sábado, 22 de fevereiro de 2014

Itòn Òsétúrá


Ifá diz que nos tempos remotos, quando era possível ir do òrun ao Ayè, Olódùmarè enviou 400 Irùnmolè masculinos e um Irùnmolè feminino, Òsún, a Terra para prepará-la para habitação humana. A jornada teve exito, quando eles chegaram ao ikole Ayè (Terra), os Irùnmolè masculinos realizaram a tarefa que Òlódúmarè havia lhes confiado. Eles excluíram Òsún. Eles nunca pediam sua opinião em suas deliberações, eles não a aceitavam e não pediam nada a ela, ou seja, ela de nada participava.

Durante um tempo tudo seguia naturalmente para eles, tudo que eles fizeram teve exito. Então amanheceu e Òsún viu que precisava mudar a situação, convencida de que tinha um bom argumento para demostrar o caso, Òsún levou sua queixa a Òlódúmarè. Quando ela chegou ao Ìkòlé òrun ela disse a Òlódúmarè que seus colegas masculinos a excluíram das deliberações e das decisões e ela se sentiam como se não fosse parte do grupo que foi enviado ao Ìkòlé Ayè para preparar a sua habitação. Quando Òsún terminou sua narrativa, Òlódúmarè lhe deu um poder especial, àse, que ela poderia usar para fazer qualquer coisa que ela desejasse. 

Armada com seu poder recentemente adquirido, Òsún regressou ao Ìkòlé Ayè. Ela se sentia segura dentro de si. Ela estava determinada a exigir respeito por parte dos Irùnmolè masculinos. Como de costume eles continuaram fazendo suas tarefas sem se dar conta da existência de Òsún. Desconhecidos para eles, eles estavam prontos a ter uma grande surpresa. Derrepente tudo ao redor começou a ficar caótico. Nada do que eles faziam dava certo. Nenhum trabalho era concluído corretamente porque Òsún estava trabalhando com seu poder secreto e insuperável. Òsún se ocupava em atrapalhar os esforços dos Irùnmolè masculinos na tarefa de construir o mundo para sua habitação. Aas colheitas que eles faziam não eram produtivas, os caminhos que eles haviam construídos começaram ser danificados e seu esforço para construir qualquer coisa era em vão. Eles logo perceberam que estavam experimentando uma difícil situação e isto exigia uma solução urgente. No entanto, eles decidiram voltar ao ikole òrun e falar para Òlódúmarè sobre esta péssima experiência.  

Eles foram para o ikole òrun sem dizer nada a Òsún, eles a evitaram mais uma vez e nem ao menos lhes disseram sobre os atuais problemas. Quando chegaram ao ikole òrun eles contaram toda história a Òlódúmarè, de como as coisas estavam começando a dar erradas repentinamente, eles também disseram que seus esforços para controlar a situação haviam falhado, por conseguinte, disseram a Òlódúmarè que a tarefa estava se tornando impossível para eles. Ao final de sua narração, segundo Ifá, Òlódúmarè perguntou aos 400 Irùnmolè masculinos:

E a única mulher que eu mandei junto com vocês?

Vocês a incluíram em suas deliberações?

Alguma vez vocês pediram seus conselhos?

Vocês a respeitaram como igual?

Os Irùnmolè responderam:

Nós não fizemos nada disso.

Òlódúmarè mandou que eles voltassem ao ikole Ayè e pedissem a Òsún o perdão por tê-la desacatado e mandou que retornassem as suas tarefas.

Quando os Irùnmolè retornaram ao Ìkòlé Ayè, eles foram ver Òsún e se desculparam com ela, pelos seus feitos passados e pediram que ela os perdoasse. Como falado por Òlódùnmarè, eles retornaram as suas tarefas continuaram de onde tinham parado.

Milagrosamente as coisas começaram a ficar bem novamente, eles invocaram o espirito de Eégúngún e ele respondeu, eles invocaram o espirito de Orò, e ele também respondeu. Eles oraram e as orações se manifestaram.

Surpresos e felizes eles começaram a corrigir seus erros, eles cantaram um refrão em uníssono:

 

Nós damos nossa reverencia a Òsún.

Mãe que se apresenta em todas as relações e reuniões.

Nós damos nossa reverencia a Òsún.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Os rituais sagrados após a morte.

Em Ogbè Òsé, Ifá diz:

Akógi lápá Awo Pàsán
Asàgèdè Awo Ìsawòyè
Abégi lélò Awo Òyó
Àwon ló sefá fún Eríwo-Yà
Èyí ti ñ lòó gbáwo fún won ní Ìjèbúmùre 5
Togbón kan nìdá
Omo akorin yébéyébé yárí orogún un
Ebo n wón ní kó wáá se

Akogi-lapa o Awo da cidade de Pasan
Asagede o Awo da cidade de Iwoye
Abegi lelo o Awo da cidade de Òyó
Foram os Áwo que lançaram Ifá para Eriwo Ya
Quando este iria a Ìjèbúmùre, uma pessoa de Ifa 5.
Ele foi aconselhado a oferecer ebó.

Eríwo Yà era um Áwo proeminente, nativo de Ilé Ifè. Um dia foi convidado a ir às terras de Ìjèbú para fazer adivinhação. Antes de sair de sua cidade, Eríwo Yà foi aconselhado a fazer uma consulta a Ifá.
Ele foi aconselhado a oferecer ebo para que tivesse exito, fosse honrado e adquirisse grande prestigio ao final de sua vida. Eríwo Yà ofereceu ebo para conseguir sucesso, porém, falhou e deixou de oferecer ebo para ser honrado e ter prestigio. Ao chegar às terras Ìjèbú, ele teve muito exito. Pode resolver todos os problemas que lhe eram apresentados.
Em pouco tempo, ele se tornou uma instituição nas terras de Ìjèbú. Mesmo assim, teve a sorte de envelhecer mais que a maioria de seus colegas. Morreu como o homem mais velho. Logo que ele morreu, os jovens e os anciãos de Ìjèbú entraram em uma exaustiva conversa sobre a maneira pela qual iriam lhe enterrar.
O grande problema residia no fato de que seus pais que eram contemporâneos de Eríwo Yà nunca os instruíram sobre a forma de enterrá-lo antes de morrer. Eles concluíram que não queriam qualquer problema futuro por causa desta situação, assim que limparam um terreno na floresta, eles enterraram Eríwo Yà neste local.
Eles fizeram sem oficiar todos os ritos obrigatórios e exigidos para um Áwo de sua estatura (importância). No entanto, com a finalidade de marcar o local onde o enterraram, uma árvore de Igba (solanum incanum) foi plantada em sua tumba.
Devido o tumulo estar muito raso, Eríwo Yà como um fantasma, saiu com a árvore quando esta começou a crescer. Cerca de oito anos depois, os problemas na terra de Ìjèbú começaram a aparecer. As pessoas estavam morrendo por causa de loucura.
"Houve crises, após crise". O estado de direito foi totalmente corrompido.
O desenvolvimento e o progresso foram estancados na cidade de Ìjèbú. O caos e a incerteza reinavam. Os anciãos da cidade convocaram seus Áwo para uma consulta a Ifá. Os Áwo disseram que para terminar com os problemas de Ìjèbú, teriam que enviar seus Áwo para outras terras a fim de buscar uma solução. Assim foi como Akogi Lapa foi enviado a cidade de Pasan.
Asangede também foi enviado para as terras Iwoye, enquanto Abegilelo foi enviado para Òyó. Os três Áwo se encontraram e consultaram Ifá com a finalidade de alcançar exito seguindo os conselhos de Ifá nas terras Ìjèbú. Eles foram informados que teriam condições de identificar qual seria o problema que afligia a cidade de Ìjèbú.
Eles foram aconselhados a não pegar a estrada principal para a cidade de Ìjèbú, deveriam pegar o caminho pela floresta. Eles ouviram o conselho e seguiram a recomendação. Ao tomar a estrada pela floresta, eles encontraram o fantasma de Eríwo Yà que estava sob a árvore Igba. Ele explicou que embora fosse aconselhado a oferecer ebo para o sucesso, prestigio e honra para o fim de sua vida, ele não cumpriu e nunca esperou que as pessoas da cidade de Ìjèbú tratassem tão mal o seu corpo.
Ele deu instruções aos três Áwo sobre o que deveriam fazer a fim de resolver o problema na cidade, os três Áwo obedeceram. Foi então quando finalmente foram levados a cabo todos os rituais devidamente fundamentados para Eríwo Yà e isto foi o que permitiu a normalidade retornar a Ìjèbú.
Se uma pessoa pode abalar, desta forma, uma cidade, o que se pode dizer de vinte milhões de pessoas que não receberam um enterro decente?
Um número considerável deles tem seus ossos vagando no fundo do oceano Atlântico.
Opejin foi um escravo do palácio de Onígbò. Ele foi muito maltratado enquanto teve vida.  Quando morreu, ele foi enterrado nu. Assim que isso foi feito, os problemas começaram na casa de Onígbò. Ninguém tinha paz, até que Ifá foi consultado e todos os ritos foram realizados com os restos mortais de Opejin.
Agora, quantos Opejin sabemos que se encontram entre os vinte milhões de pessoas que morreram durante a escravidão?
As quantas foram feitos os ritos para que eles completassem seus ciclos.
Como pode alguém esperar que a paz e o progresso em um sentido real se manifestem em ambos os lados do Atlântico?
Este é o meu ponto de vista (Popoola), pois sem os adequados rituais e ritos funerários para os espiritos de vinte milhões de africanos, nunca haverá progresso e desenvolvimento na África. De igual modo, aqueles que se encontram do outro lado do Atlântico nunca conheceram a paz e a felicidade.
Os espíritos de todos estes entes queridos que partiram continuam assombrando estas terras. Houve casos em que pessoas especializadas na arte da Nigromancia (arte da adivinhação através da consulta aos mortos) informaram que havia algumas almas errantes em busca de justiça, isto depois de 1.200 anos após sua morte.

Quanto tempo devemos esperar antes de decidirmos atuar adequadamente em ambos os lados do Atlântico e acalmar estas almas ancestrais de africanos e dar-lhes um bom e merecido descanso?

Oluwo Solagbade Popoola.