domingo, 10 de julho de 2016

Ọbatálá e o escravo

Os sofrimentos de um Áwo não são para sempre.
A pobreza de um Áwo se tornará prosperidade.
Sem demora iremos nos recostar no salão do alivio
E rir deste assunto
Nós esticaremos nossas pernas quando nos sentarmos
Estas foram às declarações de Ifá para Òrìsà-Nla-Òsèèrèmagbò.
Quando ia comprar um aleijado como seu primeiro escravo
Ele foi aconselhado a fazer sacrifício
Ele cumpriu.

Ọbatálá (Òrìsà-Nlá-Òsèèrèmagbò) queria começar um empreendimento. Ele queria ir ao mercado Ejigbomekún para comprar um escravo que o ajudasse em suas atividades diárias, ele pretendia ter êxito nesta empreitada. No entanto, ele foi à casa de seu amigo Òrúnmìlà para uma consulta com Ifá.
Ele foi informado que teria muito êxito em seus planos e tarefas comerciais. Pediram que comprasse o primeiro escravo que ele visse, ele iria se tornar muito rico e muito influente. Também lhe disseram que sua fama e popularidade não teriam limite. Ele foi advertido que a fase inicial deste empreendimento seria muito difícil, porém, não perduraria por muito tempo. Depois destas mensagens, Ọbatálá foi aconselhado a oferecer sacrifício com dois pombos brancos, duas galinhas e dinheiro (para o cliente, ele/a também necessitam realizar ritual a Ọbatálá com ìgbìn, efún e dinheiro). Ele cumpriu e se dirigiu ao mercado de Ejigbomekun.
Chegando ao mercado, o primeiro escravo que Ọbatálá viu era coxo. Ele se recordou das ordens de Ifá pela voz de Òrúnmìlà, que ele deveria comprar o primeiro escravo que visse. Ele comprou o escravo com muito pesar. Ele ficou se perguntando como o escravo poderia lhe trazer a riqueza prometida. No entanto ele levou o escravo para casa. Ọbatálá estava alimentando, limpando, banhando e levando o escravo para o local onde ele deveria lhe servir. A pobreza de Ọbatálá e as tarefas diárias aumentaram em vez de diminuir. No entanto ele aceitou seu destino sem nenhum rancor.
Um dia o escravo perguntou a Ọbatálá se ele tinha uma fazenda de sua propriedade. Neste período Ọbatálá tinha terminado o cultivo de milho em sua fazenda, que ficava muito longe. Ele respondeu afirmativamente. Então o escravo lhe pediu que o levasse para viver na fazenda.  Quando Ọbatálá ouviu o pedido do escravo, ele negou por duas razões principais:
Primeira, O escravo era coxo e não poderia encontrar um modo conveniente para sua própria sobrevivência na fazenda.
Segundo, Ọbatálá estava usando o escravo como um companheiro e confidente.
Na verdade, ele não perderia a companhia do escravo. O escravo pressionou Ọbatálá a permitir que ele fosse para a fazenda e que ele seria capaz de se defender sem problemas. Depois de muitos argumentos e conversas, Ọbatálá aceitou o pedido.
Sem que Ọbatálá soubesse, o escravo era um exímio caçador com armadilhas. Imediatamente ele chegou à granja e colou as armadilhas para os papagaios. Ele pegou muitos, retirou as penas dos rabos e os soltou novamente. Logo ele tinha muitas penas em casa. Um dia Ọbatálá disse que haveria uma importante festa na casa de Olókun e que ele fora convidado. O escravo perguntou quando seria a festa. Ele disse.
O escravo então pediu que Ọbatálá que o viesse vê-lo na fazenda, dois antes da cerimônia. Ọbatálá concordou em vir e mesmo sem saber por que o escravo havia pedido isso. Na data marcada ele foi presenteado com uma coroa feita com a cauda do papagaio. Ele ficou muito contente. Ele expressou sua surpresa com a especialidade de seu escravo em capturar papagaios e fazer lindas coroas com penas de papagaio. Ọbatálá prometeu aproveitar a ocasião na casa de Olókun e usar a coroa.
Na cerimônia, todos os irunmọlẹ e dignitários importantes perguntaram a Ọbatálá onde ele havia conseguido uma coroa tão linda. Ele disse que fora seu escravo e todos fizeram pedidos para comprar uma.
Ọbatálá cobrou preços exorbitantes e todos eles foram de acordo com o preço cobrado.
Ọbatálá voltou para sua casa muito feliz. Ele contou a experiência ao escravo. O escravo ficou muito contente e por fim, se tornou útil a Ọbatálá. O escravo fez todas as coroas encomendadas e ele e Ọbatálá ficaram ricos. Ele recobrou sua liberdade, porém continuou na companhia de Ọbatálá. Eles viveram felizes e tranquilos.
Quando Ọbatálá se lembrou das mensagens de Ifá, ele estava cantando, dançando e sentindo-se agradecido a Òrúnmìlà. Ele prometeu oferecer uma vez mais o sacrifício, porém tudo que lhe disseram era que ele deveria mostrar gratidão ao seu Áwo.
Ele disse:

Os sofrimentos de um Áwo não são para sempre.
A pobreza de um Áwo se tornará prosperidade.
Sem demora iremos nos recostar no salão do alivio
E rir deste assunto
Nós esticaremos nossas pernas quando nos sentarmos
Estas foram às declarações de Ifá para Òrìsà-Nla-Òsèèrèmagbò.
Quando ia comprar um aleijado como seu primeiro escravo
Ele foi aconselhado a fazer sacrifício
Ele cumpriu.
O escravo que eu comprei é um escravo bom.
O escravo que eu comprei está ganhando dinheiro.
O escravo que eu comprei é prospero
O escravo que eu comprei é um escravo bom.

Sagrado Odù Ogbè'sé.

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