quarta-feira, 22 de junho de 2011

COMO ALGUÉM PODE ENTRAR EM CONTATO COM ỌRÚNMÌLÁ.


A filosofia de Ifá (Ifismo) não tenciona ser uma religião universal em termos de arrastar partidários e convertidos. O fundamental do Ifismo é unir os reencarnados e descendentes dos seguidores Oríginais de Ọrúnm.lá e de seus Olodus e Ọdus, todos a caminho do céu.
Não são todos que podem tornar-se um seguidor de Ọrúnm.lá, a menos que seja especificamente escolhido. Ọrúnm.lá não procura convencer ninguém a ser parte de seu rebanho.
De fato, muitas pessoas vêem a ele quando estão tendo problemas difíceis, e ele freqüentemente demonstra desta forma que não existem problemas insuperáveis. Se uma pessoa é afortunada, ela terá recursos iniciais de conhecimento se ele está realmente destinado a ser um seguidor de Ọrúnm.lá. Uma vez que uma pessoa é escolhida como discípulo, ele deverá empenhar-se em seguílo fervorosamente, por que indiferente ao partidarismo usado para atribuir muitos dos problemas a Ọrúnm.lá, mas porque seu serviço indiferente não os colocam em posição de Ọrúnm.lá poder manejar os problemas de seus seguidores efetivamente. Há uma variedade de caminhos nos quais alguém pode vir a se associar com Ọrúnm.lá.
No passado a relevância da cerimônia de nomeação para uma criança recém-nascida era para permitir aos pais saber qual o caminho a criança seguiria na vida. Oito dias após o nascimento da criança, o sacerdote de Ifá e outros videntes, que se especializaram em astrologia do recém-nascido são convidados a ler a vida da criança. Em algumas partes da África, o Ọdu que surge para a criança na cerimônia do nome será posteriormente preparado para ele como seu próprio Ifá. É a cerimônia em que Ọrúnm.lá conta aos pais o tipo de criança que eles tem, se é um Imere em Yorùbá ou Elegbe em Bini, que está fazendo uma curta passagem pela terra, apenas para deixar os pais tão logo ele se torne bem quisto por eles.
Ọrúnm.lá dirá aos pais o que fazer para prevenir o retorno da criança prematuramente ao céu. Quase invariável, Ifá é preparado para aquela espécie de criança muito cedo na vida, como um contrapeso contra a morte precoce.
Por outro lado, algumas pessoas passam por sérios problemas no curso de suas vidas. Se uma pessoa é em potencial um sacerdote de Ifá, Ọrúnm.lá pode surgir para ele em sonho ou pedir ao seu anjo guardião para revelar lhe em sonho que ele está passando dificuldade por ainda não ter descoberto a divindade que o acompanha na terra.
Se tal pessoa for alguém experiente o suficiente nos caminhos da vida, ele então vai ao oráculo onde será confirmado a ele que então irá se organizar para ter seu próprio Ifá. Há muitas pessoas que chegam a este ponto de realização apenas quando já estão entre a vida e a morte.
Tirando a ignorância, alguns neófitos que obtém alívio de seus problemas logo depois de sua iniciação no Ifismo, são tentados a concluir que Ọrúnm.lá recruta os seguidores criando problemas para eles. O que certamente deve ser um ato de ingratidão, porque Ọrúnm.lá não cria problemas para seus seguidores. É apenas quando um anjo guardião descobre no céu que seu protegido está indo experimentar certos problemas na vida, que ele apela pelo suporte de Ọrúnm.lá, a fim de ser a mão que assiste seu protegido quando os problemas acontecerem.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O EFEITO DAS OFERENDAS SACRIFICAIS EM NOSSAS VIDAS.


Nos dicionários usuais, a definição de “sacrifício” é oferenda de alguma coisa para uma divindade.
Um ato de abnegação em favor de outrem, privação de uma coisa muito apreciada, por cobiçar uma coisa valiosa ou por um pedido de máxima urgência.
Assim diz Addison: “Se tu preservas minha vida, teu sacrifício poderá ser...” Sejam quais forem os desejos pessoais tidos no céu ou na terra, envolvem algum sacrifício ou entrega de alguma coisa. A vida não transcorre apenas com lucros. Também envolve doação, por isso se diz que a vida é um processo de doar e receber.
O sacrifício mais simples que alguém pode fazer por algo é o tempo. Sacrificar tempo e esforço seja na quantia que for sempre é tido como válido, obviamente em simples comparação ao pedido, pode envolver sacrifícios de vaidade humana e de independência. Quantas coisas alguém pode ganhar de outrem sem implorar por isto, subornando ou fazendo alguma compensação a gratificação maior, tendo mesmo até que comprometer sua palavra em adiantamento.
Quando existe, portanto a necessidade de realização de um desejo ou pedido de proteção de uma divindade, um grande sacrifício é exigido. Não é suficiente merecer pedir por tais benefícios ou favores. Envolve obrigatoriamente sacrifício físico. Há sacrifícios envolvendo a oferta de objetos animados ou inanimados.
Quando alguém solicita algum tipo de progresso ou de lucro, isto envolve alguma espécie de investimento, assim como um fazendeiro que sacrifica parte de suas sementes para a plantação no ano seguinte, a fim de colher uma safra no final do ano, ou então um negociante que investe suas economias ou seus fundos de empréstimos em seus próprios negócios a fim de receber os rendimentos que irão satisfazer as suas necessidades recorrentes.
Desta forma, se alguém se comporta bem na divinosfera, receberá deles o necessário, o que irá facilitar no pedido de auxílio a outrem. Por isso, o último recurso na religião de Ifá é fazer um sacrifício.
Ọrúnm.lá diz que sacrifício é resgate, quaisquer que sejam os problemas, pode se dispor de algum tempo para solucioná-los ou para se dedicar a algo que venha a criar crédito, assim quando houver a real necessidade de fazer um sacrifício de acordo com o oráculo e o fizer prontamente, haverá a confiança de uma assistência.
Ọrúnm. lá revela que antes de alguém partir do céu para o mundo, ele aconselha a conseguir autorização das divindades orientadoras. Se a pessoa aceitar o conselho dado para fazer o sacrifício, certamente encontrará uma estadia tranqüila no mundo. Mas se ele se recusa, a menos que faça o sacrifício depois de sua chegada ao mundo, ele estará propenso a ter problemas na terra.
Nós veremos nas vidas dos 256 Ọdus e Olodus, que virtualmente todos eles foram avisados a fazer sacrifícios antes de deixarem o céu. Nós também veremos o que aconteceu com aqueles que fizeram o que foi recomendado, assim como para aqueles que falharam em fazê-lo.
Todos esses sacrifícios envolvem a oferta de um ou mais bodes para Èşu, que pode ser muito útil para aqueles que fazem oferendas para ele e trazer a destruição da sorte daqueles que se recusam a fazê-lo. Esse é o motivo pelo qual algumas pessoas se referem a ele como a divindade do suborno, porque ele não auxilia a ninguém gratuitamente.
A diferença fundamental entre Ọrúnm.lá e as outras divindades é que de certa forma na época em que eles foram criados por Deus, ele foi o único que reconheceu os poderes destrutivos de Èşu e concebeu uma estratégia para ter uma harmonia com ele. Esta estratégia foi o sacrifício, ele compreendeu que Èşu estava interessado apenas em reconhecimento e comida. Èşu freqüentemente diz a Ọrúnm.lá: “Meu amigo é aquele que me respeita e alimenta, enquanto que meus inimigos são aqueles que desrespeitam e me fazem passar fome. Eu nem tenho uma fazenda ou um negócio
próprio. “Minha fazenda é o universo e minhas mercadorías são as criaturas de Deus.”
Veremos mais adiante que ele é capaz de se infiltrar e mutilar qualquer coisa criada por Deus. É por este simples reconhecimento do poder dele e como ele tem feito uso disto para sua própria vantagem, que Deus nomeou Ọrúnm.lá “Alguém que é sábio e sensato”.
Oyekumeji revelará adiante como a vida de um homem chamado Odo Agutan (o pastor celeste) ou (JewÈsùn como Ifá o chama) teve uma vida curta na terra por conta de sua recusa em fazer as oferendas a Èşu antes de sua partida para a terra. Depois dando lhe nova chance de mudar sua opinião, por fim Èşu se infiltrou no seu rebanho e pôs fim a sua vida. Isto é a despeito do fato que quando JewÈsùn foi diante de Deus para fazer seus pedidos para a estadia na terra, ele se comprometeu em viver fisicamente no mundo por cem anos, e jurou que durante aquele período ele
estaria indo para liquidar qualquer vestígio do mal e da mão de Èşu da face da terra.
Mesmo assim ele foi advertido em fazer sacrifício para Èşu, o qual ele recusou enfaticamente a fazer, por que ele não podia imaginar a lógica de fazer um sacrifício para um vilão que ele estava indo combater. O resto da estória é história e as forças do mal continuam a ter sucesso na face da terra.
Estas afirmações não são suficientes para sentenciar Èşu como o “demônio”; que não faz o bem, ele pode ser um dispersador de boas novas, dependendo da atitude de alguém para com ele.
Da mesma forma, na vinda para o mundo, ao homem é exigido fazer ainda mais sacrifícios para tudo o quanto ele desejar ter. Veremos que nenhum problema na vida pode resistir à eficácia do sacrifício fornecido e feito pontualmente, veremos também a vida das pessoas que após recusar fazerem os sacrifícios iniciais, foram obrigadas a fazê-los em dobro quando se viram entre o demônio e o profundo mar azul.
Há tendência de se pensar freqüentemente que um sacerdote de Ifá que recomenda sacrifício com animais como cabritos, carneiros ou bodes, simplesmente quer uma desculpa para ter carne para comer à custa de um consulente desamparado. Longe disto! Qualquer sacerdote que recomende mais sacrifício do que é ordenado por qualquer motivo, pagará por ele dez vezes mais. Do mesmo modo, Ọrúnm.lá igualmente recomenda aos seus sacerdotes a usar o seu próprio dinheiro para
financiar sacrifícios para consulentes demonstravelmente destituídos. Ele apregoa desta maneira que os sacerdotes serão recompensados dez vezes. Veremos de Ofun Ogbe, como Ọrúnm.lá usou seus próprios materiais e dinheiro para fazer sacrifício para Oríşá N’La e como ele foi conseqüentemente compensado duzentas vezes.
Existem dois sacrifícios principais os quais não podem ser negligenciados, são para Èşu e para Ògún. O escritor tem visto pessoas a quem foi recomendado fazer sacrifício assim para Èşu, mas recusaram e apenas poucos dias depois passaram por grandes dificuldades.
Um jovem foi avisado a dar um bode a Èşu a fim de evitar ser preso por um delito que ele não cometeu. Ele não se recusou a fazê-lo, mas prometeu ao sacerdote de Ifá que faria quando recebesse seu salário no final do mês. O sacerdote preveniu o jovem de que o perigo previsto no oráculo era muito iminente para o sacrifício poder esperar. O jovem que também era um homem (Aladura) me contou á parte, que sua igreja tinha visto a mesma coisa para ele, mas que ele tinha sido avisado para oferecer um jejum e orações especiais.
O sacerdote de Ifá, um homem muito velho em seus 90 anos, contou lhe que se ele mesmo tivesse o dinheiro, faria por ele, deste modo ele poderia indenizá-lo no final do mês. O escritor também se ofereceu para ajudá-lo, mas como o homem orgulhoso cujo pedido é lei, preferiu esperar até receber seu próprio salário.
Exatamente três dias depois, uns batalhões de policiais armados invadiram a casa na qual o jovem morava, na busca de um ladrão armado. Todo mundo sabia que o jovem não tinha histórico de comportamento criminoso. Mas ele foi inadvertidamente arrastado pelos policiais e levado embora.
Ele ficou em detenção por 23 dias. Tão logo o escritor foi informado do incidente, ele viajou ao Benin par informar a mãe da vítima sobre o sacrifício que ele tinha sido recomendado a fazer. O escritor finalmente financiou e o sacrifício foi feito rapidamente. Três dias depois de o sacrifício ter sido feito, o jovem foi solto, após o verdadeiro culpado ter sido capturado. Uma mera coincidência alguém poderia imaginar.
Há também o caso de outro homem que foi avisado pelo sacerdote de Ifá a oferecer um galo e um cão a Ògún pelo oráculo, ele fez num sábado de manhã. Foi recomendado a ele não viajar a lugar nenhum antes de fazer o sacrifício. Ele deu dinheiro a sua esposa para comprar o material sacrificial e foi visitar um amigo. Na casa deste amigo ele recebeu a notícia de que a mãe de seu amigo estava seriamente doente em uma vila chamada Igousodin, mais ou menos a 16 km de Benin. Esquecendo o aviso que tinha sido dado e antes de fazer o sacrifício, decidiu conduzir o seu amigo em seu próprio veículo até a vila de sua mãe.
No caminho para a vila, ele encontrou um cortejo fúnebre, e ele dirigiu no meio da multidão, matando dois dos oficiantes do funeral. Seu carro não foi apenas queimado, como foi linchado para morrer. Estas lembranças são dolorosas, porque a vítima infeliz era um amigo querido.
De igual importância é o sacrifício para seu próprio guardião (Eleeda ou Ehi). O próprio guardião de alguém é um pouco mais paciente e favorável. Entretanto todo sacrifício que alguém é recomendado a fazer para ele deve ser feito até se implicar em empréstimo de dinheiro para fazê-lo.
O guardião não pede sacrifício a não ser que tenha um motivo para usar o sacrifício para satisfazer a outra divindade cuja proteção não pode ser angariada facilmente. Quanto a não alimentar o anjo guardião de alguém com os sacrifícios prescritos, equivale a sua própria inanição.
O guardião é o conselheiro de alguém e advogado na divinosfera.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

CÓDIGO DE CONDUTA DE ỌRÚNMÌLÁ.

De maneira bastante interessante, todas as divindades têm características e tabus similares. Na dependência da variação do grau de agressividade, eles todos aceitam a imutabilidade das leis naturais, as quais teólogos e teósofos têm codificado dentro dos 10 mandamentos de Deus. Isto não é dizer que algumas divindades não mataram quando eles acreditaram ter fortes justificativas para fazê-lo, no momento em que códigos terrestres e celestes admitiram a punição capital como medida para sentenciar os ofensores capitais.
Sem exceção, todas as divindades também aceitaram a supremacia de Deus. No caso de Ọrúnm.lá, ele deixou na memória de todos seus apóstolos, discípulos, sacerdotes e seguidores que ele é apenas um servo de Deus, e no melhor conceito de Deus, este é o porquê ele é geralmente chamado Ajiboríşa Kpeero e Ukpin.
Ajiboríşa Kpeero significa a única divindade que acorda de manhã para ir saudar Deus na Reunião do destino, enquanto que Eleeri Ukpin significa a divindade que se sentou como testemunho do próprio Deus na corte do destino, quando o destino de todas as criaturas estava sendo designado.
Veremos mais tarde como Ọrúnm.lá foi nomeado testemunha de Deus quando Este começou seu trabalho criativo. Ògúnda-Meji nos revelará depois neste livro por que Deus ordenou a todas as divindades a retornarem para o Céu depois de fundarem a terra. Quando a terra estava em estado de desordem ele enviou Elenini para capturá-los todos e trazê-los de volta ao céu.
Eji-Ogbe, o mais velho missionário de Ọrúnm.lá, irá à seqüência revelar como ele retornou ao mundo sob o nome de Omoonighorogbo para ensinar ao povo do mundo como proceder em concordância com os desejos de Deus. Ele demonstrou pelos preceitos, exemplos e ações como viver e agir em concordância com as leis naturais e como viver em paz com Deus. Ele também demonstrou que a verdadeira felicidade vem apenas quando alguém devota um pouco do seu tempo de modo abnegado ao serviço dos outros. Ele também ilustra a virtude do amor ao próximo. Sem dizer que se alguém ama seu próximo, não poderá seduzir a sua esposa, matá-lo, alimentar rancor contra ele, roubar sua propriedade e enganá-lo.
Portanto como um filósofo prático, Ọrúnm.lá estima alguém que muito pode aumentar todo o amor por seu próprio vizinho, o lado bom muitas vezes está em ser recíproco. Entretanto, Ọrúnm.lá é extremamente contra retaliações e vinganças porque as divindades sempre ficarão ao lado dos justos.
A primeira obrigação de um homem com ele mesmo é preservar-se através da divinação e do sacrifício. Se uma pessoa forte está se envolvendo em alguma guerra aberta ou discreta contra alguém que carece de poder para combater estas forças invisíveis, Ọrúnm.lá adverte recorrer à divinação quando na dúvida e fizer algum sacrifício prescrito aos altos poderes. Uma fez feito o sacrifício, o receptador irá quase que imediatamente intervir nas maquinações do mal feitas pelos inimigos conhecidos e desconhecidas.
Ọrúnm.lá recomenda a seus seguidores a não se envolverem em preparados medicinais destrutivos, porque os mesmos podem conduzi-los a sua própria imolação. Contudo há alguns discípulos de Ọrúnm.lá cuja sobrevivência no mercado é a preparação de remédios, mas apenas com propósitos construtivos, de salvação e libertação.
Ọrúnm.lá é o melhor professor da eficácia da perseverança. Ele ensina que enquanto pode haver remédios que não sejam eficazes, não há paciência que fracasse em sobrepujar todas as dificuldades, porque as divindades irão ao final socorrer aqueles que perseveraram.

O LUGAR DAS FEITICEIRAS, IYÀ MI AGBÀ, NO SISTEMA PLANETÁRIO.


A posição das feiticeiras no sistema planetário é atribuída como os espíritos do mal que operam durante a noite para trazer sofrimentos e padecimentos aos seres humanos.
Assim como ao demônio, é esperado de nós que tenhamos medo das feiticeiras e nos mantenhamos a distância delas. No decorrer da minha investigação, eu vim a descobrir que elas pertencem a uma esfera cosmogônica, a qual tem recebido um nome mais antigo: Senhoras da Noite.
Veremos em Òsá méjì, como elas vieram e se instalaram no mundo e como se tornaram mais poderosas, ao ponto que nenhuma outra divindade poderia derrotá-las.
Elas podem frustrar os esforços de todas as outras divindades que falharam em lhes dar o reconhecimento adequado.
Também descobri que elas não são totalmente más como freqüentemente são representadas. Como todo o conjunto de corpos celestiais e terrestres, há feiticeiras boas ou inofensivas e há feiticeiras más ou negras e vermelhas.
Elas administram provavelmente o mais justo sistema de justiça. Elas não condenam sem um julgamento apropriado e imparcial. Se alguém se aproxima delas com uma acusação contra alguém, elas considerarão todos os lados antes de chegar a uma decisão. Òsé'sá e Òsá méjì nos contarão como elas vieram ao mundo e como sobrepujaram todas as outras divindades.
Òrúnmìlá nos conta porque e como elas não destroem ninguém a não ser que a pessoa tenha atravessado o juramento feito entre Oríşá N’la, Ọrúnmìlá e elas. As feiticeiras não matam homem algum que age sinceramente de acordo com o sistema de instituição do povo e tabus proclamados por Deus.
Veremos como Ọrúnmìlá revelou que as feiticeiras foram a princípio mais atenciosas que os meros mortais.
Foram os seres humanos que as ofenderam primeiro, matando seu único filho. Acontece deste modo que as Àjé e os mortais (Ogborí em Yorùbá) vieram como irmãos ao mundo e ao mesmo tempo. A mortal teve dez filhos enquanto a feiticeira teve apenas um.
Um dia a leiga estava indo ao único mercado disponível naquele tempo, chamado “Oka Ajigbomekon Akota”. Estava situado na fronteira entre o céu e a terra. Os habitantes do céu e da terra o usavam para comércio comum, de modo que a leiga indo ao mercado, pediu à feiticeira que cuidasse dos seus dez filhos durante sua ausência. A feiticeira tomou conta muito bem dos dez filhos da mortal e nada aconteceu a nenhum deles.
Então foi a vez da feiticeira ir ao mercado. Seu nome então era Iyami Osòróngá. Tendo ela partido para o mercado, também pediu para sua irmã, para cuidar de seu único filho durante sua ausência. Enquanto ela estava fora, as dez crianças da mortal sentiram vontade de matar um passarinho para comer. Ogborí falou a suas crianças que se eles quisessem a carne de um passarinho, ela iria ao mato buscar um para comerem, mas que eles não deveriam tocar no único filho da feiticeira.
Enquanto a mãe foi ao mato, suas dez crianças juntaram-se e mataram o único filho da feiticeira e assaram sua carne para comer. À medida que as dez crianças de Ogborí assassinaram do filho da feiticeira, o poder sobrenatural deu a ela um sinal de que nada estava bem em casa. Ela rapidamente abandonou as compras no mercado e retornou para casa apenas para descobrir que seu filho tinha sido assassinado. Ela não conseguia compreender nada, porque sua irmã foi ao mercado e ela foi bem sucedida cuidando das dez crianças sem nenhum transtorno, mas quando foi sua vez de ir ao mercado, sua irmã negligenciou seu único filho.
Ela chorou amargamente e decidiu abandonar a casa aonde viveu com sua irmã.
Elas tinham um irmão com o qual elas vieram ao mundo ao mesmo tempo, mas que preferiu morar no meio da floresta, porque ele não desejava ser incomodado por ninguém. Era Irókò.
Quando Irókò ouviu a feiticeira chorando, ele a convenceu a revelar o que estava acontecendo, e ela lhe contou como os filhos de sua irmã Ogborí assassinaram o seu único filho, sem sua mãe ser capaz de impedi-los.
Irókò consolou-a e lhe garantiu que a partir daí ele se alimentaria dos filhos de Ogborí. Foi a partir daí que, com o auxílio de Irókò, a Àjé começou a picar as crianças de Ogborí uma após as outras. Veremos também como Ọrúnmìlá interferiu para impedir a feiticeira de destruir todas as crianças de Ogborí e o porque a rixa continua até hoje.
Foi Ọrúnmìlá que apelou a Irókò e a Àjé e pediu-lhes que aceitassem, a fim de parar o assassinato dos filhos mortais dos leigos.
É deste modo que Ọrúnmìlá introduziu o sacrifício (Ètutu) de oferendas às senhoras da noite, o qual envolvia um coelho, ovos, fartura de óleo e outros itens comestíveis.
Da mesma maneira como Èṣù, nós não podemos nos opor as Àjé sem o suporte principal e adequado. Nós apenas tentamos descobrir por meio do oráculo o que nós podemos lhes dar para angariar seu apoio e no instante em que o fizermos lhes dar o que mais elas pedirem, elas com freqüência descem novamente sobre alguém que não entendeu este aspecto da existência humana, eles são os que caem com facilidade vítimas de seus poderes.
 
Finalmente Ọrúnmìlá foi decretado pela divinação pública a ser o único capaz de cativar a mulher.
Assim que ele foi abordado para a tarefa, fez os sacrifícios necessários e ao invés de ir ao Ìlú Omuo, com um exército, ele foi com um cortejo dançante o qual adentrou reto para dentro da cidade.
Quando as mulheres viram o longo cortejo de homens maravilhosamente vestidos e mulheres dançando na cidade com melodiosa música, elas perceberam que era momento de voltar para a casa de Ifé. Antes de elas compreenderem o que estava acontecendo, eles já estavam todos de volta a Ifé e havia reconciliação e júbilo geral.
Este incidente ilustra novamente de maneira clara, que não é fácil derrotar as forças das Àjé por meio de agressão sem apelar para uma autorídade superior. A maneira mais fácil de proceder para com elas é por meio de apascentamento. Ọrúnmìlá não resolve nenhum problema através de confronto a menos que todos os meios possíveis de conciliação tenham falhado. Até mesmo nesse caso, ele freqüentemente ele solicita o auxílio das divindades mais agressivas para fazer o serviço 'sujo' para ele. E ele é uma divindade muito paciente. Ele diz que só podem reagir depois de ter sido ofendido trinta vezes e até neste momento, levar no mínimo três anos para se sentir ofendido, depois ainda dando ao ofensor ampla oportunidade de arrepender-se.
A única força capaz de sobrepujar o poder das Àjé é a terra. Em Òsé'sá (Osemolura) teremos a informação de como o próprio Deus proclamou que o solo (Oto ou Ale) seria a única força que destruiria qualquer Àjé ou divindade que transgredisse algumas das leis naturais. Isto foi proclamado na época quando um Oníségun do òrun chamado Eye to yu Oke to Yoi Orun tinha se comprometido na destruição das divindades terrestres devido à suas condutas perversas na Terra.
Òsémolura foi quem transportou a mãe das Àjé para o mundo, porque nenhum outro tentou fazê-lo, também nos contará que o juramento que Oríşá N’lá fez à Àjé se submeterem foi ao solo. O juramento foi submetido em oposição à injustificável destruição de vidas humanas. Conta-nos porque as Àjé não têm poderes para destruírem o filho sincero de Deus, ambos são seguidores de votos de Ọrúnmìlá.
Veremos também que o enorme poder manuseado pelas anciãs da noite, lhes foi dado pelo Pai Todo Poderoso, na época em que Deus vivia livre e fisicamente com as divindades. Foi dado a Àjé o poder exclusivo de manter vigia sempre que Deus estivesse tomando seu banho pouco antes do galo cantar. Era proibido ver Deus despido. As Àjé divinas eram as únicas a quem foi dada esta autorídade. Elas freqüentemente davam sinal ao galo que Deus já tinha tomado seu banho, depois disso o galo cantava pela primeira vez na manhã.
Deus não abandona o restante da sua criação à mercê das anciãs da noite. Por meio de Òsá'sé, Ọrúnmìlá revelará como Deus conta conosco para nos proteger contra os poderes das feiticeiras.
 
Havia uma linda moça no palácio de Deus que estava pronta para casar. Ògún, Osányìn (Osò) e Ọrúnmìlá estavam interessados na garota. Deus consentiu em dar a mão da moça em casamento ao admirador que provasse ser merecedor de sua mão. A tarefa a ser cumprida como prova de elegibilidade para a mão da moça era colher um tubérculo de Inhame da fazenda divina sem quebra-lo.
Ògún foi o primeiro voluntário a realizar a tarefa. Ele foi à fazenda e desenraizou o tubérculo. Tão logo ele o puxou, quebrou-se, o que logicamente descartava a sua candidatura.
Osányìn (Osò) foi o próximo a tentar sua sorte e também passou pela mesma experiência. Foi à vez de Ọrúnmìlá ir até a fazenda. Mas ele não se direcionou diretamente para a fazenda. Ele decidiu descobrir porque aqueles que tentaram antes dele falharam e o que fazer para ser bem sucedido. Ele consultou o oráculo e durante a consulta foi informado do que era desconhecido a todos, Deus tinha nomeado as anciãs da noite para zelar pela fazenda.
Eram elas, portanto, as responsáveis pelos inhames mágicos arrancados se quebrarem. Ele foi recomendado a fazer um banquete para elas com àkarà, ẹkọ e todos os itens de coisas comestíveis, e um grande coelho e também para servir o banquete na fazenda à noite.
De acordo ele executou o sacrifício de noite. Naquela noite todas as guardiãs da fazenda divina banquetearam-se com a comida. Na mesma noite, Ọrúnmìlá teve um sonho no qual as Àjé enviaram alguém para lhe dizer para não ir a fazenda no dia seguinte. Ele deveria ir um dia depois.
No dia seguinte elas fizeram a chuva cair pesadamente sobre o solo a fim de amolecê-lo.
Depois disto todas as Àjé fizeram um juramento solene de não encantar o inhame de Ọrúnmìlá a quebrar.
O terceiro dia, Ọrúnmìlá foi à fazenda e arrancou o inhame com sucesso e o entregou a Deus, que instantaneamente cedeu a garota para ele em casamento.
Deve-se observar que Deus não falou nada aos admiradores da garota sobre a coisa estranha que os aguardava na fazenda. Ele tão pouco lhes disse como solucionar a questão que sabia que iriam enfrentar.
Foi apenas Ọrúnmìlá, que nunca se lança em algo sem pensar bem antes de agir, ele sabia que era apenas apascentando as Àjé que ele poderia pegar o que ele queria.
 
Ire Bàbá.
 
Por C. Òsámoro