segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Nossas atitudes são nossas responsabilidades


Vemos com frequência pessoas da religião de òrìsà / internautas se lamentando por terem incorrido em algum tipo de erro relativo ao comportamento pessoal, amoroso, social ou religioso.
As atitudes, os atos, as palavras, os pensamentos, calunias/difamações e sentimentos negativos de ódio, raiva, ira ou qualquer coisa que valha, são pontos a serem discutidos neste artigo.
Nossas atitudes não são amenizadas por um simples gesto de arrependimento. O arrependimento e pedido de desculpas são relativos ao caráter pessoal, ao crescimento espiritual, desenvolvimento da inteligência emocional e aprendizado.

Um verso de Ogbè Yonu (Ogbè’Ògúndá) nos diz:

A descendência de Okika
Adivinhação por Ifa foi feita pelos descendentes de Orubutu.
Os descendentes de Orubutu.
Foi lançado Ifá para a garrafa quebrada (Opalábà).
A prole de Orubutu e Opalábà.
Ifa foi lançado para aqueles em Oyilajbomono (foi feito jogo).
Eles têm apenas uma esposa
E eles a trouxeram furtivamente de longe
Ifá não está em casa.
Eis porque as pessoas me ridicularizam.
Quando ele chegar, ele me socorrerá.
Ọbàrà Òsé é aquele que recupera Ogbè Yonu.
Qualquer um que tomar a mulher do sacerdote de Ifá.
A folha Idi vai criar problemas em sua casa.
Ifá não está em casa.
Eis porque me ridicularizam.
Quando ele chegar, vai me redimir
Ọbàrà Òsé logo vai trazer a salvação para Ogbè Yonu.
Ele que roubou a mulher do sacerdote de Ifá.
O rato gigante vai cavar o túmulo de todos e levá-los para o òrun (céu)
Ifá não está em casa.
Por isso estão me ridicularizando.
Quando ele chegar vai me resgatar.
Ọbàrà Òsé logo vai trazer a salvação para Ogbè Yonu.
Ele que levou a esposa do sacerdote de Ifá.
A folha Akawoleri mo lo tete.
Certamente eles chorarão como o orvalho que cai sobre a folha.
Ifá não está em casa.
Por isso me ridicularizam.
Quando ele chegar, vai me resgatar
Ọbàrà Òsé logo trará salvação para Ogbè Yonu.

A reparação divina sempre vem em sua hora mais propicia.
Dentro de nossa religião não temos:
O arrependimento das faltas cometidas durante a vida e a garantia da salvação.
Nossos valores são outros.
Somos os responsáveis, e os unicamente responsáveis, por nossos atos e vamos prestar conta destes atos, com o agravante de podermos distribuir esta falta por nossa família no òrun (reino espiritual), dentro do conceito de Àyànmó (aquilo que recebemos como um karma).
Não negamos a existência de ebó e orações que se prestam a aliviar a carga ou mesmo livrar a pessoa de uma falta cometida.
No Odù Òyékù’Òtúúrúpòn vemos o bàbáláwo fazer ebo para esta finalidade.

Ọrúnmìlà me perdoará, o Perdão me perdoará.
Se água mata um ser humano, isto será perdoado.
Se um rei mata um ser humano, ele será perdoado.
Ọrúnmìlà!
Permita que eu seja perdoado nesta questão!
Permita que todas as pessoas da cidade perdoem-me em consideração a esta questão, como a chuva em todas as casas eu serei perdoado pela comunidade.
Dois …. e ……. Cauwries muito bem oferecidos.
Ewé: moer todas as folhas de Ifá e mistura com Ìyèrósùn.
Coloque a mistura em dois pequenos….
Embrulhe e use, até o perdão ter sido recebido.

Este é o ebo confeccionado pelo Bàbáláwo.
Eu me pergunto:
Qual o tamanho/gravidade de sua falta, para merecer tal ‘perdão’?
Não podemos nos enganar, neste quesito. Não estamos negociando apenas com seres humanos e o conceito de falta/erro é muito mais amplo do que possamos imaginar.

O Odù Òkánrán’ Òdí fala:

Este é um rato marrom
O que rói grama com facilidade
Este é rato Afeebojo.
O que corrói silenciosamente a grama.
Essa foi a previsão de Ifá para Ariyunbese,
Filho de Ilaminrin-Akoko.
Quando ela sofria de perda de filhos recém nascidos.
Ela foi orientada a fazer um sacrifício e abster-se de coisas proibidas (Èèwò-tabu)
Ariyunbese não levou a sério o conselho de Ifá.
Então, o que realmente come crianças Ariyunbese?
É a sua intemperança, é a sua relutância em abster-se de comer caracóis (tabu para ela).
Isso é o que realmente devora as crianças, Ariyunbese.

Estou certo de que o texto fala por si completamente e não há necessidade de elaboração. Este texto, cita apenas em um exemplo e explica o que pode acontecer (não o fato narrado) se você não seguir as proibições, há inúmeros exemplos em outros versículos dos Odù Ifá, mostrando como as situações ruins podem acontecer ao se violar as proibições e os tabus.
Portanto tentar se esconder, tentar ludibriar, ocultar a verdade de você mesmo, fingir que o mal é menor, que não há tanto perigo, que tudo pode ser resolvido com um ‘engambelo’ ao Òrìșà ou ficar de ‘castigo’ no barracão um fim de semana recolhido vai lhe dar a certeza do tão esperado perdão para sua falta. Bem…. Deixa pra lá.
Se o erro foi cometido de caso pensado, se foi uma falta com conhecimento de causa, se foi um ato intempestivo, um momento de raiva ou fúria, devemos nos lembrar novamente de nossos ensinamentos sagrados, devemos nos lembrar das 16 Leis máximas de Ifá que estão contidas no Odù Òfún’kárán (ver texto clicando em minha foto), devemos nos lembrar que não devemos manipular uma ‘faca’ em momentos de raiva ou descontrole.
Uma faca não pode ser tão amolada a ponto de querer cortar seu próprio cabo.
A colheita, o resultado, de nossos atos é certa!
Não nos iniciamos nesta religião para podermos ter acesso a coisas que a vaidade deseja, a iniciação é se reiniciar, é se reciclar, é mudar de vida e atitude, é crescer e aprender com todas as falhas e faltas do passado, o Odù Èjì Onilè (Ogbè mèjì) nos diz:

Iniciamos você nos segredos de Ifá ou Òrìșà
Você deve se reiniciar.
Foi assim que Èjì Ogbè (Èjì Onilé) foi iniciado.
Então ele mergulhou na floresta Sagrada.
Iniciamos você nos segredos de Ifá/Òrìșà.
Então, você deve reiniciar-se.
Se você chegar ao topo da palmeira (Igi Òpẹ -Dendezeiro).
Não deixe suas mãos soltas.

Èjì Ogbè, o mais elevado de Odù, passou por auto iniciação, mesmo depois de ser levado a floresta sagrada (Igbòdù) para a iniciação (Itelodu, iniciação do Bàbáláwo), ele mergulhou de volta para a floresta.  Este ato mostra que mesmo um iniciado deve voltar para a floresta (seu interior), a fim de ensinar a si mesmo.  E, mesmo nessa estrofe curta, Ifá nos lembra que, mesmo que ao atingir o auge da compreensão e do conhecimento, nossa arrogância deve desaparecer, para não deixar que a nossa mão se perca e venhamos a desmoronar e cair da palmeira.
A auto reiniciação é uma ferramenta poderosa que deve ser usada para você não mais incorrer nos erros que podem lhe levar as dores de cabeça, aos arrependimentos e consequentemente a punição (ões), que pode ser nesta vida, em outra ou mesmo no seu retorno ao òrun.
Após nossa morte passamos pelo portão que liga o Aye (mundo físico) ao Òrun (mundo espiritual), e ali, deveremos prestar contas ao Oníbodè (Senhor do portão), Èşù, sim, ele mesmo!
A ele vamos nos reportar em primeira instância e teremos ao nosso lado uma poderosa testemunha que nos acompanhou durante toda a vida, que esteve ao nosso lado por toda nossa caminhada e ela será a fiadora de nossas palavras, Ojiji e este é um dos seus trabalhos.
Quando dizemos que Ifá está presente em nossas vidas e nossa vida está dentro dos ditames sagrados de Ifá (A voz de Òlódùmarè) e somos levados a interpretar Ifá mesmo sem querer, é porque o mundo é/está interligado, todas as coisas estão conectadas, mesmo sem saber estamos recitando um verso/ensinamento de Ifá.
Veja o exemplo em uma música do cantor/compositores Lenine/Ivan Santos, que mesmo sem saber (talvez) nos fala sobre o que me inspirou neste dia.
Ele fala sobre assumir a responsabilidade pelas suas atitudes.

Faça

Tá cansada, senta
Se acredita, tenta
Se tá frio, esquenta
Se tá fora, entra
Se pediu, aguenta 2x
Se sujou, cai fora
Se dá pé, namora
Tá doendo, chora
Tá caindo, escora
Não tá bom, melhora 2x
Se aperta, grite
Se tá chato, agite
Se não tem, credite
Se foi falta, apite
Se não é, imite
Se é do mato, amanse
Trabalhou, descanse
Se tem festa, dance
Se tá longe, alcance
Use sua chance 2x
Se tá puto, quebre
Tá feliz, requebre
Se venceu, celebre
Se tá velho, alquebre
Corra atrás da lebre 2x
Se perdeu, procure
Se é seu, segure
Se tá mal, se cure
Se é verdade, jure
Quer saber, apure 2x
Se sobrou, congele
Se não vai, cancele
Se é inocente, apele
Escravo, se rebele
Nunca se atropele
Se escreveu, remeta
Engrossou, se meta
Quer dever, prometa
Pra moldar, derreta
E não se submeta 2x


Resumindo:
Uma das melhores virtudes que um ser humano ou um ser humano iniciado nos mistérios do Òrìșà (principalmente) deve ter dentro de si é a Verdade (Òtító), é ela que vai lhe levar pelo caminho mais fácil da vida, será ela que vai lhe ajudar a carregar o fardo, ela vai lhe aliviar a carga e as tentações, ela vai levar para longe os maus pensamentos, vai trazer a reflexão para dentro de você, vai fazer de você um ser humano melhor, mais justo, mais apegado a espiritualidade e não a religião em si, vai deixar seu interior mais confortável. Vai fazer você ouvir, em vez de simplesmente escutar, vai lhe levar a reflexão, vai lhe proporcionar o amadurecimento dos sentimentos.
Ela vai guiar seus passos, vai clarear seus caminhos como um lanterna.
Ela vai lhe dar menos arrependimentos as suas atitudes, pense nisso e experimente!
Nossa religião é riquíssima em ensinamentos, Ifá, a base de nossa religião está sempre nos ajudando com seus conselhos e sua filosofia.
Veja o que diz o Áwo Fatunmbi em seu livro Ìbà’se Òrìşà:
“Dentro da estrutura do ritual de Ifá, o Odù é usado para invocar Òsá’túrá (Odù que nos fala sobre a importância da verdade) e Èsù, que é tanto o Mensageiro Divino, como o Guardião da Verdade. Este duplo papel tem causado alguma confusão entre aqueles que têm escrito sobre a posição de Èsù na cosmologia do Ifá. A confusão parece estar baseada em um mal-entendido sobre o papel da Èsù em causar distúrbios. Uma das funções da desordem natural em assuntos do cotidiano é sacudir a consciência para liberar a sua autoindulgência e pensamento rígido. Porque a Terra está em constante processo, todas as percepções da relação entre o Eu e o mundo estão em constante estado de fluxo. Aqueles que negam ou ignoram a natureza dinâmica desta relação são regularmente lançados a um estado de confusão, como resultado de algumas mudanças inesperadas dos acontecimentos. Em termos simples, a percepção humana da verdade está em constante mudança (muito cuidado com isto) e uma das funções de Èsù é nos lembrar que a busca humana da verdade nunca deve estagnar.
Dizer que Èsù é o guardião da verdade é sugerir que a verdade nunca pode tornar-se um conjunto fixo de regras ou dogmas. Em vez disso, a Verdade é uma maneira de olhar para si mesmo e o mundo, é um estado de ser (deveria ser a realidade continua dentro de todos), em vez de um ato de conhecimento. Este é um conceito ilusório para alguns ocidentais, porque fomos condicionados à ideia de que a verdade é estabelecida por fatos objetivos. A ideia de que a Verdade só pode ser descoberta se formos periodicamente sacudidos em nossas noções preconcebidas, é perturbador para aqueles que querem que a religião tenha as respostas corretas sobre qualquer assunto”.

Diz o Odù Òsá’túrá:

Òsá Aláwo diz: O que é a Verdade?
Eu digo: O que é a Verdade?
A Verdade é o sacerdote do òrun que protege o mundo.
Òrúnmìlà diz que a Verdade é o espírito que protege o mundo invisível.
A Verdade é o conhecimento que Òlódùmarè está aplicando.
Òsá Aláwo a questão novamente é:
O que é o certo?
Eu digo: O que é a Verdade?
Ọrúnmìlà disse que a natureza de Òtító é o caráter de Òlódùmarè.
A Verdade é a palavra que não muda.
A Verdade é Ifá.
A Verdade é a palavra indestrutível.
A Verdade é o poder sobre todas as atribuições.
A bênção que dura para sempre.
Esta foi a declaração do Ifá aos habitantes da Terra.
Eles sempre foram avisados a fazer a coisa certa.
É preciso ser honesto.
Quem é correto será apoiado pelas divindades.
Um provérbio yorùbá nos remete novamente aos ensinamentos sagrados onde a afirmação do caráter é uma constante, nos direcionado, sempre, para o caminho mais virtuoso.
Novamente Fatunmbi nos brinda com um comentário sobre este Ợwẹ Ifá (proverbio de Ifá).
Tọọro looma Ilẹ Ifẹ.
É um caminho reto que leva a Ilẹ Ifẹ.
Comentário:
Aqueles que acreditam em destino, aqueles que acreditam no poder de Òrìșà e aqueles que acreditam no processo de construção do bom caráter, sabem que o caminho para descobrir o destino pessoal é reto, estreito e sem ambiguidades.
Ilè Ifè é a capital espiritual dos yorùbá e está localizada no Estado de Òşún, Nigéria (antiga Ọyọ State). Mas há outra Ilẹ Ifẹ, existente no Òrun.
Essa Ilẹ Ifẹ é considerada a casa da Criação.
É o lugar de descanso para aqueles antepassados que já cumpriram o seu destino dentro do Reino da Terra.
O caminho para Ilẹ Ifẹ no Òrun não deve ser alterado, ele é o compromisso de construir um bom caráter por meio da orientação de Ifá / Òrìșà.
Literatura mais ocidental sobre Òrìșà e Òrun, são associados com o céu e identificam-no como um morador no céu.
No entanto, a cosmologia de Ifá localiza Ilẹ Ifẹ, por analogia, como um mero lugar.
É um lugar de influência oculta de onde a sabedoria dos ancestrais evoluem continuamente e influenciam o processo de criação e evolução.
Essa crença em alguns aspectos é similar à crença religiosa do Oriente, onde as influências de Mestres Invisíveis transformam a vida espiritual na Terra.
Encerramos este artigo onde vemos uma das máximas de nosso profeta, quando ele afirma que após a exaustão, devemos deixar a pessoa viver a sua vida e a sua história da forma que mais lhe convém, porém, jamais contará com nossa ajuda.
Afinal de contas, somos os únicos responsáveis por nossos atos e atitudes.

O Odù Èjì Onilè diz:

Faça seu trabalho.
Eu não estou trabalhando.
Este foi o jogo de Ifá para a pessoa preguiçosa.
Ele que dorme até que o sol está em cima (alto).
Ele que confia que é possuidor (herdeiro) de herança e não se expõe a sofrer (trabalhar).
Se nós não labutamos e produzimos de nosso suor hoje.
Nós não podemos ficar ricos amanhã (a prosperidade é um processo)
Marche pela lama (Enfrente suas dificuldades).
Eu não posso marchar pela lama (Diz o descansado).
Se nós não marchamos pela lama.
Nossas bocas não podem comer comida boa.
Estas foram às declarações de Ifá à pessoa preguiçosa.
Ele que possui membros fortes, mas se recusa a trabalhar.
Ele que escolhe ser inativo pela manhã.
Ele só está descansando por sofrer pela noite (O desfrute).
Só labutando pode-se apoiar uma pessoa (Receber benção de Òrìșà).
Inatividade não pode trazer dividendo.
Quem se recusa a trabalhar.
Tal pessoa não merece comer.
Se uma pessoa preguiçosa tiver fome, por favor, o deixe morrer (ficar na ignorância).
Morto ou vivo, uma pessoa preguiçosa é uma pessoa inútil (E não fará falta).



terça-feira, 8 de novembro de 2016

Ilé / Ayé – Laaragbagada

Este verso de Ifá fala da ligação entre Ilé e Edan (e o medo do segredo da Sociedade Ògbóni) a união de energias masculina e feminina tem recompensas e benefícios mútuos, que sustentam a vida.

Foi lançado Ifá para Ilé e para Edan
Será que a vida pode agradar aos dois?
Eles perguntaram.
Eles foram orientados a fazer ebo.
Ambos cumpriram.
Edan rapidamente se viu satisfeito
E as coisas estavam a favor de Ilé, ela estava feliz com a vida.
Edan e Ilé estavam satisfeitas.
Ilé e Edan estavam felizes com a vida.

Este verso fala de alguém que leva alimentos a Terra e a conexão entre o Chefe da floresta, seu filho e como ajudou Ayé.

Foi lançado Ifá para Agbonyin Gagala,
O filho de Olúigbó, inimigos tinham convenientes para agarrar Agbonyin Gagala,
Ele foi consultar seu Áwo.
O Áwo o convidou a fazer ebo.
E ofertar Ekuru a Terra
Ele cumpriu.

Este versículo mostra os primeiros passos, no sentido, de tornar a Terra habitável para os humanos e os personagens principais deste processo.

Òwónrín

Foi lançado para Laaragbagada, um filho remanescente de Olódùmarè.
Solo (a terra) foi convidado a oferecer um sacrifício para se tornar grande na Terra.
O sacrifício foi ovo de galinha
Laaragbagada fez o sacrifício
Laaragbagada é o nome de Louvor da Mãe Terra (Onílé).
O ovo chocou duas galinhas e reproduziu na Terra.

Eles reivindicaram a terra do oceano onde estamos hoje.
No dia que as galinhas espalharam a terra, a terra se contraiu.
É a mesma terra que as galinhas espalharam até o dia de hoje.
À medida que a galinha espalha a terra, a terra continua a se expandir.

(De outro Odù Ifá, o solo extra que era para ser espalhado por Obàtálá no Ayé, foi esquecido no òrun, como ele não completou seu sacrifício e não observou seu tabu (vinho de palma), Odùduwà foi complementar seu trabalho e mais tarde foi coroado Olófin-Ayé).

Ayé fez ebo para prosperidade e riqueza, mas não fez ebo para proteção contra ataques, os humanos estão roubando a Terra de todas as suas riquezas e valores.

Osa yooo
Babalawo Aye
Foi lançado Ifá para Ayé
Ela foi aconselhada a fazer ebo para riquezas
Porém, deveria executar primeiro um ebo para protegê-la de seus inimigos.
Nós (os Áwo) certamente estamos vivos
E nós (os Áwo) estamos pleiteando
Que a Terra nunca seja destruída.

A Terra precisa ser respeitada e reconhecida por sua importante posição que ela ocupa para os habitantes da Terra.
Não estamos agradecendo o suficiente a Terra, as pessoas usam a boca para falar mal da Terra.

O adivinho da Terra lançou Ifá para Ayé
Ayé foi convidada a fazer ebo para que as pessoas falassem coisas dela.
Louvores e elogios são ditos em todos os lugares.
A boca de muitas pessoas me elogiou e não deveriam se voltar contra.
E voltar a usar a boca para dizer coisas ruins sobre a Terra.

O versículo seguinte explica o sistema solar antes da criação do universo e como Ayé não tinha nenhuma companhia, até que o universo foi formado e em seguida outro verso de Ifá fala sobre o òrìsà que veio habitar a Terra e torna-la habitável para os seres humanos chegarem.



Obgè’yonu por FAMA

Fonran-Kan-Soso-Owu
Áwo de Ayé divinava Ifá para Ayé
Quando Ayé se sentia muito solitária
Fonran-Kan-Soso-Owu disse a Ayé que ela não seria solitária, haveria muitos seres (planetas) que viriam se juntar a ela no novo universo.
Foi dito para Ayé fazer sacrifício.
Ela fez.
A oferta de Ayé se manifestou em 303 dias, os outros seres (planetas) chegaram.
O universo foi formado sob a liderança de Olófin-òrun (Olódùmarè).

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Minha conclusão é que Ifá e fundamental em ajudar a identificar os òrìsà e auxiliar- nos na compreensão para que possamos talvez souber.
Em todos os versículos lemos que esta divindade procurou ajuda ou assistência de Ifá para ter sucesso em seus empreendimentos e nos diz o quanto certo ícones ou símbolos de cada òrìsà tornaram-se importantes para cada um deles, foi Ifá que os ajudou a perceberem isso e se tornarem bem sucedidos e terem seguidores/devotos para se mantiver lembrados enquanto òrìsà, essencialmente é Ifá que imortaliza e nos mostra como venerar os òrìsà, é Ifá também quem vai nos ajudar a buscar òrìsà perdidos e que se tornaram distantes de nossa memoria recente.
Ifá nos ajuda a recuperar a pratica, o culto e o ritual dos òrìsà perdidos e reviver estas divindades que faltam deste eterno 400+1.

Ifá diz que é superior e supervisiona a cosmologia por que a literatura de Ifá engloba a história oral do antigo povo yorùbá e de toda humanidade, isto não quer dizer que os outros òrìsà não tenham sua poesia, louvor e literatura dentro dos cantos de qualquer òrìsà especifico (as exceções são Sàngó, Òya, Oko e etc.), porém você nunca irá encontrar a quantidade de òrìsà mencionado em qualquer canto de dado òrìsà, você poderá cantar dentro dos cantos de Ifá (Òrúnmìlá) que supervisiona a cosmologia dos búzios, alguns dizem que eles pertencem a Yemojá outros dizem que são de Obàtálá, mas Ifá diz que foi a Òsún que ele deu este conhecimento (que está no verso de Ifá no Odù Òkánràn sode).
O verso que eu cantei no inicio dá referencia a uma divindade que poucos conhecem cujo nome Obà t'òrìsà, ou seja, o rei dos òrìsà é Òrúnmìlá, rei de todos os òrìsà, cujo nome de louvor é dado pelo seu vasto conhecimento e humildade em ensinar-nos a venerar o òrìsà e torná-los imortais.
No encerramento, se alguém quiser compreender esta filosofia antiga e tiver uma compreensão mais profunda do Òrìsà você deve usar Ifa como seu guia e sua bússola, Ifá é o centro dos tradicionais sistemas de pensamento e cultura iorubá.

Isto é para apoiar a minha sugestão de que todos nós devemos usar a sabedoria de Ifá como nosso guia na hora de aprender sobre como adorar qualquer Òrìsà.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Protocolo Ogboni

Eu não sou o que eu chamaria de adepto da tecnologia .
Se eu vivesse em um mundo perfeito meu telefone ainda teria um rotor de discagem, viajar de avião seria estranho e mesmo assim a vida seria boa.
Recentemente eu tomei a decisão de auto-publicar os meus livros e alguém me  sugeriu o Facebook e as mídias sociais como uma plataforma para anunciar o meu trabalho.
Eu fiquei no Facebook por cerca de seis meses quando reparei com grande tristeza e decepção que a minha presença nas mídias sociais se tornou um ímã para os ataques muito ferozes e caluniosos, tenho todos guardados.
Estes ataques foram incompreensíveis, porque eles vieram de pessoas que não me conhecem, que nunca me conheceram, que nunca tinham falado comigo e que afirmavam saber coisas sobre mim que simplesmente não eram verdadeiras.
Isso por si só foi motivo de grande tristeza e decepção, fiquei entorpecido com a velocidade destas mentiras repetidas e tudo isto me levou a reavaliar minha relação com a comunidade de Ifá, tanto em África como na diaspora.
O que deveria ter sido uma ocasião de alegria, de abrir um novo site, me sinto compelido a falar sobre questões que para um homem da minha idade seria auto-evidente.
O fato deles não serem um bom presságio para o futuro, eu abraço a esperança contra todas as probabilidades que estou abordando nestas questões como se fossem um mistério legítimo.
Em Ifá fofoca é um tabu.
O tabu vem no Odu sagrado Ika’Òfún que diz:
“Won ni ki won ma fi esuru pe esuru.”
"Aconselharam não chamar esuru de esuru, por que não se deve dizer o que não se sabe."
Em termos de fofoca, significa que se algum está dizendo algo crítico de outra pessoa e essa pessoa não está presente para dar a sua versão da história, a informação nunca deve ser repetida.
Neste Odùnunca’ significa ‘nunca’.

Na cultura yorùbá tradicional, não é exceção, não há justificativa e não há nenhuma arena em que a fofoca seja considerada um comportamento aceitável.
Como um homem que abraça Ifá tradicional, o tabu, (èéwó) contra a fofoca
O tabu é este:
É inapropriado fazer um comentário crítico sobre a outra pessoa quando essa pessoa não está presente para se defender.
Não é uma isenção de tabu dizer que a fofoca é verdade.
Toda fofoca é apresentada como verdade, mas a justificativa é totalmente sem mérito.
Se fizessemos parte de uma cultura que se envolve em um pensamento crítico a falácia do argumento seria auto-evidente.
Em vez disso, fazemos parte de uma cultura que permite que os valores impostos pela mídia dirigida sirvam para moldar a consciência.
A mídia vive da fofoca, da emboscada, do jornalismo sensasionalista, da entrevista com pegadinha, da controvérsia gerada artificialmente e do assassinato do caráter puro.
  
Por que precisamos perguntar?

Como estudante do controle da mente, a resposta sobre a manipulação social para mim é simples, real e clara.
Quando uma cultura está constantemente envolvida em fofocas enraizada na inveja e cobiça a capacidade que a cultura tem de dar as mãos e se envolver em uma efetiva transformação social é severamente diminuída.
Um por cento da população mundial detém 80 por cento dos recursos mundiais.
Isso é intrinsecamente injusto.
Como a verdade se torna cada vez mais evidente a mais pessoas, torna-se cada vez mais difícil para um por cento da população controlar os recursos globais o que é o seu medo.
O único controle que eles possuem é através da manipulação da mídia, os meios de comunicação social e do processo de educar nossas crianças.
Como as pessoas boas e bem-aventuradas que abraçaram a disciplina espiritual de Ifá podemos contrariar o efeito da divisão programada e conquistar a manipulação da consciência, simplesmente, honrando o tabu contra a fofoca.
Como faremos isso?
O primeiro passo para honrar o tabu é nunca se envolver em fofocas.
Isso é sempre mais fácil dizer do que fazer.
Quando uma pessoa nos machuca, nos decepciona, nos fere, nos denigre e nos envergonha de qualquer forma, há uma tendência instintiva em atacar.
Queremos vingar a dor infligida por sofrimento causados por outros.
É a mentalidade doolho por olho’ que caracteriza a consciência das crianças.
Porque a cultura ocidental desestimula a criação dos rituais de puberdade, o ritual do condicionamento que nos move desde a infância até a idade adulta nunca ocorre.
A elite global deliberadamente ataca em qualquer terra a tradição espiritualmente centrada que usa seus rituais para orientar as crianças com plena maturidade no desenvolvimento de sua consciência.
A necessidade de chicotear quem nos feriu é uma função de parte do nosso cérebro reptiliano.
É a porção do cérebro mais próxima do pescoço e é desencadeada quando há uma percepção de qualquer ameaça para sua sobrevivência.
Esta porção do cérebro é caracterizada pela falta de empatia com os outros, pela supressão da emoção e um aumento na adrenalina.
O ponto inicial é integrar o hemisfério direito ao esquerdo do cérebro e elevar a consciência a partir do modo répteil para os níveis superiores do córtex cerebral. Quando o hemisfério direito e esquerdo do cérebro estão equilibrados, é possível sentir empatia e ficar muito acima das necessidades dos répteis de bloquear emoções simpáticas.
Há um outro componente para este processo.
Como resultado da ligação do corpo humano com a terra física a armazenagem de energia electromagnética que vem através dos pés e começa a acumular-se na bàse da coluna vertebral.
Essa energia é liberada inicialmente no ponto em que sobe a espinha e limpa toda a energia emocional que está preso dentro do corpo.
É por isso que durante a iníciação do iyawo freqüentemente ele passa por alguma forma de liberação emocional.
Esse é o significado da pena do papagaio vermelho (Ikodidé) na testa do iniciado.
A pena simboliza o fluxo de àse a partir da bàse da coluna à testa. Quando este àse é liberado estimula a produção de melatonina e serotonina na glândula pineal, que por sua vez cria estados alterados de consciência chamado posse.
O efeito destas secreções é aumentar a nossa capacidade de ver e experimentar todo o espectro de luz. Sem essas secreções veremos e experimentaremos uma banda muito estreita de luz visual.
Quando não há o rito de puberdade e quando há excesso de trauma na infância, trauma sexual ou físico, o fluxo natural de àse da bàse da espinha a testa fica obstruído.
Isto é tipicamente feito de uma destas maneiras:
O àse a partir da espinha desencadeia uma experiência fora do corpo, em que a glândula pineal é eficazmente estimulada, ou devido à incapacidade de integrar o cérebro direito ao esquerdo ao efeito do àse, a consciência fragmenta e cria múltiplas personalidades ou uma regressão de idade.
As pessoas que controlam os recursos do mundo compreende e manipulam esta função humana a seu favor. Quando não existe o lado direito do cérebro integrado ao lado esquerdo, como ocorre durante a iniciação e ritos de passagem ou a consciência da pessoa está em um constante estado de hiperatividade e precisa de estímulo constante para manter o que eu chamaria de um estado normal de familiaridade. Infelizmente esse estado de familiaridade se alimenta ao receber abuso e expressa este abuso.
Estabelece que os psicólogos chamam de uma dinâmica sadomasoquista que perpetua ciclos de abuso, intolerância, dIfámação, a necessidade de gerar medo e ódio.
Nossa cultura está presa neste ciclo.
Isso torna dividir e conquistar tão difícil como cortar manteiga com uma faca quente.
Mantém uma população com funções não-integradas do cérebro em um estado constante de medo evárias formas simples do desencadeamento do medo para orientar o comportamento.
Por exemplo, o medo do terrorismo tem sido utilizado para orientar a cultura americana e destruir todos os direitos civis. Vivemos em uma ditadura militar e ninguém se queixou ao longo do caminho. Isto foi, e é uma manipulação completa.
Então, quando as pessoas se envolvem em fofocas, especialmente a fofoca viciosa que assola a internet, simplesmente, perpetuam a dinâmica sadomasoquista que faz dividir e conquistar tão eficaz.
Em Ifá, quando temos a bênção da integração do cérebro direito e esquerdo, que vem como resultado da iníciação temos as ferramentas necessárias para ignorar a armadilha sadomasoquista.
Ao invés disso, orem por aqueles que têm fome de paz interior, a fofoca é desnecessária.

Por: Áwo Falokun Fatunmbi

Tradução: Odé Ợlaigbò