quinta-feira, 13 de novembro de 2014

História de Oluwo: Primeira mulher iniciada em Ifá.


Sou muio grato a Olódùmarè, a meu Ori, a Èsù, a Òrúnmìlá, a meu òrìsà Erinlè, a Obàtálá, a minha Ancestralidade, a Ancestralidade do Òrun, a minha esposa Òya Fun'kè (Que eu amo muitoooo), meus filhos carnais e espirituais, amigos e  sou também muito agradecido a meu Obaala Oluwo Ifasina Ifarunaola Adesanya  Èfún Áwo Pèjù e sua esposa Ìyànifá Erelu Òsún Fun'kè por me direcionar e me ensinar Ifá com os olhos da verdade, da sinceridade e imparcialidade.
Por eles terem me tornado um membro da sociedade Ogboni, em sua essência.
Tenho muito orgulho de bater em meu peito e dizer que sou Ogboni, que Òsátúrá faz parte do meu dia a dia, ser sincero, ser honesto, ser verdadeiro é fácil, quando se quer e deseja!
Ótítò, epá!
Que a terra me coma, se eu estiver fugindo com a verdade.
Hoje comemoramos 120.000 visitas neste blog que nasceu despretensioso, que nasceu com a vontade de repartir conhecimento e levar a palavra de Ifá aos quatro contos do mundo.
Creio que minha pequena parte está sendo feita, dentro dos meus limites tenho colaborado.
Creio que os Áwo escritores de todo o mundo merecem o meu aplauso e respeito por me permitirem traduzir e postar seus trabalhos.
E agradeço minha vida a todos os seres encantados do Universo, esta malha holográfica nada seria se não houvesse a presença de todos eles.
Dou graças e sou agradecido a todos, inclusive àqueles que fazem parte desta jornada  e não foram mencionados.




História de Oluwo: Primeira mulher iniciada em Ifá.
Primeira História. 

A história de Oluwo, a certeza da morte de oportunidades ilimitadas.  
Esta história foi tirada de Òtúrú-gban-tete (Òtúrúpon – Ìretè).
Odu 194, a estrofe diz assim:

Ikun, o esquilo, com sua enorme barriga.
Um fazendeiro é aquele que prospera quando se inclina.
Eles foram os Awo que lançaram Ifá para Òkànmbí.
O mais evidente herdeiro do trono de Olófin
Quando se lamentava por não ter filhos.
Ele foi aconselhado a oferecer ebó.

Òkànmbí tinha acabado de ser instalado como Olófin, o Obà de Ilé Ifá. Ele era muito popular entre seus súditos. Ele era gentil, generoso, benevolente e muito popular entre seus súditos.
Ele tinha o temor por Olódùmarè em seu coração. Ele tinha várias esposas, aquelas que ele escolheu por seu coração e as que lhe foram presenteadas como presente real.
Infelizmente nenhuma dessas mulheres foi capaz de lhe dar um filho. Esta era uma fonte de muita dor para Òkànmbí.

Por consequência, Òkànmbí convocou Ikun abinu-gbento e Agbe-n-fi-Ìbẹrẹ-soro, seus sacerdotes favoritos de Ifá, para uma consulta:
“Eriwo ya, meu Babalawo exaltou”.
Òkànmbí começou a falar:
Todos nesta cidade sabem do meu problema, eu assumi o trono de meus ancestrais, principalmente por que meu pai me deu a luz. Eu ainda não tenho filhos, o resultado de tudo isto é que provavelmente eu vou ficar sem dar continuidade a minha linhagem se não tiver um filho para me suceder antes de morrer.
Eu não acredito que este seja o desejo dos deuses para mim, pois, eu nunca pensei, falei ou fiz qualquer mal em minha vida.
O fato é que todas as minhas mulheres falharam em me entregar um filho, até este momento eu ressalto que temos um problema sério.

Eu estou convencido que este problema pode ser resolvido. Hoje eu conclamo Olódùmarè, os òrìsà e meus antepassados para me julgar e me premiar de acordo com meu caráter e minhas atitudes em relação aos meus amigos seres humanos.
Concluiu Òkànmbí. 

O Áwo garantiu que faria o melhor para poder garantir que o problema seria resolvido sem demora. Eles trouxeram o Ifá ancestral de Olófin, o Obà de Ilé Ifé e Ifá foi consultado.
Durante a consulta, Oturupon'retè foi revelado. Depois de muita conversa, o Áwo declarou: Kábiyèsí, Ifá prevê ire de fertilidade para você.
Ifá diz que você não morrerá sem deixar filhos atrás de você, que irão continuar a sua linhagem ancestral.
Ifá, no entanto, lhe aconselha a oferecer ebo e oferecer um ser humano para servir aos seus espíritos ancestrais.

Òkànmbí ofereceu o ebo. Ele falou para o seu Aworo (sacerdote oficial) sobre o seu santuário ancestral e pediu-lhe para procurar uma pessoa adequada para servir ao santuário.
Kábiyèsí me parece haver uma interpretação errada em algum ponto da conversa.
Disse o chefe dos sacerdotes.
O que devemos fazer é sacrificar o ser humano escolhido pelos antepassados para que ele seja capacitado de produzir o fruto do ventre de suas esposas.
Não! Gritou Òkànmbí, eu jamais faria isso.
Como você quer que eu mate um ser humano, em benefício de outro?
Eu jamais farei isso, ele declarou.
O Aworo disse para ele:
O que nós declaramos foi dito pelos ancestrais e não poderia ser alterado por qualquer um, muito menos o guardião da própria tradição que estava sendo defendida.

Depois de muitas idas e vindas, concluiu-se que um escravo seria usado e oferecido como sacrifício aos espíritos dos ancestrais.
Olófin Òkànmbí foi aconselhado a escolher qualquer um entre seus muitos escravos que viviam no palácio, para que o ritual fosse realizado naquele mesmo dia.
Òkànmbí recusou-se a usar qualquer escravo.
Ele disse:
Todos eles são muito próximos, como parentes. Eles são parte de minha família, eu não suportaria perder qualquer um deles. Eles simplesmente são parte da minha casa
Ele concluiu que um escravo novo deveria ser comprado, de modo que o ritual fosse cumprido. O Áworo enviou dois Abese (funcionário doméstico do palácio), para o mercado de Ejigbomekun para comprar um escravo imediatamente. 

No mercado de Ejigbomekun, naquele dia, havia somente um escravo. O nome do escravo era Oluwo, Agbamonu - ile, eru Ikole, Oluwo havia sido capturado em Ikole-Ekiti.
Este escravo era uma mulher e estava com 20 anos. Ela era de uma beleza mediana.
Será que poderemos usar uma mulher como material ritual para os ancestrais de Olófin?
Um dos Ìlàrí que tinha vindo ao mercado disse:
Por que não?
Sangue é sangue, e ela é um ser humano e os desejos dos antepassados e dos Áworo serão satisfeitos.
De qualquer jeito, a jovem será oferecida aos antepassados hoje antes do pôr do sol, então, por que devemos dar tanta atenção a este detalhe?
O segundo Ìlàrí respondeu:
Todas essas conversas foram travadas na presença de Oluwo.
Quando finalmente a compra foi concretizada, ela já sabia que seria oferecida como sacrifício, com isto, ela também estava ciente que não viveria além deste dia na Terra. Esta percepção a fez se resignar em relação ao seu destino.
Os três Áwo e os Ilari partiram para o palácio, assim que efetuaram o pagamento. 
Na junção de uma encruzilhada de três pontas no caminho para o palácio, eles encontraram o quarto Áwo, um sacerdote proeminente, que viajava de cidade em cidade ou por vilas por mais de três meses naquele momento. Assim naquela encruzilhada, eles estavam confusos a respeito de qual direção tomar. Eles decidiram consultar Ifá para uma orientação.
Os nomes dos quatro Áwo seguem abaixo:

Agiri giri, a parte mais dura do crânio de um esquilo.
A estrada pode fazer uma esponja velha e fraca, mas ele nunca vai tomar um banho com ela.
Apankoko pankoko pankoko pa (apelido carinhoso do terceiro Babalawo)
Aquele que não está disposto a liberar suas próprias coisas, mas gosta de tomar dos outros (apelido carinhoso do quarto Babalawo).
Quando Ifa foi consultado, (Òtúrúpon-Ìretè) novamente foi revelado. Quando estavam analisando este Odù, Oluwo e os dois Ilari passavam por eles.
“Jovem’, disse um dos quatro Áwo”.
Você ficará grávida e dará à luz a um menino, e ele se tornará um Obà.

Você tem neste momento seis búzios, Ifá diz que é preciso oferecê-los como sacrifício/ebo, para que o que foi dito a você se concretize. Ele concluiu. 
Oluwo parou de caminhar, ela estava convencida de que a mensagem certamente não foi dita para ela. Ela sabia que não seria no dia seguinte, para não dizer que seria no próximo ano.
Exaltando o sacerdote de Ifá, ela disse que tinha certeza que um erro havia sido cometido na mensagem, a mensagem não poderia ser para ela.
Na verdade, eu tenho apenas seis búzios aqui comigo e eu estou preparada para dar a você, com minha recusa não vai fazer nada de útil para mim certamente.
Eu vou encontrar minha morte hoje, pois, todos os preparativos foram feitos para que eu seja oferecida aos antepassados do Olófin esta noite, respondeu Oluwo. Ela então entregou os seis búzios ao Áwo. 
Jovem, nós apenas lhe dissemos o que Ifá pediu que fosse dito a você. Respondeu o Áwo.
Eles pediram o nome dela e ela lhes deu. Os dois Ilari riam de rolar no chão e faziam brincadeiras com Oluwo e os quatro sacerdotes de Ifá, eles os consideravam pessoas estupidas, por se esforçarem em cima de um assunto fútil.
Será que este Áwo estupido não vê que esta mulher vai morrer hoje?
Como ela vai ficar grávida dentro de tão curto período de vida?
Eles retornaram a sua jornada de volta ao palácio, logo eles chegaram. 
Assim que chegaram ao palácio, Olófin Òkànmbí perguntou pelo Áworo ao Ilari e mandou chamá-lo para que o ritual fosse realizado sem demora. Quando o Áworo chegou, ele lembrou que havia se esquecido de trazer o Teetu (carrasco). Quando o carrasco chegou já era muito tarde e nada pode ser feito naquele dia. O chefe Áworo disse:
Kábíyèsi, este ritual não poderá ser feito com pressa. Precisamos adiá-lo para o dia seguinte, para que possamos fazer o trabalho de forma completa para sua alteza real.
Foi acordado que o sacrifício ficaria para o dia seguinte. 
Quando tudo ficou acertado para o dia seguinte, Olófin Òkànmbí chamou uma de suas esposas que passava ao redor do palácio naquele momento.
Olori, por favor, me ajude a cuidar desta jovem até amanhã de manhã. Ele pediu. 
Olori não estava sabendo do local do ritual dentro do palácio e nem da consulta com Ifá, que fora feita mais cedo naquele dia.
Ela era a esposa que receberia o Olófin Òkànmbí naquela noite em sua cama. Ela respondeu a si mesma:
Este o máximo do insulto que o Kábíyèsi está me infringindo.
Por que que quando é a minha vez de receber o Olófin em meu quarto ele me pede para cuidar de outra mulher para ele?
Por que ele me insulta deste jeito?
Por que ele é tão insensível as minhas necessidades emocionais?
Como se isso não bastasse, ele ordenou-me na frente de seus chefes e funcionários, tenho certeza que eles devem estar rindo de mim neste momento, ela pensou amargurada.

De qualquer forma, eu já sei o que fazer com ela.
Certamente eu vou fazê-lo pagar por isso. Ele me pediu para cuidar dela, fedorenta, esfarrapada, com fome e suja. Eu havia acabado de trançar meus cabelos do jeito especial que ele tanto gosta de ver em minha cabeça. Vou fazê-lo pagar por isso.
Ela continuava pensando no assunto de vingança, até que ela se deu conta que se recusasse o trabalho dado pelo Olófin ela seria severamente punida. 
No entanto ela foi buscar água para a mulher. Ela a mandou tomar banho. Ele deu-lhe comida e a deixou dormir em seu próprio quarto, até o dia seguinte. Olori foi dormir em outro quarto.
Porém, a instrução de Olófin Òkànmbí era para ela cuidar da jovem, garantindo que ela ficasse entre as escravas e ir dormir em seu próprio quarto. Olófin Òkànmbí lhe pediu para realizar esta tarefa, pois Olori era uma de suas esposas favoritas. 
Na calada da noite, como é de costume em todos os palácios yorùbá, Olófin Òkànmbí seguiu seu caminho para o quarto de sua Olori favorita. Assim que ele entrou no quarto, que estava completamente escuro, ele percebeu que algo estava errado. Ele não sentiu o perfume que costumava sentir, quando entrava neste quarto. Quando se deitou na cama, percebeu que o penteado favorito dele e que ele havia visto na cabeça de sua Olori naquele dia não estava mais lá.
Ela não pronunciou uma palavra ou emitiu qualquer som, enquanto ele permaneceu no quarto.
Ele pensou:
Este o máximo de insolência de Olori para comigo.
Não vou mais tolerar isso, eu vou cuidar dela.
Vou lhe ensinar uma lição ou duas lições que ela vai se lembrar para o resto de sua vida.
Por que ela tirou o penteado Aaso, que eu suponha que ela deixaria para eu ver quando entrasse em seu quarto?
E por que ela não proferiu qualquer palavra?
Quando eu terminar de cuidar dela, quem a conhece vai chorar por ela, ele jurou.
Olófin Òkànmbí brincava com a ideia de se recusar a fazer amor com ela, mas decidiu não brincar. Ele concluiu que isto não teria nenhum impacto positivo nesta história. É só fazer a mulher pensar que ele tivesse ido para outro quarto fazer amor com outra mulher. Ele, no entanto, fez amor com ela sem muito interesse ou entusiasmo, logo em seguida ele partiu de volta para seu quarto. 
Sem saber Olófin Òkànmbí havia acabado de fazer amor com Oluwo, à escrava que era esperada para ser oferecida aos seus antepassados como sacrifício pela manhã seguinte. 
Em seu quarto, a raiva não o deixava dormir. Ele estava imaginando a punição mais adequada para sua esposa recalcitrante. Ele concluiu que a punição deveria ser publica, como um ensinamento para as outras mulheres.

A Olori igualmente contemplava uma resposta adequada à atitude descarada do Olófin para com ela. Ele prometia não aceitá-lo em sua cama e em seu quarto pelos próximos três meses lunares. 
Muito cedo pela manhã, Olófin Òkànmbí já esperava por seu Áworo. A primeira pessoa que ele viu foi sua esposa favorita. Ela estava cheia de raiva. Porém, infelizmente, o penteado Aaso, ainda estava em sua cabeça.
Com muita raiva e frustação ela gritou: Kábiyèsí, por que você fez isso comigo ontem?
Em vez de você dormir comigo em meu quarto, você escolheu outra mulher em vez de ficar comigo. Para aumentar minha indignação, você ainda me pediu para deixá-la bonita e limpa para você. 
Foi quando todos os acontecimentos da noite anterior se encaixaram na mente de Olófin Òkànmbí. Ele, então, entendeu por que não sentiu o cheiro do perfume, por que o penteado desapareceu durante a noite, por que ela não havia dito uma palavra ou som e principalmente por que sua esposa estava com tanta raiva dele naquele momento.
Olófin Òkànmbí então explicou:
Eu não pedi para você colocá-la no seu quarto para mim. Eu apenas lhe pedi para que cuidasse dela, encontrar um lugar para ela com as outras escravas e deixá-la confortável. Ele foi mais longe, quando cheguei a seu quarto a noite eu percebi que algo estava errado.
No entanto eu não esperava descobrir o que descobri por isso eu voltei para o meu quarto. Você não precisa se preocupar, por causa dos meus sentidos aguçados, eu não fiz amor com Oluwo. Eu nunca teria feito amor com outra pessoa, que não fosse com minha Olori favorita, ele concluiu.
Depois de ter certeza de que nenhum dono fora causado a ela, Olori pediu desculpas a seu marido e tudo voltou ao normal. 
Enquanto isso, Olófin Òkànmbí ficou muito confuso. Ele estava pensando sobre si mesmo. Vários pensamentos povoavam sua mente ao mesmo tempo. Ele deduziu que tinha feito amor com a escrava.
Se isso foi feito, qual a diferença entre as escravas e minhas esposas?
Depois de fazer amor com ela, eu teria algum motivo ou justificativa moral para pedir às pessoas que a ofereçam como sacrifício aos meus antepassados?
Eu teria algum motivo para descriminá-la com base no fato dela ser uma escrava?
Qual a diferença de pessoas nascidas escravas e as nascidas livres? 
Depois de muito pensar sobre si mesmo, ele concluiu que não poderia justificar a morte desta mulher e não poderia ordenar sua morte. Se os seus ancestrais realmente precisavam de um ser humano como sacrifício, com certeza não seria esta mulher, ele pensou. Como conclusão ele resolveu poupar Oluwo. 
Depois disto, chegaram o Áworo e o Teetu. Olófin Òkànmbí discutiu a situação com eles e disse-lhes que ele tinha acabado de descobrir que a jovem era imprópria para o sacrifício aos seus antepassados. 
Olófin Òkànmbí ordenou que Oluwo fosse transformada em servo pessoal e assessora de sua esposa favorita. Isto sou de forma agradável para Olori e Oluwo, a escrava virou empregada doméstica. Oluwo logo se tornou companheira de Olori.
Olori a tratava como uma irmã mais nova. 
Um mês depois, Oluwo reportou a Olori que ela não havia menstruado. Olori perguntou como ela conseguiu engravidar. Ela perguntou:
Você estava dormindo com as escravas ou dormiu com algum escravo do sexo masculino no palácio?
Ela respondeu que Kábiyèsí era o responsável pela sua gravides?
Olori quase desmaiou. 
Quando ela se refez do susto, perguntou:
Como isso aconteceu?
Oluwo contou tudo que aconteceu com eles naquela noite.
Oluwo disse que quando o Olófin entrou em sua cama, ela decidiu não dizer nada, nem uma palavra, durante seu calvário, afinal de contas quem ousaria dizer alguma coisa para o Olófin?
E também, de que adiantaria, se ela seria executada no dia seguinte pela manhã?
Vou cuidar desta mentira agora mesmo, sexo entre casal e um homem sem vergonha!
Gritou Olori! 
Timidamente, Olori seguiu para enfrentar Olófin Òkànmbí.
Ela disse:
Você é um mentiroso, um trapaceiro e irresponsável.
Imagine um Obà controlar todo o mundo e fazer amor com um escravo qualquer.
Quantas mulheres nascidas livres se insinuaram e você disse que recusou e agora a condescendência de descer a um novel tão baixo a ponto de fazer amor com uma escrava!
Todas as pessoas vão conhecer esta história!
As pessoas de todo o mundo vão tremer só de ouvir em falar no seu nome!
Vou me assegurar que o seu nome será arrastado para a lama!
Eu vou.... 
"Mulher fique quieta! E guarde suas declarações, antes de incorrer na provocação da ira real em si mesma. Não ficarei passivo e não permitirei que qualquer pessoa, incluindo você, me insulte. Se você tem um problema, venha e fale comigo com o devido respeito, ou então mantenha sua boca fechada".
Foi o que Olófin Òkànmbí respondeu a ela em um tom de voz bem alto. 
Eu ouvi dizer que: Eu tenho um problema? É claro que eu não tenho um problema, quem tem um problema é você, que desceu tão baixo a ponto de fazer amor com uma escrava!
Você se vendeu por muito pouco.
Você, pessoalmente, decidiu jogar sua autoestima para o alto. Você é o único que deve se explicar ao mundo por que desceu tão baixo a ponto de fazer amor com uma escrava comum.
Homem sem vergonha!
Ela agora gritava e chorava ao mesmo tempo.
Se você não se calar agora, chamarei os guardas, que não apenas retiraram você da minha presença, mas, igualmente a jogarem para fora do palácio. Se há qualquer problema venha e me diga e pare de ficar reclamando.
Se você deseja saber eu jamais mexi em minha dignidade e auto respeito.
Ambos são e continuarão intactos, enquanto eu viver. 
Talvez você ainda não saiba disso, disse Olori.
A brisa tem soprado e o ânus da ave foi revelado. Seu caso de amor explicito com Oluwo foi revelado. Não é segredo para ninguém neste mundo.
Lembre-se, a menina deveria ter sido oferecida aos seus antepassados como sacrifício no dia seguinte de sua chegada ao palácio. Se você tivesse feito isso, apenas isso, talvez seu pequeno e barato segredo tivesse permanecido em segredo para sempre.
Mas não e os antepassados tem uma maneira peculiar de expor pessoas como você. Você ordenou que ela não fosse oferecida como sacrifício. Alguns poderiam pensar que este é o resultado de sua benevolência, mas não, isto foi apenas o resultado de seu amor ilícito e você com certeza queria continuar com ele.
Deixe-me lhe abrir os ouvidos:
Oluwo está gravida de você! 
Olófin sentou-se calmamente para o que parecia ser uma eternidade. Depois com a voz mais pousada e solene que ela jamais tinha o ouvido usar, veio à pergunta:
Oluwo você está grávida de mim? 
Em vez de responder, Oluwo chorava baixinho.
É verdade?
Ele persistiu na pergunta. Depois de algum tempo, Oluwo balançou a cabeça afirmativamente.
Olori então vociferou:
O que você tem a dizer sobre isso?
Todo mundo vai ouvir o que você acabou de fazer, eu posso assegurar que vou pessoalmente comunicar ao mundo que você poluiu o sangue real e toda a família está impregnada de um mero escravo. 
Em vez de responder Olófin Òkànmbí levantou-se lentamente e em silêncio entrou no santuário ancestral.
Ele estava lá havia algum tempo, quando ele saiu Oluwo e Olori estavam no mesmo lugar que ele as havia deixado. 
Ele perguntou a Olori:
Você sabe por que eu entrei no santuário de meus ancestrais?
Sem esperar resposta ele seguiu com a fala:
Eu entrei no santuário para dar louvor e graças aos meus antepassados, embora o que aconteceu tenha sido muito infeliz, foi através desta mulher que era para ser dado em sacrifício que eu me tornei um pai, sinto que meus antepassados sabiam que seria assim que uma criança seria gerada. As formas como as divindades conduzem as questões são misteriosas, eu agradeço aos meus antepassados por responderem as minhas orações
Ele fez uma pausa em sua fala para que ela pudesse ser entendida corretamente. 

Quanto a você Olori, não precisa se preocupar em dizer isto ao mundo inteiro por mim. Eu mesmo o farei e farei agora mesmo!
Depois disso ele se voltou para Oluwo e disse:
Você me fez pai e isto eu lhe agradeço imensamente, a partir de hoje você passa a ser uma das minhas esposas. Todas as formalidades devem ser cumpridas em uma semana, eu convidarei o povo e o Obà de ikole Ekiti para participar da cerimônia.
A partir de hoje você é uma mulher livre. Você não é mais uma escrava, você é uma pessoa livre e uma Olori. Todos os direitos e privilégios de uma Olori, você terá nesta casa. Ninguém poderá lhe tratar mais como uma escrava. 

Neste mesmo dia Olófin Òkànmbí anunciou o novo status de Oluwo a todos no palácio. Todas as esposas e escravos relutantes aceitaram o novo status dela. Logo depois disso, todas as outras mulheres ficaram grávidas também, e nove meses depois Oluwo deu à luz a um menino. Pouco depois deste nascimento, outra Olori deu à luz a seu próprio bebe. Òkànmbí se tornou um homem muito feliz.

Dezesseis anos depois, Ọlọfin Òkànmbí se juntou a seus antepassados. Imediatamente após isso, o processo de escolha do sucessor começou. Ifá foi consultado. Após exaustiva investigação, o filho de Oluwo foi escolhido sucessor de seu pai. Assim Oluwo se tornou mãe do Obà. Foi neste momento que ela se lembrou das previsões de Ifá dadas há muitos anos atrás e ela começou a dar louvor e graças a Olódùmarè, a Ifá e aos seus antepassados. Ela, então, insistiu fervorosamente para ser iniciada em Ifá. Seu desejo foi concedido. Por isso, ela se tornou a primeira mulher com registro histórico a ser iniciada em Ifá. 
Logo após cerimônia de instalação de seu filho como Olófin de Ilé Ifé, os quatro Áwo que previram que Oluwo iria engravidar e dar à luz a um menino e que dezesseis anos lunares depois, o garoto se tornaria o próximo Obà de Ilé Ifé, estavam voltando de suas andanças. Eles foram informados que Oluwo havia se tornado a mãe do novo Obà. Eles enviaram uma mensagem ao palácio, eles gostariam de ir e visitar o novo Obà. 
Quando Oluwo ouviu a notícia, ela explodiu em alegria. Ela rapidamente enviou uma mensagem de volta para eles, dizendo que estava ansiosa pela visita. Ele colocou uma nova esteira no chão, colocou o Ifá de seu filho e o dela no chão, ela colocou obi, água e gin na esteira e esperou os Áwo chegar.
Assim que os quatro Áwo chegaram ela começou a cantar assim:

E g'oore o, e pa'bi o.
Awo rere
E g'oore o, e pa’bi.
Awo rere
Por favor, pise na esteira e abra o Obi.
Bom Áwo
Por favor, sente-se na esteira e abra o Obi.
Competente sacerdote de Ifá
Agiri giri Awo ori ikun é realmente maravilhoso
Por favor, pise na esteira e abra o Obi.
Bom Áwo
Por favor, sente-se na esteira e abra o Obi.
Competente sacerdote de Ifá
Apankoko pankoko pankoko pa é verdadeiramente um Bàbáláwo.
Por favor, pise na esteira e abra o Obi.
Bom Áwo
Por favor, sente-se na esteira e abra o Obi.
Competente sacerdote de Ifá.
Kii fee mu tie wa. 
Afi ko gba t'owo eni igualmente, é um verdadeiro Bàbáláwo.
Por favor, pise na esteira e abra o Obi.
Bom Áwo
Por favor, sente-se na esteira e abra o Obi.
Competente sacerdote de Ifá.

Depois das brincadeiras Oluwo narrou toda sua história para eles. Eles ouviram atentamente.
Após o relato eles perguntaram:
Agora você entende que o mundo pode mudar, mas o que Ifá diz não muda nunca, jamais!
Ela disse que definitivamente tudo era verdade.

Observação:

Esta história é a da esperança perdida e da esperança recuperada. A esperança não só foi recuperada, mas, abriu a porta para ilimitadas possibilidades. Ele destaca a situação de duas pessoas que estavam necessitando desesperadamente de coisas diferentes e foram capazes de realizar os desejos de seu coração, Òkànmbí estava em serias necessidades de ter pelo menos um filho para sucedê-lo quando morresse.
Oluwo necessitava da intervenção divina para salvá-la da dolorosa morte. Ambos receberam seus milagres com bônus. Òkànmbí foi capaz de ter não apenas  muitos filhos. No processo ele mudou a vida de todas as mulheres estéreis para mães orgulhosas.
No caso de Oluwo, no entanto, a morte certa que pairava sua cabeça, foi removida. Ela teve seu estado alterado de escrava para uma pessoa livre. Ela tornou-se mãe de vários filhos. Seu primeiro filho tornou-se o Obà de Ilé Ifè, berço da existência humana. 

Como é que tudo isso acontece? 

I. Ambos ofereceram o ebo e cumpriram as diretrizes do seu respectivo Babalawo.

ii. Eles buscaram a intervenção divina com as mãos limpas e coração puro. Eles nunca enganaram os outros ou fizeram maldades em segredo.

iii. Quando estas duas condições foram satisfeitas, Èsù Òdàrà entrou em cena para garantir que os desejos de seus corações seriam realizados:

Primeiro: Foi Èsù Òdàrà que criou a confusão que fez o Áworo insistir que a pessoa a ser trazida para os ancestrais de Òkànmbí deveria ser oferecida como sacrifício em vez de ser a única a servir os ancestrais do santuário.

Segundo: Ela foi encontrada no mercado de Ejigbomekun. Quando não havia dúvida quanto a se comprar uma mulher para o sacrifício, foi Èsù Òdàrà que inclinou a balança a favor de sua compra.

Terceiro Èsù Òdàrà foi quem garantiu que o sacrifício não seria oferecido no dia em que estava marcado, o adiamento de um dia mudou tudo.

Quarto: Foi também Èsù Òdàrà que criou a confusão na mente de Olori que a fez interpretar mal as ordens de Òkànmbí.

Quinto: Foi Èsù Òdàrà que causou a confusão na escuridão do breu que levou Òkànmbí a fazer amor com Oluwo, pensando ser sua Olori.

Sexto: Èsù Òdàrà também garantiu que a mente de Òkànmbí fosse mudada contra o uso de Oluwo como material de sacrifício, pois, quando todos os ingredientes estavam presentes, tornou-se possível Oluwo engravidar.

Sétimo: Èsù Òdàrà foi quem, com certeza, garantiu que o filho de Oluwo seria escolhido para suceder seu pai.

Todos foram atendidos em seus anseios por causa do bom caráter. A certeza daqueles que oferecem ebo e mantém as diretrizes de Ifá, são candidatos a receber as bênçãos de Èsù Òdàrà e continuar sendo seu melhor amigo. 
Esta história deixa claro para nós que o cliente precisa estar perto quando o ebo é oferecido. Por uma questão de fato, o momento em que um cliente ou paga por todos os materiais do ebo ou os fornece diretamente ou por meio de procuração, Èsù Òdàrà irá considerar que o ebo foi oferecido. Se o ebo é realmente oferecido ou não fica a cargo do Babalawo e ele vai ser o único a responder por isso quando Èsù Òdàrà for chamado.


Epá Odù.
Epá Òrìsà.

Ire alaafia

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