quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A PREGUIÇA É UM TABU.



O Odu Ogbe meji (Ejionile), nos fala:
  
Faça seu trabalho 
Eu não estou trabalhando
Este era o jogo de Ifá para a pessoa preguiçosa 
Ele que dorme até que o sol está em cima 
Ele que confia que é possuidor (herdeiro) de herança, não se expõe a sofrer. 
Se nós não labutamos e produzimos de nosso suor hoje 
Nós não podemos ficar ricos amanhã (a prosperidade é um processo)
Marcho pela lama
Eu não posso marchar pela lama 
Se nós não marchamos pela lama 
Nossas bocas não podem comer comida boa  
Estas eram as declarações de Ifá à pessoa preguiçosa 
Ele que possui membros fortes, mas se recusa a trabalhar. 
Ele que escolhe ser inativo pela manhã. 
Ele só está descansando por sofrer pela noite 
Só labutando pode-se apoiar um. (receber benção de òrìsá) 
Inatividade não pode trazer dividendo.  (prosperidade)
Quem se recusa a trabalhar.
Tal pessoa não merece comer 
Se uma pessoa preguiçosa tiver fome, por favor, o deixe morrer. 
Morto ou vivo, uma pessoa preguiçosa é uma pessoa inútil. 

Ifá nos conta neste poema o quanto o sacrificio por uma vida próspera é importante. Sem sacrificio (ebó) pela nossa espiritualidade e sem o sacrificio em adquirir posses, nada adianta aos olhos do Alto.
Quando lemos deixe-o morrer devemos interpretar deixe-o padecer, tal pessoa não é digna de nossa preocupação e esforço.
Ori é soberano e acima de todas as coisas é sempre ele quem decide o que você vai fazer da sua vida.

Boa leitura e medição.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Ogbè'Oworin

II     I
II     I
I      I
I      I
Este odu explica porque Ifá é consultado a cada cinco dias.
Que mostra a habilidade de Òrúnmìlá e Esù. em combater a morte.
A fome não se estabelece na cabeça e sim no estomago para que a cabeça tenha espaço para pensar.

Este foi quem consultou Ifá para o dia da perdição da morte, então foi ordenado um sacrifício, que ele fez.
A cada cinco dias a morte costumava visitar o mundo e matava muitas pessoas na juventude. Como conseqüência o mundo ficava num caos e numa anarquia. Ninguém sabia quando chegaria sua vez, as pessoas se comportavam com seus juízos com o desejo de não ter consciência.
Preocupado com o desenrolo do problema, Òrúnmìlá consultou um grupo de Babalawo para que falassem o que deveriam fazer para estabelecer a normalidade da vida na terra.
Os Babalawo disseram para ele ofertar dois obis e oti, de manha bem cedo no dia que a morte viria. Ele também disse para oferecer todo o tipo de comida a Esù. Odara no mesmo dia, e que não saísse de casa este dia. Ele cumpriu o marcado.
Quando a Morte chegou foi diretamente a casa de Òrúnmìlá, mas encontrou Esù. do lado de fora. Esù. falou para a morte se afastar, então ela disse que estava em uma missão na terra.
Esù. pergunta qual é a missão ?
Minha missão é levar Òrúnmìlá e a maioria de seus seguidores!
Esù. disse que sua missão era muito simples porque estava na frente da casa de Òrúnmìlá e seus seguidores eram fáceis de identificar, por seus colares. Esù falou para a Morte comer o que tinha então a Morte sentou e desfrutou do banquete. Depois de desfrutar, a Morte falou que tinha que terminar o trabalho que veio fazer. Esù perguntou a Morte se ela sabia qual era a comida que tinha comido?
A morte respondeu que não sabia então Esù. disse que a comida era de Òrúnmìlá. Então Esù disse que o propósito de provar a comida era de não levar as pessoas jovens quando as tocara.
A Morte que estava impressionada foi entrar na casa de Òrúnmìlá.
Esù a proibiu, não poderia fazer isto depois de ter comido e bebido a comida de Òrúnmìlá. A morte disse que não sabia. Esù respondeu que era responsabilidade da Morte perguntar de quem era à comida e como não perguntou não teria o direito de matar Òrúnmìlá e seus seguidores.
Assim foi que a Morte foi vencida.
Òrúnmìlá mudou este dia para o dia de Ifá, e todos awo teriam que o consultar a cada cinco dias.
A fome não se estabelece na cabeça e sim no estomago para que a consciência possa ser usada.
Foi este quem consultou Ifá para Òrúnmìlá no dia em que a Morte o perseguia.
Mandarão fazer sacrifício e ele fez hoje sua vida é abundante.


terça-feira, 15 de novembro de 2011

EJI-OKO SEDUZ A ESPOSA DA MORTE.

Foi um dos seus seguidores chamado Ala boun boun lofo kpiriri kparara, quem fez divinação para Eji-Oko quando ele sem saber seduziu Epipayemi, a esposa clara do Rei da Morte. Ala boun boun era na realidade o marimbondo, que alertou Ejioko para evitar ter alguma coisa a com a mulher amarela, que estava para ser a Rainha da Morte. Entretanto foi avisado a dar um bode a Èşu, o que se recusou a fazer porque não tinha intenção de ter nada a com a mulher amarela do Rei da Morte.
Não muito tempo depois, o Rei da Morte enviou sua esposa Epipayemi com uma bolsa de dinheiro para comprar um bode para ele no mercado de Oja-Ajigbomekon Akira. Ao mesmo tempo, Eji-Oko, tinha pensado melhor, e resolveu fazer o sacrifício indo ao mercado para comprar ele mesmo o bode para oferecer a Èşu.
Quando Epipayemi chegou ao mercado, ela comprou um bode e uma quantidade de condimentos de cozinha, e deixou-os em sua barraca para olhar outra coisa no mercado.
Nesse ínterim, Eji-Oko chegou ao mercado e descobriu que o único bode do mercado era o amarrado na barraca de Epipayemi. Ele não largou o bode com a determinação que o compraria de quem quer que fosse. Logo em seguida, Epipayemi chegou a sua barraca para encontrar um homem agarrado no seu bode. Ela estava irresistivelmente bela. Disse a Eji-oko que ela era a proprietária do bode, porque seu marido, o Rei da Morte, a tinha enviado ao mercado para comprá-lo.
A despeito desta revelação, Eji-oko forçadamente tomou o bode dela e o levou para sua casa.
Indomavelmente, a mulher não largou sua corda e combateu com Eji-oko até que chegaram a sua casa. Chegando a casa, ele usou o bode para fazer sacrifício para Èşu e declarou seu amor por Epipayemi. Agora estava anoitecendo e havia se tornado muito tarde para Epipayemi retornar para casa.
Ela não tinha opção a não ser passar a noite com Eji-oko que fez amor com ela durante a noite.
Contudo, ela o alertou das consequências de seus atos, porque estava certa de que Eji-oko não poderia suportar a fúria do seu marido.
Na manhã seguinte, quando Epipayemi fracassou em retornar para casa, Morte começou a questionar o povo que foi ao mercado no dia anterior, no porque sua esposa não retornara para casa.
Eles explicaram-lhe que a viram combatendo sobre o bode com um homem negro conhecido por ser um dos filhos de Ọrúnmìlá.
Morte então enviou dois mensageiros a Eji-oko para alertá-lo que por seduzir sua esposa, estava indo dentro de sete dias para tratar com ele.
Foi naquele momento que ele se recordou o que o marimbondo lhe disse na divinação sobre o risco de seduzir a esposa do Rei da Morte. Sabendo que estava indefeso em face do castigo que o aguardava, decidiu resignar-se e a se lamentar parando de comer qualquer comida.
No quinto dia, Osonyin, o irmão divino de Ọrúnmìlá decidiu visitar Eji-oko. Chegando a casa de Ejioko, o encontrou recluso aguardando a morte. Osonyin lhe disse para arranjar coragem e firmar-se.
Ele se ofereceu para ir e confrontar Morte.
Osonyin pediu a Eji-oko para se vestir com o que ele usava para se transfigurar, assim como seu bastão de divinação (Uroke) e seu boné. Ele vestiu a roupa e o boné, segurando o bastão em sua mão. Quando Osonyin chegou à casa de Morte, ele rapidamente reconheceu a casa porque era lavada diariamente com sangue humano.
Ao entrar na casa, sentou-se na sala de entrada e exigiu ver o Rei da Morte porque ele tinha vindo lhe prestar visita. Quando foi dada a descrição do visitante ao Rei da Morte, ele soube que fora Ejioko quem enviara Osonyin para ir e provocá-lo. Irado, Morte deu instruções para o visitante ser preso, executado e esquartejado em pedaços pequenos.
Os seguidores da Morte pegaram Osonyin e surraram-no e cortaram-no em pequenos pedaços e peças. A pedido da Morte, os pedaços do corpo de Osonyin foram espalhados na encruzilhada.
Em tempo, seus executores voltaram para a casa e Osonyin estava sentado placidamente esperando por eles. Assim que o viram, ele insistiu que não desperdiçassem seu tempo porque ele veio ver o Rei da Morte. Estáticos com o susto e pasmos, os mensageiros reportaram a Morte que o visitante estava de volta na casa antes deles e depois que eles haviam o matado e esquartejado em pedaços.
Morte ordenou-lhes para matá-lo novamente e atirar seus pedaços no rio para alimentar aos peixes.
Mais uma vez, eles mataram e esquartejaram seu corpo em vários pedaços pequenos e lançaram-nos no rio. Quando retornaram para casa para informar a realização da missão, encontraram Osonyin novamente na sala neste momento soltando fumaça porque era muito difícil ver o Rei da Morte. Ele indagou se a Feroz Morte estava com receio de ver uma divindade mais nova.
Quando informaram Morte de sua misteriosa ressurreição, ele lhes disse para cortá-lo mais uma vez, cozinhar os pedaços e jogá-los no incinerador para serem queimados até cinzas. Mas antes que eles retornassem para casa, Osonyin mais uma vez estava aguardando-os na sala esbravejando que entraria de penetra se Morte continuasse se recusando a vê-lo.
Sem saber exatamente o que fazer dele, Morte enviou seus mensageiros para pedir a Osonyin para dizer a seu irmão que ele havia cedido Epipayemi para ele em paz. Quando eles narraram a mensagem a Osonyin, ele berrou que para não criar uma confusão no céu, Morte deveria enviar um de seus mensageiros para acompanhá-lo a entregar a mensagem para seu irmão. Morte imediatamente concordou e enviou um de seus guarda-costas para acompanhar Osonyin e levar a mensagem a Eji-oko.
Osonyin também enviou uma mensagem para Morte insistindo que ele lhe trouxesse obi. Os obi foram rapidamente enviados, mas Osonyin insistiu que Morte deveria sair para abri-los ele mesmo.
Morte por fim saiu e abriu os obi dando um pedaço para Osonyin, enquanto ele mesmo comia outro pedaço. Osonyin foi para casa com os pedaços de obi restantes após agradecer Morte por sua hospitalidade condizente.
De volta a casa, Ejioko não tinha palavras suficientes com as quais expressar sua gratidão para Osonyin por sua incomparável proeza, Ejioko então convocou o marimbondo que fez divinação para ele para cantar em louvor em meio a comidas e bebidas.
Ala boun boun lofo kpiriri kparara
E Osonyin acrescentou o refrão:
Esemi luku kpaa, Odidi mode luku kpaa Odidimode
Significando:
Não fui eu mesmo que Morte matou, mas a minha imagem de lama que Morte matou porque Osonyin frequentemente desaparecia quando os carrascos de Morte estavam matando-o. Com o que, Eji-oko tomou Epipayemi como sua esposa.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O que são Gbaduras e Orikìs

Reza é uma conjunção de frases pré-estabelecidas que se recita costumeiramente decoradas, direcionadas a Deus ou às Suas divindades, muitas vezes engrandecendo seus feitos e direcionamos para determinado objetivo específico. A Religião dos Òrìsà não reza diretamente para Elédùmarè (Deus), pois se crê que Ele é um ser de um poder muito grande, incalculável e Oniausente por isso é preservado. Para ouvir e atuar diretamente na vida dos homens Ele criou seus emissários, os Òrìsà, cabendo a estes a missão de zelar por tudo que se relaciona com as necessidades humanas.
Oração é a conversa, o diálogo íntimo com Deus, através de Suas divindades, sem frases pré-determinadas.
A Tradição Yorùbá dá grande valor às rezas, crendo que a conjunção dos sons que elas emanam, quando são recitadas, são carregadíssimos de energia, que farão movimentar os objetivos pretendidos. Elas revelam feitos e características dos Òrìsà e fornecem orientações para a conduta dos seguidores da Religião. Através das rezas pode-se fazer pedidos aos Òrìsà, agradá-los ou aplacar sua ira. Todas estas formas poéticas orais estão cheias de metáforas e símbolos.
Ex: 
 Inu mi dum / Estou com a barriga doce interpreta-se como “estou feliz”.
Estes textos, milenares, dividem-se em:
OFÒ – Literal “Feitiço ou poder sobrenatural que dá alivio instantâneo à dor”. São palavras mágicas – encantamentos, que possuem em si uma mensagem mágica, ao ser recitado ativa o poder dos preparados mágicos ou medicinais.
ÀDÚRÀ E/OU GBÀDÚRÀ – Literal “Súplica“. São saudações, visam obter as graças dos Òrìsà e os direciona aos elementos por eles dominados.
ORÍKÌ (ou Pípè / chamado – convite) – É a contração das palavras orí / origem +  / saudar ou louvar. São evocações e servem para louvar e evocar a presença dos Òrìsà, assim como facilita o acesso ao auxílio que pode ser prestado pela Força Deles. Oríkì detém em si mesmo uma força mágica. Relata fatos ou feitos, de um indivíduo, família, cidade, e não só dos Òrìsà. Transmitem informações, características, virtudes e fraquezas dos seres ou daquilo que constitui seu tema. Podem relatar fatos relacionados com o nascimento de crianças. Exemplo é o caso de gêmeos, daqueles que tem o cordão umbilical enrolado no pescoço ou que os pés venham ao mundo primeiro. Há também Oríkì para animais. A tradição Yorùbá atribui grande valor para a recitação dos Oríkì e acredita que ele sempre causa grande emoção a quem se refere. É indispensável para se fazer qualquer pedido aos Òrìsà. As pessoas incorporam inevitavelmente ao ouvir a recitação de um Oríkì de seu Òrìsà.
ÌJÀLÁ ODE - São formas de recitar os oríkì, meio que cantaroladas, referindo-se somente aos caçadores, em especial à Ògún.
EWI ESA - É outra forma de recitação parecida com o oríkì, porém usada somente nos Cultos de Egúngún.
ORIN – Literal “Cantar” – São cantigas com formas mais brandas de louvação, empregados em festejos ou celebrações para um, ou vários Òrìsà. Possui parte da carga informativa do Oríkì e é intermediário entre ele e as àdúrà.
ÌYÈRÈ IFÁ – São constituídos de partes de um Odù + Oríkì de Ifá, que o Bàbáláwo faz uso nas cerimônias de batizados, casamentos, enterros e outras ocasiões especiais.
Muitas pessoas costumam confundir Rezas com Orações.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ogbe Meji.

A questão da cobrança de valores sempre foi um caso sério. A gente vê tudo de ruim em torno disso. Existe também uma pressão devido à prática de outras religiões que abominam a cobrança, assim não cobrar é ético e cobrar  não é ético.
São religiões diferentes e o que não é ético é se comportar apenas motivado por dinheiro, lembrando que um Babalawo nunca será rico, é assim que os encontramos nas histórias, é assim que o babalawo dize. Não que eu esteja dizendo que Òlodumare recrimina os que assim não se comportam ou que nosso òrìsá nos virará as costas, não, estou dizendo isso apenas pelo aspecto ético. Mas o pior de tudo é ouvir que a pessoa só cobra porque “o anjo da guarda dela exige”.
No odù Ofun'Ogbe Òrunmila usa seus próprios materiais e dinheiro para fazer o sacrifício para Òrìsán’la (Osalá) e depois é compensado em 200x vezes o que gastou.

Mas no odu Ogbe meji existe uma história muito direta sobre o assunto que é usada como explicação porque um babalawo cobra por seus serviços.

Ogbe meji veio para a terra para trazer o bem e fazer o bem a todo mundo. Ele incansavelmente dia e noite ajudava a todas as pessoas que encontrava e que o procurava e nada exigia delas para isso. A benevolência do jovem Eji Ogbe o fez muito popular e sua casa tinha um fluxo imenso de pessoas que o procuravam pedindo sua ajuda, dia e noite.

Ele curou os doentes, fez sacrifícios para os pobres, ajudou mulheres estéreis a terem filhos e garantiu o nascimento seguro de crianças de todas as mulheres grávidas que o procuravam.

Com essas atividades ele ganhou muita admiração dos beneficiados mas também ganhou inimizades dos sacerdotes mais antigos que ele que não se uniam a ele em seu altruísmo e benevolência.

Um dia cansado ele dormiu e seu Ori veio em seu sono o advertindo que esses sacerdotes estavam conspirando contra ele. Ele acordou de manhã e logo foi para o oráculo. Ele procurou os sacerdotes Osigi sigi le epo, Usee mi ookagba igba e abu kele kon lo obe ide que juntos consultarem Ifá para ele, então eles o aconselharam a....

... Os outros sacerdotes que se sentiram atingidos e prejudicados em seu modo de vida porque Ogbe mEji fazia milagres sem cobrar nada foram para o Òrun um depois do outro para relatar a Ólodumare acusando Eji Ogbe de prejudicá-los ao introduzir um novo código de comportamento o qual era totalmente estranho à ética no ayè.

Ogbe meji por sua parte não tinha vida própria porque gastava todo o seu tempo a serviço de outros. Quando as crianças tinham convulsão ele era chamado, quando grávidas precisavam de ajuda ele era chamado, etc..

Òlodumare ouvindo esses relatos enviou Esù a terra para trazer Eji Ogbe de volta. Esù usou de discrição como uma estratégia para trazer Eji Ogbe de volta ao Òrun. Ele se transformou em uma pessoa sem emprego, procurando por um trabalho e foi bem cedo à casa de Eji Ogbe. Chegando lá ele implorou a ele para lhe dar um trabalho que o permitisse a viver. Eji Ogbe disse que não tinha como dar um trabalho a ele porque ele trabalhava de graça para as pessoas do mundo.

Como ele ia comer o seu desjejum ele chamou o visitante para comer com ele, mas esse disse que não se qualificava para comer no mesmo prato de Ogbe meji assim iria comer após Ogbe meji ter comido. Contudo enquanto essa discussão se dava uma nova pessoa aparecia pedindo ajuda, ela disse que o seu único filho estava em convulsão e ela queria que Eji Ogbe viesse reviver o garoto.

E assim se foi o dia todo resolvendo duvidas, brigas e disputas. O sol já se punha quando ele se sentou para comer seu desjejum matinal. Ele insistiu para o visitante comer com ele mas esse disse que somente depois iria comer. Quando ele começou a comer Esù se transformou em Esù e Eji Ogbe viu que o seu visitante era um enviado de Òlodumare.

Ele parou de comer e perguntou que mensagem teria para ele, e Esù disse que Òlodumare queria vê-lo no Òrun. Esù o abraçou e eles foram transportados para o Òrun. Tão logo chegando lá ele ouviu a voz de Òlodumare perguntado a ele, Eji Ogbe, por que estava criando tanta confusão no mundo!

Eji Ogbe se pôs de joelhos para dar a sua explicação mas, Esù, se pôs a frente e se ofereceu para explicar. Esù explicou que Òlodumare em pessoa não poderia estar fazendo tanto quanto Eji Ogbe no ayè. Ele disse que desde cedo e sem tempo até para comer, Eji Ogbe estava a serviço da humanidade sem receber nenhuma recompensa por isso.

Esù disse que Eji Ogbe fazia no ayè a mesma coisa que fazia no Òrun e que por isso ela estava apenas aborrecendo os sacerdotes que eram amantes de dinheiro.

Òlodumare disse que Eji Ogbe se levantasse dos seus joelhos e que voltasse para o ayè e continuasse o seu bom trabalho, mas, que cobrasse um valor razoável por seus serviços, mas continuasse a ajudar a quem necessita e que receberia por isso as bençãos dele Òlodumare.

A interpretação de uma história depende sempre do interlocutor, não existe uma interpretação única ou mesmo sentido literal. Essa história justifica o fato de os babalawo cobrarem por seus serviços. Também mostra que fazer o bem é o que se espera de uma boa pessoa e não trocar benfeitorias por dinheiro é o que de melhor se poder esperar de uma pessoa; mostra também que as pessoas se incomodam com o bem que você faz e não com o mal as traz.

Enfim, muitas interpretações podem ser feitas por cada pessoa.

sábado, 5 de novembro de 2011

Ogbe meji


Ori a deidade mais importante do panteão iorubá. Devemos crer e louvar nosso ori diariamente. Nosso Ori pode nos elevar e nos destruir, qual caminho devemos seguir?
Nada acontece em nossas vidas sem o consentimento de Ori.
Ori onde houve a sorte, que ela venha a meu encontro, Ori onde houver a felicidade, que ela venha ao meu encontr, Ori onde houver vida longa, que ela venha ao meu encontro. Ori onde houver esposa e filhos, que eles venham ao meu encontro.
Minha cabeça nasceu para ser coroada e rapidamente será coroada.
É entre os Reis que eu devo andar e rapidamente andarei.
Ori o, Ori o, gba mi o.
Ori mo'pe aiku, auwre, ajè, etc...



Oluwara Okun1 (Orunmilá)
“Aquele que tem Ori dura como ferro;
“A noz de palmeira de Osonyin olha para o sol mas não racha;
“Mulher brigona gera filhos com dificuldade”
Jogou para “Ori é um melhor defensor.”
Filho de Magala que usa uma coroa de cauwris.
Sim. Havia Ori.
Dinheiro não tinha marido para aconselhar-se com ele, o que poderia ela fazer?
Eles disseram que ela deveria ir até Ori.
Ela deveria pegar duas nozes de cola,
E ela deveria ir até Ori.
Quando Dinheiro pegou as duas nozes de cola e estava indo.
 Ela passou entre as Dezesseis Deidades;
Ela passou entre eles.
Sàngo disse, “Você que está passando, porque não nos cumprimenta?”
Ela disse:
“Eu?
Quando eu não estou olhando para você?
Sàngo levantou-se e ele arrancou as nozes de cola das mãos dela.
Ele pegou uma delas
E a enfiou inteira na boca.
Ele pegou a outra para Olofin
Onde Ori estava sentada com Olofin.
Ele foi lá e a deu para ele.
Olofin agradeceu a ele.
Ori veio,
Ele disse:
“Quem pegou as nozes de cola desta mulher?”
Sango disse:
“Fui eu.”
Ori disse:
 “Isto mostra o quanto estúpido você é em fazer isso.”
Sango disse:
“Eu, Lakio?”
Ori disse:
 “O que pode você fazer?”
Eles começaram a lutar.
Quando Ori ergueu Sàngo,
E quando ela o jogou, ela o jogou em Koso.2
Òrìsá Oko disse, “Há! Meu amigo.”
Quando Ori o jogou, ela jogou Òrìsá Oko para Irawo.
Ifa disse, “Há! Meu irmão mais novo.”
E quando ela jogou Ifa, ela o jogou em Ado.
Ela lançou Oyá e a jogou em Ira.
Ela jogou Egungun em Oje.
“Há! Sapponan disse:
“Quem vai me jogar?”
Quando ela jogou Saponan, ele caiu em Egun;
Ela jogou Elegbara, ele caiu em Iworo.
Há! Ele jogou Obalufon para Erin.
Qual problema?
O que eles deveriam fazer?
Eles foram embora;
Òrìsá Oko em Irawo disse que eles deveriam fazê-lo.
No terceiro ano eles vieram juntos de novo.
Eles disseram, ‘Nossa luta do outro dia,
“Nós lutaremos novamente
“Para ver como Ori conseguiu arremessar todos nós.”
Eles vieram ao jardim de Ori,
E Ori estava lá;
Ela tinha ido aos divinadores.
E eles disseram que Ori deveria trazer comida, ela deveria trazer bebida.
Quando eles vieram para os jardins dos fundos de Ori,
Eles disseram, “Ori, oh! Saudações,oh!”
Ori respondeu,”Ho!”
Eles disseram, “Venham”, eles disseram, “A luta do outro dia veio, oh!”
E Ori saiu; ela disse “Há!”
Ela disse, “Você, Orunmila, é você que está aí?”
Ele disse, “Estou aqui.”
Ela disse, “Eu pensei que você era chamado de’ O pequenino que vive de sua sabedoria.’
Ela disse, “Você está aprendendo a ser tolo;
Ela disse, “Não se aprende sabedoria.”
Ele disse, “Quando eu o arremessei em Ado,
Ela disse, “O que você tinha?
Ela disse, “Você é quem eles estão venerando em Ado agora.
Ela disse, “Sàngo, o que você tem?
Ela disse, “Você é aquele que estão adorando em Koso agora.
Ela disse, “Òrìsá Oko, o que era você?
“Você e aquele que estão cultuando em Irawo hoje em dia.
Ela disse, “Você, Sapponan, o que você tem?
Ela disse, “Você é aquele que estão cultuando em Egun hoje.
Ela disse, “Você Elegba, o que você tem?
Ela disse, “Você é aquele que estão cultuando em Iworo hoje.
Ela disse, “Você, Oro, quem eles estão cultuando em Olufon hoje?
Oro disse, “É a mim.”
Ela disse, “O que eram vocês antes?
Ela disse, “Você Egungun, o que você fazia antes de chegar em Oje?
“Há! Ela disse, “Você ouviu aquilo Obalufon?”
Obalufon disse, “Eu sou aquele que eles estão cultuando em Erin.”
“Então que significa tudo isso?”
“Espere. Deixe-nos ver o que ela vai nos dar.
“É verdade que os locais para os quais ela nos arremessou eram bons.”
Então eles entraram na casa em direção a Ori;
Ori deu-lhe comida, ela deu-lhes bebida.
Eles terminaram de comer,
E eles começaram a dançar, eles regozijavam;
E Ori louvava seus divinadores, e seus divinadores louvavam Òrìsá
Que seus divinadores falavam a verdade.
“Ofuwara Okun,
“Aquele que tem uma Ori dura que nem ferro;
“As nozes de palmeira de Osanyin olham para o sol mas, não racham;
“Mulheres brigonas geram crianças com dificuldade”
Jogou para “Ori é o melhor defensor,”
Filho de Magala que usa uma coroa de cauwris.
Ele cantou, “Ori é o melhor defensor,oh
“Ori é o melhor defensor.
“Aquele para quem Ori é bom não há nada igual,oh;
“Ori é o melhor defensor.”
Ai está como Ori sobrepujou todas as demais Deidades.
Òrìsá diz que uma benção é o que ele prediz aqui,
Como disse Òrìsá
Aqui nós vemos Eji Ogbe.
Esta pessoa deve ir e sacrificar para sua Ori.
Como Òrìsá predisse.
Eji Ogbe, Ambos os Ogbe.


1.      Um dos nomes de louvor de Ifa.


2.      Koso, Irawo, Ado, Ira, Oje, Egun, Iworo, Erin, e Olufon são as cidades associadas com estas deidades.