura de sua comunidade, o conjunto político, os costumes, a economia, a religião, a linguística, a tradição e outras formas de vida, para que seu nome possa ser registrado para a posteridade.
Seja corajosa, sábia, humilde, política e honesta como nossa mãe, Òşún Sengise.
Minha mãe, Otoro Ẹfọn, eu dou grandes elogios a você.
Ore Yèyé O!
Ore Yèyé O!
Ore Yèyé O!

Fatunde, Fakayode Fayemi
Tradução: Odé Ợlaigbò


domingo, 23 de abril de 2017

Òsá diz: Um mau Ori não é reconhecido na multidão



Uma cabeça atingida com a má sorte não se destaca desproporcionalmente
As pegadas de uma pessoa louca não são distinguidas no caminho
É impossível conhecer a cabeça de alguém que será coroado no meio da multidão.
Estas foram as declarações de Ifá para Mobowu
A esposa de Ògún
Quando eles faziam todas as coisas sem nenhum sucesso
Eles foram aconselhados a oferecer ebo.

Mobowu era a esposa de Ògún, antes deles se casarem, eles dois não haviam tido uma boa vida financeira. Quando eles se casaram a coisa piorou. Ògún estava experimentando uma série de perdas em seu trabalho. Ògún era um caçador, um ferreiro, um cantor e artista. Sempre que ela ia a montanha caçar, ele se deparava com elefante, búfalo, veados, antílopes, leões, leopardos e etc., sendo um homem de movimentos rápidos, ele mesmo assim nada conseguia. O irônico na situação era que ele não era capaz de rastrear onde as presas caiam ou fugiam, até depois de três dias quando o animal já estava infectado com moscas e vermes!
Um dia ele se sentou e estava murmurando sobre sua má sorte e um pensamento veio a sua mente, seria Mobowu, sua esposa, ela seria a raiz de seu infortúnio?
Não seria o espírito dela que estava trabalhando junto a ele?
Poderia ser, tinha que ser isso, suas pernas (Odù) estavam infectados espiritualmente com o infortúnio?
Quanto mais pensava no assunto, mais ele acreditava nessa ideia.
Ògún então raciocinou:
Era bem possível que essa era a única explicação, ou, não!
Desse momento em diante, Ògún percebeu que seu inimigo era sua esposa, que ela era o bloqueio e o tropeço contra seu progresso, que outro nome você poderia chamar uma mulher, a qual, tenha trago tanto infortúnio e tanta má sorte?
Pelo contrário, Mobowu era uma comerciante, mesmo que fosse uma comerciante de sucesso, antes dela se casar com Ògún, ela podia sem mais e nem menos sustentar a si mesma. Quando ela se mudou para a casa de Ògún, seus negócios de mercado despencaram completamente. Ela não tinha dinheiro para continuar seus negócios. Ela não podia pedir ajuda a seu esposo por que ela sabia que ele não tinha dinheiro. Ele foi à casa de seus pais e lhes pediu dinheiro. Antes que eles lhe dessem o dinheiro, eles a fizeram chorar sem parar por muitos dias. Ao final, o dinheiro foi dado, ela decidiu começar o seu negócio de farinha de milho e frituras de feijão. Ela comprou todos os materiais possíveis e necessários para o seu negócio, anunciou para todos os seus vizinhos e todos eles prometeram um bom patrocínio.
No dia em que ela começou seu negócio, ela não viu ninguém para comprar seus produtos, ela foi pelos arredores onde estavam seus vizinhos, porém, eles disseram a ela que já haviam comprado suas comidas e que ela voltasse no dia seguinte. Alguns deles disseram que não sabiam que ela começaria a vender naquele dia.
Alguns chegaram a dizer que duvidaram de que ela faria isso. Ao final, ela foi forçada a distribuir parte dos alimentos aos filhos e outras pessoas como presente. Antes de uma lua cheia, ela já havia gastado todo o dinheiro que seus pais lhe haviam dado. Ela chorou amargamente. Quanto mais chorava, mais odiava seu esposo. Ela se lembrou que haviam outros pretendentes que haviam feito a corte a ela, porém, seus pais os recusaram, preferindo Ògún em vez dos outros. Para piorar as coisas, todos aqueles que foram seus pretendentes estavam vivendo muito bem, se ela tivesse tido a sorte de se casar com algum deles, ela não estaria nesse estado de vários problemas em que se encontrava. Quanto mais refletia sobre isso, mais ela odiava seu esposo, Ògún. Chegou a um ponto que não havia nada que Ògún fizesse que a impressionasse, ela se metia com ele em todas as oportunidades.
No entanto um dia, Mobowu lhe pediu que trouxesse dinheiro para alguns utensílios da casa, Ògún respondeu, enfurecendo até o ponto que ela começou a falar impropérios e abusos para seu esposo. Não houve um só insulto que ela não usou para qualifica-lo. Ela fez isso até ele se dar conta que era o responsável por todos os seus infortúnios e má sorte.
Se não fosse por ele, ela disse, ela poderia estar desfrutando sua vida em um outro lugar. Ela mau disse, humilhou e abusou dele por mais de cinco horas. Ògún simplesmente ficou calado. Isso o molestou ainda mais. Ela gritava o mais alto possível. Mesmo assim, Ògún não disse nada. Ela agarrou a roupa de Ògún, ela bateu e o esbofeteou repetidas vezes, ela disse:
Você é um marido desocupado, não serve para nada.
Ela gritou com ele: 
Você é louco!
Ògún derrepente gritou:
Você também é louca!
Ela usou suas unhas para rasgar o rosto de Ògún. Isso fez com que Ògún batesse nela. Nesse momento ela decidiu se divorciar de Ògún e pôr um fim a todos os sofrimentos. Ele decidiu ir consultar Ifá para encontrar a forma mais fácil e rápida dela pôr fim a seu matrimônio com Ògún. Ela foi ao grupo de Áwo citado acima.
Durante a consulta a Ifá, Òsá mèjì foi revelado. O Áwo lhe informou que ela estava a ponto de dar um passo e ela havia vindo para saber o resultado de sua decisão.
Ela foi advertida a não dar esse passo uma vez que ela estaria presa ao arrependimento por haver tomado essa decisão errada que causaria arrependimento para o resto de sua vida. A ela foi informado que toda sua consideração estava baseada em dinheiro e em bem estar financeiro somente. Ela estava segura que havia muitas outras coisas que eram cruciais em um casamento que apenas o dinheiro. A ela também foi dito que ela havia sido abençoada com filhos, boa saúde, segurança e posição social na comunidade, tudo isso ela havia ignorado somente por que seu esposo não era rico nesse momento. Eles perguntaram o que havia feito ela pensar que essa maré não poderia mudar para ela e seu esposo em um futuro próximo?
Eles a advertiram a ela que não usasse linguagem abusiva contra seu esposo novamente e que desse a seu esposo a oportunidade de melhorar seu bem estar e de sua família, eles também disseram que os dois, marido e esposa, haviam se ofendido desnecessariamente e incessantemente. Foi por isso que nenhum dos dois pode ver alguma coisa boa ou benevolente em cada um.
Ao final, Mobowu, foi aconselhada a oferecer ebo tal como descrito acima, ela foi aconselhada a voltar para casa e que desse uma chance a paz. Ela obedeceu a todos os conselhos dos Áwo, ela regressou para casa, completamente determinada a dar uma chance a seu esposo, ela também decidiu mudar seu comportamento e sua atitude em relação a seu esposo.
Quando ela regressou para casa, ela começou a fazer todas as tarefas da casa, que ela havia abandonado até então. Antes que Ògún regressasse para casa, sua comida estava pronta, ela serviu sua comida com respeito. A princípio Ògún estava surpreso, logo Ògún se deu conta que sua esposa verdadeiramente havia mudado para melhor. Eles começaram a ver as virtudes de cada um, enquanto eles estavam cegos antes de seu amor começar a crescer. Eles se tornaram muitos carinhosos um com o outro, eles logo se deram conta que o dinheiro não era tão importante em suas vidas, eles concluíram que o amor, respeito mútuo e entendimento um pelo outro era tudo que precisavam.

Òsá mèjì diz:

Uma cabeça atingida com a má sorte não se destaca desproporcionalmente
As pegadas de uma pessoa louca não são distinguidas no caminho
É impossível conhecer a cabeça de alguém que será coroado no meio da multidão.
Estas foram as declarações de Ifá para Mobowu
A esposa de Ògún
Quando eles faziam todas as coisas sem nenhum sucesso
Eles foram aconselhados a oferecer ebo.
Eles foram aconselhados a oferecer ebo
Aquele que se tornará rei no futuro
Ninguém pode dizer com certeza
Que o casal deixe de se ofender com nomes de baixo calão
Quem será coroado rei amanhã?
Ninguém sabe.
Ifá diz que com amor e entendimento a vida desse casal será boa. A porta do sucesso está aberta.

Epá Odù, Epá òrìşà.

The Book Ifá Dida 1
S. Popoola.

Tradução: Odé Ợlaigbò

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Aos Vencedores!!!



Eu sei, eu sei. Às vezes parece que nada adiante, que nada vai dar certo, que quem escapar da miséria, do assaltante, da bala perdida e da bomba do terrorista a epidemia pega, e que o fim dos tempos está ali na esquina.
Mas, pense o seguinte:
Você pertence a uma raça de vencedores. Os antepassados de toda a sua raça - a humana - têm, todos, as mesmas características positivas em comum. Todos sem exceção, atingiram a maturidade, pelo menos a sexual. Todos sobreviveram a pestes, guerras, má nutrição e desastres naturais e chegaram à idade de ter filhos. E todos- olha só a sua sorte- eram férteis. Não eram necessariamente, todos heterossexuais, mas, pelo menos uma vez na vida foram. E, por acidente ou não, tiveram pelo menos um filho com um parceiro de outro sexo.
Quer dizer, você pertence a uma linhagem admirável que nunca se deixou abater, e venceu todos os obstáculos para que você e a sua raça estivessem aqui hoje, se queixando da vida. Você mesmo não se dá conta do que passou para existir. Do seu feito, do seu mérito em sair do nada- ou quase nada, uma larva- e ficar desse tamanho. Não pense que você estava sozinho no sêmen do seu pai. Que era moleza, só chegar no útero da sua mãe assoviando e pimba, fecundar o óvulo. Havia milhões de outros espermatozoides no sêmen do seu pai, naquela particular jornada. Milhões. E não era, assim, como a S. Silvestre, em que já se sabe que o vencedor será um africano magrinho. Ou como a Formula 1, em que o resto da equipe trabalha para um vencedor designado. Ninguém é favorito, ninguém é azarão na corrida para o óvulo. E não tem aquela: "Passa, irmãozinho", "Não, passa você". Era cada um por si. E você venceu!
O espermatozoide que deu você derrotou milhões de espermatozoides que deram em nada e chegou na frente. Aquele berro que você deu ao nascer foi um grito de vitória, um “Primeirão” em linguagem de recém-nascido, guardado na garganta por nove meses. E você tinha todas as razões para se sentir um vencedor, membro de uma casta de vencedores – os que nasceram, os que estão aí. Pense naqueles espermatozoides que não conseguiram. Que tinham o mesmo objetivo, a mesma vontade de ser alguma coisa na vida e fracassaram. Para eles não adiantava chegar em segundo. Não havia vice e nem repescagem. Ou chegavam em primeiro ou estavam condenados a não existir. E o primeiro, o primeirão, foi você.
Ponha aí no seu curriculum:
“Vencedor da corrida para o Óvulo”, o local e a data.


Luiz Fernando Verissimo.

terça-feira, 11 de abril de 2017

O Rio entra no mar


Dizem que antes de um rio entrar no mar, ele treme de medo. 
Olha para trás, para toda a jornada que percorreu, para os cumes, as montanhas, para o longo caminho sinuoso que trilhou através de florestas e povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto, que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. 
Mas não há outra maneira. 
O rio não pode voltar. 
Ninguém pode voltar. 
Voltar é impossível na existência. 
O rio precisa de se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entrar no oceano é que o medo desaparece, porque, apenas, então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas de tornar-se oceano.




Quem vencer o inimigo interno não deve temer o inimigo externo.
 Por: Awo Falokun Fatunmbi

Aqueles que adoram Òrìşà estão empenhados em encontrar uma maior consciência de si e do mundo.
Ifá ensina que este caminho tem suas raízes no processo de superação do medo.
Há aqueles que vivem com medo e perpetuam este medo em vez de encontrar o seu destino.
Ifá, como a maioria das tradições espirituais, ensina que o medo é superado pela coragem.
Não há maneira fácil de acessar a coragem e a cada confronto com o medo envolve uma ação, apesar do medo.
Ifá reconhece que uma das maneiras mais fáceis de evitar o medo é sufocá-lo.
Por exemplo, se alguém está com medo de falhar, enquanto procura um emprego, argumentando que o medo pode negar que não há empregos disponíveis.
Os psicólogos chamam esse processo de "drift".
Um elemento-chave na vida em harmonia com o Òrìşà é a capacidade de identificar, apoiar e transformar esses medos internos que impedem a ação.
Este provérbio é muito claro em afirmar que uma vez que os medos interiores forem superados. Os medos que ocorrem no mundo exterior tornam-se insignificantes.
Um dos rituais usados para desafiar o medo é a invocação de Ògún. A invocação é seguida por um pedido a Ògún para que os obstáculos que estão no caminho sejam removidos para o fortalecimento do destino pessoal.
Quanto mais eu sabia que Ògún era reverenciado na África por este motivo, mais claro ficava para as pessoas que carregavam esse chamamento a Ògún a surpresa em descobrir que os obstáculos são internos e não externos.
Em termos literais a obstrução é imaginária e não real. De acordo com as escrituras de Ifá, os obstáculos criados como: demônios imaginário chamados de Eléníni.
Os demônios imaginários são difíceis de dissipar, porque eles permanecem ilusórios, sempre mudando de forma pouco antes de uma real transformação ocorrer.
Eu acho que muitas pessoas que disseram que queriam ter sucesso em suas carreiras, nunca fizeram progressos concretos. Frequentemente tinham muitas desculpas para a sua situação, normalmente focado em exemplos reais de tratamento injusto. Quando a divinação indica que a questão principal é o medo do sucesso, a mensagem pode ser muito difícil de ser aceita. Na minha experiência, aqueles que não aceitam são aqueles que não progridem.

Epa Òrìsà.

Tradução: Odé Ợlaigbo


quarta-feira, 5 de abril de 2017

Òsá mèjì fala da importância de dar a parte de Èşù


‘Lanroye (Èşù Òdàrà) era o filho adotivo de Ợbàtálá nesse verso do Odu. Quando os Irúnmọlè estavam vindo do Ìkợlé Ợrùn para o Ìkợlé Aye, Èşù Òdàrà, conhecido como ‘Lanroye, se aproximou de Ợbàtálá e pediu para ser seu filho adotivo quando estivessem na Terra. Ợbàtálá concordou.

Quando eles chegaram na Terra. Èşù Òdàrà (Lanroye) se mudou para a casa de Ợbàtálá como seu filho. Eles estavam vivendo juntos como uma família, cada vez que Ợbàtálá, mandava Lanroye para uma tarefa, ele buscava uma esquiva para não fazê-la. Se essa tarefa era para ser feita em casa, ele fingia uma dor de cabeça ou fingia não ter entendido bem a ordem dada. Algumas vezes, ele simplesmente fugia de casa muito cedo pela manhã e regressava quando todos as tarefas já estavam prontas. Yemoo, a esposa de Ợbàtálá sempre se queixava, porém, logo se acostumou com as maldades de Lanroye. Era muito pior quando ele era enviado a fazenda. Ele colocava no cesto, a enxada, o facão e deliberadamente causava uma chuva para se assegurar que todos os caminhos ficassem cobertos e o rio transbordasse e não fosse possível atravessar. Às vezes, Lanroye era mais natural, especialmente se Ợbàtálá escolhia leva-lo para a fazenda a força. Ele provocava o colapso na ponte ou usava seu Ado Ase, instrumento de poder, para causar dor de cabeça, mal de estomago ou enjoos em Ợbàtálá. Isso os forçava a retornar para casa. Lanroye retornava para casa triunfante.
Ợbàtálá e Yemoo eventualmente consideravam Lanroye o menino como o problema da família.
Um dia, Lanroye decidiu pagar todos os bons gestos de seus pais adotivos. Ele disse que tinha praticado muitas ações más e lhes havia infligido muitas dores e a única forma de recompensa-los seria de uma forma que eles jamais esqueceriam.
Quando ele decidiu fazer isso, estava em sua mente:
Como poderia recompensar seus pais, quando ele nunca havia trabalhado?
Como ele poderia mostrar gratidão quando na verdade ele tinha apenas poupado sua energia?
Como ele poderia mostrar gratidão pelos bons gestos que eles fizeram, quando ele era um vagabundo sem disposição para realizar qualquer tipo de trabalho?
Logo, ele teve uma ideia de como fazer isso de forma exitosa. Ele buscou dentro de sua bolsa de magias e tirou uma ideia genial na qual converteria seus pais em pessoas de sucesso da noite para o dia, sem ferir ou provocar dor em qualquer pessoa.
Um dia, muito cedo pela manhã, Ợbàtálá acordou Lanroye e lhe instruiu para se preparar para ir a fazenda. Para surpresa de Ợbàtálá, Lanroye rapidamente se colocou à disposição. Ele embrulhou alguns facões e enxadas, colocou tudo em uma cesta e disse à Ợbàtálá que estava pronto, mesmo sem o café da manhã. Incapaz de saber se essa atitude era verdadeira ou falsa, Ợbàtálá sugeriu que havia a necessidade de primeiro se alimentar, antes de partir, porém, Lanroye respondeu que eles comeriam quando chegassem a fazenda, uma vez que havia muito trabalho para ser feito nesse dia. A fim de não perder esse entusiasmo, Ợbàtálá concordou com seu filho e os dois saíram para a fazenda logo cedo pela manhã.
Na metade do caminho para a fazenda, Lanroye disse a seu pai que ele tinha a necessidade de esvaziar seus intestinos em uma moita ali perto. Ele disse a seu pai que seguisse caminho e o encontraria no caminho. Ợbàtálá seguiu seu caminho e disse a seu filho que não demorasse a chegar. Logo que Ợbàtálá sumiu de sua vista, Lanroye deixou a cesta na trilha, pegou o facão e se dirigiu mato a dentro. Ele buscou um bastão cheio de espinhos e se dirigiu para o caminho do mercado. Ele buscou uma posição estratégica e ficou ali. Logo que ele viu algumas pessoas vindo no caminho do mercado, Lanroye começou a cantar, agitando seu bastão de espinhos de um lado ao outro de forma ameaçadora dizendo:

Por favor permita à Bara entrar (na casa)
Se você recusar
Você não verá o bastão que Lanroye carrega.
Qualquer um que ofereça ebo,
Èşù apoiará essa pessoa
Ele ou ela será abençoado com riquezas e filhos
Èşù apoiará essa pessoa
Èşù apoiará essa pessoa
Latopá, Latopá Èşù gongo!
Latopá, Latopá Èşù gongo!

Quando os viajantes do mercado escutaram à música de Lanroye e viram o bastão com espinhos em sua mão, eles suspeitaram que tinham duas opções: Recusar oferecer o ebo como Èşù havia dito ou incorrer em sua ira, ou oferecer o ebo e receber as bênçãos (riquezas, filhos, sucesso nos negócios e etc.). Todos eles escolheram o último. Rapidamente ele estava cheio de contas, roupas, alimentos, ouro, prata, marfim, esmaltes e etc. Todas as pessoas estavam dividindo tudo o que tinham trago para vender no mercado e davam a metade a Lanroye. Eles eram abençoados por Lanroye imediatamente, eles estavam se tornando vencedores dentro de seus empreendimentos na vida.
Lanroye instruiu a eles que levassem todas as coisas para dentro da casa de seus pais. Eles assim agiram. Antes do meio dia, toda a casa estava repleta de presentes, não havia mais espaço para guarda qualquer coisa. Alguns deles escolheram ir ao mercado e vender seus produtos e trazer o dinheiro, no entanto, no meio da tarde, já não havia lugar para guardar dinheiro na casa de Ợbàtálá. Yemoo que estava na casa quando tudo isso começou não podia pronunciar uma palavra, dado seu espanto. Ela não sabia o que dizer ou fazer.
Nesse momento, Lanroye estava indo de porta em porta, batendo seu bastão e cantando a canção, todas as pessoas estavam dividindo seus pertences em duas partes iguais e enviando a metade para Ợbàtálá, aqueles que estavam vendendo, vendiam e levavam o dinheiro para a casa de Ợbàtálá.
Nesse momento (no meio da tarde) Ợbàtálá estava do lado de fora com muita raiva. Ele decidiu que tinha sido muito complacente com Lanroye. Ele decidiu dar a ele uma lição de vida, que ele nunca mais esqueceria. No momento que começou a anoitecer, Ợbàtálá estava furioso. Ele estava regressando, vociferando e em estado de fúria. Quando entrou em sua casa, ele encontrou muitas pessoas olhando com olhos estranhos, eles o perturbaram mais ainda, ele prometeu a si mesmo que tiraria Lanroye de casa naquele dia. Quando ele chegou em sua casa, ele viu uma multidão vendendo e comprando em frente sua casa. Ele temporariamente esqueceu sua raiva em meio à confusão. Ele viu muitas pessoas saudando e felicitando a ele por seu sucesso.
Ợbàtálá pediu para ver sua esposa imediatamente, pois, não tinha conseguido chegar dentro de casa. Quando ele viu Yemoo, ela explicou que tudo que tudo que ele estava vendo era fruto do trabalho de Lanroye. Todos os fazendeiros haviam vendido seus produtos com sucesso, os negociantes haviam vendido com sucesso todas as suas mercadorias, os caçadores haviam vendido com sucesso todas as peças que haviam caçado na floresta, os viajantes tiveram sucesso em suas viagens e metade de tudo isso, era o lucro da família de Ợbàtálá, simplesmente por que Lanroye tinha tornado tudo isso possível.
Em vez de raiva, Ợbàtálá estava olhando para Lanroye e o abençoando do fundo de seu coração. Em somente um dia, um milagre que mudaria a vida de alguém, havia acontecido. A família de Ợbàtálá e seus vizinhos que tinham dormido sem nada e acordaram com abundância, por que Lanroye, seu antigo desobediente havia tornado isso possível para eles.

Àgbàdo o y’oluwa ko r’ọmọ l’ẹyin eesuu
Foi quem lançou Ifá para Ợbàtálá
Que teria ‘Lanroye (Èşù Òdàrà) como seu filho
Ele foi aconselhado a oferecer ebo.
Por favor permita Bara entrar (na casa)
Se você recusar
Você não verá o bastão que Lanroye carrega.
Qualquer um que ofereça ebo, Èşù apoiará essa pessoa
Ele ou ela será abençoado com riquezas e filhos
Èşù apoiará essa pessoa
Èşù apoiará essa pessoa
Latopá, Latopá Èşù gongo!
Latopá, Latopá Èşù gongo!
Venham e nos encontrem em meio a felicidade.
Venham e presenciem todo o ire da vida.

Epá Odù. Epá Òrìşà.


Ire aláàfia

Ifá Dida1
Oluwo Popoola

Tradução:
Odé Ợlaigbo