quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Ògúndá mèjì - Desculpas e Perdão


Sobre pessoas que têm dificuldades em perdoar e/ou se desculpar:

Ògúndá-Mèjì diz:

Aquele que tem coador para filtrar a cerveja
A espessa planta em torno do pescoço do elefante
Elas duas, devem estar ali, juntas
Vigorosas marteladas no metal, caracterizam uma ferraria
E incessantes abanos caracterizam o grito
Para colocar o rosto contra o calor do fogo
E as costas contra o calor do Sol
Estes eram os Áwo residentes de Onitenku
Eles foram os que lançaram Ifá para Onitenku
Aquele que ofendeu e foi expulso
Eles se juntaram para lançar Ifá para Abe-Sekete
O filho de Ògún
Quando ele foi fazer amor com a esposa de Ợbàtálá
Ợbàtálá se recusou e disse que nunca mais teria relações com Abe novamente

Abe-Sekete era o filho de Ògún. Ele estava muito próximo a Ợbàtálá, que por sua vez era muito carinhoso com Abe. Não havia lugar que Ợbàtálá não fosse que não levasse Abe com ele. Muitas pessoas achavam que Abe era filho biológico de Ợbàtálá. Não havia nada na vida de Ợbàtálá que Abe não soubesse.

No entanto, um dia Ợbàtálá se casou com uma mulher jovem, essa mulher era muito atraente e tinha uma atitude submissa. Ela era carinhosa com Abe e por isso, Ợbàtálá estava muito satisfeito. Sempre que Ợbàtálá não estava presente, ele costumava enviar Abe a sua casa para fazer companhia a sua esposa e cuidar de suas necessidades. Abe fazia isso com entusiasmo. Sem Ợbàtálá saber, eles dois haviam desenvolvido uma infame luxuria um pelo outro e Abe começou a trair Ợbàtálá ao dormir constantemente com a mulher. Enquanto isso acontecia Ợbàtálá não desconfiava de nada. Logo a situação chegou a um ponto em que eles se mostraram imprudentes e descuidados. Um dia Ợbàtálá foi a uma reunião, era esperado que ele chegasse tarde da reunião, enquanto na reunião, Ợbàtálá se deu conta que havia esquecido algo em casa e ele pediu permissão para ir busca-la, quando ele chegou a residência e abriu a porta e encontrou Abe e sua esposa no auge da paixão. Ele ficou totalmente triste e desiludido por Abe o ter traído dessa forma. Ele disse a Abe que nunca mais voltaria de novo a ter relações com ele e que ele estava cortando todo e qualquer contato com Abe. Ele pegou o que tinha vindo buscar e regressou a reunião. Abe estava extremamente envergonhado de si mesmo. Ele retornou para casa como um homem preocupado, triste, assustado e solitário. Ele começou a planejar o que fazer para buscar os favores de Ợbàtálá novamente.
A jovem esposa empacotou suas coisas e fugiu antes do retorno de Ợbàtálá da reunião e ela não foi vista novamente.
Abe-Sekete esperou por 17 dias e começou suplicar a Ợbàtálá. Ợbàtálá recusava aceita-lo em sua presença e nem sequer escutava o que Abe tinha a dizer. Ele repetiu sua visita à casa de Ợbàtálá por vários dias, porém, ele sempre era expulso. Ao final, ele decidiu ir buscar pessoas influentes que estariam seguras que Ợbàtálá não poderia ignorar interceder a seu favor.

Abe foi implorar a Sakí em Ekiti
E foi implorar a Erìnmì das terras de Owo
Ele foi implorar a Antete das terras de Ìkòyí
Mesmo assim Ợbàtálá recusou
Ele declarou que ele nunca mais teria qualquer contato com Abe

Quando Abe usou tudo que ele sabia para amenizar a situação com Ợbàtálá, não houve resultado positivo. Ele viajou à Ado Ekiti e rogou a Sakí, um dos confidentes mais próximos de Ợbàtálá para que lhe ajudasse a apelar a Ợbàtálá. Sakí foi e suplicou por vários dias, porém, Ợbàtálá recusou escuta-lo.
O passo seguinte foi viajar as terras Owo para implorar junto a Erìnmì de Owo, alguém altamente respeitado e Chefe de Owo, além de ser um amigo íntimo de Ợbàtálá, ele queria ser ajudado junto a Ợbàtálá. Erìnmì de Owo e Ợbàtálá tinham uma estima mutua, eles nunca desejaram ofender um ao outro por causa de qualquer assunto. Erìnmì de Owo viajou todo o caminho a Ìrànjé-Ile onde vivia Ợbàtálá e implorou a seu amigo por vários dias, mesmo assim Ợbàtálá recusou firmemente mudar seus pensamentos sobre Abe-Sekete.
Abe-Sekete novamente foi a cidade de Ìkòyí e implorou a Antete para que o ajudasse a apelar junto a Ợbàtálá para que perdoasse sua ofensa. Antete era uma personalidade altamente influente na comunidade. Sua reputação viajou para longe e chegou a todas as partes e alcançou todas as partes das terras yorùbá e além. Ele era um amigo íntimo de Ợbàtálá. Atente viajou a Ìrànjé-Ile e implorou a Ợbàtálá por vários dias, ele se recusou a mudar de opinião.
Depois que todas essas pessoas fracassaram em mudar a opinião de Ợbàtálá, Abe Sekete lhes agradeceu e decidiu tratar por outros meios e apelar para Ợbàtálá. Ele sentiu que Ợbàtálá se recusava a ouvir suas apelações, por que ele o havia traído terrivelmente e Ợbàtálá sentiu tudo em seu amago. Abe sentiu que quanto maior o amor, maior a inimizade que envolvia a situação. Ele decidiu mandar outras pessoas.

Abe foi implorar a complexidade negra do Agbe
O filho de Ọlọkún Seniade, a divindade dos oceanos
E foi implorar ao vermelho Àlùkò
O filho de Ọlọja, a divindade das lagoas
Mesmo assim, Ợbàtálá recusou
Ele novamente jurou nunca mais ter contato com Abe

No curso de tentar reconciliar-se com Ợbàtálá, Abe viajou até a margem do oceano para implorar a Ọlọkún e pedir que ele enviasse seu filho, Agbe-dudu para que ele o ajudasse a implorar a Ợbàtálá que o perdoasse em sua ofensa. Ọlọkún enviou Agbe-dudu que viajou a Ìrànjé-Ile com Abe. Agbe dudu suplicou a Ợbàtálá por vários dias em favor de Abe, em nome de seu pai Ọlọkún Seniade, porém Ợbàtálá recusou ouvi-lo. Logo Abe foi a Olòòşà, a divindade da lagoa, para implorar que mandasse seu filho Aluko-Dòdòòdò, para que o ajudasse a implorar junto a Ợbàtálá, para que o perdoasse em sua ofensa. Ela concordou, Aluko-Dòdòòdò implorou junto a Ợbàtálá para que perdoasse Abe, Ợbàtálá se recusou a ouvi-lo. Ợbàtálá novamente jurou que nunca mais perdoaria Abe pelo o que ele fez.
Quando Abe viu que todas essas personalidades de alta patente, respeitadas e influentes não conseguiram mudar o pensamento de Ợbàtálá, Abe decidiu ir solicitar a ajuda de Ọrúnmìlà. Ele agora viajou para Ile-Ife para implorar a Ọrúnmìlà que o ajudasse. Ọrúnmìlà consultou Ifá e Ògúndá mèjì foi revelado. A Abe foi dada o seguinte conselho, ofereça ebo com:
X galos, X etu e dinheiro.
Ele obedeceu imediatamente. Depois disso Ọrúnmìlà foi procurar um pouco de vegetais èbùrẹ e saiu para a casa de Ợbàtálá em Ìrànjé-Ile.

Abe então, recorreu a si mesmo
E foi buscar ajuda de Ọrúnmìlà
Quando Ọrúnmìlà estava indo
Ele pegou um ramo de vegetal Èbùrẹ
Porém, Ợbàtálá era reconhecido por sua cuidadosa observação e dedução do que estava acontecendo
Edun-Beleje, o macaco esbelto, que era filho da divindade da floresta, estava atuando como chefe de companhia de Ợbàtálá.
Quando Ọrúnmìlà está prestes a chegar à casa de Ợbàtálá
Ợbàtálá estava dormindo
Ọrúnmìlà gritou as saudações
Edun-Beleje, o filho de Olu-Igbo disse que Ợbàtálá não havia acordado
Eles perguntaram por que?
Ọrúnmìlà disse que Sakí já havia despertado em Ado-Ekiti
E Erìnmì já havia acordado nas terras de Owo
E Antete já havia acordado nas terras Ìkòyí
E Agbe-dudu já havia acordado na margem do oceano
Enquanto Aluko-Dòdòòdò já havia acordado nas margens da lagoa

Quando Ọrúnmìlà estava prestes a chegar a Ìrànjé-Ile, a casa de Ợbàtálá, Ợbàtálá que tinha a reputação de ser altamente dotado na área de fazer cuidadosas observações e deduções cuidadosas, que era o que estava a ponto de acontecer no futuro, já que tinha observado que alguém maior que todas as nações, maior que todas as pessoas tinha sido enviado por Abe e estava se aproximando de sua casa, portanto, ele mesmo se induziu ao sono e deixou uma mensagem com Edun Beleje, para informar a quem chegasse que ele estava dormindo. Quando Ọrúnmìlà chegou, Edun Beleje disse que Ợbàtálá ainda não tinha se levantado. Ọrúnmìlà disse que o acordaria imediatamente. Quando lhe perguntaram por que, Ọrúnmìlà disse que Sakí de Ado, Erìnmì de Owo, Antete de Ìkòyí, Agbe-dudo o filho de Ọlọkún e Aluko-dòdo o filho de Olòòşà já haviam despertado. Não havia razão portanto para Ợbàtálá não acordar nesse momento.

Òrìşànlá, portanto, levantou-se
Ele disse que tinha acordado
Porém, não abriu a porta para que Ọrúnmìlà entrasse
Ọrúnmìlà disse: 
Ợbàtálá, abra a porta
Por que Ipepereju,
Porque Ipepereju, a pálpebra é quem abre a porta dos olhos para ele ver.
E a parte baixa que indica o trabalho que abre a porta do parto para um novo recém-nascido.

Quando Ọrúnmìlà escutou que Ợbàtálá estava dormindo, ele disse que a pessoa que ele tinha vindo ver estava em casa, ele ordenou que Ợbàtálá deveria se levantar de seu sono. Quando ele perguntou por que, ele deu as razões do por que Ợbàtálá deveria despertar. Ợbàtálá despertou, porém, insistiu em não abrir a porta para Ọrúnmìlà entrar em sua casa.
Ọrúnmìlà ordenou a Ợbàtálá que abrisse a porta para ele, quando ele perguntou por que, Ọrúnmìlà disse que era a pálpebra que abre a porta dos olhos, é a parte de baixo que indica o trabalho que abre a porta do parto para um novo recém-nascido. Ele disse que, a menos que essas declarações não fossem verdadeiras, então, Ợbàtálá não deveria abrir a porta, mas, se suas declarações eram um fato, ele deveria abrir a porta imediatamente.

Ợbàtálá, então, abriu a porta
Ele disse que ainda que a porta fosse aberta
Ele nunca mostraria o rosto para Ọrúnmìlà
Ọrúnmìlá disse que ele mostraria o rosto a ele (Ọrúnmìlà)
Quando ele perguntou, por que
Ele disse que as solas dos pés não conhecem o caminho de volta
A unha não vira as costas para o dedo.
A unha do dedão do pé não dá as costas ao mesmo dedo
Aquele que alivia seus intestinos em um monte, não dá as costas para o monte.

Quando Ợbàtálá escutou o que Ọrúnmìlà disse quando chegou, ele supôs que estas eram declarações de fato, ele, portanto, abriu a porta de má vontade. Quando a porta se abriu, ele insistiu que Ọrúnmìlà não veria seu rosto para discutir nada, sobre qualquer assunto. Ọrúnmìlà ordenou que ele o olhasse, quando ele perguntou por que, Ọrúnmìlà declarou que o pé não dava as costas ao caminho, a unha não dava as costas ao dedo e a unha do dedão do pé não dava as costas ao mesmo dedo, a pessoa que esvazia seus intestinos no monte, não pode dar as costas ao monte. Ọrúnmìlà declarou que se todas essas declarações fossem verdadeiras, então Ợbàtálá deveria voltar seu rosto em favor de Abe-Sekete, pelo qual ele tinha vindo.

Ợbàtálá, então, voltou seu rosto para Ọrúnmìlà.
Ele disse que embora ele o tenha encarado
Ele nunca sorriria sobre esse assunto
Ọrúnmìlà ordenou que Ợbàtálá sorrisse sobre o assunto
Quando ele perguntou por que
Ele declarou que uma viúva se conhece por seus sorrisos consoladores
Uma mulher obscena se conhece por sua estupida, porém, tem tentadores sorrisos
Sorrisos estupidamente tentadores são a marca de uma prostituta
É com sorriso que as pessoas acendem o fogo, para preparar a bebida
E é com sorriso que a inundação se torna uma torrente
Quando a árvore do algodão produz sua lã
É com sorriso que o fazendeiro faz a colheita

Quando Ợbàtálá eventualmente voltou seu rosto para Ọrúnmìlà para uma conversa cara a cara sobre o assunto de Abe Sekete, Ợbàtálá declarou que não importava o que Ọrúnmìlà diria, ele nunca ficaria satisfeito para chegar ao ponto de sorrir sobre o assunto. Ọrúnmìlà ordenou que ele sorrisse, quando ele perguntou por que, Ọrúnmìlà disse que uma mulher a quem seu esposo recentemente tivesse morrido, ele somente sorriria para consolar a ela mesma e para consolar os outros e dizer que não é o fim da vida, uma prostituta usa seus estrupidos, porém, tentadores sorrisos para convidar seus clientes e a qualquer outro pedestre, os preparadores de bebidas sorriem ao acender o fofo para produzi-las, a inundação sorri quando se junta a torrente e quando a lã do algodão germina e se abre, o fazendeiro as colhe com sorrisos. Ọrúnmìlà declarou que se tudo isso que ele falou não eram fatos, então, Ợbàtálá estava livre para não sorrir sobre o assunto, por outro lado, se as declarações fossem verdadeiras, então, Ợbàtálá não teria outra opção que não fosse sorrir sobre o assunto de Abe-Sekete.

Ợbàtálá então sorriu
Ele declarou que mesmo que tenha sorrido
O assunto não havia deixado sua mente completamente
Ọrúnmìlà ordenou que o assunto deveria ser removido completamente de sua mente
Quando ele perguntou por que
Ele disse que o cão sempre tenta lamber a água
Ele disse, quando o coador de bebidas liquidas se enchem de água totalmente
Quando se afunda o coador, quando sai a água desce em retirada
E quando a armadilha de pesca é submergida na água, a água será removida completamente da armadilha quando ela for removida
E se uma mulher se envolve em negócios de frutos verdes de palmeira
É bastante cansativo

Quando Ợbàtálá sorriu e insistiu que era impossível para ele tirar completamente o assunto de sua mente, Ọrúnmìlà, no entanto, ordenou que o retirasse completamente de sua mente. Quando ele perguntou por que tinha que ser assim, Ọrúnmìlà disse que o coador, quando é submergido em água, ficará cheio de água, será completamente esvaziado de água. A mesma coisa se aplica com a armadilha de pesca, ele também disse que nenhuma mulher se envolve no negócio de frutos de palma não maduras para que alguém descanse. Ele declarou que se isso não fosse verdade, então Ợbàtálá estaria livre para hospedar rancores contra Abe-Sekete. Por outro lado, se estas declarações fossem corretas, então Ợbàtálá deveria limpar completamente sua mente sobre o assunto.

Ợbàtálá declarou que mesmo que todas as coisas estivessem presas em sua mente
Porém, ele disse que nunca ficaria feliz com esse assunto
Ele disse que sua mente havia se tornado um formigueiro
E suas costas estavam cheias de agulhas
Enquanto que sua parte do meio do corpo havia se tornado uma espinha
Ọrúnmìlà declarou que verdadeiramente as coisas estavam presas em sua mente.
Sua mente deveria se voltar para as folhas Òdúndún
E suas costas deveria se voltar para as folhas Tete
Enquanto a parte do meio de seu corpo deveria se voltar par as folhas rinrin.

Abe-Sekete desde a profundeza de sua mente.
Quando Ợbàtálá disse à Ọrúnmìlà que o assunto havia sido removido completamente de sua mente, ele no entanto, declarou que ele nunca estaria feliz com Abe-Sekete novamente. Ọrúnmìlà então declarou que se o assunto foi removido completamente de sua mente, então, não havia razão pela qual ele não poderia estar feliz com Abe-Sekete, então ele estaria albergando animosidades contra ele, a qual era uma completa contradição com sua declaração de que havia perdoado completamente seu seguidor favorito. Assim foi como Ọrúnmìlà limpou a mente de Ợbàtálá sobre esse assunto e consegui que Abe-Sekete fosse perdoado desde o ponto mais profundo de sua mente.
Assim foi como Ọrúnmìlà convidou Abe-Sekete e o reconciliou com Ợbàtálá. Ọrúnmìlà lhe entregou as folhas Èbùrẹ a Abe-Sekete que a mudou e entregou a Ợbàtálá como símbolo de perdão e reconciliação.

Aquele que tem coador para filtrar a cerveja
A espessa planta em torno do pescoço do elefante
Elas duas, devem estar ali, juntas
Vigorosas marteladas no metal, caracterizam uma ferraria
E incessantes abanos caracterizam o grito
Para colocar o rosto contra o calor do fogo
E as costas contra o calor do Sol
Estes eram os Áwo residentes de Onitenku
Eles foram os que lançaram Ifá para Onitenku
Aquele que ofendeu e foi expulso
Eles se juntaram para lançar Ifá para Abe-Sekete
O filho de Ògún
Quando ele foi fazer amor com a esposa de Ợbàtálá
Ợbàtálá se recusou e disse que nunca mais teria relações com Abe novamente
Abe foi implorar a Sakí em Ekiti
E foi implorar a Erìnmì das terras de Owo
Ele foi implorar a Antete das terras de Ìkòyí
Mesmo assim Ợbàtálá recusou
Ele declarou que ele nunca mais teria qualquer contato com Abe
Abe foi implorar a complexidade negra do Agbe
O filho de Ọlọkún Seniade, a divindade dos oceanos
E foi implorar ao vermelho Àlùkò
O filho de Olòòşà, a divindade das lagoas
Mesmo assim, Ợbàtálá recusou
Ele novamente jurou nunca mais ter contato com Abe
Abe então, recorreu a si mesmo
E foi buscar ajuda de Ọrúnmìlà
Quando Ọrúnmìlà estava indo
Ele pegou um ramo de vegetal Èbùrẹ
Porém, Ợbàtálá era reconhecido por sua cuidadosa observação e dedução do que estava acontecendo
Edun-Beleje, o macaco esbelto, que era filho da divindade da floresta, estava atuando como chefe de companhia de Ợbàtálá.
Quando Ọrúnmìlà está prestes a chegar à casa de Ợbàtálá
Ợbàtálá estava dormindo
Ọrúnmìlà gritou as saudações
Edun-Beleje, o filho de Olu-Igbo disse que Ợbàtálá não havia acordado
Eles perguntaram por que?
Ọrúnmìlà disse que Sakí já havia despertado em Ado-Ekiti
E Erìnmì já havia acordado nas terras de Owo
E Antete já havia acordado nas terras Ìkòyí
E Agbe-dudu já havia acordado na margem do oceano
Enquanto Aluko-Dòdòòdò já havia acordado nas margens da lagoa
Òrìşànlá, portanto, levantou-se
Ele disse que tinha acordado
Porém, não abriu a porta para que Ọrúnmìlà entrasse
Ọrúnmìlà disse: Ợbàtálá, abra a porta
Por que Ipepereju,
Porque Ipepereju, a pálpebra é quem abre a porta dos olhos para ele ver.
E a parte baixa que indica o trabalho que abre a porta do parto para um novo recém-nascido.
Ợbàtálá, então, abriu a porta
Ele disse que ainda que a porta fosse aberta
Ele nunca mostraria o rosto para Ọrúnmìlà
Ọrúnmìlá disse que ele mostraria o rosto a ele (Ọrúnmìlà)
Quando ele perguntou, por que
Ele disse que as solas dos pés não conhecem o caminho de volta
A unha não vira as costas para o dedo.
A unha do dedão do pé não dá as costas ao mesmo dedo
Aquele que alivia seus intestinos em um monte, não dá as costas para o monte.
Ợbàtálá, então, voltou seu rosto para Ọrúnmìlà.
Ele disse que embora ele o tenha encarado
Ele nunca sorriria sobre esse assunto
Ọrúnmìlà ordenou que Ợbàtálá sorrisse sobre o assunto
Quando ele perguntou por que
Ele declarou que uma viúva se conhece por seus sorrisos consoladores
Uma mulher obscena se conhece por sua estupida, porém, tem tentadores sorrisos
Sorrisos estupidamente tentadores são a marca de uma prostituta
É com sorriso que as pessoas acendem o fogo, para preparar a bebida
E é com sorriso que a inundação se torna uma torrente
Quando a árvore do algodão produz sua lã
É com sorriso que o fazendeiro faz a colheita
Ợbàtálá então sorriu
Ele declarou que mesmo que tenha sorrido
O assunto não havia deixado sua mente completamente
Ọrúnmìlà ordenou que o assunto deveria ser removido completamente de sua mente
Quando ele perguntou por que
Ele disse que o cão sempre tenta lamber a água
Ele disse, quando o coador de bebidas liquidas se enchem de água totalmente
Quando se afunda o coador, quando sai a água desce em retirada
E quando a armadilha de pesca é submergida na água, a água será removida completamente da armadilha quando ela for removida
E se uma mulher se envolve em negócios de frutos verdes de palmeira
É bastante cansativo
Ợbàtálá declarou que mesmo que todas as coisas estivessem presas em sua mente
Porém, ele disse que nunca ficaria feliz com esse assunto
Ele disse que sua mente havia se tornado um formigueiro
E suas costas estavam cheias de agulhas
Enquanto que sua parte do meio do corpo havia se tornado uma espinha
Ọrúnmìlà declarou que verdadeiramente as coisas estavam presas em sua mente.
Sua mente deveria se voltar para as folhas Òdúndún
E suas costas deveria se voltar para as folhas Tete
Enquanto a parte do meio de seu corpo deveria se voltar par as folhas rinrin.
Ợbàtálá disse que todas as coisas, realmente, haviam sido removidas de sua mente
Que sua mente havia se voltado para Òdúndún
E suas costas a Tete
E meio de seu corpo para rinrin
Aqui vem as folhas de èbùrẹ, o símbolo do perdão
Se vemos uma pessoa importante
Alguém aceitará seus argumentos
Você já aceitou as desculpas de Abe
Além das desculpas de Oko
Quando vemos uma pessoa importante
Nós deveríamos aceitas as desculpas.

Ifá diz que será difícil para a pessoa que tem esse Odù revelado, ser perdoado pela ofensa causada, porém, ao final da história, as desculpas serão aceitas.

Por outro lado, se a pessoa que teve esse Odù revelado for a vítima da ofensa de outra pessoa, ela necessita aceitar as desculpas do culpado se uma pessoa importante interceder em favor do culpado.

Saber perdoar verdadeiramente é um dos maiores ebo que a humanidade pode oferecer.

Ire alaafia.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Orí se torna a autoridade máxima entre as divindades

Òfún’rètè




Were wẹrí no Ợrun...
Owewé, aquele que limpa a pobreza com perfeição.
Foi visto no jogo para somente um Orí e também para quatrocentos e uma divindades celestiais.
Quem iria a Ọlọrun o criador-chefe para tentar abrir o obi do asé.
Ogbon, sabedoria, os dirigiu para fazerem o sacrifício...
Quatrocentas e uma divindades desobedeceram a sua ordem.
Somente Orí obedeceu, e seu sacrifício foi aceito.
Qual era a ordem dada por Ogbon?
Eles tinham de acordar ao amanhecer e louvar o supremo criador.
Todos os Òrìşà perderam a hora.
Somente Orí acordou e se atirou ao chão em homenagem a Ọlọrun.
Depois disto todos os Òrìşà foram a deus, o criador-chefe, e pediram a Ogbon para apresentar o obi de autoridade.
Todos tentaram, mas não conseguiram abri-lo.
Somente Orí conseguiu porque tinha feito o sacrifício (ebo) e dividindo o obi, ele obteve as respostas (divinou).
A resposta foi favorável e uma alta louvação ocorreu.
Houve grande excitação e júbilo no Ợrun.
O lugar mais alto e central (o Apèrè) daí passou a por direito pertencer a Orí.
Quando Orí se sentou, os outros Òrìşà, cheios de inveja, conspiraram para destroná-lo.
Òrìşà’ nlá foi o primeiro a desafiar sua autoridade.
Orí o pôs no chão e em Àjàlamó aonde os destinos são moldados.
Em Àjàlamó Òrìşà ‘nlá se tornou o especialista e escultor dos destinos.
Orí criou Amakisi no leste, aonde a luz matinal surge na terra.
Orí conquistou todos os Òrìşà e os criou aonde eles são hoje reverenciados.
Ao acordar, eu homenageio Ọlọrun.
Deixe todas as coisas boas virem a mim.
Meu Orí me deu vida.
Dê-me o poder de ultrapassar a mortalidade e eu não morrerei.
Deixe todas as coisas boas pertencerem a mim, como a luz pertence à Amakisi.
Orí é importante porque é o que escolhemos no Ợrun para nos acompanhar neste mundo para atingirmos nosso destino.
Orí é o que nos dá a oportunidade de fazer escolhas.
Mesmo antes do Òrìşà, há o Orí que nos direciona e nada pode se manifestar se não fizermos uma escolha.
É Orí que nos leva de volta ao Òrìşà.
Se olharmos o termo Orí (sa) é a coroação da cabeça que a isto se refere.
É a coroação do Orí das divindades que os tornam Òrìşà.
Todos eles escolhem seu destino.
E esta escolha é seu Orí quem faz.
Não há nada que possa acontecer sem fazermos uma escolha ou saudarmos Orí.
Por isto é que Orí vem primeiro, porque nos leva a Òlódùmarè (Ọlọrun).
Orí é a "ligação direta” com Òlódùmarè.
Ligação com a força chamada Ẹlẹdá, energia incondicional, o pensamento de Ọlọrun que todos temos dentro de nós.

É por isto que é dito quando saudamos nossas cabeças, estamos saudando Ẹlẹdá, porque isto é feito através de nosso Orí.

Epá Ori. Epá Òrìşà.

Ire alaafia

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Ògún

Conta a lenda que Ợya era companheira de Ògún antes de se tornar a mulher de Sàngó. Ela ajudava Ògún, Rei dos Ferreiros, no seu trabalho. Carregava docilmente seus instrumentos da casa à oficina. E aí ela manejava o fole para ativar o fogo da forja. Um dia Ògún ofereceu a Ợya uma vara de ferro, semelhante a uma de sua propriedade, que tinha o dom de dividir em sete partes os homens e em nove as mulheres, que por ela fossem tocadas no decorrer de uma briga. Sàngó gostava de vir sentar-se a forja apreciar Ògún bater e modelar o ferro e, frequentemente, lançava olhares a Ợya. Esta, por seu lado, também o olhava furtivamente. Segundo um contador de histórias, Sàngo era muito elegante. Seus cabelos eram trançados como os de uma mulher. Sua imponência e seu poder impressionaram Ợya. Aconteceu então, o que era de se esperar: ela fugiu com ele. Ògún lançou-se à sua perseguição. Ao encontrar os fugitivos, bradou sua vara mágica e Ợya fez o mesmo, eles se tocaram ao mesmo tempo. E assim Ògún foi dividido em sete partes e Ợya em nove. Ele recebeu o nome de Ògún-Méje-Ire e ela Ìyá Mésan.

"Ògún dividido em sete partes'' faz alusão às sete aldeias, hoje desaparecidas, que existiam em volta de Ire. Também simboliza o número de instrumentos pendurados numa haste: lança, espada, enxada, torquês, facão, ponta de flecha e enxada (espécie de enxada que se usa na África).
Ògún é o filho mais velho de Okambi, neto de Odùdúwà, fundador de Ifé.
Apossou-se da cidade de Ire, matou o rei e aí instalou seu próprio filho. Intitulou-se de Onire, Rei de Ire, mas nunca teve o direito de usar um Ade (coroa que simboliza a realeza para os yorùbá).
Usou somente um diadema chamado Àkòró, que lhe valeu ser saudado, até hoje, com os nomes de Ògún Onire e Ògún Alà Àkòró.
Foi um temível guerreiro, que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos. Dessas guerras trazia sempre um rico espólio. Numa dessas guerras ficou fora de Ire durante muito tempo. Quando retornou, a cidade estava em festividade. Ninguém podia falar ou fazer um gesto. Ao chegar Ògún perguntou pelo seu filho. Não obtendo resposta ele disse: '
Vocês não estão me reconhecendo?
Eu sou Ògún, rei do Ire.
Acrescentou ainda que estava com fome e sede. Ninguém se manifestava. Como ele nunca fica sem resposta, começou a matar as pessoas, até matar toda a tribo. Quando matou a última pessoa, o filho apareceu e perguntou:
Por que fizeste isto, meu pai?
Estavam todos em silêncio em sua honra.
Aí Ògún se apercebeu do mal que tinha causado e disse ao filho duas palavras, que todas as vezes que ele as pronunciasse, viria em seu auxílio.
Depois enfiou a espada no chão, abriu a terra e entrou.

Os lugares consagrados a Ògún ficam ao ar livre na entrada dos palácios dos reis e nos mercados. Estes lugares são geralmente pedras em forma de bigorna, colocadas perto de uma grande árvore: Àràbà. São protegidos por uma cerca de plantas nativas, chamadas pèrègún ou akoko. Nestes locais periodicamente os sacerdotes realizam suas oferendas.

Ire alaafia