quinta-feira, 24 de julho de 2014

Rezas

As rezas são expressões dos desejos que nós queremos manifestar de forma séria e sincera. A reza então significa comunicar nosso desejo às divindades para que nos apoie e nos ajudem a assegurar que nossos desejos se concretizem.
Muitas pessoas não sabem como rezar para que se obtenha o efeito desejado. Algumas pessoas rezam mecanicamente e esperam resultados. Desafortunadamente, os resultados não serão positivos por um longo tempo. Na história do homem, o rezar é o entendimento de como se trabalhar uma reza que nós apreciamos e como fazer com que ela funcione para nós.
Ifá reconhece três tipos de rezas:
As rezas sócias religiosas
As rezas de precaução.
As rezas ocultas esotéricas

Reza sócio religiosa
Este tipo de reza é a mais comum entre as três. Geralmente é usada pelos líderes religiosos, os maiores ou aqueles que demostram apreço por alguém que lhes fez um favor ou necessitam de um.
Aqueles que estão buscando ajuda também utilizam este tipo de reza.
Estas rezas se dizem durante batizados, ocasiões importantes como: bodas, funeral, devoções matutinas e etc.
Quando alguém entra em uma casa, que acaba de comprar ou construir, as pessoas vêm e compartilham da alegria pelo esforço da pessoa feliz. O sacerdote encarregado rezará para que as divindades deem a mesma sorte a todos os presentes. Quando alguém da à luz a um filho, durante o batismo de um bebe, o sacerdote rezará para que as divindades estendam a mesma sorte a todos os presentes. Quando um casal se casa, o sacerdote oficiante rezará aos deuses para que estenda essa felicidade para todos os presentes. Quando um jovem morre o sacerdote reza aos deuses para que ponha um fim à morte prematura. Todos os presentes devem dizer àse, pois estram se resguardando dos equívocos desta reza. Todos nós sabemos que todos não podem ter a mesma sorte, todos nós sabemos que nem todas as pessoas poderão ter uma casa, nem todos poderão ter filhos, nem todos poderão se casar formalmente e nem todos viveram até a velhice. Também quando as pessoas buscam ajuda de alguém, a pessoa que necessita de ajuda deverá rezar aos deuses para que abençoe a pessoa que está buscando ajudá-la. Quando o benfeitor é capaz de cumprir as expectativas da pessoa que buscou ajuda, se fará outra onda de rezas pelos bons gestos do benfeitor.  Quem está buscando ajuda pede aos deuses que abençoe seu benfeitor e que os faça maiores do que nunca.
Isto é muito comum entre os que pedem e os que levam vidas relacionadas com a medicina. Essas rezas podem fazer com que as coisas passem ou não (benção). Sem exagerar, porém a pessoa que reza e a que recebe a benção são felizes.
Em outras ocasiões, a pessoa faz algo grande ou oportuno para a sociedade ou para algum mais velho da sociedade. Os que recebem essas bênçãos devem aprecia-la e comover-se para rezar por esta pessoa por algo que foi feito por eles para que receba as bênçãos e a bondade das divindades.
Todos os envolvidos devem dizer àse para que as orações se tornem realidade.
Aqueles que não são capazes de pagar em dinheiro o favor que lhe prestaram, ou aqueles que não aceitam qualquer tipo de recompensa também são eficazes, normalmente são pagos com cerimonias sócio-políticas, com honrarias, medalhas, certificados e etc.
Os heróis, os líderes de comunidade, aqueles que foram trazidos para frente da sociedade, os jovens que se destacam por seus serviços a sociedade, podem receber serviços de reza especial em apreço às boas ações em prol da sociedade.
De qualquer maneira, em vez deste encurtamento, as rezas sócias religiosas têm um efeito muito profundo nos que as recebem. Estas rezas não são à base de nenhuma força ou energia que engrandeça a manifestação destas rezas.
Como uma nota pratica, ainda assim, neste tipo de reza, aqueles que devem ter êxito, definitivamente terão êxito e aqueles que devem fracassar definitivamente fracassaram.

Rezas para precaução:
Este é o tipo de reza que as pessoas oferecem regularmente e ao mesmo tempo reforçam com medidas práticas para assegurar sua manifestação. Isto requer, mas do que meras súplicas às divindades reivindicando sua ajuda.
Uma pessoa que pede por sucesso deve trabalhar duro para conseguir o êxito, uma pessoa que pede para ter filhos deve se casar, copular, encontrar remédios para as enfermidades ginecológicas, se houver alguma e esperar pelo melhor, uma pessoa que pede para ter vida longa, deve ter cuidados com seu corpo, de sua saúde, comer bem e ter uma dieta bem balanceada e rezar pelo melhor e etc. Estas são as chaves para o êxito que se espera que os praticantes de Ifà sigam.
É Òsé Méjì que estabelece que aqueles que panejam ter êxito devem ser trabalhadores e dedicados.
Neste Odù, Ifá diz:

Sekúbe, o Bàbáláwo de Ìbàdàn (cidade nigeriana).
Este foi o Bàbáláwo que consultou Ifá para os filhos de Ìbàdàn.
Quando choravam lamentando-se por sua inabilidade em conseguir êxito financeiro.
Eles foram aconselhados a oferecer ebo
Eles aceitaram.
Depois de algum tempo, logo depois,
O sucesso e a riqueza tinham chegado.
Viajantes de Ìpo e Ọfà (cidades míticas da história yorùbá)
Vocês não podem ver que sem trabalhar duro, ninguém conseguirá êxito?
Então qualquer oração para o sucesso financeiro deve, como meio para alcançá-la, ser apoiada pelo trabalho duro e dedicação ao dever. Caso contrário, a oração vai ser uma mera oração sócia religiosa, que não será apoiada por nenhuma divindade.
No Odù Òtúrúpon-Ngbònwú (Òtúrúpon-Òfún), Ifá diz que para viver muito se deve aprender a pisar precavidamente e com extremo cuidado.
Neste Odù, Ifá diz:
Bom para você oferecer sacrifício, o Bàbáláwo de Ègbá (uma tribo)
Bem feito por realizar rituais, o Bàbáláwo de Ìjèsà (povo de Ìlẹşà)
Parte do algodão é adicionada como medida adicional a que foi trazida
Òtúrú carrega o algodão sem girá-lo.
Estas foram às declarações de Ifá aos seis anciãos.
Quando estavam indo a Ilé Ifè (capital espiritual nigeriana)
Para pedir por sua longevidade.
Eles foram aconselhados a oferecer sacrifício.
Eles aceitaram
A vida longa não tem encanto
A docilidade é o encanto da vida longa
Se você vê uma vala
Não planeje brincar
A vida longa não tem encanto
A docilidade é o encanto da vida longa
Se você vê uma casa se incendiando
Não entre nela
A vida longa não tem encanto
A docilidade é o encanto da vida longa
Se você vê um homem louco com um facão
Não o espere (ou tente ser um herói)
A vida longa não tem encanto
A docilidade é o encanto da vida longa
Se você come com satisfação
Não busque ter azia
A vida longa não tem encanto
A docilidade é o encanto da vida longa
Em tempos de tribulações
Não cometa suicídio
A vida longa não tem encanto
A docilidade é o encanto da vida longa
Aqueles que desejam viver muito devem oferecer muito mais que uma grande oração às divindades. Eles devem se assegurar de não fazer nada que possa causar a morte imediata. Também devem evitar o que pode encurtar suas vidas.

Rezas ocultas esotéricas
É o tipo de reza que é realizada por forças e energias físicas e metafisicas. Este é o tipo de oração que contém todos os segredos da vida. Quanto mais se sabe essas orações e as domina, mais você se torna maior.
Verificou-se que se alguém entende este trabalho ou seus mecanismos que qualquer parte da natureza, alguém pode utilizar este conhecimento para realizar maravilhas para alguém ou para si mesmo ou para a sociedade em que se desenvolve.
Neste tipo de reza se utilizam métodos para atrair o poder dos objetos ao nosso redor, animados ou inanimados.
As pessoas usam plantas, ramos, troncos, folhas animais e/ou partes dos animais, insetos, ratos ou partes do rato, peixe, água, azeite e etc., para energizar suas orações para que se manifestem da maneira que elas querem, as pessoas também utilizam o nome das divindades, deuses, semideuses, espíritos, ancestrais, vento, sol, lua, meteoros e etc., e o poder da palavra falada para energizar as orações.
Estas rezas requer um grande poder de observação, conhecimento esotérico e habilidade para abster-se de todos os tabus para entender o propósito porque Olódùmarè criou todas as coisas da natureza e como elas trabalham e afetam todas as outras coisas individual e coletivamente antes que estes recursos abundantes de poder possam ser devidamente identificados e usados.
Não existe um limite para o poder que uma pessoa possa possuir, tudo depende da capacidade da pessoa adquirir conhecimento que é a chave para abrir a porta para este poder.
Aproximar os mecanismos de trabalho da natureza ou parte desta faz toda a diferença entre rezar e esperar limitadamente os resultados.
De forma alguma as explicações exaustivas de como fazer farão elas funcionarem em nós. Todos os livros de texto de rezas não podem fazer justiça a isto. Estes exemplos se dão para abrir os olhos dos que trabalham com rezas, enquanto o leitor é livre para implementá-las em sua vida.
O Odù Òfún mèjì (Epá Odù) orienta a humanidade a rezar com fervor, com afinco, com fé, sem dúvidas. Para que o objetivo seja alcançado, para que a reza seja o motor do sacrifício.
Não adianta nada, tomar banho, fazer jejum, dormir na esteira, colocar roupa limpa, fio de contas maravilhosos, trabalhar na casa de àse, dançar para a divindade, oferecer sacrifício, se a fé não estiver presente.
Pode-se obter o resultado pela invocação e atuação da energia, porém, o resultado é efêmero, pois, não há sustentação. Não há uma base, uma renovação no oxigênio da energia.
Pense nisso.
Nosso culto vai além de 99,9% das perguntas postadas aqui neste blog.
Nosso culto é filosófico, é o culto a entidade chamada Orí (VOCÊ), cultuamos e buscamos a divindade para que nos favoreçam, pois, assim foi determinado.
A divindade que neste mundo está a bilhões de anos não precisa de você para nada.
Ela continuará sendo esta força imensurável, incontrolável, inimaginável em seu poder, reforço a mensagem, ela não precisa de você e tampouco de mim.
Se você não busca-a, se você não acha a conexão entre você e ela, não haverá iniciação, sacerdote, pai de santo (odeio este termo), ogan, Èkèjì e outros mais que darão jeito nesta situação.
É você, somente você, que tem interesse neste assunto e é sua responsabilidade manter esta chama acesa. Não coloque culpa nas pessoas, no sacerdote ou quem quer que seja. Faça uma análise de tudo que você vem fazendo, do seu comportamento, do seu caráter, da sua promiscuidade, mentiras, intrigas, fofocas, tabus rompidos, enganações e etc.
Seja sincero com você, pelo menos uma vez na vida, pois, você nunca engana um alguém (seja ele quem for, visível ou invisível), você com toda certeza engana a si mesmo.
E dentro de Àtúnwá (o ir e vir para este mundo dentro de nossa cosmogonia) perder a viagem é muito desgastante, inevitavelmente acumularemos karma para a próxima viagem ao Ayè (nosso mundo).
Existe uma grande diferença em ser crente e ser fanático.
Crente é quem crê e o fanático..., dispenso descrevê-lo.
Não ter vergonha de suas divindades quando em público, conhecer suas divindades e saber qual o papel delas no universo e no nosso mundo.
Assumir sem qualquer vestígio de vergonha sua crença e sua filosofia espiritual de vida.
Rezar é fundamental para o fortalecimento do espírito e do Orí (Òfún mèjì).
Ire.

Texto: Ifá, A chave da compreensão.
Fásínà Fálàdé
Rezas: Patrimônio Mundial da Humanidade conforme decreto da Unesco.
Tradução e texto final: Odé Olaigbò

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Ògúndá mèjì


 
 
Ògúndá Mèjì foi um dos mais poderosos divinadores, tanto no céu como na terra. Ele era considerado por ter a força de Ògún e a inteligência de Ọrùnmìlá em seu trabalho. Foi ele quem revelou a estória da segunda tentativa de fazer as divindades colonizar a terra. Òbàrà Bòdí um dos discípulos de Ọrùnmìlá revelará mais tarde os detalhes da primeira tentativa de colonizar a terra e como foi fundada.

Ògún, a divindade do ferro e a mais velha das divindades criadas por Deus era também fisicamente mais forte que todas as 200 divindades. Ele freqüentemente era referido como o Desbravador de Caminhos, porque guiou a segunda missão de reconhecimento do céu para a terra. Diz Ògúndá-Mèjì, que foi por conta dos atributos físicos de Ògún que Deus apontou-o para abrir uma trilha para a segunda habitação na terra. Ele era conhecido por ser egocêntrico, vaidoso e quase nunca consultava alguém para aconselhar-se.

Ele confiava quase que exclusivamente em suas habilidades produtivas e força física. O que explica o porquê não se incomodou em ir a divinação ou consultar alguém quando foi indicado por Deus para empreender a tarefa de estabelecer habitação na terra.

Assim que recebeu de Deus a ordem de prosseguir, ele o fez quase que imediatamente. Deus lhe deu 400 homens e mulheres para acompanhá-lo na missão. Chegando a terra, não demorou em descobrir as consequências de não fazer os preparativos adequados antes de virem do céu.

Seus seguidores mortais logo ficaram com fome, e exigiram comida. Já que vieram para o mundo sem nenhum suprimento, ele apenas poderia recomendar-lhes a cortar gravetos de uma floresta próxima para comer. O processo de se alimentar com gravetos não os satisfez e logo seus seguidores começaram a morrer de fome. Apreensivo por perder todos os seus seguidores por inanição decidiu retornar para o céu e comunicar o Pai Todo Poderoso que sua missão era impossível.

Em seguida Deus convocou Olokún, a divindade da água para guiar a segunda missão para a terra.

Ele também é igualmente orgulhoso e cheio de alto confiança. Também lhe foi dado 200 homens e 200 mulheres para acompanhá-lo. Ele também não fez nenhuma consulta nem divinação com os mais velhos celestes antes de vir para a terra. Chegando ele também não teve indício de como alimentar seus seguidores. Ele apenas pediu-lhes para beberem água quando ficassem com fome. Já que a água não podia alimentá-los com eficiência, começaram a morrer de fome. Logo em seguida, ele também retornou com seus seguidores que sobreviveram ao céu para informar o fracasso de sua missão. Deus então convocou Ọrùnmìlá, acompanhado por 200 homens e 200 mulheres para estabelecer uma habitação na terra. Ọrùnmìlá ponderou se ele poderia ter sucesso na missão a qual tinha desafiado os esforços dos mais velhos e das divindades mais fortes como Ògún e Olokún.

Deus persuadiu-o a fazer o seu melhor, porque era necessário despovoar o céu, estabelecendo uma habitação satélite na terra. Seu servo fiel Òpèlè avisou Ọrùnmìlá a não recusar a tarefa porque com as preparações adequadas, ele estava convencido que o sucesso o aguardava.

Com as palavras de persuasão de seu Òpèlè favorito, Ọrùnmìlá concordou em partir na missão, mas apelou a Deus em lhe dar a indulgência para se preparar em alguns dias antes de partir.

Ọrùnmìlá implorou as divindades mais velhas do céu para assisti-lo no planejamento de sua missão.

Eles lhe garantiram que ele teria sucesso em estabelecer uma habitação na terra. Ògúndá-Mèjì, um de seus próprios filhos pediu-lhe seis cawries e avisou-o para coletar um de cada dos animais e plantas comestíveis no céu, para a missão. Ele também avisou para dar um bode para Èşù e apelar para Èşù segui-lo para a terra na missão.

Após fazer todos os sacrifícios prescritos, ele foi finalmente liberado por Deus. Antes de partir implorou a Deus para permitir que Ilè, a divindade da habitação, fosse com ele.

Mas Deus lhe disse que não era sua intenção divina despachar duas divindades para terra ao mesmo tempo, já que Ele pretendia mandá-las uma após outras. Deus, entretanto assegurou a Ọrùnmìlá que ele teria sucesso na terra, e enviaria seu servo Òpèlè para voltar ao céu e buscar Ilè, para auxiliá-lo. Ele então partiu para a terra.

Tão logo Ọrùnmìlá partiu, Èşù foi contar a Ògún que Ọrùnmìlá estava viajando para terra pela rota a qual ele (Ògún) estabeleceu. Ògún imediatamente foi bloquear a rota com uma espessa floresta.

Quando os partidários de Ọrùnmìlá se aproximaram da floresta, não sabiam o que fazer. Ele enviou o rato para procurar um caminho através da floresta. Antes que o rato retorna-se, Ògún apareceu a Ọrùnmìlá e interrogou-o pela ousadia em prosseguir para a Terra sem informá-lo. Ele, entretanto explicou que havia enviado Èşù para informá-lo e quando Ògún relembrou que foi Èşù quem realmente avisou-o, imediatamente limpou a floresta para Ọrùnmìlá prosseguir em sua jornada.

Antes de deixá-lo, Ògún avisou Ọrùnmìlá que apenas outra obrigação ele lhe devia, era alimentar seus seguidores com os gravetos da mesma forma que ele fez, e então Òrúnmìlá prometeu fazer.

Nesse meio tempo, Èşù também informou à Olokún que Ọrùnmìlá estava em seu caminho para a terra para ter sucesso aonde eles falharam. Olokún reagiu provocando um largo rio para bloquear o avanço. Quando Ọrùnmìlá veio à margem do rio, despachou um peixe para procurar uma passagem através do rio. Enquanto aguardava pelo retorno do peixe, Olokún apareceu e interrogou-o porque ele ousou embarcar em uma viagem para a terra sem obter sua permissão.

Ọrùnmìlá explicou que longe de desdenhar Olokún, ele tinha na verdade enviado Èşù para informá-lo de sua missão na terra. Quando Olokún compreendeu que Èşù tinha vindo a ele, retirou a água para Ọrùnmìlá prosseguir em sua jornada. Contudo alertou Ọrùnmìlá que ele estava sob a obrigação divina de alimentar seus seguidores como ele (Olokún), com água. Ọrùnmìlá prometeu acatar o conselho de Olokún. Sem mais obstáculos em seu caminho, Ọrùnmìlá prosseguiu sua jornada.

Chegando ao mundo, ele rapidamente avisou a todos os seus seguidores masculinos para limpar o mato e construir cabanas temporárias cobertas com esteiras (Aghen). Quando aquela tarefa foi completada, retiraram os produtos agrícolas e sementes que ele trouxe para seus seguidores plantarem no mato que tinham limpado. Ao anoitecer todos eles se retiraram para dormir em suas cabanas. Èşù, que tinha recebido um bode antes da missão partir do céu, foi trabalhar nas sementes plantadas e nos animais. Quando eles levantaram ao amanhecer, descobriram que todos os produtos agrícolas tinham não apenas germinado, mas tinham produzido frutos, prontos para a colheita. Estes incluíam inhames, plantações, milho, vegetais, frutas, etc. Ao mesmo tempo toda a criação que eles trouxeram do céu tinham se multiplicado durante a noite. Aquele foi o primeiro milagre operado por Ọrùnmìlá na terra, como uma manifestação direta dos sacrifícios que ele fez antes de vir do céu.

Quando seus seguidores então pediram por comida antes de se lançarem ao trabalho rotineiro do dia, ele lhes disse, em respeito à injunção de Ògún, para cortar gravetos do mato ao lado para comer. Eles fizeram como lhes foi dito. Após mastigarem os gravetos por um longo tempo, lhes disse para beberem água como ele foi advertido em fazer por Olokún. O processo de acatar as instruções dadas a ele por Olokún e Ògún é seguido até os dias de hoje por toda a humanidade, por meio da rotina de começar o dia com a mastigação de gravetos ou escovação dos dentes e enxaguando a boca com água.

Tendo atendido aos desejos de seus mais velhos, Ọrùnmìlá disse ao seu povo para se alimentar com os animais e plantas que abundavam no povoado. Eles tinham sucesso em preparar o terreno para uma habitação permanente na terra. Satisfeito que nada então ficou em seu caminho para o sucesso na terra, Òpèlè propôs a Ọrùnmìlá que era hora de enviá-lo para informar a Deus que a terra já estava adequadamente habitável o suficiente para Ilè juntar-se a ele. Ọrùnmìlá concordou, mas lhe disse que ele primeiro convocaria Èşù para acompanhá-lo na terra antes de pedir por Ilè. Tendo prometido anteriormente acompanhá-lo assim que fosse convocado, Èşù imediatamente concordou em acompanhar Òpèlè a terra.

Antes da chegada Ọrùnmìlá pediu a seus seguidores para construir uma cabana para Èşù na entrada do povoado. Tão logo Èsù instalou-se em seus aposentos, Ọrùnmìlá enviou um bode a ele. Ele ficou muito feliz em comer a sua comida preferida, a qual imaginou que não estaria disponível na terra.

Quando Òpèlè veio conferir se Èşù estava bem, o primeiro lhe disse-lhe para pedir a Ọrùnmìlá para perdoá-lo por causa das dificuldades iniciais que criou antes do mesmo partir do céu, incitando Ògún e Olokún contra ele. Ọrùnmìlá perdoou e implorou a Èşù para ficar na terra para ser seu posto de ouvinte, prometendo sempre alimentá-lo. Após aguardar em vão pelo fracasso de e retorno para o céu de Ọrùnmìlá e seus seguidores, Olokún decidiu no céu retornar a terra para descobrir como a missão estava indo. Quando Olokún chegou a terra, encontrou Èşù que lhe disse que Ọrùnmìlá tinha tido sucesso em tornar a terra habitável. Quando Olokún encontrou Ọrùnmìlá, pediu-lhe para perdoar por conta dos obstáculos iniciais criados por ele. Ọrùnmìlá lhe disse que as desculpas não eram necessárias porque o sucesso não é gratificante sem dificuldades iniciais. Contudo Ọrùnmìlá disse para Olokún concordar em viver com ele na terra. Ele então concordou em fazê-lo, mas insistiu que teria que ir ao céu para pedir ao Pai Todo Poderoso para permiti-lo retornar com seus seguidores. Olokún chegou ao céu e Deus permitiu-lhe retornar a terra com seus seguidores.

Quando Ògún ouviu que Olokún havia partido para acompanhar Ọrùnmìlá na Terra, ele também decidiu ir e ver as coisas por si mesmo. Quando Òpèlè viu Ògún partindo do céu para a Terra, alertou Òrúnmìlá que imediatamente instruiu seus seguidores a dar outro bode a Èşù para evitar algum choque entre eles. Quando Ògún chegou, Èşù ainda estava comendo seu bode e estava muito ocupado para se incomodar. Ele simplesmente indicou a Ògún para seguir para onde Ọrùnmìlá morava. Assim que Ọrùnmìlá viu Ògún, se ajoelhou para cumprimentá-lo, sendo seu irmão mais velho. Ògún retribuiu a altura desculpando-se com Ọrùnmìlá pelas dificuldades iniciais que criou para ele. Novamente Ọrùnmìlá explicou que as desculpas eram desnecessárias porque sem aqueles problemas duros, provavelmente não teria tido indicio de como alimentar seus seguidores. Ọrùnmìlá então persuadiu Ògún em ficar na Terra com ele, porque sem ele (Ògún) era impossível alguma tecnologia se desenvolver na Terra. Ọrùnmìlá explicou que sabia apenas fazer divinação, mas que não sabia como inventar ou fabricar. Sentindo-se lisonjeado, Ògún rapidamente concordou em retornar ao céu para ter permissão de Deus para voltar com seus seguidores para a terra. Ògún por fim retornou com seus seguidores.

Foi naquele estágio que Ọrùnmìlá finalmente enviou Òpèlè para trazer Ilè do céu. Quando Òpèlè narrou a mensagem de Ọrùnmìlá para Deus, o Pai Todo Poderoso, instantaneamente convocou Ilè para seguir para a Terra para auxiliar Ọrùnmìlá. Èşù foi novamente o primeiro agente que Ilè encontrou chegando a Terra. Èşù encaminhou-o para encontrar Ọrùnmìlá em sua cabana. Longe de desafiar Ilè como fez com Olokún e Ògún, Èşù implorou a Ilè que ele sempre seria mais bem sucedido que seus irmãos mais velhos e sem ele ninguém teria satisfação completa na Terra, porque ele era caracteristicamente paciente e inofensivo. Quando Ilè encontrou Ọrùnmìlá, prestou-lhe respeito, fazendo-o capaz de vir e auxiliá-lo na terra. Ọrùnmìlá retrucou proclamando com seu instrumento de autoridade (Àşè) que:

Se respeito lhe fosse prestado, seria sempre estendido a Terra;

Olokún sempre moraria na água tendo em vista o rio que usou para bloquear sua aproximação a terra, mas que ele seria o distribuidor de riquezas e prosperidade para a espécie humana;

Ògún sempre seria usado para produzir grandes feitos, mas que ele próprio sempre trabalharia agitadamente noite e dia e não teria paz de mente.

Ele então disse aos três para seguirem em seus caminhos em separado. Os três deixaram os aposentos de Ọrùnmìlá. Eles mal haviam se movido para fora do aposento, quando subitamente Ilè desfaleceu morto. Assim que caiu morto seu corpo desapareceu da vista e em seu lugar uma constelação de casas, prédios, e residências surgiram no chão. Desta forma, Ilè tinha se transfigurado em casas respeitáveis para todos os habitantes existentes e futuros morarem. Ọrùnmìlá rapidamente deixou sua cabana coberta de esteiras e foi para ficar no melhor e mais agradável aposento produzido para ele por Ilè. Ògún ficou aborrecido e se recusou a ficar em qualquer um dos aposentos providenciados por Ilè. Então construiu sua própria casa caindo aos pedaços, chamada izegede, a qual onde ele está até hoje.

O Olokún também se sentiu provocado e voltou-se para a água para constituir-se nos oceanos, mares e rios dessa terra. Os homens e as mulheres trazidos para a Terra por Ọrùnmìlá, Olokún e Ògún, logo começaram a casar entre si e multiplicar-se pelos quatro ventos desta terra.

É importante relembrar que o fim da vida e reencarnação posterior dos seguidores que inicialmente vieram com Ọrùnmìlá, Ògún, Olokún e outras divindades tornaram-se os sacerdotes e filhos destas divindades até hoje e para a eternidade. Aqueles que desviaram o caminho do rebanho, ou que não foram privilegiados em descobrir sua família, são os homens e mulheres que passam por todos os tipos de dificuldades na Terra.

Neste estágio Òpèlè partiu para o céu, mas avisou a Ọrùnmìlá para procurar por ele depois de algum tempo no caminho para a fazenda. Por fim transformou-se em uma árvore cujo os frutos são usados até hoje para preparar o instrumento divinatório Òpèlè. Ele disse à Ọrùnmìlá como usar as sementes que ele traria dali em diante para divinação.
 
Por Osamoro
 
Tradução Gbàfáomi

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Ọwọnrin méjì

A floresta não tem tantas árvores que a árvore ìrókò não possa ser reconhecida

 

O grande arco-íris;

Jogou Ifá para a àrvore Ìrókò1 da cidade de Igbo2

Quando ela estava vivendo entre inimigos.

Os inimigos estavam atormentando a árvore Ìròkò da cidade de Igbò.

Ele juntou dois cauwries com mais três,

E procurou um sacerdote de Ifá para divinação.

Foi dito a ele que fizesse sacrifício.

Ele o fez.

Após fazer sacrifício,

Èsù veio e chamou os fazendeiros,

E mandou que eles começassem a limpar a floresta

Na qual estava a árvore Ìròkò.

Todas as àrvores que eram inimigas de Ìròkò,

Foram cortadas pelos fazendeiros,

Mas, quando eles chegaram aos pés da árvore Ìròkò,

Èsù falou para não cortá-la,

Porque ela não era uma árvore qualquer.

Quando Ìròkò derrotou seus inimigos,

Ele disse que foi exatamente como foi dito pelo sacerdote de Ifá

“O grande arco-íris”.

Jogou Ifá para Ìròkò, árvore da cidade de Ìghò.

Quando ele estava vivendo no meio dos inimigos.

A floresta não pode ser tão cheia de àrvores,

A floresta não pode ser tão coroada de àrvores,

Que seja impossível reconhecer a árvore Ìròkò.

Eu me tornei um grande arco-íris.






Ifá divination poetry

Wande Abimbola
 


sexta-feira, 4 de julho de 2014

A descoberta do òrìşà dentro do Corpus Literário de Ifá

Localização central de Ifá, como a fundação, do culto e a compreensão do Òrìşà
* Note que este é um papel de revisão enfocando somente o Òrìşà feminino. *
 
Por Áwo Faloju
 
O objetivo deste trabalho é enfatizar a ligação entre Ifá e o culto de Òrìşà como inseparáveis, para dissipar alguns mitos que ocorrem, quando dizem que eles são diferentes, ocupam crenças diferentes, têm diferentes tradições e deve-se estudar um ou outro separadamente.
No corpus literário de Ifá você pode conhecer os atributos de cada Òrìşà, os alimentos, os cânticos de louvor, os ícones, os tabus, a morada, como eles estão relacionados uns aos outros, etc.
Tudo dentro do Odù Ifá.
Este nível de pesquisa, em profundidade, apenas sobre o Òrìşà, pode ser um processo longo de vida e não deve ser subestimado, este nível de pesquisa pode levar uma pessoa a lugares distantes, talvez nem mesmo acessíveis de carro. Neste breve artigo que eu estou apenas tentando apresentar alguns òrìsá incomuns que Ifá aponta em seu Corpus Literário e dá uma dica sobre alguns dos seus atributos e nos ajuda a uma melhor compreensão de alguns òrìsá, para dissipar alguns mitos. Isto é para apoiar a minha sugestão de que todos nós devemos usar a sabedoria de Ifá como nosso guia ao tentar aprender, sobre, como adorar um Òrìşà.
Quando falamos dos 400 + 1 e não podemos nomear os últimos 100 òrìsá na memória, devemos usar Ifá como nosso guia para identificar outros òrìsá. A energia de muitos òrìsá tornou-se latente por vários motivos. Devido principalmente à falta de devotos de um determinado òrìsá, quando não tem nenhum devoto, ninguém se lembra da poesia de louvor deste òrìsá específico, os alimentos, as músicas, a dança e os rituais.
O que ocorre é que a energia do òrìsá torna-se diminuída ou estagnada (temporária ou absolutamente perdida), quando um òrìsá "morre" quando isso acontece ele se torna òrìsá "morto" nas mentes e corações dos seres humanos (ele não tem nenhum adorador).
Esta tradição é fundamental sobre a reciprocidade, quando oferecemos ao òrìsá que por sua vez torna nossas vidas e as vidas de outros seres humanos mais gratificante e agradável, quando nos lembramos deles com música, dança, oferta e o ritual deles começam a vir à nossa volta e nos ajudar com nossas coisas e melhorar a qualidade de nossas vidas.
 
***Oosa Oja & Aje Sàlùgà
 
No Odù Ifá (Odi Meji) ele está nos dizendo sobre Odi fazer amor com a Chefe das mulheres do mercado que é um Òrìsá chamado Oosa Oja, que está ligada a divindade Ajè Saluga (omo Olókún Seniade), esta divindade é um Òrìsá funfun, fala sobre dinheiro e riqueza, o ìgbà deste Òrìsá - Oosa Oja - geralmente está localizado no centro do mercado coberto com pano branco, o chefe ou líder de cada mercado é uma mulher cujo titulo é Ìyáloja ou Ìyálaje, todos os mercados são geralmente governados por Aje Saluga como a divindade que rege o mercado.
Òrìsá Oya detém uma posição importante no grande mercado é muito popular em Oyó até os dias de hoje com base na posição que ocupou no antigo e histórico mercado de Oyó  em Koso.
Temos vários versos de Ifá, que dão referência a Oosa Oja e Aje Saluga como indicado abaixo:
Odi Meji diz,
Depois de desfrutar e fazer amor com Oosa Oja, muitos outros também queria fazer amor com ela, quando todos ficaram contentes, eles começaram a cantar, dizendo Oosa Oja não nos deixar ir, doce mel não nos permita deixar o mercado, doce mel, (insinuando para a tentação de permanecer no mercado ou se sentindo obrigado a ficar e possivelmente gastar mais dinheiro do que o esperado).
Em algumas cidades onde o culto desta divindade é maior, todas as jovens vão ao mercado, como parte dos ritos de passagem para mulheres jovens, esta é a divindade primordial que tem os rituais realizados, ela simboliza a riqueza, a prosperidade e a fertilidade da mulher.
Ajè se sente (defecar) em minha cabeça (me abençoe com dinheiro, quando se anda na rua e um pombo defeca em você dizemos que é uma bênção de dinheiro),
Quem toca Ajè se torna ‘humano’ (fertil).
Aje dormiu na minha cabeça, quem toca Ajè (recebe bençãos) age como uma criança (alegria de "ganhar na loteria").
Ajè eleve-me como um rei (me dê dinheiro / filhos, me faça uma pessoa importante na vida).
J.K. Olúpòna
 
Aqui está outro exemplo de como Oosa Oja é mencionada em Ifá, quando se fala sobre uma pessoa que está tentando receber uma bênção e foi a tantas divindades pedir apoio e fez muitas ofertas sem resultado e as oferta não foram aceitas.
 
Ele disse que não sabia que o pai deles é Egungun da própria casa.
Ele disse que conhecia a mãe que é a deusa do mercado (Oosa Oja).
Orí disse que não sabia que ela era a cabeça (Chefe) deles.
E que Ilé é a terra (outra divindade).
Ele não sabia que ele era chamado Olubobotiribo.
Bàbá ebo (outra divindade mencionada mais a frente).
Mais uma vez, isso nos dá o exemplo de que Ajè Saluga governa sobre a maior parte das coisas que gostamos na vida, a saber, as coisas que ela representa (o dinheiro, os filhos e a fertilidade na mulher).
O rei que reside no interior do profundo e majestoso esplendor é o nome de Olókún Seniade (portador da coroa mais antiga).
O rei de todo o prazer é o nome de Ajè Saluga.
Òsé gobi, gobi Ìwòrì adivinhava para Ajè Saluga.
O primeiro nasceu de Eleepo (pai).
Este último exemplo de Ajè Saluga mostra a sua conexão com o mercado ao ar livre, conhecido como um local de encontro e com muito movimento e fluidez, até hoje o mercado é um indicador chave para a economia local.
Esse versículo mostra como essa troca de bens por dinheiro (que às vezes nem sempre é rentável) no final acaba colhendo benefícios.
 
Odù Ifá Eji Ogbè diz:
 
A Terra é negra e sempre será negra.
O solo é escuro e sempre será escuro.
Torrentes são sempre muito tempestuosas.
Estes foram os nomes do Áwo que adivinhavam para Ajè Saluga (a riqueza)
Que é tão incerto quanto o oceano.
Os mesmos adivinhos lançaram Ifá para Obinrìn (natureza feminina)
Que é tão inconstante quanto o o mar.
O mesmo foi declarado para omo (descendência).
Firmes no apoio como pedras no leito do rio.
Eles disseram:
Riqueza pode ir e vir
O mesmo acontecerá com as mulheres.
Mas filhos continuam a linhagem para a continuidade da terra (Oloye Agboola)
 
*** Oge
                                                                                              
Esta é outra divindade feminina que é conhecida por ser uma das esposas de Sòngó e abençoa as mulheres estéreis com filhos, principalmente as mulheres mais velhas, que são estéreis (como uma esposa de Òrúnmìlá chamada Òsúnláya).
O Ojugbò desse Òrìsá geralmente é encontrado perto do santuário de Sòngó e provém de um animal da montanha muito especial que deve ser preparado cuidadosamente e os chifres do animal devem ser removidos com os rituais apropriados, deve-se observar, após o animal ter morrido de morte natural.
Os chifres que assustam, não são os de búfalos/vaca, que são os chifres ofertados a Oya (chama-se Oge no culto Lucumi), são ofertados quando se recebe o òrìsá Sòngó, porém, este é um òrìsá com seus próprios ritos e como informado, seu Ojugbó é coberto com pó de came de madeira (osún).
 
 
Adivinhação Ifá foi executada para Oge
Quando ela estava chorando por causa da falta de crianças
Na cidade de Igbonna (onde se originou Oge).
Ela foi convidada para fazer ebo.
Ela cumpriu.
Ela vai abençoar a todos.
Oge irá abençoá-lo.
Ela não deixará de abençoar seus filhos com facilidade.
 
 
*** Emi
 
Esta é outra divindade feminina que reside em cada um de nós e é conhecida por ser esposa de Òrúnmìlá, todos nós sabemos por que fazemos contato com o nosso Orí, ao fazer sacrifício ou oferecer à divindade, mas este versículo aponta que devemos saudar o peito (Emi) para que a nossa oração e ofertas se manifestem. Emi é a divindade responsável pela nossa respiração durante a vida, a respiração que Òlódúmarè colocou em cada um de nós e que reside com a gente até a nossa travessia para o lugar onde as pessoas idosas se encontram.
 
Ìwòì’ìrosùn (Iworigosun)

Ifá foi lançado para Onigoosun
Ao chorar por causa de sua pobreza
Ele foi aconselhado
A fazer oferenda com (osún)
E uma abundância de dinheiro
Este foi o ebo
Quando o ebo for realizado
Não use o ebo para tocar sua cabeça
É o peito que você deve tocar
Seu Ori vai aceitar o sacrifício
Mesmo que o seu peito recuse a oferta
Após, o ebo ter tocado seu peito ele vai para Èsú
 
***Olomo a ji fooko sara – Iroko
 
Ogbèturupon
 
Este versículo está nos dizendo sobre um apelido do Òrìsá Iroko, nós o chamamos de Olomo a ji fooko sara.
Iroko é uma árvore sagrada na África, comumente chamado Teca (um tipo de árvore) africana, tradicionalmente, não é cortada (tabu) e é adorada como um Òrìsá, Iroko tem um sacerdócio, Ojugbò, poesia, louvor e etc, ao contrário de outras árvores sagradas que são especiais para os iorubás como Àràbà, Ponpola, etc, que são também adoradas como divindades, mas não necessariamente tem um sacerdote. Este versículo está nos dizendo que Iroko poderia ser uma divindade feminina e dá uma dica onde se fazem as ofertas ao Grande Iroko, onde deve ser colocada.
A sabedoria de Ifá é também apontar-nos para um atributo de Iroko, onde este Òrìsá pode nos ajudar com nossos esforços humanos e a razão pela qual este Òrìsá fez adivinhação antes de deixar o òrun vindo ao ayé.
 
Foi divinado para Olomo a ji fooko sara.
Eu teria um bom nome na terra? ,
Ela perguntou ao sacerdote de Ifá
Meu pai terá um bom nome
Ele foi convidado a fazer ebo.
Nós reconhecemos Olomo a ji fooko sara.
A qual chamamos esta árvore de Grande Iroko.
Mesmo que esta árvore Iroko fose cortada de seu lugar original
E o grande Iroko não fosse encontrado mais lá
Mesmo assim eles ainda estariam usando o local como ponto de referência (para oferecer sacrifícios a Iroko)
Olomo a ji fooko sara é o nome que chamamos o Grande Iroko
Ifá, por favor deixe-nos ter bons nomes para nós aqui na terra,
Porongodo
 
*** Osun:
 
Este titulo (Rei e governante da água doce e fresca) fala de uma das posições de Òsún e também nos diz que é o resultado de sua adesão ao sistema orácular de Ifá inclui-se a realização de sacrifícios que a ajudaram a tornar isto uma realidade.
 
Oba Olomitutu é um epíteto de Òsún
Foi como ela conseguiu
Isto tornou você uma líder
Foi Ifá que tornou possível para você
 
Oturupon’Ogbè (Òtúúrúpongbè)
 
Ifá novamente aponta uma questão importante para Òsún (e seus seguidores), o uso de seu ícone, o bronze, para acalmar uma criança, o repicar dos ícones de bronze ou suas jóias. Os adoradores de Òsún devem se alegrar com a notícia de um filho a caminho, como em muitos versos, Ifá fala de sofrimentos e preocupaçóes que Òsún teve para ter seus próprios filhos. Quando ela abençoa seu devoto com um filho esta notícia deve ser motivo de reunião com celebração.
 
...... este foram os Áwo que lançaram para Yèyé e mi (Òsún, minha grande mãe),
Otooro Efon quando chorava porque não era capaz de ter seus próprios filhos
..., agora vamos todos saudar a Yèyé e mi, que usa o bronze para acalmar seus filhos
Yèyé e mi o, que usa o bronze para acalmar seus filhos
 
Ìretè ‘Alájé (Ìretè ‘Òsé)
 
Um atributo de Òsún é observado abaixo neste verso de Ifá, os devotos de Òsún e todos os adoradores de Òrìsá devem esforçar-se no dia-a-dia, isto é visto em Ifá e Òsún.
 
Ola (a dignidade fria) é o nome de Ifá.
Ola (a dignidade suave) é o nome de Òsún.
 
 
Irosun ‘Irẹtẹ
 
A combinação de Òsún e Ikin Ifá realizam uma matéria importante, os Irunmolè dão suporte uns aos outros e foram marido e mulher.
Òsún é uma das mulheres de Òrúnmìlá que mais assustam.
 
Foi lançado para Opinmi
Que foi fazer ebo para seu Ikin e Òsún para os filhos
Foi-lhe assegurado que tudo o que queria seria adquirido
Mas ele deve oferecer a Ifá e Òsún juntos no mesmo local
E oferecer-lhes o ebo simultaneamente.
 
Òwónrín ‘Òsé
 
Este verso eu o incluo para identificar um tabu de Òsún que é Oti Oka (cerveja de milho da Guiné) e outro nome de louvor, este versículo também fala de outro tabu para a maioria dos Òrìșà e Ifá quando pode mostra o tabu para o Òrìșà.
 
Foi lançado Ifá para Òrúnmìlá
Que estava fazendo ebo sem encontrar progresso
Você está reclamando que não está vendo prosperidade
As divindades não ouvem o que você está dizendo,
O sacerdote de Ifá disse a ele
Você deve oferecer um tabu do seu òrìsá
Se eles perguntarem por que você está se comportando tão mal
Você deve narrar seus desconfortos para eles
Todos os Ajogun o deixaram
Òsún não bebe Oti Oka
Os quatrocentos Irunmolè não bebem com corante preto
Os duzentos Irunmolè não bebem urina
Eles pensam que as coisas estavam fáceis para você
Mostre a eles que você não está confortável
... ele deu a Òsún Ewusi um Oti Oka para beber
... por que você fez isso com a gente Òrúnmìlá
Você deu-nos o que contamos como tabus, Irunmole perguntou
Obrigado por perguntar-me Òrúnmìlà disse:...,,
 
Okánrán’Òsé
 
Aqui Ifá nos mostra outro exemplo do empenho de Òsún, dois nomes de louvor ao òrìsá, e uma sugestão de uma de suas florestas sagradas Iragbiji.
 
..., Foi lançado Ifá para Òsún Ogelengese
Aquela que estava indo a floresta de Iragbiji orar por causa das crianças
Aqui está Òsún Ogelengese.
Ela estava perguntando e pedindo a Ifá se poderia ter filhos?
Você Òsún tem filhos?
Ifá disse.
Você ainda tem muitos devotos na vida.
... A quem nós adoraremos, se alguém nasce por intermédio dela?
Òsún Otooro efon
A quem nós adoraremos, se alguém nasce por intermédio dela?
Òsún Otooro efon
 
Aqui Ifá nos mostra outro exemplo do mesmo esforço de Òsún, um nome de louvor ao òrìşà e uma sugestão de uma cidade que ela pode ter residido por algum tempo ou ter sido adorada.
 
, Ifá foi divinado para Awóyemi (Òsún)
A mulher da cidade de Oro.
Ela estava chorando por falta de filhos.
... Na casa onde vive Òsún sempre foi encontrada de pé.
Na casa onde vive Òsún sempre foi encontrada de pé.
Òsún sempre foi encontrado em pé porque sua casa sempre estava cheia de filhos (ela não tinha lugar para se sentar).
Òsún sempre foi encontrado de pé na casa.
 
 
*** Oba
 
Este versículo explica a situação do òrìsà Òba quando um de seus filhos estava com uma ameaça potencial. O rio Óba era pequeno, mas ela tinha um bom suporte, este verso também explica o ícone especial para alimentar este órìsà e o suporte para fazer de Òba um grande e poderoso protetor para as pessoas da cidade de Iwo, junto com seu segundo marido Òrìsà Sòngó (a personificada da chuva na história).
O verso também explica um tabu para Òbà, e como ela se tornou o òrìsà patrono da cidade de Iwo, no estado de Ọyọ e se tornou a poderosa protetora da cidade.
 
Òbàrà ‘Òwónrín
 
...Foi lançado Ifá para Oluwoo
O filho do rio Òbà
O príncipe de Olubeere
... A guerra estava chegando e ele foi orientado a fazer ebo
O rio Òbà não foi suficiente grande para ser chamado de rio
Eles ofereceram ebo em uma cabaça especial para Ogbun
E colocou-a ao lado do rio Òbà
O fluxo do rio era apenas um mero canal
O rio Oba aceitou a oferta colocada
...Ventos fortes e os trovóes foram ouvidos na Terra.
O que poderia ser?
O que eles pediram?
É a chuva, está chovendo!
O rio Oba prometeu que a guerra iminente não iria atingir a cidade de Iwo.
Foi assim que a porta da chuva foi aberta
A água caiu em torrentes pesadas
Antes de eu ter colocado este ebo poderoso.
O rio Oba fundamentou-se novamente, descrente do que era desde então.
Tem sido tabu colher com uma cabaça Ògbún no rio Oba até hoje.
Nunca iria a guerra superar cidade de Iwo novamente.
Eles fizeram ebo no rio Òba e foram vitoriosos.
Oluwoo usou rio Òba como sua fortaleza.
Nenhuma guerra teria raiva e raiva.
E devastararia a cidade de Iwo novamente.
Oluwoo usou rio Oba como sua fortaleza.
  
Ògúndá’Otúrúpon
 
Este versículo de Ifá nos fala do primeiro marido deste òrìsà muito forte e importante, do sexo feminino e como ela é poderosa ao atacar os inimigos e os que querem testar a sua força.
Ele também dá uma dica do que pode ser oferecido para apaziguá-la e obter a concessão de seu pedido.
 
Ona to taara mo ya
Elenco Ifá para Ògún, quando ele iria aos sete arbustos de renomadas florestas.
Aquele que vai se casar com Òba em sua casa
Foi-lhe dito para fazer ebo.
Todos os Irunmolè e outro homem haviam tentado casar com Òba.
Òbà não seria facilmente dominada.
Todos os homens se cansaram de fazer amizade com ela.
Ela as transformava em uma luta livre.
E ela iria vencer a todos.
Ah, casar com Oba, Ah eu não.
A mulher que vivia batendo e batendo no marido.
Nenhum deles iria quere-la
Todos eles a deixaram sozinha.
Ògún fez o ebo de 16 espigas de milho, com a medicina especial de Ifá.
... Ògún estava voltando para casa, ele encontrou Òba no caminho.
Ele e Òba engajaram-se em uma luta livre
Òba estava sempre pronta para qualquer jogo, com qualquer homem.
Èsú jogou espigas de milho no pé de Òba
Òba pisou no milho e caiu
Ògún foi vitorioso e levou Òba como sua esposa
Somente Ògún que veio depois fez o ebo necessário.
Ògún derrotou Òbà.
Ògún tinha desamarrado sua calça.
Ògún foi o único que fez ebo.
Ògún sozinho.
Mais uma vez vemos outro nome de louvor para Òbà
E vemos a sua comida favorita, para se obter os desejos atendidos.
 
...Foi lançado Ifá para Orunto, o filho de Òba tutu
Ele é o filho de Oba tutu,
Aquele que colocou as mãos sobre tudo com sucesso
Foi-lhe dito para fazer ebo com farinha de milho branco e Akara, ele fez o ebo
A riqueza veio
As mulheres se aproximaram dele
A os filhos não ficaram de fora
 
*** Koori
 
Outro Òrìsà é Koori, também por vezes referido como Kori-Koto (Korin-Koto, Cuba), Ifá nos diz sobre este òrìsà como um òrìsà feminino, que protege e guarda as crianças, Ifá também nos diz que ela é um pássaro da floresta que retorna os perdido / os que perguntam pelos pais e também dá uma dica de uma maneira para apaziguar este òrìsà.
Reunam-se é o som do agogô
Aran geje diz que vai reunir muitas crianças
Foi lançado Ifá para  Koori
Que chorava por causa de um filho
Será que eu terei filhos, está é a questão, ela perguntou a Ifá
Disseram-lhe para fazer ebo de uma galinha adulta
Ela ofereceu a galinha
No local que ela cozinhou a galinha, ela também a comeu.
Ela não tem filhos, ela tentou novamente com este mesmo resultado
Ela queixou-se a Òrúnmìlà, ela disse que fez o que foi dito para fazer,
E mesmo assim não teve filhos
Òrúnmìlà disse que a culpa era ela,
Ela não seguiu as instruções
Você ofereceu os animais e comeu-os em paz
Na terceira vez, ela seguiu a instrução de Ifá e tive muitos filhos
 
... Koori Oo, saudamos você, pássaro da floresta
Aquele que se alegra ao ver que as crianças estão de volta
Por favor me dê uma para cuidar
  
Minha conclusão é que Ifá é central em ajudar-nos a identificar òrìsà mais e mais e nos ajudar a entender o òrìsá e o que pode já sabemos. Todos estes versículos dizem que essas divindades procuram a ajuda ou assistência de Ifá para ter sucesso nos seus empreendimentos e nos diz por que certos ícones ou símbolos de cada òrìsà se tornaram importante para o òrìsà, foi Ifá que os ajudou a perceber que para se tornarem bem sucedidos e ter seus seguidores e devotos / deve-se manter a lembrança do òrìsà, essencialmente,  Ifá imortaliza o òrìsà e nos mostra como fazer venerá-los, Ifá também nos ajudará a buscar outro òrìsà "perdido" e que se tornaram distante da nossa memória recente. Ifá ajuda a recuperar a prática, o culto e ritual dos òrìsà "perdido" e reviver as divindades desaparecidas desde os eternos 400+1.
Eu digo que Ifá é superior e supervisiona a cosmologia porque a literatura de Ifá engloba a história oral dos antigos povos iorubás e de toda humanidade, isto não quer dizer que outro òrìsá também não tenha poesia, louvor próprio, existência e literatura. Porém, raramente você vai encontrar a indicação de outro òrìsà nos cantos de qualquer òrìsà específico (as exceções são Sòngó, Oko, Oya e etc), mas, você nunca iria encontrar a quantidade de òrìsà mencionado em qualquer canto de òrìsà, como você encontraria dentro dos cantos de Ifá (Òrúnmìlà), que supervisiona as conchas de Cowries, alguns dizem que pertencem a Yemojá, que o conhecimento pertence a Oosanla, mas Ifá diz que é de Òsún ele deu-lhe para o conhecimento (este verso de Ifá sai de Òkànrànsodè- Òkánrán’Ogbè)
O verso que eu cantava no início dava referência a uma divindade que poucos conhecem, o Oba que significa rei,  t'Òrìsá é Òrúnmìlà - rei de todos os o òrìsá, ele tem este nome de lovor devido  ao seu vasto conhecimento e humildade em ensinar-nos como venerar o òrìsà e a torná-los imortais.
Para encerrar, se alguém quiser entender essa filosofia antiga e ter uma compreensão mais profunda do òrìsá, deve usar Ifá como seu guia e o seu compasso, Ifá é o centro dos tradicionais sistemas de pensamento e da cultura iorubá.
Isto é para apoiar a minha sugestão de que todos nós devemos usar a sabedoria de Ifá como nosso guia ao tentar aprender sobre como adorar qualquer òrìsà.