terça-feira, 31 de maio de 2011

OS CRIMES DE COSTUMES NA SOCIEDADE YORUBÁ.




Na sociedade tradicional Africana o sagrado e o secular são inseparáveis. Não há compartimentalização da vida. O que a religião proíbe ou condena a sociedade também proíbe e condena, e da mesma forma a sociedade aprova as coisas que a religião sancionou. Uma ofensa a Deus é uma ofensa contra o homem, de forma que um crime contra o homem é uma ofensa contra Deus, pois o homem é uma criatura de Deus. Qualquer ofensa é crime.
A religião tradicional africana não tem documentos legais escritos mostrando o que é legal ou ilegal, mas a tradição africana tem um código de conduta que todos conhecemos. Este código norteia os indivíduos a viver em conformidade com o bem-estar da sociedade. Os componentes deste código foram transmitidos oralmente de geração em geração. As ações penais incluem o adultério, a violação do pacto, roubo, prostituição, incesto, seqüestro, irreverência e mau tratamento e violência contra os pais, mentira, assassinato, estupro, sedução, falar mal do governante ( Rei ), jurar falsamente, sodomia e malícia (dissimulação). Todos os atos proibidos ou profanar segredos são crimes na Religião Tradicional Africana (TRA) e qualquer pessoa que cometer qualquer um deles é considerada como um criminoso e é punível. Um comportamento anormal que não esteja em conformidade com as normas da sociedade são atos criminosos. Não poderemos lidar com todos eles neste trabalho, mas devemos discutir alguns.

Adultério O adultério é a relação sexual entre uma mulher casada e qualquer outro homem que não seja o marido, ou entre um homem casado e qualquer outra mulher que não seja a sua esposa. Aplica-se igualmente a uma mulher prometida em casamento. É considerado um crime ultrajante, golpeando a norma da sociedade e quando resulta em concepção (filho), que inflige uma prole espúria sobre o marido (os filhos são mal ditos). A estrutura de parentesco de nossa sociedade torna crime o adultério não apenas contra o marido como um indivíduo, mas também contra as pessoas com quem o marido está na relação. O casamento é uma cerimônia social na comunidade tradicional onde os valores sociais são reafirmados.
O adultério é também uma ofensa contra os objetos religiosos do marido, inclusive seus ancestrais (Egungun). Além disso, é um ato criminoso contra os òrìsás, porque o casamento no contexto tradicional é uma instituição sagrada, sancionada por eles, e qualquer ato de infidelidade no convívio matrimonial do casal é punido por seres sobrenaturais (energias celestes). Desde o início do namoro, os rituais religiosos são realizados para estabilizar e santificar a relação; ancestrais e divindades são consultados e pede-se o seu apoio. Normalmente, a esposa de um adepto da religião tradicional é, por assim dizer, "a mulher dos deuses" Ela é recomendada para o cuidado e proteção dos seres sobrenaturais e ela deve ser fiel. Rituais e cerimônias acompanham ou seguem a ocasião do casamento. O objetivo destas é rezar para o bem-estar de novo casal, para abençoá-los assim que eles vão ter filhos eles também recebem instruções e regras sobre como se comportarem como pessoas casadas. Nesses rituais, o Deus vivo (òrìsá) e morto da família (ancestral) podem ser chamados para testemunhar a ocasião e dar as suas bênçãos para o novo casal.
Na África tradicional não é conivente com o adultério, é uma violação das normas sociais e religiosas e que gera uma relação doentia e prejudicial à sociedade, uma relação que pode arruinar o total bem-estar do povo.
O adultério é visto com grande preocupação e a punição e muito séria. O adúltero pode ser advertido e comunicado em primeira instância pelos lideres, mas a persistência no crime o leva ao tribunal presidido pelo chefe tradicional ou sacerdote. O adúltero também pode ser agredido ou punido com a morte por envenenamento ou ser impotente (feitiço). A morte de uma pessoa adúltera é visto como um castigo justo e não é muito lamentada.
Entre os iorubás o oráculo de Ifá adverte contra o adultério como segue:
Ela destrói os membros da família do marido,
Ela destrói os membros da família da concubina.
Posteriormente, ela destrói a si mesmo
e continua a viagem até o céu (condenação a morte).
Assim diz o oráculo à mulher (ou homem) adúltera, é um servo da morte (Ikù).
O que é verdade para o povo da religião tradicional na África, não é tão verdade assim para outros povos. Além disso, o sistema de Ifá serve como porta-voz da escritura sagrada da tradição iorubá, assunto que tem sido pesquisado por eminentes cátedros, não só entre os iorubás, mas também entre outros povos da Nigéria e em alguns países do Oeste Africano, como Serra Leoa, República da Benin, Togo e partes da costa de Gana.

Mentira. Mentir é uma tentativa de enganar, falar o que não é verdade. É proibido na religião tradicional e qualquer um que o pratique é um motim único, é um crime contra seres humanos, mas também contra os seres sobrenaturais (energias celestes). Os africanos tradicionais ensinam seus filhos a sempre dizerem a verdade, porque eles acreditam que um mentiroso é propenso a outras formas de atos criminosos, como roubo, furto e etc. O ditado "Quem mente, um dia vai roubar." É um ato comum entre algumas pessoas, esconder a mentira é considerado muito vergonhoso, particularmente quando a verdade é descoberta. Como o adultério, a mentira arruína. Ambos são por vezes considerados como hereditário. Os africanos tradicionais invocam maldições sobre os mentirosos, enquanto as divindades também os condenam. Mentir é um crime contra o coletivo. Sobre a mentira o oráculo nos adverte através do Odu Ogunda Bede (Ogunda’ogbe):
O enganador... Foi à uma viagem de vinte meses e nunca mais voltou. (morreu)
O mentiroso foi em uma viagem de trinta meses e nunca mais voltou. (morreu)
Assim, o oráculo avisou aos enganadores e mentirosos, quando eles estavam indo em uma viagem.
Eles foram avisados para não enganar ou trair os outros em terra estrangeira.
Retidão alertou (a verdade), mas eles nunca deram ouvidos à advertência.
O alerta foi dado por causa do futuro. A vingança pertence ao Todo-Poderoso, o Rei (Olodunmarè) que recompensará a todos segundo as suas obras (ações).
Deus sabe a verdade e vai dizer que você mentiu. Chamar de vermelho que é branco e branco o que é vermelho para seu próprio beneficio, fere outras pessoas.

O Odu Aji-Oghe no oráculo nos fala obre os mentirosos e mentiras:
Aqueles que chamam efuru e dão esuru, tudo bem,
Nosso Pai estará olhando-os do céu.
Tudo bem, os que chamam uma folha de iroko de folha oro tudo bem,
Nosso Pai estará olhando-os do céu.
Tudo bem, aqueles que chamam de rola uma pomba de madeira, tudo bem, nosso Pai estará olhando-os do céu.
Tudo bem, aqueles que chamam de azedo o que é doce, tudo bem, nosso Pai estará olhando-os do céu.
Tudo bem, assim diz o oráculo para os mentirosos e enganadores.
(Deus enxerga a verdade no coração das pessoas.)

O Odu Obará-meji diz:
Mentir não impede de se tornar rico.
Quebra de aliança (traição), não impede de chegar à terceira idade (ter vida longa).
Mas o dia da morte trará retribuição.
Os africanos tradicionais pensam muito sobre o futuro. Eles sabem que os mentirosos vão sofrer durante e após sua morte, eles tanto quanto possível, mantém-se longe do que vai levar a tal sofrimento.
Mesmo quando os seres humanos são enganados, Deus vê os mentirosos e conhece a verdade ( a verdade está dentro do coração e Deus vê dentro coração) e vai puni-los adequadamente. Os africanos tradicionais temem a ira de Deus que conduz à miséria e a desgraça. Eles preferem o prazer divino a ira divina e preferem as bênçãos divinas ao castigo divino. Quando os africanos dizem: "Deus julgará", é como se uma máquina estivesse em movimento dentro dele e o faz confessar que mentiu. Ele pode ser solicitado a jurar, e desde que ele saiba que jurar falsamente vai trazer graves repercussões, ele será imediatamente convocado a se retratar.
Os deuses não suportam a mentira ou falsidade. As divindades da religião tradicional da África intimam seus fiéis para contar a verdade em todos os momentos e prometem o seu apoio à verdade.

O decreto é expresso no oráculo Ejiogbe-meji:
Seja sincero, seja justo!
Ah, seja verdadeiro. Seja justo!
É o que verdadeiras divindades apóiam.
Seja sincero, seja justo!
Apesar da mentira, ser um mal comum, os africanos tradicionais que cometem mentiras às divindades serão punidos. A ira divina, que é insuportável, é um grande fator na prevenção deste crime.

Roubo
Entre os africanos tradicionais é vergonhoso roubar. É considerado um crime na comunidade. Um ladrão é uma vergonha para seus parentes. Os africanos fazem ritos tradicionais para detectar o ladrão e recuperar os bens roubados (o Awo é convocado para jogar e faz magias poderosíssimas). Eles são punidos pelo tribunal ou pelas divindades e em alguns casos, os ladrões são revelados publicamente pelos deuses ou confessam publicamente e restituem os bens roubados no mesmo lugar onde ele possa ser visto pelo povo. Isto é uma conseqüência do poder/ira divina que faz o ladrão sofrer fisicamente ou internamente (magia).
Ele também pode ser submetido a uma tortura prolongada, doença, paralisia, cegueira parcial, a ponto de adivinhos serem consultados para saber a causa de seu infortúnio. Quando ela é atribuída ao ato de roubar, os bens roubados devem ser devolvidos e será oferecido um sacrifício propiciatório (buscando-se o perdão divino ou aplacar sua ira).
Roubos mancham a reputação e a integridade da família do ladrão, e os africanos tradicionais se esforçam muito para proteger o bom nome e a imagem de sua família. Mesmo uma família irreputável não vai querer ver seus filhos serem acusado de roubo, porque os atos criminosos trazem vergonha para seus pais. E quando membros desta família são convocados para cargos e títulos de honra a mancha pelo filho ladrão os desqualificaram para o posto de honra. Referências sempre serão feitas aos crimes anteriormente cometidos por pessoas desta família. Os africanos tradicionais nunca irão nomear um ladrão ou mentiroso ou adúltero como ser um líder ou governante. O preço desta nomeação recairia como um castigo divino sobre toda comunidade e ele não serviria como uma força adequada.
Roubar é não apenas imoral, ou um crime social, é também uma ofensa religiosa punível por Deus.
O Odu Ogbe’ale adverte contra roubo:
Se o rei terreno não te vê, o rei celeste está olhando para você (Olodunmarè).
Assim diz o oráculo para aquele que rouba acobertado pela escuridão,
que diz que o rei terreno não vê.
Deus vê o ladrão e certamente irá puni-lo.
“ Vendo” aqui, não significa mera aparência, mas “vendo” será a punição.

Maus tratos e crueldade com aos pais.
De acordo com a religião tradicional, os pais, depois de dar aos seus filhos uma boa formação. Cuidados até a emancipação e prepará-los adequadamente para vida, esperam que os filhos mostrem a verdadeira devoção e cuidado para com eles, independentemente se os pais são ricos ou pobres, letrados ou analfabetos. Tal devoção ao cuidado dos pais é obrigatória e se for concedida, é uma das melhores formas de oração é o caminho mais seguro para a paz, o sucesso e satisfação dos filhos.
Acredita-se que tudo o que uma criança pode atingir e se qualificar na vida, os pais são responsáveis e se ele não conseguir honrar seus pais, ele cairá da altura que subiu e sua vida será desprovida de paz e satisfação. Os pais devem ser tratados e considerados como deuses, reconhecido e "adorado". É a vontade de Deus que os pais devam ser venerados e reverenciados, e qualquer sociedade onde os filhos desprezam e negligenciam seus pais, os filhos não terão as bênçãos de Deus. É a majestade de Deus que é desonrada e violada. É um crime capital para um filho não cuidar de seus pais, é proibido jogar maldição em cima de um pai ou mãe. Insolência para os pais pode ser tolerada, mas é um ato criminoso. Punição para a irreverência e a crueldade aos pais inclui: tanto a ira dos pais como a ira de Deus, que certamente vai causar um desastre na vida do filho. Em casos graves, como previsão de um desastre tem que ser retirado da vida do filho através de oferendas e sacrifícios.

O Odu Irete Eguntan no oráculo diz:
Respeite sua mãe e seu pai,
que você pode viver muito tempo na terra. (vida longa)
Ifá diz para oferecer sacrifício (ebó) a sua mãe e seu pai,
o sacrifício de justiça, cuidado e humildade.
Você pode se regenerar.
Ifá diz oferecer sacrifício a sua mãe e seu pai, o sacrifício da obediência cega, de cuidados, para que as maldições nunca possam cair sobre você.
Pois as maldições de seu pai e sua mãe são as maldições do Todo-Poderoso.
Ifá diz oferecer sacrifícios ao seu pai e sua mãe,
o sacrifício da ajuda, do amor, da justiça, que você possa ter descanso,
que você possa ter conforto.

No mesmo Odu, Orunmila diz:
Meus pais não irão trabalhar em vão por mim.
Eu nasci, porque minha mãe tem a boa sorte.
Eu nasci, porque meu pai tem a boa sorte.
Ela me deu à luz; meus braços não foram queimados.
Eu não nasci cego.
Eu não nasci um leproso.
Eu também quero dar a luz a meus filhos,
para que eu possa ter descendente.
Eu quero ter casas.
Eu quero ter prospriedade.
Eu quero ter dinheiro. (na visão ioruba isto não é errado)
Eu não quero trabalhar em vão pelos meus filhos.
Eu vim ao mundo por causa de sua boa sorte.
Eu quero fazer o bem na minha vida.
Meus pais não irão trabalhar em vão por mim.
Os versos acima ensinam aos filhos o verdadeiro conhecimento do que é servir aos seus pais. É claro que isso não se limita aos pais biológicos, mas abrange a todos os membros idosos da família. Qualquer ato de negligência no dever em relação aos pais ou membros idosos da família é considerado como um ato de negligência do dever. Deus vai puni-lo com o infortúnio (perdas). Por medo da desgraça, os filhos evitam cometer este crime e levam a sério os deveres para com os pais e os membros idosos da família.
Para se ter uma sociedade disciplinada e educada a religião tradicional impõe aos pais o dever de educá-los, respeitar os anciãos e não ser desobediente com eles. Se cuidarem bem deles, ele vai estar bem com a família e com Deus.

Como o  Odu Iwori-Meji oráculo diz:
Se uma criança respeita o seu pai, tudo o que ele receber será sempre bom.
Ele vai ser um perfeito cavalheiro. ( bom homem, bom pai e bom chefe de família).

O Odu Obara Meji condena o orgulho, a arrogância e desrespeito dos jovens:
Se uma criança se entrega a atos teimosos,
se ele vê um sacerdote idoso e lhe dá uma tapa,
se ele se depara com um médico (Onisegum) envelhecido e bate nele sem piedade,
se ele continua, os sacerdote idosos se reúnem para derrubá-lo, (enfeitiçá-lo)
assim diz o oráculo para os filhos desobedientes.
"Quem diz que ninguém pode controlá-lo?"
Orunmila diz:
"Você não sabe que não há vida longa para qualquer filho que bate em um pai idoso,
não há vida longa para qualquer filho que bate em um médico envelhecido.
Qualquer criança que maltrata um pai idoso, está em busca de sua própria morte.
Respeito pelos mais velhos significa vida longa. "
Estes versos ensinam que a morte prematura dele é uma punição para o desrespeito aos mais velhos e uma vez que os africanos tradicionais querem viver por muito tempo eles devem respeitar os idosos. Sinceramente, os africanos tradicionais vêem no respeito aos anciãos, um dever, o de fazer o que não agrada somente aos homens, mas também a Deus. Daí eles se prostrarem perante os mais velhos, abra sua cabeça, remova as sandálias (seja humilde), quando cumprimentá-los e ajude os anciãos a transportar cargas e seus recados. A aceitação infeliz de culturas estrangeiras em grande parte modificou os filhos neste aspecto. O africano no tocante ao respeito pelos mais velhos ao que parece estam se movendo dentro de uma dupla cultura e ficando muito confuso. É como um africano jovem dizer "Olá" a seus pais ou apertar a mão a pessoas idosas (atitude considerada ultrajante).

Falar mal das pessoas idosas. O Governo Africano Tradicional é Teocrático, e os governantes são considerados representantes divinos e assim todas as palavras de censura contra eles são proibidas. Conspiração ou desrespeito contra os governantes é considerado um delito grave e será seriamente tratado. Não pode, evidentemente, um movimento contra um governante que é considerado um tirano, cujo reinado se revela desastroso para o povo ser um ato de desagravo. Os chefes tradicionais são sagrados e quem os desobedece ou é rude com eles é multado, advertido ou expulso da cidade e finalmente, o infrator tem o compromisso do castigo divino. Por absoluta fidelidade e obediência implícita aos governantes,

Odu Oturupon-meji diz:
Os juízes da coroa usam coroa na cabeça.
Os lábios do filósofo desafiou outro filósofo.
Demasiadamente sábio recusou-se a respeitar do rei. (arrogancia)
Assim diz o oráculo para os desobedientes:
Eles foram convidados a fazer sacrifício, para que a espada do Rei não lhe sugue o sangue.
Eles se recusaram e não ofereceram sacrifício.
Orunmila exclamou:
"É proibido".
Exclamei:
"É proibido".
Ele exclamou:
"É um tabu.
Exclamei:
"É um tabu".
Orunmila disse que o rei terreno é o representante do Rei celestial.
Orunmila, exclamou:
"À esquerda comigo."
Eu exclamei:
"resta-me, a espada sugar o sangue daqueles que desafiam o rei. "
Para o rei pertence à autoridade.
Para o rei pertence à espada.
Então, vá com calma, eu digo, vá com calma, sob pena de uma sabedoria vaidosa empurrar alguém contra o rei da espada.
Então vá com calma, eu digo, vá com calma.
Fiz sacrificado, ebó me propiciou.(me salvou).
Tenho defendido o direito do rei.
O rei não podia deixar de me ver com misericórdia,
O rei não podia deixar de me ver com bons olhos.
A posição dos governantes e autoridades é semelhante em toda a África. Ambos são altas figuras políticas e religiosas. Eles derivam sua autoridade do Ser Supremo, e assim por desobediência ou qualquer conspiração contra eles é visto como um crime contra a sociedade e contra Deus.
Qualquer um que seduzisse as esposas dos governantes seriam executados. Os reis eram pais, juízes, conselheiros e sacerdotes.
Conclusão:
Ao lidar com eles, a força era muito utilizada. Mesmo assim, não há evidências de que os estes crimes tenham sido totalmente eliminados. O uso da força foi eficaz até certo ponto, mas outros meios mais eficazes foram utilizados.
Estes incluem o envenenamento que causa sofrimento ao longo da vida como a loucura, impotência. Doenças incuráveis, como a elefantíase, a cegueira, inchaço e claudicação, que pode torná-lo um inútil em sua comunidade e servir como um elemento intimidador para os outros. O uso desses espalhou o medo nos criminosos.
A sociedade tradicional em sua forma original é sólida, pois foi construída sobre uma base moral fornecida pela religião tradicional. Esta religião incutiu o bom comportamento em pessoas que fizeram uma nação verdadeiramente grande. A ira divina e castigo foram feitos reais. A lei da retribuição foi enfatizada. Hoje a mentira, a desonestidade, a hipocrisia, o suborno, a corrupção, a traição, o crime e toda sorte de homens desviados do Iwà Pèlè (bom caráter), nao prosperam na África porque as pessoas religiosas não levam os preceitos da sua religião muito a sério. Eles estão mais preocupados com a indústria, a vida da cidade, as coisas materiais e a educação. Sem a percepção da verdadeira religião, será difícil se erradicar o crime em qualquer sociedade.

SACRIFICIOS NOS TEMPOS REMOTOS.


Dentre os vários assuntos já muito discutidos, temos os ritos que envolvem os sacrifícios animais praticados habitualmente em nossos Rituais. Inicialmente gostaríamos de relatar que presenciamos regularmente em uma avícola o absurdo que é praticado para matar as "galinhas" que são consumidas com a maior naturalidade e desrespeito pelos clientes assíduos daquele comércio. Existem naquele local alguns cones de aço inox, posicionados em fila indiana, sobre um aparador também de aço inox. No pescoço das aves, próximo à cabeça, são feito um corte com faca e o animal é enfiado de cabeça para baixo no cone, onde se debaterá por vários minutos até que todo o seu sangue tenha escorrido para dentro do "aparador", provocando-lhe a morte. A população não vê esse método de abate como "aterrorizante", provocando extremo sofrimento aos animais até que cheguem à morte. Excluídas às vezes em que a grande clientela não deseja esperar muito tempo e os animais são colocados, ainda vivos, em um caldeirão com água fervente a fim de que lhe sejam extraídas as penas mais rapidamente. Este é um aspecto "comercial" onde poucos sentem dó ou reclamam desta forma ainda medieval, portanto cruel, de abate em avícolas.
Os Cristãos, Católicos e Protestantes, são os que mais repudiam o nosso sacrifício animal. Eles deveriam estudar mais o seu Antigo Testamento, em específico o "Levítico", onde os sacrifícios, não só de animais, são relatados. O Livro "The Lion Handbook to the Bible", Lion Publishing – England Herts – 1973 de autoria de David e Pat Alexander relata que o Levítico é o código das leis dadas por Deus a seu povo através de Moisés no Sinai. "As cerimônias e outros ritos e normas não eram um fim em si mesmas. A oferta do sacrifício dia após dia, ano após ano, a recordação anual do dia da expiação recordavam constantemente a Israel o pecado que o separava da presença de Deus. Os israelitas infringiam a aliança com ele desobedecendo as suas leis e estavam condenados à morte. Mas Deus, na sua misericórdia, mostrou-lhes que haveria de aceitar um sucedâneo, a saber, a morte de um animal perfeito e inocente, em lugar da vida do pecador. Suas leis mostram que Deus age em harmonia com as leis naturais para o bem do povo.", escreve o autor.

Levítico 1-7 – Os Sacrifícios

1 - O Holocausto (capítulo 1 e 6,1-6) único sacrifício em que se queima o animal todo,
um sinal de consagração.
2 - Oferta de cereais ou de farinhas (capítulo 2 e 6, 7-11) acompanhava muitas vezes o holocausto e o sacrifício de comunhão (item 1 acima).
3 - O sacrifício da comunhão (capítulo 3 e 7, 11-36)
4 - O sacrifício do pecado (4,1-5,13 e 6, 17-23)
5 – O sacrifício da reparação (5,14-26 e sete 1-10)
O Fiel trazia sua oferta (um animal sem defeito físico tirado da própria manada ou rebanho ou, no caso do povo pobre, rolas ou pombos) até o pátio diante do tabernáculo.
Colocava a mão sobre ele para significar que o animal o representava e depois o
imolava (sacrificava). Se o sacrifício era público o Sacerdote era quem realizava essa operação. O Sacerdote tomava a bacia com o sangue e com ele espargia no altar, queimando a seguir algumas partes específicas do animal que continham determinadas porções de gordura. O que restava era consumido pelos Sacerdotes e suas famílias ou ainda pelo Sacerdote junto com os ofertantes.
Os sacrifícios exprimiam a gratidão do indivíduo pela bondade de Deus, ou eram simplesmente manifestações espontâneas de devoção e homenagem. O sacrifício pelo pecado e o sacrifício da reparação (Levítico 4-5, 26) referem-se às transgressões contra a lei de Deus ou situação em que foi cometida uma falta contra o próximo, porém ambos demonstram a exigência de enfrentar o pecado pelo uso do sangue.
O Sacerdote como representante de Deus tinha a função de declarar se o fiel e sua oferta eram aceitos ou rejeitados por Deus.
A prática do sacrifício animal remonta ao início das relações entre Deus e os homens (Gênesis 4,4) e no Novo Testamento explica a morte de Jesus (Hebreus 9,11).
OLevítico 17,11 diz que o sacrifício é algo dado por Deus ao Homem. A pessoa que leva a oferta apodera-se da vida do sangue animal sacrificado e pode doá-la a Deus, injetando nova vida nas suas relações com Deus, revitalizando o seu dia a dia.
Por que devemos ficar aqui citando longamente as Escrituras Sagradas Judaicas e
Cristãs se nosso objetivo é a Religião Ifá/Òrìsà?
Este é um pequeno espaço para a dignificação da Religião Ifá/Òrìsà, tão agredida
pelas Doutrinas Cristãs, principalmente pelos Protestantes. Então, cabe-nos o direito de mostrar quão hipócritas são aqueles que nos agridem e nos repudiam com bases em seus Livros Sagrados, que mostram largamente a pratica de ritos idênticos aos nossos e com a mesma simbologia.
Então dirão os Umbandistas assim como os Cristãos:
_ Nós abolimos esses ritos!
_E respondemos à altura:
_ A Religião de Òrìsà é extremamente tradicionalista e não muda sua liturgia com fins hipócritas, somente para agradar a visão leiga dos fiéis na tentativa de obter fins lucrativos. O que era feito há 10.000 anos é mantido até hoje por nós, mas não com uma conotação diabólica como desejam nos impor usando uma mídia já desgastada. Hoje o Homem é culto, busca se informar e encontrará a verdade relativa ao nosso mundo religioso.
O culto de Òrìsà nunca esteve envolto ao mundo da Magia Negra, ao baixo astral, ao Satanismo ou muito menos ligado aos demônios somente porque realizamos em nossos ritos o sacrifício animal. Nós pregamos os ensinamentos de Ifá que são puros em sua essência, não ficamos pregando mais os atos dos demônios do que a palavra de Deus tirada de livros sagrados de autoria duvidosa. Nossa doutrina religiosa foi mantida pela boa vontade do Homem fiel e temente a Deus, mantendo todos os nossos conhecimentos na memória e transmitindo-os pela oralidade através dos Ésè e Ítòn-Ifá.
Não temos livros sagrados adaptados a cada momento da história em decorrência das necessidades das instituições religiosas. Não expulsamos demônios em forma de "teatro" para enganar pobres coitados crédulos dizimistas que acreditam nas encenações de atores bem pagos para se contorcerem em público ou darem testemunhos suspeitos, sempre idênticos, sem provas. Não "amarramos" espíritos ruins em nome de Deus.
O que desejamos é somente poder expor que nossa Religião, a Religião de Òrìsà, tem como objetivo Re-ligar o Homem a Deus através da manutenção de ritos tradicionalistas; através de uma hierarquia rígida mantida entre os seguidores e Iniciados; através da exigência de uma conduta honrada e moral dentro das verdadeiras Awo-Ègbé (Sociedades de Culto). Desejamos mostrar com clareza que nossos verdadeiros Sacerdotes são homens sábios, estudiosos e perseverantes na sua religiosidade, tudo isso com base em uma filosofia mitológica milenar. Qualquer outra versão não tem sustentação real, tratando-se de invencionismo de muitos que pretendem impressionar ou lucrar em benefício próprio usando o nome dos Òrìsà Yorùbá.
Se fazemos sacrifícios é porque somos autorizados por Deus, conforme também era praticado em Israel. Não podemos esquecer que nas mesquitas, anualmente, até os nossos dias, é sacrificado um cordeiro para Alláh (Deus). Mas ninguém gosta de agredir o Islã. E sabemos muito bem o porquê !
Èjè (sangue) é vida, todos nós aprendemos isso nos templos verdadeiramente consagrados aos Òrìsà. Tiradas as partes sagradas dos animais que são ofertadas às Divindades, o restante é consumido pelos ofertantes. Não há desperdício nas Ilé Òrìsà, em respeito à natureza, conforme nos determinam as Divindades. Os animais ofertados não podem sofrer ao serem imolados, conforme nos determina o Òrìsà Ògún Olóòbe, a Força proprietária da Faca.
O ritual é cercado do máximo respeito seguido de procedimentos de abstinência, onde a pureza e a limpeza espiritual e orgânica dos presentes é exigida com rigor para que eles possam participar desse tipo de oferenda e só aos Iniciados devidamente preparados por anos, cabe exercer o ato de imolar o animal. Isso não cabe a qualquer pessoa despreparada. Há uma liturgia a ser seguida a risca em detalhes, onde o omi (a água), epo pupa (azeite de dendê), wuara (o leite), oyin (o mel), iyò (o sal), otí (a aguardente), ataare (a pimenta) são orados e encantados recebendo pela palavra propriedades mágicas, para poderem ser ofertados às Divindades como símbolos de doçura, progresso, prosperidade, fartura, fertilidade, alegrias e paz afim de que essas bênçãos sejam retribuídas a todos em troca da oferta. Sem que nunca se esqueça de ofertar para Onílè (a terra) sua parte, pois é ela quem sustenta os nossos pés. Esta frase metafórica Yorùbá nos ensina que é a Mãe Natureza quem nos permite mais uma reencarnação na Àiyé (na Terra) e por isso devemos mostrar nossa gratidão a ela durante os ritos de oferendas.
Só pode ver maldade em uma ritualística dessa quem é mal no mais profundo de sua essência intima, no próprio caráter ou pelo desconhecimento, acabando por julgar sem saber o que verdadeiramente está sendo realizado num ritual em nome de Deus.
Pois graças a esse Deus universal, Elédùmarè, nós não fazemos apologia aos demônios, pois os desconhecemos na nossa cultura religiosa. Para a Cultura Religiosa Yorùbá Deus não "permitiria que os Anjos Caíssem". Quem faz mal aos homens é o próprio Homem!
A Religião Animista Ifá/Òrìsà não deseja ser melhor que as outras Religiões.
Deseja somente ser respeitada, assim como sabe respeitar. Desejamos somente que as pessoas possam cumprir seu papel em mais uma passagem pela Vida no Àiyé com auxílio dos ensinamentos de Ifá. Desejamos somente crescer nas experiências de viver.
Desejamos poder aprender a conviver num mesmo espaço físico com os outros homens, porque o nosso espírito não tem para onde evoluir já que o Homem é um deus-finito.
Evoluir o espírito do Homem seria tentar superar a Deus, pois o nosso espírito foi criado de Deus, portanto somos partículas divinas. Já fomos criados sendo deuses. Tudo o que necessitamos já recebemos de Deus no momento da Criação, só temos que aprender a usar o que nos foi dado por Ele.

terça-feira, 17 de maio de 2011

O QUE VEM A SER IFÁ.

Em decorrência das repetidas perguntas que me chegam à respeito da tão popular e distorcida religião dos Orixás, venho introduzir o assunto, discorrendo sobre Ifá, que é a fonte de todo conhecimento e procedimentos sobre como cultuar e utilizar em nosso benefício, essas energias da Natureza.

O sagrado corpo literário de Ifá coloca a seguinte questão: - como saber se estamos cumprindo satisfatòriamente a missão do nosso destino ? Segundo os velhos sábios, quando nossa vida se preenche com paz e harmonia. Isso não significa que o sofrimento e a dor sejam abolidos - pois são inerentes à encarnação na Terra - mas quando se consegue obter equilíbrio interior, dentro do aprendizado que a vida traz. Citando mais literalmente: “se comermos apenas coisas doces, evitando as amargas, todo alimento perderá o seu sabor”.
Ifá é um sistema oracular voltado para a cura, transformação interior e crescimento espiritual. Quando nos deparamos com um problema, o oráculo é consultado e o caminho prescrito será associado à possível solução.

A finalidade da consulta ao aconselhamento oracular é elucidar e solucionar conflitos, evitando comportamentos ou atitudes ( auto-) destrutivas. É um instrumento destinado a buscar solucionar impasses e não um recurso adivinhatório. Ifá não prediz eventos , mas explica as conseqüências que certamente poderão advir de determinadas atitudes.
Se houvesse algum benefício em operar milagres e predizer fatos, a pessoa se tornaria dependente do oráculo e não aprenderia a por em prática a solução das suas questões, exercer o seu livre arbítrio e, por conseguinte, evoluir segundo o seu próprio mérito.
Ifá não instrui sobre como conseguir o que se deseja, mas como obter o que se necessita – naquele momento, naquela circunstância. Sempre que, apesar do aconselhamento, insistimos obstinadamente num determinado querer, perdemos uma oportunidade de aprendizado e auto-transformação. Se gastamos tempo querendo ter o que achamos que nos caberia por direito, perdemos a chance de descobrir o que realmente nos seria útil. Uma vez resolvidos os conflitos internos, abre-se naturalmente espaço para que se manifeste a positividade que nos é destinada, em todos os níveis.
A resistência à mudança é a fonte daquilo que Ifá denomina elenini – ou seja, formas-pensamento gerados e alimentadas pela própria psiquê, que atuam contra nós, criando subterfúgios para não realizarmos aquilo que sabemos ser o mais adequado para o nosso sucesso. Elas são identificadas pela teologia cristã como “demônios”, colocados fora da esfera psíquica como entidades independentes que, com vida própria, comprazem-se em prejudicar as nossas boas intenções. Este recurso do “bode-expiatório” acaba resultando num entrave para o amadurecimento psíquico e evolução espiritual, pois todo fracasso é creditado a “outrem”, impedindo assim que se assumam responsabilidades. São uma fonte de desculpas e justificativas para todos os nossos fracassos.
É preciso ter em mente que, nos casos em que eventualmente ocorrem influências negativas externas, nós mesmos é que criamos condições de afinidade para que isso ocorresse. Ifá não se baseia em dogma, mas numa forma de encarar o Universo através de uma única permanência : movimento e constante mudança. Ao invés de propagar uma doutrina, renova-se a cada instante, lançando o desafio da auto-descoberta.
Na qualidade de iniciada no culto de Ifá, recomendo a quem se interessar em buscar orientação do oráculo sagrado, marcar consulta com o Obaala Oluwo Olori Obatala Awo Peju Ifarunaola / Willer de Almeida, pelos telefones 21 97133777 ou 21 78350961
 

terça-feira, 10 de maio de 2011

AS PENAS SAGRADAS.

ÌYÉ ORÒ – AS PENAS SAGRADAS.
Ìkódíde, Agbè, àlùkò e Lékeléke são as quatros penas sagradas de nossa religião, somente sendo utilizadas dentro da ritualística e nunca como um simples adorno. Elementos primordiais e indispensáveis dentro dos Ìgbèrè – Ritos Iniciáticos e de Passagens de qualquer divindade do Panteão Iorubá. Não existem penas semelhantes, são únicas em sua essências simbologia e significado, ou seja, são insubstituíveis. Dentro do Corpo Literário de Ifá são mencionadas nos mais diversos Oba Odú e seus Omo Odú.



KÓDÍDE ou ÌKÓÓDE  trata-se de uma pena vermelha, extraída da cauda de um tipo de papagaio africano da espécie Psittacus erithacus conhecido popularmente por papagaio-cinzento, papagaio-do-Gabão ou papagaio-do-congo  entre o povo iorubá é denominado de Odíde ou Odíderé Tornou-se Rei entre todas as aves, simbolo da fecundação, da menstruação, da gestação, representa o nascimento e o simbolo do poder feminino. Representação da realeza, honra e status, esta acima da simbologia do Adé Coroa. Fixado a frente da cabeça, representa o processo iniciático e confirma os ritos de iniciação e/ou de passagem.



AGBÈ pena azul extraída da cauda da ave africana Turaco da família dos sophagidae Touraco porphyreolophus. Descritos nos mitos, como o pássaro que carregava a boa sorte e a riqueza para OlokunDivindade dos Oceanos.Para que possa agir tem que ser utilizada em comtrapartida com o Àlùkò.


  
ÀLÙKÒ pena de cor púrpura(entre escarlate e violeta) extraída das asas da ave africanaTuraco da família dosMusophagidae Touraco ruspolii. Descritos nos mitos, como o pássaroque carregava a boa sorte e a riqueza para Olosa A Divindade das Águas Doces. Da mesma forma que sua contrapartida, somente age em companhia do Agbè.



LÉKELÉKE pena de cor branca, extraída da ave Bubulcus ibis conhecida popularmente por garça-vaqueira ou garça-boieira, nativa da África e do Sul da Europa, que invadiu a América do Norte no início do Século XX e atingiu o Brasil na década de1960. Descritos nos mitos como o pássaro que carregava a boa sorte e a riqueza para Òrìsà Nla  e toda a sua corte.
Simbolo por excelência de todos os Òrìsà Funfun 
Um fragmento do Texto Sagrado de Ifá:
Agbè ni i gbe're k'Olòkun,
Àlùkò ni i gbe're k'Olòsa,
Odíderé-Moba-Odo Omo Agbegbaaje-ka ni naa ni i gbe're k'Oluwoo.
O pássaro Agbè carrega a benção de Olòkun
O pássaro Àlùkò carrega a benção de Olòsa
O papagaio do Rio Mogba, descendência de um poderoso exército carrega uma cabaça com a fortuna para o Rei de Iwó
Os pássaros Agbè e Àkùkò são agentes intermediários entre o poder da imensidão das águas.
Oluwoo é um título do Rei de Iwó a Legendária Cidade, reduto da ave Odíderé.
Ojúure l'Agbè fi í w'aró
Agbè won jí t'aró t'aró
Ojúure l'Àlùkò fi í w'osùn
Àlùkò won jí t'osùn t'osùn
Ojúure l'Lékeléke fi í w'efun
Lékeléke won jí re pel'efun
O pássaro Agbè desperta com aró
O pássaro Agbè olha com bondade para aró
O pássaro Àlùkò desperta com osùn
O pássaro Àlùkò olha com bondade para osùn
O pássaro Lékeléke desperta com efun
O pássaro Lékeléke olha com bondade para efun
Agbe ló l’aró, kìí rá’hùn aró
Àlùkò ló l’osùn, kìí rá’hùn osùn
Lékèélékèé ló l’efun, kìí rá’hùn efun
O pássaro Agbè não se lamenta por muito tempo ao aró
O pássaro Àlùkò não se lamenta por muito tempo ao osùn
O pássaro Lékèélékèé não se lamenta por muito tempo ao efun
Neste fragmento dos Textos Sagrados de Ifá  relata a ligação das aves
Agbè, Àlùkò e Lékeléke com a pinturas sagradas aró, osùn e efun. Essa expressão “despertar” tem a conotação de “ao amanhecer de cada dia” as aves sagradas carregam em si o poder e a essência de três dos quatros Oba Odú  primordiais da existência universal; Ogbè Méjì relacionado com o efun, Òyèkú Méjì e sua relação com o osùn  e ligação de Ìwòri Méjì com o aró. O fato de não se “lamentar por muito tempo” está baseado em uma oferenda cujo o qual os principais ingredientes são as penas e as pinturas citadas.

Ojúure lògbólógbòó Odíderé fi í w'Iwó
Ìkódíde àse kun be aràiyé
O grande e velho papagaio olha com bondade para Iwó.
O poder da pena Ìkódíde enche de suplicas os seres deste mundo.
Como mencionado anteriormente
Iwó é a Cidade Legendária reduto da ave Odíderé onde essa desempenhava a função de favorecer seu povo com as principais bençãos e suplicas dos seres humanos:
Ire Ajé – riqueza, Ire Owó – dinheiro, Ire omo – filhos, Ire Ìpéláyé – vida longa, Ire Obìnrin – mulher p/ser esposa, Ire Okonrin – homem p/ser marido, Ire Ìbùjókó um lugar para morar, Ire Àláfíà – paz e contentamento, Ire Oríre – boa sorte,  Ire Ìmúarale– boa saúde.