sábado, 5 de março de 2016

Ìyàámi Òṣòròngà



Ìyàámi Òṣòròngà, energia ancestral feminina, cultuada por uma sociedade de mulheres.  A sociedade de mães ou Ìyàámi, é o conselho de mulheres idosas da aldeia, que é composto por iniciadas de Òşún, Yemọjá e Oya, tendo Òşún normalmente como a líder.  Os conselhos de anciãs adoram o espírito do ar, que é uma força masculina expansiva e que tem como seu mensageiro: o pássaro.
A sociedade Òṣòròngà congrega as Àjé – feiticeiras.  Alguns itan de Ifá, ilustram que Ìyàámi tem o poder de se transformar em pássaros - Èhurù, Eluùlú, Àtíòro, Àgbìgbò e Òṣòròngà, este último refere-se ao próprio nome da Sociedade.  Eles empoleiram-se em algumas árvores como o Iroko.  Esse, por sinal, é um dos motivos para que as pessoas não fiquem debaixo da copa de Iroko durante a noite, pois acreditamos que ela se esconde em seus grandes galhos.

São detentoras de grande poder, consideradas as donas da barriga.  Ninguém pode com seus Ebó, são propiciadoras da alteração do destino de uma pessoa. Seus poderes são tamanhos que só se consegue, no máximo, apaziguá-las, vence-las jamais.  Quando se pronuncia o nome de Ìyàámi Òṣòròngà quem estiver sentado deve se levantar, quem estiver de pé fará uma reverência, pois esse é um temível Òrìşà, a quem se deve respeito completo.

Toda mulher é uma Àjé, Ìyàámi representa os poderes místicos da mulher no seu aspecto mais perigoso.  São as mães em cólera, que sem a sua boa vontade, a vida na terra não teria continuidade.
Ìyàámi simboliza o princípio feminino, sendo responsável por todo o poder das mulheres, são as grandes mães ancestrais, que tudo criaram, transformaram e transmutaram desde o princípio da formação do Universo.  
Sem o poder feminino, sem o princípio de criação, não brotam plantas, os animais não se reproduzem, a humanidade não tem continuidade.  Assim, a mulher é o princípio da criação e preservação do mundo.  Sem a mulher não existe vida, e por esse motivo deve ser reverenciada e respeitada.  A mulher está diretamente ligada ao divino, serve como passagem e receptáculo do sagrado no mundo dos vivos, por gerar vida.  A mulher é vista como o útero fecundado, a cabaça que contém a vida, a responsável pela continuidade da espécie e pela sobrevivência da comunidade.
A mulher tem o poder da vida, pois todos são gerados no ventre feminino, todos nasceram de uma mulher, sendo fundamentalmente importante se curvar ante à poderosa mãe. Todas as mulheres e todas as Divindades femininas, principalmente Òsún, Yemọjá, Ợya e Nàná, possuem uma grande ligação com Ìyàámi.

O culto à Ìyàámi sempre existiu, no entanto, o respeito que existe em relação a essa Divindade fez e faz com que o seu culto seja restrito.   Ìyàámi é tida como a perigosa feiticeira, por isso recebe o nome de Ajé (feiticeira).  O medo e o respeito acerca dessa divindade são tão significativos que, o seu principal nome, Òṣòròngà, quase nunca é pronunciado.
O poder de Ìyàámi é intangível e desmedido, ela é sem dúvida, uma das Divindades mais poderosas e, essa é uma das razões para que as pessoas tenham tanto receio e medo em relação a elas.   Ìyàámi é louvada por meio de cânticos específicos que enaltecem as suas características e por meio de oferendas que apaziguam a sua cólera, fazendo com que exista o equilíbrio necessário.  Em momento algum podemos deixar de lado o perigo existente acerca de Ìyàámi, no entanto, não podemos deixar de recordar que Ìyàámi, é também, o princípio gerador feminino, a representação máxima da ancestralidade feminina.

Muito embora, grande parte do culto de Ìyàámi seja destinado às mulheres, existem os Oṣò, que são homens feiticeiros, mas infinitamente menos violentos e cruéis que as Àjé.  Eles participam do culto, onde, em forma de submissão total as mulheres e ao seu poder, prestam reverência e homenagens à Ìyàámi.
Trazidas ao mundo pelo Odù Osá Méjì, as Ajé, juntamente com o Odù Òyèkú Méjì, formam o grande perigo da noite.
O objetivo da sociedade, que antes era exacerbar a maldade existente no poder feiticeiro de Ìyàámi, modificou-se e as danças, os cânticos e as oferendas feitas em sua homenagem, visam, a aplacar a sua cólera ao em vez de incentivá-la."
No país Yorùbá, as atividades das feiticeiras – Àjé – estão ligadas às das divindades, Òrìşà, e aos mitos da criação.  As Àjé são um dos pilares essenciais da sociedade, porém evita-se maldizê-las abertamente, pois se acredita que possuam uma força agressiva e perigosa.
Elas escolhem entre si, uma Ìyálóde (Erelú/Ògbóni), a mulher que dirige as mulheres em uma aldeia Yorùbá.  A Ìyálóde coloca o pássaro dentro da cabaça, a cobre e a entrega a mulher que quer obter o poder de Àjé.  Este pássaro é enviado em missão, cada vez que a Àjé quiser combater alguém.
Elas estão diretamente ligadas a Sociedade Ògbóni.  Ògbóni foi fundada para estabelecer a ordem e a paz em território Yorùbá, com isso, o papel das Ìyàámi, é justamente fazer esse controle entre os seres humanos.  Aquele que não estiver cumprindo o juramento feito, de lealdade, fraternidade, caráter reto; é com Ìyàámi que deverá prestar contas, ela faz esse controle e cobra os tributos.


Adaptado por:
Erelú Iyá Òsún Funké, Iyanifá Fun Mi Lolá (Fatima Gilvaz)
Visite o site: www.ifaorixaefunlase.blogspot.com.br/

Fontes:
- Willian Bascom
- Wande Abimbola
- F. Fatunmbi
- Pierre Verger
- Oba Kaloje
- Efunlase
- Consciência Negra
- Vários sites sobre o assunto

2 comentários:

  1. Odé Oláigbo,

    Muito bom o texto sobre as grandes mães da noite! Parabéns por nos trazer e renovar a informação.
    Muitos não sabem porque omolokun leva ovos!
    Àwúre.

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    Respostas
    1. Obrigado pelas palavras Baba Fernando.
      Ìyá Òsún fez um belo trabalho.

      Ire

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O Culto Tradicional Yorùbá, vem resgatar nossa cultura milenar, guardada na cabaça do tempo.