segunda-feira, 14 de maio de 2012

A Sedução de Osun



A bela Iyàgbà, sabendo do profundo amor que o fanfarrão tinha por ela (o mesmo fizera questão de espalhar pelos quatro cantos do mundo, dizendo que ela um dia seria dele), foi com suas mucamas para da tenda de Èşù, ofertando-lhe um vinho, cuja safra deixava inveja ao néctar dos deuses. Ele não escondeu a surpresa e a satisfação de ter sua amada procurando sua companhia, de um salto ordenou aos convivas que se afastassem, alegando ter que dar atenção à Iyàgbà. Convidou-a educadamente a dividir seu aconchego, oferecendo uma deliciosa carne provinda da caça de Ọșóòsì.
Deixando-se levar por seus prazeres, Èşù entregou-se totalmente aos encantos de Osun, sem tirar nenhum momento os olhos da bela Iyàgbà, cujas madeixas eram enfeitadas com flores amarelas. Para agradá-la ainda mais, pediu a seus serviçais que enfeitassem sua tenda com tecidos amarelos que eram a cor preferida dela.
Osun dócil e sensual, apesar de ter várias mucamas, tomava para si a tarefa de colocar uvas e os nacos de carne mal passada na boca do pandego, que a cada mastigada gemia de prazer, que com certeza não eram simplesmente pelo maravilhoso gosto do alimento. De quando em quando ele jogava-se no colo dela com a boca aberta, apontando para a quartinha de vinho, fingindo uma incontrolável impotência. Ela, por sua vez, graciosamente pegava e virava o recipiente com tal precisão que nenhuma gota caía. Depois de saborear o gole de tão sagrado líquido, uivava feito um animal no cio, chacoalhando os braços e a cabeça, deixando o suor do seu corpo espalhar-se pelo aposento, às vezes chegava a levantar-se e saltar, deixando-se levar pelo ímpeto do êxtase. Nesta ora bastava a Iyàgbà tocar-lhe docilmente, para amansá-lo e fazer com que deitasse de novo ao seu lado.
Difícil saber qual prazer era maior: por um lado Èşù gozava o prazer de ter a seu lado uma Iyàgbà, cuja beleza encantava a qualquer ser e ele nunca pôde chegar tão perto dela, mal podia acreditar no que acontecia, por outro lado Osun deleitava-se ao ter sob seu domínio tão viril e indomável pandego, cuja sagacidade e disposição todos invejavam.
Depois de muito beber, ele se entregou por inteiro aos encantos da Iyàgbà, que, com toda sua infinita sedução, tentava convencê-lo a mostrar-lhe a caverna onde ele habitava. Entorpecido pelo vinho e pela beleza dela, concordou em revelar esse grande segredo.

Depois da festa Èşù dispensou os serviçais e saiu pela mata carregando Osun nos braços, fazendo cumprir o que prometera. O caminho era longo e mesmo sob os afagos infalíveis dela, ele ia pensando no que estava preste a fazer, se valeria à pena ou não. Chegando perto de sua gruta, Èşù deu ouvido à sua intuição e fez um encanto, colocando a Iyàgbà para dormir, para ela não saber onde era à entrada de sua morada, assim não haveria arrependimento de forma alguma.

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