sexta-feira, 30 de março de 2012

Òrúnmìlá e o Erìndínlógun.

Quando Eledumarè criou seus 401 filhos.
Ele criou também 401 profissões, Ele criou 401.
Ele disse que cada um deveria escolher a sua.
E havia Òrúnmìlá
Ele não era forte como um cupinzeiro.
Segurar uma enxada era problema para ele.
Carregá-la era difícil até mesmo andar.
Não havia trabalho fácil para Òrúnmìlá.
Eledumarè disse:
"O que você vai fazer?"
Ele disse que iria ser adivinho.
"Que tipo de adivinho?"
Ele disse:
"Para tudo aquilo que as pessoas quiserem saber"
Foi Obi que ele trouxe para Eledumarè naqueles dias.
Se alguém falasse no obi e jogasse.
Era Eledumarè que dava o conselho.
Então ele chamou Òrúnmìlá.
Que tinha um saquinho de adivinhação.
Eledumarè levou o saquinho de Ifá.
Ele disse que Òrúnmìlá deveria aprender a usá-lo.
Que se alguém quisesse algo, deveria falar com Òrúnmìlá.
Todos que quisessem perguntar deveriam ir à Òrúnmìlá.
E quando Òrúnmìlá olhou para o seu Ifá.
Tudo que eles queriam saber, Òrúnmìlá disse.
O que quer que fosse Òrúnmìlá disse a eles.
Ninguém mais visitou Eledumarè (para adivinhar).
Eles passaram a visitar Òrúnmìlá.
Uma mulher que estivesse grávida há um dia,
Òrúnmìlá podia saber e assim em diante.
Então, Òrúnmìlá tornou-se adivinho.
Ele disse:
"Pai e sobre as folhas?"
Eledumarè disse:
Aquela que vem com problemas, esta é a folha que dará a ela.
Aquele que vem com problemas, esta é a folha que dará a ele.
Então, Òrúnmìlá tornou-se adivinho
E todos quiseram se tornar adivinho.
Egungun queria ser um deles.
O Pai disse:
Você que é forte?
Ogun queria ser um deles.
O Pai disse:
Você que é forte?
Você deveria ser comerciante.
Hoje todos os devotos de algumas divindades podem divinar.
Devotos de Șàngo, devotos de Òya e devotos de Òrìsálá.
Isso graças à Ọșun.
Era Ọșún que não deixava Òrúnmìlá descansar.
Não o deixava sair.
Tanto insistiu, até que Òrúnmìlá lhe ensinou divinação.
Foi com Ọșún que todos os demais aprenderam a divinar.
Mas Erinle não aprendeu òrìsá Oko não aprendeu Ogun não aprendeu Egungun não aprendeu.
Não receberam os dezesseis cawris.
Os dezesseis cawris de Șọpọná estavam sempre em sua mão, mas as lutas não o deixavam divinar.
Por ser frágil Òrúnmìlá se tornou divinador.
Ele cantava:
Apodihọrọ, Òrìsálá Ọșẹrẹgbo.
O Pai teve 401 filhos.
Apodihọrọ, Òrìsálá Ọșẹrẹgbo,
O Pai criou 401 profissões,
Apodihọrọ, Òrìsálá, Ọșẹrẹgbo,
O Pai criou 401 talentos,
Apodihọrọ.
Deu aqueles que aprendessem um meio de vida,
Apodihọrọ.
Com aquele que aprendi, agora estou comendo,
Apodihọrọ.
Com aquele que eu aprendi, estou comendo nozes de cola e pimenta,
Apodihọrọ.
Com quem aprendi, estou comendo sal e dendê,
Apodihọrọ.
Com quem aprendi ganho dinheiro com meu jogo,
Apodihọrọ.
Foi como Òrúnmìlá se tornou divinador.
Mas somente Òrúnmìlá se tornou adivinho.
Hoje todos os sacerdotes de certos òrìsá podem adivinhar.
Porém...

Por: BASCON.

terça-feira, 27 de março de 2012

A água mergulha na terra.


Todos os Òrìsà que aparecem nas Escrituras de Ifá são a personificação das forças espirituais que existem na natureza.
As quatro forças fundamentais na Natureza da Ifa cosmologia são Terra, Ar, Fogo e Água.
De acordo com Ifa, cada uma dessas forças tem um impacto direto sobre o processo de transformação espiritual. Esta idéia é baseada na crença de que tudo que existe na natureza é interconectado e inter-relacionados.
Ifa cosmologia não é linear, é cíclico e em espiral, como uma concha de caracol.
Isto significa que as forças que moldam e reaparecem na evolução ao longo do tempo/espaço e as múltiplas dimensões da realidade existe.
Em outras palavras, as Forças Terra, Ar, Fogo e Água têm dimensões semelhantes em todos os domínios do Ser.
Simplificando, o poder do òrìsà são qualidades que representam padrões de expressão originais.
Em um nível pessoal, a terra representa o corpo físico, o ar representa o intelecto, o espírito individual é Fogo e Água representa as emoções. Em um nível global, estes elementos são claramente a força material na natureza.
Em um universo subatômico, esses elementos representam a qualidade da interação entre as partículas. Todos os elementos-chave interagem e criam novos níveis de complexidade. O Fogo da Criação é resfriado para formar estrelas, o fogo das estrelas é resfriado para formar os planetas, o fogo no centro da Terra esfria para formar a terra e o uso da terra no Fogo é processo de rejuvenescimento e de transformação.
Dizer que a água desce terra abaixo é expressar a verdade óbvia de que, enquanto a água flui de lugar para lugar do solo ela retorna à Terra.
Na Nigéria, a camada de água subterrânea é muito próximo à superfície e não há uma cadeia complexa de veias de água subterrânea que são invisíveis ao nível do solo. Superficialmente, este provérbio é uma simples observação sobre a termodinâmica de umidade.
A água representa a emoção na maioria dos ensinamentos do nativo americano e da imagem da água é muitas vezes usado para representar o Taoísmo Tao.
Em Ifa, a água é um símbolo do entusiasmo e poder da intuição para gerar sentimentos fortes. O significado espiritual do provérbio está relacionado com a influência das emoções secretas sobre o corpo físico.
Em iorubá, a palavra "emoção" é "Egbe."
De acordo com Ifa, o Egbe, ou o núcleo emocional de cada corpo humano tem uma enorme influência sobre o estado geral de saúde física e mental do indivíduo.
Assim como a água mergulha debaixo da terra para formar córregos subterrâneos, as emoções são absorvidas pelo organismo, afetando as maneiras que permanecem invisíveis ou não foram completamente apreendidas.
Um elemento chave em todas as formas de transformação espiritual é a iluminação, as influências secretas que afetam o comportamento.
Ifa se refere a essas influências como "omi l'enia", que significa "A humanidade é a água."
Um dos primeiros estágios da iniciação ao òrìsà é a realização de um funeral para o espírito interior do iniciado.
No dia em que minha iniciação em Ifa foi concluída, houve uma tremenda celebração na comunidade. Houve um fluxo de visitantes que vieram para expressar sua alegria e gratidão pelo meu esforço para descobrir o meu próprio destino.
Fiquei profundamente comovido com a sinceridade de seus cumprimentos e era muito claro que eles acreditavam que os meus esforços tiveram um impacto direto sobre a qualidade de suas vidas.
O órìsà no ocidente.
Em algumas comunidades, tenho notado um senso coletivo de inveja direcionada para aqueles que conseguem qualquer tipo de sucesso em suas vidas.
O ciúme como emoção é contrário ao conceito de Ifa para desenvolver um bom caráter.
Dizendo que a mão direita lava a mão esquerda está dizendo que toda vez que alguém experimenta experiências de crescimento, o potencial de crescimento em todos também vai crescendo.
Quando qualquer membro de uma grande família melhora a qualidade de vida, a qualidade de vida de toda a comunidade melhora.
Compreender plenamente este provérbio requer uma apreciação na crença de que em  Ifa a melhoria da qualidade vida à custa dos outros não enobrece e não é um merito.

Por: Fal'okun

segunda-feira, 19 de março de 2012

A Heroína Eliana Calmon - Uma homenagem a mulher.



Por: theófilo Silva
Quero homenagear as mulheres elogiando a juíza Eliana Calmon, a mulher da década, aquela que realizou o meu sonho mais urgente. A baiana que eu incluo no grupo das minhas heroínas shakespearianas, ao lado de Rosalinda, Cleópatra, Beatriz, Hermione. Sua coragem, determinação e espirituosidade mudaram o poder judiciário brasileiro.
Sempre acreditei que a ação individual de um desses heróis solitários é a única forma de mudar realidades cruéis. Se um juiz tivesse condenado e prendido Paulo Maluf – agora não tem mais jeito – teria sido mais importante que todos os compêndios de direito escritos no país nos últimos cinquenta anos. Seria o início do fim da impunidade no Brasil. Faltou esse juiz.
Foi necessário o surgimento de uma heroína, na verdade, paladino – por que não paladina? – para tirar a máscara que escondia a verdadeira face da justiça brasileira: cara, ineficiente, paquidérmica, lenta e corrupta. Ter a coragem de enfrentar essas associações de juízes pegajosamente coorporativas, e encarar o atual presidente do Supremo Tribunal Federal – o mais apagado da história do STF – que tentou intimidá-la, foi um ato de bravura raro, mesmo para os ditos homens mais corajosos e intrépidos.
Quando ela chamou alguns juízes de bandidos de toga, o mundo da magistratura caiu em cima dela com todo a sua ira e poder. Ela teve a força para levantar o peso, sacudi-lo, limpar a poeira, e partir para a luta, não arredando um milímetro do que dissera ou fizera antes. E foi mais longe, chamou essa minoria de juízes de vagabundos.
Ela teve a coragem de declarar com todas as letras que vilões estão incrustados nos tribunais de justiça, os pomposos desembargadores. Nunca alguém disse com tanta limpidez algo que eu tinha vontade de dizer há muitos anos e não podia, por razões óbvias. Eliana falou pela boca de todos os brasileiros, que estão cansados de ver os guardiões da justiça se esconderem atrás da toga para cometerem crimes. Imagino o ódio que essa turma devota à corregedora nacional de justiça.
Shakespeare diz em Henrique IV: “rouba-se muito mais comumente nas profissões mais respeitáveis”. Haverá uma profissão mais respeitável do que a de juiz, desembargador, ministro de tribunal superior, que têm seus nomes precedidos por enormes superlativos de tratamento: excelentíssimo, digníssimo?
Na esteira da honestidade e da coragem de Eliana aconteceu a quase impensável aprovação do Projeto de Iniciativa Popular, o Ficha Limpa, que impede corruptos condenados candidatem-se a cargo público. E para coroar, sua vitória no STF, com apoio da sociedade brasileira, para que o CNJ possa continuar investigando juízes. São decisões importantíssimas, divisoras de águas!
A sociedade, em sua maioria, não sabe que Justiça é mais importante do que a economia, do que comida no prato. De que a educação dos filhos tem a ver com o poder judiciário. De que alguns desses homens pomposos de voz gutural, conversa empolada e ininteligível são muito poderosos, daí sua arrogância, e um simples ato assinado por um deles altera a vida de dezenas de milhões de pessoas. E alguns deixam claro que têm nojo da sociedade, e que não votam nada que demonstre “clamor público”. Foi isso que Eliana Calmon mostrou para todo o Brasil com sua cruzada.
Eliana eleva todas as mulheres a um patamar ainda maior. Ela enche de orgulho todos os brasileiros, já que ousou fazer o que nenhum homem teve coragem: abrir a caixa preta do fechadíssimo e privilegiado poder judiciário brasileiro. Por essa ação revolucionária, ela merece uma estátua na Praça Castro Alves ao lado do poeta dos escravos! Trata-se de uma libertadora!
Theófilo Silva é articulista colaborador da Rádio do Moreno.

quarta-feira, 14 de março de 2012

RELIGIÃO E ESPIRITUALIDADE

Religião não conduz necessariamente à Espiritualidade e, para se vivenciar a Espiritualidade, não é necessário seguir alguma religião formal.
 Independente das civilizações que a Terra possa ter hospedado, mas ainda não é admitido pela arqueologia oficial, fato concreto é que, há pelo menos 80.000 anos – conforme atestam pinturas rupestres e rituais de sepultamento - podem assegurar que o homo sapiens prestava reverência ao Sagrado, na forma de Poder criativo/destruidor de uma Inteligência Superior.
A forma de acessar e cultuar esse Poder apresenta, nas sociedades arcaicas, uma uniformidade surpreendente, se considerarmos a total falta de comunicação entre os continentes. Teorias que tentam comprovar, num mundo sem tecnologia e ciência, peregrinações a pé através dos continentes ou viagens oceânicas, são, no mínimo, uma tentativa de forçar alguma outra “explicação plausível” para o óbvio, que seria um Governo Central que aqui nos colocou e ensinou os rudimentos que tornaram viável a nossa sobrevivência no contexto de uma natureza inóspita e ameaçadora.
Todas as mitologias apontam para Seres Divinos que aqui “desceram” e nos instruíram também como cultuar e manipular as energias que nos re-ligam ao Princípio Criador e, por fim, nos abandonaram à própria responsabilidade para que, mais maduros, exercêssemos o livre-arbítrio. Na literatura de Ifá há o relato de que Orunmila – Aquele que, como testemunha da Criação/Emanação (big bang), tudo sabe - após instruir os humanos, ausentou-se, deixando, no entanto, o oráculo como instrumento de aconselhamento.
 Então, podemos registrar dezenas de milênios de rituais semelhantes em todos os continentes, onde a forma de se manipular as energias Divinas da Natureza – reconhecidas como “deuses” (ou, no nosso caso, Orisás) – obedece a um padrão único, encontrando apenas diferenças e variáveis culturais. Este foi o ambiente onde imperavam a magia e o êxtase da Espiritualidade maior.
Com o passar dos tempos, diante do crescimento demográfico e, certamente, devido a uma necessidade de controle de massas e do desenvolvimento da tecnologia, a prática espiritual nos últimos milênios foi assumindo um cunho estritamente moral, adotando “cartilhas de comportamento” dogmáticas e padronizadas que eximiam as pessoas do exercício do seu livre-arbítrio pleno, fazendo com que apenas executassem as ordens, sob pena de castigo. O “pecado” substituiu o livre-arbítrio com suas conseqüências - uma espécie de camisa de força que, de um modo geral, descaracterizava completamente a simbiose com o Divino dentro de cada um. Os fiéis - sob pena de se tornaram excluídos da sociedade – passaram a cumprir uma espécie de contrato de adesão, remunerando seus sacerdotes (sempre masculinos) como legítimos intermediários entre o Divino e sua Emanação, e podendo mediante comportamento adequado ao cabresto das doutrinas, receberem, ao final da vida, a recompensa ou o castigo eterno.
Esta foi à forma de religião que norteou os últimos milênios, principalmente no ocidente. Pela primeira vez, viram-se na Terra uns impondo aos outros - à força - suas convicções a cerca da sua comunicação – que deveria ser íntima e sagrada - com o Divino. Sob o nome de “religião” e legitimaram-se incontáveis guerras e massacres.
A comunicação com o Divino passou a ser padronizada e quem não se adequou, perdeu o direito de existir. Sob a autoridade auto-conferida de um pseudo “certo ou errado” , foram dizimadas todas as etnias das Américas. Cabe ressaltar que eram civilizações onde o profano e o sagrado se interligavam profundamente, pois uma coisa não deveria se dissociar da outra.
Diante desse desrespeito ao próximo, das violências, intolerâncias, ganância e péssimos exemplos de comportamento, as instituições religiosas passaram a ser muito mal vistas e repudiadas, pelo menos, pelas pessoas que valorizavam o respeito próprio/mútuo e cultivavam no interior do seu Ser um resquício de vínculo com a Divindade Suprema que permeia todo o Universo. Essas pessoas, pelo seu inconformismo libertário diante de interesses corporativos estranhos ao genuíno acesso ao Sagrado, buscaram as fontes originais da Espiritualidade arcaica, que mesmo relegadas à clandestinidade, nunca desapareceram.
Outros, menos sensibilizados pela Espiritualidade maior, optaram pela via do ateísmo, confundindo o Divino com as tiranias e selvagerias das religiões estabelecidas, não querendo, tampouco, compactuar ou se submeter à mediocridade retrógrada das suas doutrinas.
Com o advento de uma Nova Era que se avizinha, estando uma pequena parte da humanidade pronta e sedenta de se libertar de doutrinas falidas que “educaram” uma humanidade covarde, corrupta, gananciosa e autodestrutiva, restabelecendo seus vínculos com a Espiritualidade Maior, presenciamos o reflorescer das inúmeras práticas iniciáticas das culturas arcaicas, tidas como primitivas e inferiores. Aquelas que nos foram legadas pelos instrutores primeiros, conhecidos como “povos das estrelas”, construtores das pirâmides e detentores de conhecimentos registrados no nosso inconsciente coletivo através dos mitos.
Vários elementos das práticas xamânicas das culturas africanas e ameríndias, sua concepção ecológica na veneração pela Natureza do nosso planeta e magia dos seus elementos, práticas de meditação e inteiração com as Plantas Mestras vem sendo despertadas e reabilitadas.
Chegamos, finalmente, ao ponto em que as pessoas sedentas de uma direta conexão com o Divino (também) dentro de si, passam a se conscientizar da diferença entre Religião e Espiritualidade.
Enquanto as religiões “conduzem” uma esmagadora maioria adormecida e incapaz de questionar, mediante regras e proibições ameaçadoras - que instigam a culpa, a repressão e a falsidade, - seguem dogmas e preceitos de supostos “livros sagrados”, incompatíveis com a atual realidade social e psíquica, - baseiam-se na crença cega em um deus antropomórfico e externo a nós, que nos vigia, favorece, pune, “ama” – e desagrega - conforme o grau de obediência, sustentando promessas para depois da morte.
Quem atingiu maior grau de sensibilidade e maturidade espirituais, desperta para um patamar mais conectado com o Sagrado, entendendo que as religiões massificadas dificilmente conseguem resgatar aquele elo perdido do acesso ao Divino dentro de nós mesmos. O Divino que não está nas doutrinas e dogmas dos livros, mas na própria Natureza Cósmica.
Então, busca o êxtase do Sagrado que nos faz, não crente em, mas consciente absoluto de Deus, na transcendência atemporal da nossa Voz Interior - que é o nosso Eu Divino - e em profunda intimidade e conexão com a Emanação Universal.
Não “amamos” a Deus porque alguém nos ordenou, dizendo que ele é “bom e pai”, mas porque sentimos a transcendência da Sua absoluta magnitude - na pele, na mente, no Todo.
Assim, livres e soltos no Universo, vamos prosseguindo na nossa jornada eterna, totalmente conscientes e responsáveis, procurando aprender com nossos erros e nos tornando seres mais íntegros, corajosos e, principalmente, vivendo em Paz no aqui e agora.

Postado por ELIANE HAAS
www.elianehaas.blogspot.com

terça-feira, 6 de março de 2012

Ifá-Òrúnmìlá

Òrúnmìlá, Ifá ou Ifá-Òrúnmìlá, a divindade oracular dos iorubás, é respeitada por sua sabedoria.
As palavras Ifá-Òrúnmìlá e Òrúnmìlá designam a divindade, enquanto Ifá designa, simultaneamente, a divindade e o sistema divinatório a ela associado.
Òrúnmìlà forma-se da contração de órun-l'ó-mo-à-ti-là (somente o céu conhece os meios de libertação), ou de órun-mo-olà (somente o céu pode libertar).
Ifá, por sua vez, tem por raiz fá (acumular, abraçar, conter), indicando que todo o conhecimento tradicional iorubá acha-se contido no corpus literário de Ifá, ou Odù Corpus.
Seus principais símbolos são ikin (caroço de dende), òpèlè (a corrente divinatória, de uso privativo de seus sacerdotes, feita com oito metades da semente sagrada de mesmo nome), óta (pedra de assentamento), ìrùkèrè (cauda de animal que, após preparo artesanal e mágico, é carregada por sacerdotes e reis como sinal de realeza e poder), obi, orobo, búzios e pedaços de presa de elefante gravados, que ficam guardados em um receptáculo colocado em lugar alto, num canto ou no centro do cômodo. Seus colares e pulseiras são confeccionados alternando-se contas de cor verde e marrom.
Para orientar os que o procuram, o sacerdote de Ifá, chamado bàbáláwo (babalaô, pai do segredo), reporta-se ao Corpus do Odù, conjunto riquíssimo de conhecimentos esotéricos e registros históricos da milenar tradição iorubá. Utiliza-se de sementes de ikin ou da corrente òpèlè, cuja configuração geomântica remete a um dos 256 odus lá contidos, cujos itan (narrativas míticas) estabelecem analogias entre a situação das personagens e trajetória existencial do consulente.
Ifá compreende todos os idiomas da terra, o que lhe possibilita aconselhar todos os seres humanos, sem exceção.
O corpus literário de Ifá guarda a história dos òrìsá e o ensinamento de curas através do uso de ervas. Por isso seus sacerdotes devem conhecer, além da prática divinatória, o preparo de remédios.
Òrúnmìlá tem por irmão mais novo Osonyin, a divindade da cura, de cujo auxílio serve-se desde os primórdios.
No jogo oracular, Esù é a divindade particularmente importante, dada a sua relação estreita de amizade com Ifá.
Indivíduos de várias origens têm procurado iniciações em Ifá, tanto em território africano quanto nos países da diáspora. Esta prática é altamente recomendável, pois esta iniciação, em particular, marca seu ingresso formal na Religião Tradicional Iorubá. Além disso, em tal circunstância revela-se o odu de nascimento de cada pessoa, que indica o seu destino na terra.
As regras que o babalawo obedece incluem não se aproveitar das próprias prerrogativas. Como possui amplos e profundos conhecimentos são procurados por muitas pessoas, algumas em situação de crise, fragilizadas pelas circunstâncias difíceis que enfrentam, mergulhadas num sofrimento do qual querem escapar, literalmente, a qualquer preço – e isto favorece o abuso de poder. Entretanto, recebe a advertência de não agir em benefício próprio. Entende-se que o grande privilégio e a grande riqueza do sacerdote de Òrúnmìlá residem na oportunidade de estar a seu serviço.
Este itan do Odu Ofun'se, narrado ao Babá King pelo venerável Babalawo Fabunmi Sowunmi, elucida a esse respeito:

Ofun’se.
Aquele que mente será destruído pela mentira.
Aquele que provoca discórdia será destruído pela discórdia.
A falsidade despojará o falso da força vital de que dispõe.
A falsidade destruirá os falsos.
Foram eles que adivinharam para Ifá, sábio supremo no Òrun.
Todos aqueles que trocam a verdade pela mentira,
Serão levados para o Òrun por Ifá.
Não chamem o morto de vivo, nem chamem o vivo de morto.
Quem chama o morto de vivo ou chama o vivo de morto,
Será levado para o Òrun por Ifá.
Não chamem uma mulher fértil de estéril,
Nem chamem uma mulher estéril de fértil.
Quem chama uma mulher fértil de estéril ou chama uma mulher estéril
De fértil será levado para o Òrun por Ifá.
Não chamem o preto de branco, nem chamem o branco de preto
Quem chama o preto de branco ou chama o branco de preto,
Será levado para o Òrun por Ifá.

Òrunmilá diz que prefere matar o babalawo, que mente para quem o procura em busca da verdade e colocar em seu lugar um homem ignorante a respeito da complexa sabedoria de Ifá.
Òrunmilá prefere um homem que não conhece a sabedoria de Ifá, do que um grande conhecedor dessa sabedoria que seja falso e mentiroso.

Àse.











 

sexta-feira, 2 de março de 2012

O mito de Agasú, a pantera, segundo os Yoruba.

O rei do Benin consultou um adivinho e foi mandado fazer um sacrifício pois do contrário sua filha, Poye iria se perder no caminho.
Ele se recusou a fazer o sacrifício dizendo que ela nunca poderia se perder no caminho; mas ela se perdeu e ficou vagando pela floresta.
Neste tempo a mãe de Ọrùnmìlà tinha um escravo (ou escrava) chamado Siere.
O escravo era um antílope com arreios (domesticado) e seu trabalho era cortar as marcas faciais dos filhos de Ọrùnmìlà. O escravo ficou cansado de vê-los todos os dias e fugiu. Ifá correu atrás dele e o caçou por 16 dias.
O antílope correu para a floresta e Ọrùnmìlà o fez sair.
Ele correu pelas áreas gramadas e Ọrùnmìlà o caçou dali.
Ele correu para a floresta densas de Alabe e caiu dentro de uma armadilha;
Ọrùnmìlà o seguiu e caiu também na armadilha.
Nenhum dos dois conseguiu sair. Depois de sete dias na armadilha, Ọrùnmìlà ouviu uma vez de alguém passando por perto e chamou, “Floresta é a floresta de fogo; Pastagem do Sol, floresta densa que continua assim é a de Alabe.
Faz sete dias que Erigialo está na armadilha e que Ifá está rolando nesta armadilha”.
Era Poye que está passando, perdida na floresta.
Ela olhou no buraco e viu Ifá.
Ifá pediu-lhe que o tirasse da armadilha e ela concordou.
Enquanto ela puxava ele para fora, Ọrùnmìlà estava puxando a perna do antílope, quando Ọrùnmìlà ficou do lado de fora, ele anunciou que a perna do antílope era o bastão de caminhante:
Minha vida leopardo, perna de antílope.
Ifá agradeceu a Poye e perguntou como poderia pagar-lhe a ajuda recebida.
Ela disse que não tinha filhos e assim Ifá teve relações com ela.
Ele lhe disse que já que suas outras esposas não podiam saber que ele tinha tomado um outra esposa, ela não podia viver com ele.
Poye ficou grávida e deu a luz à uma menina.
Eles perguntaram a ela quem era o pai e ela disse que era Ifá.
Ela deu o nome à criança de Ọlọmọ.
Por estes dias, Ifá costumava sacrificar seres humanos.
Ele falou para seu povo para trazer-lhe um escravo para que ele pudesse sacrificá-lo para sua alma guardiã ancestral, e o seu povo lhe trouxe Ọlọmọ.
Ele disse que faria seu sacrifício dentro de três dias; enquanto isso ele mandou Ọlọmọ amassar inhame no pilão.
Enquanto ele estava amassando ela foi dizendo:
Eu sou a filha de Poye.
Se eu tivesse um pai eles não me trariam para ser sacrificada.
As três mulheres de Ifá (Osù, Odù e Òşún), ouviram o que ela estava dizendo e falaram para Ifá que a garota que estava amassando inhame era estranha e que ele deveria escutar o que ela estava dizendo.
Quando Ifá escutou-a, ele perguntou:
Como é que você é filha de Poye.
A garota falou o que a sua mãe tinha lhe contado:
Eu ajudei seu pai a sair de uma armadilha, depois disso ele teve relações comigo e eu tive você como filha,
Ifá disse:
Desculpa. Você é minha filha.
Suas três mulheres exclamaram: Oh?
Quando foi que você tomou outra esposa e teve uma filha?.
Ifá respondeu:
Não foi assim.
Eu estava em maus lençóis e esta mulher tirou-me de dentro da armadilha.
Ela me implorou por um filho e assim eu lhe retribui pelo que ela tinha, feito por mim.
Então ele mandou-as comprar uma cabra para fazer o sacrifício e deixou Ọlọmọ livre.
Ele disse que daquele dia em diante, elas não deviam trazer sacrifícios humanos para ele; que elas deviam sacrificar apenas cabras.

Desde este tempo, as cabras vem sendo sacrificadas para Ifá.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Historias de Osun.



Eu me humilho diante dos mistérios de Osun.
Você é a deusa do rio.
Você é o proprietário dos mistérios da civilização.
Você é o proprietário dos mistérios do amor.
Você é o òrìsá mais bonito.
Você é a chefe dos mistérios do mel.
Você é o proprietário dos mistérios do sexo e da intimidade.
Àse.

Osun é o òrìsá yoruba (divindade) das águas doce e frescas (ao contrário de águas salgadas de Yemojá). Ela é muito querida, é conhecida por curar os enfermos e trazer fertilidade e prosperidade especialmente. Ela cuida dos pobres e traz o que eles precisam. Como Òrìsá do amor, Osun é representada como uma mulher bonita, charmosa, provocante e jovem
Para o povo iorubá, habitantes do oeste da África Central, na atual Nigéria, Osun é a deusa do rio do mesmo nome e Ela é especialmente venerada nas cidades ribeirinhas.
Durante seu festival anual, Ela escolhe uma ou mais dançarinas para incorporar (muito parecido com os participantes de cerimônias Vodoo que pode ser "possuído" por um loa).
Essas mulheres, em seguida, tomam novos nomes em homenagem a Osun e são posteriormente consultadas como curadoras.
Osun foi ensinada na divinação com búzios por Òrúnmìlá, um dos primeiros deuses criados e Ela trouxe estes ensinamento para os seres humanos.
Ela era de uma só vez a esposa de Sàngo, o Deus da tempestade, como foi Òyà, a deusa dos ventos e das tempestades.
Osun também é dito ser a mãe das aves e/ou peixes.
Com a diáspora Africana, Osun foi trazida para as Américas e adotada no panteão que se ramificou das tradições Africanas. Na religião do candomblé brasileiro, que mantém laços estreitos com a religião iorubana, bem como na santeria cubana, Ela é chamada de Osun.
No Haiti Vodoo Ela é uma inspiração para Erzulie ou Ezili, também uma deusa da água e do amor.
Osun tem o numero cinco associado, a cor amarelo-âmbar e os metais ouro e bronze.
O pavão e o urubu são sagrados para ela.
Oferendas para Osun incluem coisas doces como mel, frutas, doces e perfume.
Osun em sua leitura indica doçura, bom humor, beleza e a alegria que flui.