sábado, 2 de abril de 2011

ÒRÌSÁ

Por Oluwo Ifarunaola

Como parte da criação do orun e do aiye, Olodumare criou uma infinidade de hierarquias atuantes nos diversos planos do Universo.
Dentre eles situam-se  os Orisa - entidades intermediárias  responsáveis primordiais pelas funções relacionadas aos diversos reinos da natureza na Terra.
Tratam-se de Seres Divinos , facetas emanadas da Divindade Suprema Universal.
Os Orisa atuam de acordo com as funções que lhes são delegadas por Olodumare, inclusive como mediadores entre Ele e os seres humanos.
A criação da Vida na Terra foi delegada ao Orisa Obatala ( o rei do pano branco que esconde a vida e a morte ), que com o seu ofurufu (sopro divino) permeou várias outras dimensões além da física.  Dele emanaram os outros Orisa, com a tarefa de exercer domínio pleno sobre os diversos reinos e elementos da natureza terrestre, porém dentro dos limites e tarefas por Ele estabelecidos.
Há um itan (mito) que relata como o corpo de Obatala foi atingido e partido em mil pedaços. Ao receber a notícia, Olodumare designou Orunmila para recolher todas as partes e traze-las de volta.
Recolheu-os numa grande cabaça, assegurando o seu renascimento no Orun. O restante foi espalhado por todo o mundo, fazendo com que de cada um nascesse uma divindade. Por esta razão, considera-se Obatala o Orisa maior, dentro do qual todos estão contidos – como a cor branca contém todas cores.
O termo Orisa foi, inicialmente, utilizado para designar Obatala, conhecido como Orisa n’la ou Osaala.
A energia vital – ase – que permeia todas as forças da natureza é parte do Orisa, que representa o aspecto inteligente e estabelece um elo entre a humanidade e Olodumare.
Textos mais antigos falam de igba male ojukotun, igba male ojukosi : quatrocentas divindades do lado direito e duzentas divindades do lado esquerdo – mais um.
A concepção de características antropomórficas deve-se à condição arquetípica que lhes é inerente.
Os Orisa não pertencem à cadeia de evolução humana.
Como personificação das mais violentas , grandiosas e incontroláveis forças da natureza, força pura, Ase (energia vital) esmagador, é evidente que Orisa desvincula-se à cadeia cármica da evolução humana.
Conceber Orisa como um ancestral humano divinizado é um belo mito que confirma a filiação humana a determinada linhagem dos reinos da natureza com seus quatro elementos: água, terra, fogo e ar.
Ancestrais humanos podem ter se tornado encantados, pois a gama de seres divinizados tutelares é imensa. Aliás, antes da ruptura entre Orun e Aiye – seres pertencentes a hierarquias não-humanas engravidaram mulheres, dando origem a estirpe dos chamados “semi-deuses” , vastamente mencionados, por exemplo, na mitologia grega.
Diante de recentes teorias que ousam atribuir a origens não terrestres o progresso tecnológico não condizente com o adiantamento da época – que certas civilizações arcaicas evidenciaram – poderiam os Orisa antropomorfizados estar incluídos nesses grupos. Humanos ou não, é importante notar que deles se originaram as instruções que até hoje seguimos, com relação ao corpo ritualístico / mágico da religião.
Os Orisa constituem energia pura que interfere, também, na existência dos seres humanos, já que conosco compartilham  da natureza terrestre e concorrem diretamente para a nossa formação como seres individualizados. No momento em que o ser humano vem a encarnar, aceitando o seu destino, seus corpos são criados com a energia predominante de um orisa e a de outros, em menor grau, formando assim um complexo inédito.
As práticas e rituais da religião yoruba têm por finalidade a sintonia e integração do ser humano com essa energia divina da qual foi formado.
Há pessoas que dispõem do dom de  manifestar fìsicamente a presença do seu Orisa. Esta manifestação é apenas uma forma de sintonia, nada tendo a ver com mérito ou elevação espiritual. Em alguns seres humanos, a predisposição inata e rituais específicos fazem aflorar com maior intensidade esta energia pura , que é o Orisa, podendo ocasionar os fenômenos do transe e da incorporação, quando o arquétipo do Orisa se manifesta de forma plena.
De um panteão que atingia a casa das centenas, o número dos que transpuseram a barreira do interesse local atinge a casa das duas dezenas, a saber: Orunmila, Esu, Obatala, Ogun, Osoosi, Osanyin, Osumare, Obaluaiye, Ibeji, Erinle, Osun, Olokun, Yemonja, Oya e Sango. Há também culto a  Egungun e Iyami Osoronga, que não são Orisa, mas ancestrais.

2 comentários:

  1. Tenho uma pergunta quanto a apresentação do blog:

    Orunmilá escreveu?

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  2. Òrunmilà, criou seus discipulos Akodá e Asedá, os dois primeiros humanos transformados em Babalawo, que são reverenciados em nossas adurás matinais.
    Estes ensinamentos se estenderam e se multiplicaram por milenios, atravez das mensagens ditadas por 256 Odus, até chegarmos ao advento da grafia Ioruba, nos dois últimos seculos.
    Este escritos que formam as Escrituras Sagradas ditadas por Olodunmarè, e testemunhadas por Òrúnmìlá e seus 256 Odus, formam toda base de vida do povo Ioruba.

    Mo juba.

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O Culto Tradicional Yorùbá, vem resgatar nossa cultura milenar, guardada na cabaça do tempo.