segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Sagrado Odù Òsé mèjì

Todos os Imortais do Ọrùn estavam reunidos no dia em que foram trancados em uma batalha contra a Vila das Mulheres.
Foi uma batalha em que os Imortais sabiam que nunca poderiam ganhar.
Ọba Ọrùn (Chefe do céu) convidou os Òrìşà para fazer uma viagem do Ìkợlé Ọrùn (Reino dos Ancestrais) para o Ìkợlé Ayé (Terra) em um esforço para acabar com a guerra.
Şàngó (Espirito do relâmpago), Ògun (Espírito do Ferro), Ọmọlu (Espírito das Doenças Infecciosas) e Ẹbọra Eégún (todos os espíritos ancestrais guerreiros que morreram), concordaram em unir suas forças na batalha contra a Aldeia das Mulheres.
Lutaram com coragem e convicção, mas encontraram uma derrota amarga.
Yemợjà (Mãe dos Peixe), Ợya (Espirito do Vento) e Ìyáàmi (Espirito das mães) concordaram em juntar forças na batalha contra a Vila das Mulheres.
Eles lutaram com coragem e convicção, mas encontraram uma derrota amarga.
Quando todos retornavam de suas batalhas contra a Vila das Mulheres, recusaram-se a travar mais combates.
Naquela época, foi Òşún (Espírito da sensualidade), que disse que iria acabar com a batalha contra a Vila das Mulheres.
Òşún colocou uma cabaça de água na cabeça e dançou do Ìkợlé Ọrùn (Reino dos Ancestrais) ao Ìkợlé Ayé (Terra).
Quando se aproximou da Vila das mulheres, Òşún continuou dançando e cantando ao ritmo de um tambor.
Quando ela chegou ao centro da aldeia, as mulheres se juntaram a Òşún.
Elas dançaram e cantaram ao ritmo de seu tambor.
As mulheres da aldeia seguiram para o santuário de Òşún, onde cantaram e dançaram para ela neste dia.

Comentário:
Alguns contos de Òşún são populares no Ocidente e tendem a caracterizá-la como "superficial" e "narcisista".
Nesta história, Òşún é apresentada como uma poderosa guerreira que é treinada para resolver um conflito em que derrotou todas as forças espirituais do Reino do Invisível.
Esta história deixa claro que nem todas as formas de proteção que envolve a guerra ou o comportamento, é tradicionalmente identificado como "agressivo".
Esta história também envolve dois aspectos do poder feminino que se repetem em toda a literatura Ifá.
É incomum no mito ocidental encontrar histórias sobre um grupo de mulheres que têm a força coletiva para derrotar todas as forças espirituais da Natureza.
Na cultura yorùbá tradicional, nas sociedades secretas, as mulheres estão centradas em torno dos mistérios.
Esta tradição tem sido denegrida pelos escritores ocidentais, que tendem a rejeitar as sociedades, tratando-as como formas de "bruxaria".
Na verdade, as sociedades secretas femininas são parte integrante da vida política e da religião yorùbá tradicional.
São as mulheres que colocam o ade (coroa) na cabeça do Oba (Rei).
Este poder é dado às mulheres porque o Ade contém o àse (poder espiritual) da proteção que só vem através do poder feminino.
Quando esse poder é invocado como um meio de proteção, é extremamente eficaz e extremamente volátil.
São feitos rituais para ativar este poder e uma vez que foram acionados, fazem parte do awo ou Mistérios de Òşún.
É por isso que Òşún têm altos cargos dentro das sociedades secretas femininas.

Esta história é uma apresentação metafórica de um dos aspecto do Poder Espiritual da Mulher que permanece como um tabu para os não iniciados.

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O Culto Tradicional Yorùbá, vem resgatar nossa cultura milenar, guardada na cabaça do tempo.