terça-feira, 14 de junho de 2011

O EFEITO DAS OFERENDAS SACRIFICAIS EM NOSSAS VIDAS.


Nos dicionários usuais, a definição de “sacrifício” é oferenda de alguma coisa para uma divindade.
Um ato de abnegação em favor de outrem, privação de uma coisa muito apreciada, por cobiçar uma coisa valiosa ou por um pedido de máxima urgência.
Assim diz Addison: “Se tu preservas minha vida, teu sacrifício poderá ser...” Sejam quais forem os desejos pessoais tidos no céu ou na terra, envolvem algum sacrifício ou entrega de alguma coisa. A vida não transcorre apenas com lucros. Também envolve doação, por isso se diz que a vida é um processo de doar e receber.
O sacrifício mais simples que alguém pode fazer por algo é o tempo. Sacrificar tempo e esforço seja na quantia que for sempre é tido como válido, obviamente em simples comparação ao pedido, pode envolver sacrifícios de vaidade humana e de independência. Quantas coisas alguém pode ganhar de outrem sem implorar por isto, subornando ou fazendo alguma compensação a gratificação maior, tendo mesmo até que comprometer sua palavra em adiantamento.
Quando existe, portanto a necessidade de realização de um desejo ou pedido de proteção de uma divindade, um grande sacrifício é exigido. Não é suficiente merecer pedir por tais benefícios ou favores. Envolve obrigatoriamente sacrifício físico. Há sacrifícios envolvendo a oferta de objetos animados ou inanimados.
Quando alguém solicita algum tipo de progresso ou de lucro, isto envolve alguma espécie de investimento, assim como um fazendeiro que sacrifica parte de suas sementes para a plantação no ano seguinte, a fim de colher uma safra no final do ano, ou então um negociante que investe suas economias ou seus fundos de empréstimos em seus próprios negócios a fim de receber os rendimentos que irão satisfazer as suas necessidades recorrentes.
Desta forma, se alguém se comporta bem na divinosfera, receberá deles o necessário, o que irá facilitar no pedido de auxílio a outrem. Por isso, o último recurso na religião de Ifá é fazer um sacrifício.
Ọrúnm.lá diz que sacrifício é resgate, quaisquer que sejam os problemas, pode se dispor de algum tempo para solucioná-los ou para se dedicar a algo que venha a criar crédito, assim quando houver a real necessidade de fazer um sacrifício de acordo com o oráculo e o fizer prontamente, haverá a confiança de uma assistência.
Ọrúnm. lá revela que antes de alguém partir do céu para o mundo, ele aconselha a conseguir autorização das divindades orientadoras. Se a pessoa aceitar o conselho dado para fazer o sacrifício, certamente encontrará uma estadia tranqüila no mundo. Mas se ele se recusa, a menos que faça o sacrifício depois de sua chegada ao mundo, ele estará propenso a ter problemas na terra.
Nós veremos nas vidas dos 256 Ọdus e Olodus, que virtualmente todos eles foram avisados a fazer sacrifícios antes de deixarem o céu. Nós também veremos o que aconteceu com aqueles que fizeram o que foi recomendado, assim como para aqueles que falharam em fazê-lo.
Todos esses sacrifícios envolvem a oferta de um ou mais bodes para Èşu, que pode ser muito útil para aqueles que fazem oferendas para ele e trazer a destruição da sorte daqueles que se recusam a fazê-lo. Esse é o motivo pelo qual algumas pessoas se referem a ele como a divindade do suborno, porque ele não auxilia a ninguém gratuitamente.
A diferença fundamental entre Ọrúnm.lá e as outras divindades é que de certa forma na época em que eles foram criados por Deus, ele foi o único que reconheceu os poderes destrutivos de Èşu e concebeu uma estratégia para ter uma harmonia com ele. Esta estratégia foi o sacrifício, ele compreendeu que Èşu estava interessado apenas em reconhecimento e comida. Èşu freqüentemente diz a Ọrúnm.lá: “Meu amigo é aquele que me respeita e alimenta, enquanto que meus inimigos são aqueles que desrespeitam e me fazem passar fome. Eu nem tenho uma fazenda ou um negócio
próprio. “Minha fazenda é o universo e minhas mercadorías são as criaturas de Deus.”
Veremos mais adiante que ele é capaz de se infiltrar e mutilar qualquer coisa criada por Deus. É por este simples reconhecimento do poder dele e como ele tem feito uso disto para sua própria vantagem, que Deus nomeou Ọrúnm.lá “Alguém que é sábio e sensato”.
Oyekumeji revelará adiante como a vida de um homem chamado Odo Agutan (o pastor celeste) ou (JewÈsùn como Ifá o chama) teve uma vida curta na terra por conta de sua recusa em fazer as oferendas a Èşu antes de sua partida para a terra. Depois dando lhe nova chance de mudar sua opinião, por fim Èşu se infiltrou no seu rebanho e pôs fim a sua vida. Isto é a despeito do fato que quando JewÈsùn foi diante de Deus para fazer seus pedidos para a estadia na terra, ele se comprometeu em viver fisicamente no mundo por cem anos, e jurou que durante aquele período ele
estaria indo para liquidar qualquer vestígio do mal e da mão de Èşu da face da terra.
Mesmo assim ele foi advertido em fazer sacrifício para Èşu, o qual ele recusou enfaticamente a fazer, por que ele não podia imaginar a lógica de fazer um sacrifício para um vilão que ele estava indo combater. O resto da estória é história e as forças do mal continuam a ter sucesso na face da terra.
Estas afirmações não são suficientes para sentenciar Èşu como o “demônio”; que não faz o bem, ele pode ser um dispersador de boas novas, dependendo da atitude de alguém para com ele.
Da mesma forma, na vinda para o mundo, ao homem é exigido fazer ainda mais sacrifícios para tudo o quanto ele desejar ter. Veremos que nenhum problema na vida pode resistir à eficácia do sacrifício fornecido e feito pontualmente, veremos também a vida das pessoas que após recusar fazerem os sacrifícios iniciais, foram obrigadas a fazê-los em dobro quando se viram entre o demônio e o profundo mar azul.
Há tendência de se pensar freqüentemente que um sacerdote de Ifá que recomenda sacrifício com animais como cabritos, carneiros ou bodes, simplesmente quer uma desculpa para ter carne para comer à custa de um consulente desamparado. Longe disto! Qualquer sacerdote que recomende mais sacrifício do que é ordenado por qualquer motivo, pagará por ele dez vezes mais. Do mesmo modo, Ọrúnm.lá igualmente recomenda aos seus sacerdotes a usar o seu próprio dinheiro para
financiar sacrifícios para consulentes demonstravelmente destituídos. Ele apregoa desta maneira que os sacerdotes serão recompensados dez vezes. Veremos de Ofun Ogbe, como Ọrúnm.lá usou seus próprios materiais e dinheiro para fazer sacrifício para Oríşá N’La e como ele foi conseqüentemente compensado duzentas vezes.
Existem dois sacrifícios principais os quais não podem ser negligenciados, são para Èşu e para Ògún. O escritor tem visto pessoas a quem foi recomendado fazer sacrifício assim para Èşu, mas recusaram e apenas poucos dias depois passaram por grandes dificuldades.
Um jovem foi avisado a dar um bode a Èşu a fim de evitar ser preso por um delito que ele não cometeu. Ele não se recusou a fazê-lo, mas prometeu ao sacerdote de Ifá que faria quando recebesse seu salário no final do mês. O sacerdote preveniu o jovem de que o perigo previsto no oráculo era muito iminente para o sacrifício poder esperar. O jovem que também era um homem (Aladura) me contou á parte, que sua igreja tinha visto a mesma coisa para ele, mas que ele tinha sido avisado para oferecer um jejum e orações especiais.
O sacerdote de Ifá, um homem muito velho em seus 90 anos, contou lhe que se ele mesmo tivesse o dinheiro, faria por ele, deste modo ele poderia indenizá-lo no final do mês. O escritor também se ofereceu para ajudá-lo, mas como o homem orgulhoso cujo pedido é lei, preferiu esperar até receber seu próprio salário.
Exatamente três dias depois, uns batalhões de policiais armados invadiram a casa na qual o jovem morava, na busca de um ladrão armado. Todo mundo sabia que o jovem não tinha histórico de comportamento criminoso. Mas ele foi inadvertidamente arrastado pelos policiais e levado embora.
Ele ficou em detenção por 23 dias. Tão logo o escritor foi informado do incidente, ele viajou ao Benin par informar a mãe da vítima sobre o sacrifício que ele tinha sido recomendado a fazer. O escritor finalmente financiou e o sacrifício foi feito rapidamente. Três dias depois de o sacrifício ter sido feito, o jovem foi solto, após o verdadeiro culpado ter sido capturado. Uma mera coincidência alguém poderia imaginar.
Há também o caso de outro homem que foi avisado pelo sacerdote de Ifá a oferecer um galo e um cão a Ògún pelo oráculo, ele fez num sábado de manhã. Foi recomendado a ele não viajar a lugar nenhum antes de fazer o sacrifício. Ele deu dinheiro a sua esposa para comprar o material sacrificial e foi visitar um amigo. Na casa deste amigo ele recebeu a notícia de que a mãe de seu amigo estava seriamente doente em uma vila chamada Igousodin, mais ou menos a 16 km de Benin. Esquecendo o aviso que tinha sido dado e antes de fazer o sacrifício, decidiu conduzir o seu amigo em seu próprio veículo até a vila de sua mãe.
No caminho para a vila, ele encontrou um cortejo fúnebre, e ele dirigiu no meio da multidão, matando dois dos oficiantes do funeral. Seu carro não foi apenas queimado, como foi linchado para morrer. Estas lembranças são dolorosas, porque a vítima infeliz era um amigo querido.
De igual importância é o sacrifício para seu próprio guardião (Eleeda ou Ehi). O próprio guardião de alguém é um pouco mais paciente e favorável. Entretanto todo sacrifício que alguém é recomendado a fazer para ele deve ser feito até se implicar em empréstimo de dinheiro para fazê-lo.
O guardião não pede sacrifício a não ser que tenha um motivo para usar o sacrifício para satisfazer a outra divindade cuja proteção não pode ser angariada facilmente. Quanto a não alimentar o anjo guardião de alguém com os sacrifícios prescritos, equivale a sua própria inanição.
O guardião é o conselheiro de alguém e advogado na divinosfera.

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