sexta-feira, 26 de abril de 2013

Passos para enfrentar o desafio da arrogância (Nascimento de um Áwo)


Este depoimento me deixou tão feliz que resolvi compartilhar com vocês.
 
As perguntas que divido com todos:
 
Poderia a personalidade de um ser humano sofrer uma modificação tão drástica?
Querer mudar é um esforço (incluindo amigos e família) diário?
De onde tirar energia para lutar contra um ‘ser’ que nos habita por décadas?
Será que todo o texto abaixo se refere ao caráter?
Quem poderia levantar a mão e dizer que mudar de atitude é fácil?
A recaída desanima?
O esforço de vontade sem incentivo diminuiu a força interior?
O oceano é vasto e as dúvidas idem, boa leitura.


Passos para enfrentar o desafio da arrogância (Nascimento de um Áwo)
 

Pessoas com a natureza de Sàngó tendem a ter grandes desafios na vida relativos a arrogância. Meu Ita (relação objetivo / foco central) em ambos Sàngó e Ifá foi muito direto sobre a forma de como é importante mudar meus pensamentos e comportamento arrogante. Quando eu ouvi pela primeira vez sobre a necessidade de enfrentar esse desafio eu vi isso como uma montanha que eu precisava subir e precisasse me concentrar nela e finalmente, chegar ao topo.

Meses mais tarde, eu fiquei ciente de que meu relacionamento com a arrogância iria envolver muita disciplina ao longo da vida. O primeiro desafio que meu ancião me deu como orientação: "Parar de ajudar"!

Passei meses trazendo meu foco interior para quebrar o hábito de "ajudar" os outros. Eu aprendi que "ajudar" muitas vezes me enfraquecia.

Não enfrentar desafios removia a oportunidade das pessoas terem uma experiência de aprendizagem, a minha percepção acreditava que elas não seriam capazes.

Eu vi como meus relacionamentos se tornam mais saudáveis ​​e como pouco a pouco eu passei a respeitar as escolhas e os desafios pessoais das outras pessoas. Além disso, comecei a me concentrar em meus próprios desafios pessoais, porém, como eu estava acostumado a ajudar outras pessoas, isto sempre servia como uma desculpa / distração.

Um tempo atrás meu Baba me desafiou para a próxima etapa. Ele ressaltou a maneira que eu exigia as coisas dos outros, que tinham que fazer as coisas “do meu jeito”.

Os exemplos de comportamento que ele tinha testemunhado me mostram que minha proposta era tentar controlar a forma de levar minha vida e das outras pessoas, isto estava tendo o efeito oposto do que eu queria. Em vez de estabelecer metas e pedir às pessoas para conhecê-las eu estava tentando levá-las a fazer exatamente o que eu queria, quando e como eu queria. Eu estava perdendo um tempo / esforço / emoção, com coisas simples e pequenas e eu precisava relaxar e deixar as coisas acontecerem.

Eu parei de dizer qualquer coisa, evitei meus velhos comportamentos sobre este tema e pensei que estava fazendo um excelente trabalho, até que um dia Baba me sentou e apontou uma interação que tive com um amigo, eu tinha perdido o senso extremamente crítico. Eu estava orgulhoso, pois, meu amigo havia feito algo que com certeza me deixaria louco e eu não falei absolutamente nada. Eu estava feliz, por não ter praticado o meu antigo comportamento, meu amigo tinha feito exatamente o que eu queria, sem eu dizer nada.
Baba me disse:
Você disse tudo.
Mesmo sem usar palavras, todo o seu ser foi preenchido com o seu desejo.
“Eu estava deixando todo mundo louco”.
Ele continuou:
Não é suficiente apenas deixar de dizer as coisas...
Você tem que aprender a ser calmo e feliz, mesmo quando as pessoas não fazem o que você quer ou as coisas não esteja indo do jeito que você quer.
Você sente frustração quando você tem problemas de controle?
Poucas coisas serão feitas do jeito que você falou, pediu ou pensou.
Porém... Eu assinei em baixo.
Eu sou livre para escolher, aceitar conselhos ou recusá-la conforme meu desejo. No final, meu ancião tem me ajudado de muitas maneiras e raramente o seu conselho, não me levou na direção certa. Eu seria bobo em ignorar isto.

Então, depois de superar a minha raiva / frustração e ter sido orientado em como pensar, optei por trabalhar e mudar meus pensamentos. Para aprender e me lembrar que as coisas podem ser feitas tranquilamente e não somente do jeito que eu quero.
O tempo passa e eu me desafio a ficar tranquilo com mais e mais coisas que eu costumava ter o controle absoluto de antes...
Ao longo do caminho eu encontrei pessoas que enfrentam desafios semelhantes ao meu. Eu estava envolvido nos grandes momentos de suas vidas e até mesmo ajudei com sua caminhada espiritual, atendendo ao seu pedido.
Se você quiser ver algo pateticamente engraçado, assista alguém que enfrenta problemas com a arrogância tentando ajudar alguém que não quer admitir que tem problema com a arrogância.

Agora, ficou muito claro quando se apresentava uma situação em que a ajuda não era requerida e eu estava de frente ajudando os outros e me perguntava:
Por que eu fiz isso?
Não era um bom momento. Eu não podia ajudar alguém que não pediu a ajuda, e ainda assim lá estava eu fazendo isso. Claro que às vezes nós simplesmente estragamos tudo.
Às vezes a gente retorna aos velhos hábitos, porém, em torno deste tema sempre vem um momento de reflexão e clareza.
Havia este ponto onde eu deveria admitir que ele devesse enfrentar seus desafios (ou não) do seu jeito e no seu tempo.
A clareza deste momento me deu tranquilidade de saber que ele era assim como eu também tenho meu jeito.
Foi um daqueles momentos fugazes, onde depois pensei:
Uau, isso foi legal...
O que aconteceu?
Algumas horas mais tarde, eu senti um cheiro desagradável e pensei que era de um banheiro público.
Eu fiquei aborrecido com isso por um momento e em seguida, fiz algum tipo de comentário sarcástico sobre o assunto:
"Com certeza você sente mais segurança em fazer isso em público do que em casa."
O cara respondeu:
"Será que eu não posso fumar um cigarro enquanto dou a descarga?"
E o absurdo de toda a situação me atingiu...
O isso importa?
Por que eu deveria me importar ou sentir que tenho que dizer ou fazer algo sobre o que esse cara estava fazendo para ele mesmo?

Que patético, eu estava agindo para tentar controlar um cara, que eu sabia que não estava prejudicando ninguém?

Acabei por ter outro momento, como naquele dia, simplesmente por que eu parei de filtrar a realidade através da minha lente do certo e errado. Eu comecei a ver o mundo como ele é e eu devia apenas aceitá-lo como ele é.

Naquele momento Sàngó falou claro como um sino:
"É assim que um líder precisa ver o mundo. Para agir com transparencia você precisa ser capaz de aceitar a realidade como ela é. Sem pré-conceitos ou descriminação. Depois de entender o que aconteceu você pode escolher a forma de agir com todo o fogo e paixão que você escolher, mas em primeiro lugar: ouça, veja e entenda claramente".

É muito fácil filtrar as nossas experiências e entendimentos através dos nossos pré-conceitos, preferências e julgamentos. O desejo de "estar certo" pode ser incrivelmente forte e pode nos levar a escolher ver o que queremos, em vez de ver o que realmente esta acontecendo (Laroyè, Epá Èsù).

Ironicamente

Eu escrevi este post há 3 dias e o próximo desafio relacionado já se apresentou para essa nova perspectiva.

Vicíos.

Eu ainda os estou pesquisando, mas eu tenho consciência de que ver o mundo através dos filtros de meus preconceitos, preferências, julgamentos e minha "necessidade de estar certo" permitem que alguns vícios que existem na minha vida sigam em minha consciência. O pior e mais visível é vício de alimentos. Sendo a minha obesidade a consequência principal, mas nada do meu relacionamento com o sexo, TV, rádio, hábitos de uso da internet e até mesmo tópicos de conversa mostram um padrão claro de comportamento viciante para recompensas de dopamina.

Isto é provavelmente algo que é fácil de reconhecer do lado de fora, mas sem liberar meus velhos padrões eu não consigo imaginar a frustação das pessoas tentando me ajudar ao vê-los.
Então... A viagem continua.
É bom dar mais um passo e espero que eu comece a dar assistência a minha vida, saúde, riqueza e relacionamentos continuam a melhorar.
Como eu respeito o meu Ita, sigo adiante, usando medicina yorùbá e realizando meus ebo.
Obrigado aos meus antepassados ​​e ao meu Ori por me orientarem e também agradeço a medicina de Ifá por melhorar a minha vida e agradeço por ver as situações em suas formas naturais.
Obrigado pela orientação e melhora que ainda está por vir.

Àse.

 
Por Scott – Iwa Pèlé group

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