segunda-feira, 6 de julho de 2015

Ìká mèjì


Quando Ọmọlu (Espírito das doenças infecciosas) atingiu a idade de Akoko ti òkúnrin (puberdade) foi levado para a selva para Ilana òkúnrin Isin (Ritual de transição).
Neste dia, os anciãos resolveram levar o ọbẹ (faca).
Quando chegou a hora de fazer as marcas tribais em Ọmọlu, o mais velho usou uma faca sem corte.
Ọmọlu ficou com cicatrizes grandes e feias no rosto.
Em sua ira Ọmọlu fez oferendas aos Orisá que se apiedaram dele.
Eles lhe deram o Apo onísègùn (cabaça de medicina).
Toda vez que ele balançava sua cabaça, a varíola invadia a aldeia e os que estavam perto dele também sofriam com as cicatrizes.

Comentário:
Ifá ensina que a negatividade do mundo é criada por aqueles seres humanos que deixam de aspirar ao desenvolvimento e o bom caráter.
Dentro de Ifá não há nenhuma força que possa ser considerada intrinsecamente má.
O resultado do desenvolvimento do mau caráter pode ser um distúrbio no equilíbrio e harmonia naturais. Este distúrbio pode tomar dimensões tão grandes que pode parecer um espírito demoníaco se originando.
Nesta história, a varíola é atribuída às ações de Ọmọlu em função da irresponsabilidade dos idosos.
A implicação aqui é que as doenças infecciosas foram desenvolvidas como resultado da indiferença aos princípios fundamentais de respeito humano e à higiene. Tradicionalmente, as cicatrizes tribais são feitas com cuidado e consideração. É impensável se usar uma faca cega. Quando o impensável aconteceu, desenvolveu conseqüências negativas.
Para usar a mesma analogia, se a água está contaminada com resíduos químicos de forma consistente, eventualmente tornar-se intragável.

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O Culto Tradicional Yorùbá, vem resgatar nossa cultura milenar, guardada na cabaça do tempo.