segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Eewò - O instigador.





O quebrador de tabu, Eewó convidou e abriu a porta para os Ajogun (adversários) entrarem vida de alguém.
Convidar os rivais de Ire (sorte) na vida de uns é a função que Eewo (Eewo é uma divindade) realiza. A quebra de Eewó pode ter consequências rápidas, como pode levar semanas, como pode também se tornarem fatais se não forem visto a tempo. Muitas vezes as pessoas se perguntam o porquê de tantos problemas ocorrendo juntamente com doenças, ou as coisas que são faladas em uma divinação recente não acontecem (é previsto uma bênção e ela não ocorre). Em seguida, questionam sobre o conhecimento ou mesmo a competência do adivinho, alguns até perguntam por que uma sorte vista no jogo não se manifesta ou leva muito tempo para se concretizar e também, por que uma força negativa (Ajogun) ocorre na vida dele?

Isto às vezes pode ser causado pela questão do Eewo ou tabu.

Definição:

1. Proibido de ser usado, mencionado, ou, se aproximar por uma questão social ou cultural.
2. Algo que é separado por que é sagrado e ao mesmo tempo proibido de ser usado
3. A proibição de determinados tipos de comportamento ou linguagem, porque são considerados inaceitáveis.
4.. Um tipo de comportamento ou um assunto que é proibido ou reprovado porque é considerado inaceitável.
2. Comentar coisas particulares de pessoas, ou tipos e roupas sagradas, e portanto, proibido de serem usados.

Ifá nos ensina que a quebra de eewo pode ter profundas implicações na vida e abrirá a porta para todos os tipos de negatividades.
Eewo pode tornar você muito mais vulnerável que a própria tentação ,que você está tentando evitar.
Esta quebra de Eewó também inclui os sacerdotes, como pode reduzir-nos o nível espiritual.
Eewó não são apenas comidas, mas lugares, pessoas ou coisas.
Pode ser tão simples como perder a paciência com alguém ou de reagir de uma maneira que te colocará em oposição à mensagem que o oráculo (Ikin, Òpèlè, Erindinlogun -búzios- ou Obi) lhe aconselha.
Também pode ser a falta muito sutil de mostrar o devido respeito aos mais velhos, professores ou qualquer posição dentro da hierarquia da nossa tradição.
Considere quebrar os tabus comparando a se expor a um vírus de gripe sem as precauções apropriadas, tais como: comer saudavelmente, hábitos de repouso e higiene pessoal. Vírus estão por toda parte e precisamos tomar cuidado para evitarmos ser atingido por eles. Mesmo que todos os Ajogun estejam em torno de qualquer um de nós, podendo a qualquer momento atacar, devemos tomar precauções.
É verdade, nosso Ori, Antepassados, Irunmolé e Òrìsà, iram nos proteger, mas até certo ponto, porém as precauções necessárias ainda precisam ser tomadas. Não se pode menosprezar os Eewó dos demais, menosprezando as prevenções que eles tomaram, deve-se ter senso comum e equilíbrio, não se deve tripudiar. No Odu Ifá, Ika’Ofun, Ifá diz que só porque alguém fez cerimônia Itefa (iniciação ao culto de Òrúnmìlá) não lhe dá o poder de pular em um rio caudaloso e profundo sem saber nadar!
Também em Eji Ogbe (Eji Onile) Ifá diz: agora que você "subiu ao topo da Sagrada Palmeira, não solte suas mãos" o resultado final em ambos os casos pode ser desastroso .
Deve-se respeitar o tabu e usar o bom senso, se alguém sabe o que é venenoso, então essa pessoa deve fazer esforços para evitá-lo.
O mesmo se aplica à questão das relações pessoais e assuntos íntimos, isto é verdade, ainda precisamos usar o sentido, mesmo em assuntos do coração, ou seja, ao se envolverem em um relacionamento, ambos os sexos devem reconhecer as divindades que residem dentro de nós e acabar com a "visão invertida", que parece ser muito prevalecente na nossa comunidade.
A relação deve ser sincera, comentário difamatório e traição não têm lugar dentro da relação e para todos os efeitos devem ser considerados como Eewo e punível por Ifá. Um Odu Ifá ao lidar com a questão do tabu diz:
É a tartaruga, que acorda e coloca a bandeja de Ifá em sua cabeça
O caracol, é ele que viaja e usa sua casa como sua carga.
A formiga preta mascarada é a que sai em seus trajes voando.
Estes foram os Babalawo que lançaram Ifá para Olodumare depois de criar o mundo e atribuir os parâmetros para operá-lo, Olodumare fez do Eewò (tabu) um de seus reis.
Se submeter à iniciação do sacerdócio, sem o ser, acabará por prejudicá-lo.
Por favor, mais difícil é reconhecer tabu (para sustentar a vida).
O fardo mais delicado de todos eles (para observar).
É tabu matar pessoas no mundo.
Eles acusavam a morte falsamente.

Ifá diz que seu sucesso na vida, a sua capacidade para alcançar sucesso, felicidade e boa saúde depende inteiramente do quanto você é capaz de reconhecer e evitar os tabus.
Se você escolhe realizar sua própria iniciação com qualquer sacerdote, muito de como você vai viver sua vidas depende da observância destes tabus.
Temos a capacidade, através de nossos meios para nos comunicar com as divindades para identificar nossos próprios tabus, mas devemos saber o caminho e como caminhar, perceba que são duas coisas muito diferentes. Sublinhando o modo como vivemos nossas vidas, o que fazemos na vida e quem somos, é a chave.
A posição que ocupamos na vida, é apenas uma nota de rodapé à questão muito maior.
Em conclusão, na jornada da vida consideramos as atitudes potenciais de quebrar um tabu. Quando você conhecer seus próprios tabus pessoais, deve-se fazer esforços para observá-los. Fazer a sua iniciação em Ifá ou Òrìsà é apenas uma parte disto, mesmo tendo adivinhações ordinárias e ouvido as mensagens, tudo isto é apenas uma parte de todo o quadro, o que vem no caminho ou não, é subjetivo e relativo à execução de sacrifício pleno e completo. Neste caso estou me referindo ao ebó da observância pessoal e do ajuste pessoal.
As mensagens da Divindade e realização do sacrifício, é a vigilância que deve ser lançada sobre o Eewò (tabu). Estude sua vida, aprenda e domine seu próprio Odu (o jogo que foi feito durante a sua iniciação trás esta informação), faça uma autoanálise profunda e incorpore as mensagens das Divindades em sua rotina diária e hábitos, isso vai ajudá-lo a viver bem e em conformidade com o seu próprio destino. É Eewo quem convida todos os Ajogun (forças negativas) para a vida daqueles que podem puxar o gatilho dos obstáculos de sua vida.

Awoyinfa Ifáloju

domingo, 18 de setembro de 2011

A estupidez, a ignorância, a negligência e a teimosia.


Orunmila descobriu que muitas pessoas estavam morrendo em sua tenra idade. Ele descobriu que muitos morreram de doença envenenamento, afogamento, suicídio, maus desígnios de acidente diversos e assim por diante. Ele então decidiu ir e descobrir quais as causas dessas mortes não naturais. Por esta razão, ele foi consultar Ifá. Ele queria saber se era possível saber a causa de mortes não naturais que estavam matando os seres humanos. Foi-lhe dito que ele iria ver a causa e que os seres humanos eram os que provocavam as mortes. A Orunmila foi dito que não houve morte no céu e que a morte estava aqui na terra. Ele foi convidado a oferecer um sacrifício de três bodes adultos para propiciar Ifa. Ele obedeceu. Ele então começou a observar as atividades humanas.
Durante suas observações, ele descobriu que todas as mortes foram causadas por quatro fatores principais: a ignorância, a estupidez,o descuido e a teimosia. Ele descobriu que se os seres humanos pudessem evitar todos estes fatores de morte prematura, eles viveriam muito tempo na terra.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Cultura africana: do velho e do novo.



Trad. Ieda Machado Ribeiro dos Santos

Podemos ainda achar nosso caminho para os ancestrais que são uma parte vital do nosso humanismo.

A nossa religião merece o mesmo respeito que qualquer outra. Se existe homem que adora santo de madeira feito por ele, eu adoro a pedra, o santo negro que é a natureza.

O Candomblé é uma religião e não um folclore.
Por: Femi Ojo-Ade

Antes de mais nada, cultura está sendo definida aqui no seu sentido mais amplo, como a essência de uma comunidade, o elemento que faz pela sua existência na Mãe Terra. Citando uma comunicação minha anterior: "O modo pelo qual as pessoas vivem é sua cultura, a totalidade das suas crenças, códigos de conduta, técnicas, todos os elementos necessários a existência e sobrevivência em uma estrutura social".
Cultura é todo um modo de viver, incluindo o material, intelectual e, sobretudo, o espiritual. De fato, no que diz respeito a África, opiniões sobre a essência cultural têm, por demasiado tempo, flutuado entre os dois extremos, a noção da nulidade, por um lado, e a afirmação absolutista da sua qualidade quintessencial, do outro.
Naturalmente, depende da opinião expressa. Num lado, os conquistadores, todo-poderosos colonizadores, e sua obstinada missão civilizadora, firmemente decidida a reduzir o ethos africano as reações.
instintivas dos selvagens. Do outro lado, infelizmente, como uma reação à agressão do outro, estão os defensores da África, proclamando uma espécie de monolito paradisíaco ou melhor, idílico.
Se o primeiro ponto de vista é escandalosamente falso e racista, o segundo não é menos escandaloso na sua natureza simplista, superficial; porque ambos, na realidade, terminam por alcançar o mesmo objetivo: provar que a cultura africana é exótica, fora-deste-mundo, carente de dinamismo para se adaptar a qualquer cultura vivente.
Pode soar inacreditável, mas, na verdade, os próprios africanos têm, conscientemente ou não, ajudado e propiciado a situação, passada e presente, de confusão e degradação cultural.

Muitos africanos não sabem, ou se recusam a reconhecer que seus ancestrais tinham uma religião antes da vinda do colonizador.

A história nos colocou em desvantagem e, em vez de procurar virar a mesa contra o opressor, muitos de nós têm escolhido o caminho mais fácil, tentando galgar a escada qualitativa erigida pelo que se diz civilizador. É desta posição de desvantagem e de desprivilégio, de despossuídos e de pobres diabos, que somos compelidos a encarar
o mundo, sempre em comparação com o Outro, considerado superior.
Assim, velho é definido como arcaico, retrógrado, estéril, inferior, miserável, primitivo, feio; e o novo, como avançado, bonito, excepcional, infalível, proeminente, universalmente superior. Que seja testemunha a concepção de tradição e modernismo: a primeira é supostamente um estado quase bestial e o segundo um contínuo processo de descobertas maravilhosas e invenções pelos seres superiores, correndo, cada vez mais próximos, em direção aos deuses estabelecidos longe da África. Contudo, na África, velho conota sabedoria e profundo conhecimento, respeito, gentileza, comunidade e continuidade.
Nesta conjuntura, o novo não é desrespeitado. Sua potencialidade para o progresso e para o aperfeiçoamento do velho é reconhecida, e sua contribuição para a sobrevivência da comunidade é bem recebida.
O velho e o novo devem, pois, caminhar juntos, cada um dando e recebendo do outro, no perfeito reconhecimento de que somente esta reciprocidade e compromisso farão com que a cultura sobreviva e cresça.
Agora, se examinarmos um pouco mais as definições de velho e novo impostas sobre nós, veremos que elas abrangem a totalidade da nossa existência. Abordaremos dois aspectos nesta discussão, o nacional e sócio-político e o religioso. Os filhos de África, levados através do oceano para a diáspora, foram levados a crer na mentira
de que suas vidas no Novo Mundo seriam muito melhores do que no velho. Vários estudos sobre a escravidão7 demonstraram qué uma das inumeráveis invenções desafricanizadoras era a propaganda sobre a selvageria continental; o escravo teve a chance de se tornar civilizado enquanto que o africano, deixado na África, era destinado a morrer na sua selva, devorado pelos animais ou pelos seus companheiros de selvageria. Mesmo anos depois da abolição da escravidão, muitos africanos do Novo Mundo temiam ser classificados como africanos, não obstante os slogans de africanidade.
Aquilo que o poeta martinicano Aimé Césaire lamentava sobre as relações Caribe-África, em 1972, é ainda verdadeiro hoje, uma terrível complementação da civilizada desumanização da raça negra pela Europa. Essencialmente, temos que reconhecer que a Inglaterra está eternamente presente na mente dos seus ex-colonizados, enquanto que a imagem da França está gravada indelevelmente na mente dos seus protegidos francófonos. Eis a declaração de Césaire:

Não há, absolutamente, nenhuma diferença entre a educação dada na Martinica
e a que é dada na França. É exatamente o mesmo programa (...); não há tentativa alguma de adaptação ... Conseqüentemente, os caribenhos sabem da África o que os franceses sabem da África. Naturalmente, desde então, novos laços foram estabelecidos; martinicanos foram a França, encontraram algerianos, conheceram africanos ...8

Enquanto se pode concordar com Césaire que houve alguma mudança para melhor, nota-se, tristemente, que tal melhoramento permanece esporádico e superficial, restrito, como é, a nós, da entrincheirada classe média, que goza do privilégio de viajar pelo mundo inteiro, para encontros que ocorrem nas capitais da civilização. Muito da culpa pela falta de laços culturais deve ser posta nos africanos, uma vez que, em nossa cultura, cabe aos mais velhos dar o primeiro passo e o exemplo a ser seguido pelos mais novos.
Se as condições sócio-políticas são lamentáveis, as realidades religiosas são ainda piores, pelo menos a nível oficial. Tanto na África quanto na diáspora, a Cristandade é particularmente forte e, de mãos dadas com o Islã, escravizou a mente da maioria das pessoas.
A religião, isto é, o espiritual, os assuntos da mente, a psicologia da sociedade, sua fonte de força, deve ser vista da perspectiva dos africanos, para que tenha algum sentido. Hoje, a religião, como um aspecto da cultura, tornou-se a vergonha da África. No debate cultural global, nossas religiões têm sido invalidadas pelo fracasso dos
nossos expoentes em viver a sua cultura, e não estamos poupando nenhum desses falsos apelos políticos, feitos frequentemente por líderes mentirosos, dos palanques ou dos palácios presidenciais. Na África, a religião sempre foi um fato básico da vida. As forças invasoras da civilização, a despeito da sua tendência a chamar de selvagens todos os povos que rejeitassem o seu Cristianismo, reconheceram a
presença da fé e da adoração entre suas vítimas. Nas cerimônias e nas festividades, em ocasiões especiais ou cotidianas, a solenidade da religião é notável. O tema a ser tratado é muito perturbador e potencialmente perigoso para qualquer possibilidade que tenhamos de salvar a nossa cultura. O que aconteceu com a Áf'rica marcada
pela fé ancestral em Deus e no ser humano? Serão 09 crentes em nossa Tradição meros retrógrados da Idade da Pedra? Quais são as perspectivas para o futuro?
Nenhuma ocasião é mais oportuna para discutir o assunto total do nosso dilema cultural que este Congresso, ocorrido quase uma década depois do memorável início em Ile-Ifé (1981), uma década (1990) antes da raça humana entrar num novo século, e em São Paulo, centro maior de uma vasta comunidade de filhos exilados de África. Embora estejamos aqui para celebrar, devemos lembrar que, dentro da cultura, a celebração vai além da dança e cio exibicionismo folclórico; que é, de fato, um tempo para reflexão e para nos reenergizarmos, como foi, para a miríade de ameaças que devemos encarar, de dentro e de fora, sabendo que já percorrenios'um longo caminho, mas que há muito, ainda, a percorrer. "O Cândomblé", como diz Mãe Stella da Bahia, "é uma religião e não um folclore".


Ezekia Mphahlele, Afrika my music, Johannesburg, Havan, 1984, p. 209.
A saudosa Mãe Menininha, de Salvador, Bahia, em entrevista publicada em A Tarde,
18 out. 1987, no artigo "A luta pela libertaçãon, cad. 2, p. 2.
Mãe Stella, de Salvador, citada no artigo "Folclorizaçáo do culto preocupa ialonxá",
Tribuna da Bahia, 16 out. 1987.
Declaração de general francbs do s6culo XIX, citado em Christopher Harrison, France
and Islam in West Africa, Cambridge, Cambridge University Presa, 1988, p. 73.
On black culture, Ile-If6, Obafemi Awolowo University, 1989, p. 4.

Ojo-Ade, op. cit., p. 98.

Por exemplo, vide Michael Craton, Testing the chains, Ithaca, Cornell University, 1982;
C.L.R. James, Tlze black jacobins, slp, Vintage Books, 1963.
Apud L. Kesteloot & B. Kotchy, Aimé Césaire, l'homme et i'oeuvre, Paris, Présence
Africaine, 1973, p. 224.

Intolerância Religiosa provoca centenas de mortes.

É com grande pesar que informamos a destruição dos Templos de Sàngo e Òyà na cidade Óyó, Nigéria. Guerras religiosas e enfrentamentos entre muçulmanos, cristãos e cultuadores de òrìsá vem provocando perdas de vidas, mutilações e perdas materiais em várias cidades deste país. Informações nos chegam informando que o Festival de Sàngo, tradicionalmente realizado em Óyó, foi realizado na cidade de Osogbo, por falta de segurança para seus participantes. Esta intolerância que vagarosamente vem crescendo com o incentivo e complacência de autoridades publica e religiosas em nosso pais precisam de reflexão e ponderação de todas as partes envolvidas. Católicos,  espíritas e espiritualistas viveram décadas neste pais em perfeita harmonia e tolerância, hoje vemos vilipendiação e profanação de templos religiosos, agressões físicas e verbais, ataques em redes sociais e afins. Hoje neste espaço pretendemos não discutir liturgia e dogmas de nossa religião, mas a convivência diária e obrigatória entre contrários, se assim podemos nos denominar, o radicalismo religioso e o fanatismo podem nos jogar em um abismo sem volta, o estado Laico que este pais diz seguir é uma hipocrisia sem fim, onde vemos crucifixos em repartições publicas, capelas em hospitais públicos, cemitérios monopolizados pela igreja católica, não podemos enterrar nosso povo nas área geográfica de nossos templos. Enfim, temos uma serie de barreiras que podem e devem ser derrubadas, porém a burocracia, a má vontade e a segregação religiosa enrustida, nos proíbem de forma cabal e dissimulada. Temos um exemplo vivo do ‘eu posso, você não pode’, que podemos apontar como uma forma de preconceito.Temos que nos unir aos desprovidos de qualquer tipo de ressentimento e preconceito para evitar este enfrentamento, que dia menos dia virá. Não tem cabimento esta intolerância por questões religiosas, crenças ou modo de vida. Muçulmanos, budistas, católicos, cristãos, umbandistas, candomblecistas e outros tantos que entram para a vida religiosa com o propósito de servir ao próximo, se perdem nas homilias raivosas, nas criações de inimigos que até então nuca existiram, vão acabar criando um monstro sem forma.
Que as forças do ALTO nos de súùru (paciência) e tolerância em nossas mentes para que possamos viver em paz por muitos séculos.
Olodunmarè Obayíya Ki ba se o.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Porque não pode assoviar?!

Esù

Esù é o Dono do Assovio e assoviar é provocá-lo. Seus assovios são intempestivos e penetrantes de tal maneira que assustam os velhos, que estes não se atrevem jamais a assoviar, com medo que Esù responda. É ele quem assovia nas paragens desertas e nas casas abandonadas, como se sabe, a noite é o domínio de “entidades” de todos os tipos, mas durante o dia há horas perigosas que convém levar em conta: o meio-dia e às seis da tarde, quando vagam algumas “entidades” durante alguns momentos e nestes horários Esù abandona as portas e as casa ficam sem defesa, se assoviarem durante este período, qualquer um destes poderá entrará na casa... Esta é a razão pela qual se verte água na porta da rua e ninguém deve entrar ou sair de uma casa nestes horários. A meia-noite a pior de todas as horas, já transitam Egungun, Èsù e Àjés com toda liberdade, então em hipótese alguma assovie, sobre tudo em altas horas da noite... Esù está difundido por todas as partes “em uma rede numerosa”, todos se comunicam entre si, se enganam mutuamente – “o Esù da porta, quando recebe a oferenda de um animal destinado somente  ele, dá um jeito de afastar o Esú da esquina” - ou se solidarizam uns com os outros por vingança. O que guarda a porta confabula com o da esquina, o da esquina com o dos quatro caminhos, o dos quatro caminhos com o da floresta e assim sucessivamente... Desta forma é necessário que o da porta esteja satisfeito, “que seja ofertado antes de todos” conforme dispôs Olófin, segundo certas versões de Ifá e de acordo com outras, para que não atrapalhe a trajetória normal da vida e para que este Esù não assovie para o Esù da esquina, o encrenqueiro e revoltado, o qual, por sua vez, não assoviará para o Esù dos quatro caminhos e este, para o Esù da Floresta e assim por diante... Se o da porta assoviar e se eles acudirem a seu chamado, todos se introduzirão numa casa e nela ocorrerá alguma tragédia lamentável. “Para aquele que assovia, todos os Esù entendem que lhe estão chamando para adentrar a casa e a pessoa padece as conseqüências... É essencial contentar Esù e não provocá-lo com assovios ou com qualquer outro tabu... Emboscados em cada caminho, dispões de nossa vida em todos os momentos, pode jogar com ela como bem entender. Dono das chaves que “abrem e fecham os caminhos e portas”, do Além e da Terra, aos Deuses e Mortais... e as abre e fecha à sorte e à desgraça, segundo seus caprichos... embora pequeno, temos de considerar Esù, sem discussão, o mais temível dos Òrìsà... Então para minha felicidade... eis que surge uma nova pergunta: Baba! Então porque Òsányín assovia? Este direito lhe é concedido porque Òsányín pertence à família de Esù. Embora parente não seja e de forma alguma um “caminho de Èsù” e sim uma Divindade totalmente distinta, assim como Ale “o inventor da aguardente” também pertence a esta família, mas não é Esù. Se por um descuido você assoviar na mata se apresentarão Òsányín e Esù e a eles você deverá prestar conta do chamado... deixe esta prática de assoviar na floresta para os caçadores e admiradores de pássaros silvestres.

Por: Baba Guido.

Osogbo – O reino de Òsún

Ilè Òsúm - Osogbo

A festa anual das oferendas a Òsún, realizada em Osogbo na Nigéria é uma re-atualização do pacto que o primeiro rei local contraiu com o rio do mesmo nome.
Laro”, o antepassado do atual rei, depois de prolongadas atribulações procurando um lugar favorável onde pudesse instalar-se com seu povo chegaram ao rio Osun, onde a água corria permanentemente.
Segundo se conta alguns dias mais tarde uma das filhas desapareceu nas águas quando se banhava no rio e, passado algum tempo, delas saiu, esplendidamente vestida. Declarou aos seus pais que fora admiravelmente recebida e tratada pela divindade que ali morava.
Laro foi fazer oferendas de agradecimento ao rio. Muitos peixes, mensageiros da divindade, em sinal de aceitação, vieram comer o que o rei jogou na água. Um peixe de grande tamanho veio nadar perto do lugar onde ele se encontrava e cuspiu água.
Laro recolheu essa água em um cabaça e bebeu-a, celebrando assim um pacto de aliança com o rio. “Em seguida estendeu as mãos e o grande peixe saltou nelas e assim assumiu o título de ATAOJA, contração da frase Ioruba. A lewo gba eja” (aquele que estende as mãos e pega o peixe)
A partir disso ele declara “ Osun gbo “, isto é, ( Òsún encontra-se em estado de maturidade, suas águas sempre serão abundantes.)
Daí originou-se o nome da cidade, Osogbo.
No dia da festa "Odun Òsún" o Ataoja vai com grande pompa até o rio. Leva na cabeça uma coroa monumental feita de pequeninas contas. Usa um pesado traje de veludo e caminha com gravidade e calma, rodeado por suas esposas e dignitários.
Uma filha do “Ataoja” carrega nessa procissão anual, uma cabaça de Osun. Ela tem o título de “Arugba Osun” (aquela que carrega a cabaça de Òsún) e só pode exercer essa função antes da puberdade.
Ela representa a menina que desapareceu outrora no rio. Sua pessoa é sagrada e o próprio Ataoja inclina-se diante dela.
O Ataoja vai sentar-se numa clareira e acolhe as pessoas que vieram assistir à cerimônia. Os reis e chefes das cidades vizinhas comparecem ou enviam seus representantes. A todo o momento chegam delegações precedidas por orquestras. Troca de saudações, prosternações e danças, como marca de cortesia recíproca que se sucede em crescente animação.
No final da manhã, o Ataoja, acompanhado de sua corte e convidados aproxima-se do rio Osun e manda jogar nele, através da Iya Osun e do Aworo, oferendas de comidas: “agidi”(massa feita de milho), inhames cozidos,”iyanli”(espécie de sopa) etc.
Os peixes disputam as comidas sob o olhar atento das sacerdotisas de Osun.
 A seguir o Ataoja vai ao recinto de um pequeno templo vizinho e senta-se em cima da pedra (Okuta Laro) onde seu antepassado Laro repousou outrora.
O Ataoja está rodeado pelos dignitários do culto de Osun:
Iya Osun, a mulher que se encontra à frente das sacerdotisas.
Aworo, o homem que se encontra à frente dos sacerdotes e seus substitutos.
Jagun Osun, a mulher guerreira de Osun.
Balogun Osun, o guerreiro de Osun.
Ololigan Osun, o homem que se encontra à frente de todos aqueles que fazem oferendas a Osun.
Iyalode Osun, à mulher que se encontra à frente de todos os adoradores de Osun, com exceção dos “Iworo”.
Iyangba Osun, a mulher que, a cada quatro dias, vai procurar água pra lavar os seixos de Osun.
Akun Yungba Osun, chefe dos cantores do culto a Osun.
Prosseguindo ao cerimonial da festa a “Iya Osun e o Aworo” realizam a adivinhação para saber se a divindade ficou contente com as oferendas que acabam de fazer-lhe e se tem alguma vontade a exprimir.
A seguir as pessoas cantam em torno do Ataoja, sentado na OKUTA LARO. “Seguem-se então cantigas em louvor a Osun seguido de cânticos em comemoração a ação de ““ Osanyin” cujas palavras evocam as virtudes simbólicas de certas folhas.
Iroko, que produz calma.
Ogege a árvore na qual se sobe pra ficar protegido.
Odundun, sempre fresca.
A parte religiosa pública chegou ao fim. O Ataoja, seguido pela multidão volta à clareira onde recebe seus convidados e os trata com uma generosidade digna da reputação de Osun.
Fora desta data anual são feitas oferendas a Osun a cada quatro dias ( semana yoruba ).
A festa anual ( Odun Osun) retorna portando a cada noventa e duas semanas yoruba, perdendo um dia em cada ano solar normal e dois dias a cada ano solar bissexto.
O Ataoja, referindo-se a deusa Osun diz :
“ O povo de Osogbo e o Ataoja tem um pacto com o rio Osun. Eles acreditam que o espírito de Osun mora no rio Osun e tem ali seu palácio, em lugar próximo de Osogbo. Pensam também que todos os lugares profundos do rio Osun, a partir de “Igede” onde ele nasce até a laguna de “Leke” onde ele despeja suas águas, são habitados pelos espíritos de todos os seguidores, servidores e amigos quando ela vivia.
Esses lugares profundos recebem a denominação de “Ibu”.
Finalizando diz: Todos os rios tributários que deságuam no rio Osun são os dedos da deusa e todos os peixes que nele existem, bem como em seus afluentes são os mensageiros de Osun.
Os tesouros de Osun são guardados no palácio do “Ataoja” templo este que fica situado nas proximidades do rio Osun.

 
fonte.: http://www.rulers.org/nigatrad.html
Texto.: Notas sobre o culto aos Orixás e Vodoos
Pierre Fatumbi Verger