sexta-feira, 2 de março de 2012

O mito de Agasú, a pantera, segundo os Yoruba.

O rei do Benin consultou um adivinho e foi mandado fazer um sacrifício pois do contrário sua filha, Poye iria se perder no caminho.
Ele se recusou a fazer o sacrifício dizendo que ela nunca poderia se perder no caminho; mas ela se perdeu e ficou vagando pela floresta.
Neste tempo a mãe de Ọrùnmìlà tinha um escravo (ou escrava) chamado Siere.
O escravo era um antílope com arreios (domesticado) e seu trabalho era cortar as marcas faciais dos filhos de Ọrùnmìlà. O escravo ficou cansado de vê-los todos os dias e fugiu. Ifá correu atrás dele e o caçou por 16 dias.
O antílope correu para a floresta e Ọrùnmìlà o fez sair.
Ele correu pelas áreas gramadas e Ọrùnmìlà o caçou dali.
Ele correu para a floresta densas de Alabe e caiu dentro de uma armadilha;
Ọrùnmìlà o seguiu e caiu também na armadilha.
Nenhum dos dois conseguiu sair. Depois de sete dias na armadilha, Ọrùnmìlà ouviu uma vez de alguém passando por perto e chamou, “Floresta é a floresta de fogo; Pastagem do Sol, floresta densa que continua assim é a de Alabe.
Faz sete dias que Erigialo está na armadilha e que Ifá está rolando nesta armadilha”.
Era Poye que está passando, perdida na floresta.
Ela olhou no buraco e viu Ifá.
Ifá pediu-lhe que o tirasse da armadilha e ela concordou.
Enquanto ela puxava ele para fora, Ọrùnmìlà estava puxando a perna do antílope, quando Ọrùnmìlà ficou do lado de fora, ele anunciou que a perna do antílope era o bastão de caminhante:
Minha vida leopardo, perna de antílope.
Ifá agradeceu a Poye e perguntou como poderia pagar-lhe a ajuda recebida.
Ela disse que não tinha filhos e assim Ifá teve relações com ela.
Ele lhe disse que já que suas outras esposas não podiam saber que ele tinha tomado um outra esposa, ela não podia viver com ele.
Poye ficou grávida e deu a luz à uma menina.
Eles perguntaram a ela quem era o pai e ela disse que era Ifá.
Ela deu o nome à criança de Ọlọmọ.
Por estes dias, Ifá costumava sacrificar seres humanos.
Ele falou para seu povo para trazer-lhe um escravo para que ele pudesse sacrificá-lo para sua alma guardiã ancestral, e o seu povo lhe trouxe Ọlọmọ.
Ele disse que faria seu sacrifício dentro de três dias; enquanto isso ele mandou Ọlọmọ amassar inhame no pilão.
Enquanto ele estava amassando ela foi dizendo:
Eu sou a filha de Poye.
Se eu tivesse um pai eles não me trariam para ser sacrificada.
As três mulheres de Ifá (Osù, Odù e Òşún), ouviram o que ela estava dizendo e falaram para Ifá que a garota que estava amassando inhame era estranha e que ele deveria escutar o que ela estava dizendo.
Quando Ifá escutou-a, ele perguntou:
Como é que você é filha de Poye.
A garota falou o que a sua mãe tinha lhe contado:
Eu ajudei seu pai a sair de uma armadilha, depois disso ele teve relações comigo e eu tive você como filha,
Ifá disse:
Desculpa. Você é minha filha.
Suas três mulheres exclamaram: Oh?
Quando foi que você tomou outra esposa e teve uma filha?.
Ifá respondeu:
Não foi assim.
Eu estava em maus lençóis e esta mulher tirou-me de dentro da armadilha.
Ela me implorou por um filho e assim eu lhe retribui pelo que ela tinha, feito por mim.
Então ele mandou-as comprar uma cabra para fazer o sacrifício e deixou Ọlọmọ livre.
Ele disse que daquele dia em diante, elas não deviam trazer sacrifícios humanos para ele; que elas deviam sacrificar apenas cabras.

Desde este tempo, as cabras vem sendo sacrificadas para Ifá.

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O Culto Tradicional Yorùbá, vem resgatar nossa cultura milenar, guardada na cabaça do tempo.