sexta-feira, 15 de abril de 2011

EBÓ

 


O poder e a magia dos ebo.


O jogo divinatório trás ao sacerdote do culto de òrìsá informações detalhadas da vida do suplicante, sendo assim através de uma leitura de Ifá nós devemos buscar a origem do problema, o que esta gerando os conflitos vividos pela pessoa e o Etutu, oferenda como complemento do ébó, exato para podermos solucionar a questão.
Sendo assim podemos concluir que a arte divinatória é muito complexa, pois está interligada de forma direta com os aspectos sociais nobres e sábios que a manifestação o dos Orisas nos trazem.
O saber é um dever de todo o segredo do sucesso é a diferença nas características de cada Ebó!
O ebó não pode ter dúvidas, é através de nossas informações básicas que devemos o complemento de cada ebó para uma solução exata, além de um direcionamento correto das energias presentes no ebó.

Existem basicamente ebó com três características diferentes
Ebó curativo - Elimina a dor, a angústia, o problema e a depressão tanto de origem mental física quanto de origem espiritual.
Ebó preventivo - Impede que os problemas, sofrimentos e doenças cheguem até as pessoas, evitando assim que haja uma disfunção em nosso destino.
Ebó atrativo - Possui a capacidade de fazer chegar até nós tudo o que está em nosso destino, tirando os obstáculos e tornando assim nossa vida mais simples.

A base da preparação e o sucesso do ebó estão interligados a própria formação e capacidade do sacerdote na confecção do mesmo, pois quanto maior for o seu conhecimento e suas proteções maiores será o sucesso do mesmo.

O destino dos Ebós

O ebós possui três fazes:
Babalawo / ebó / destino, que pode ser um Ojubó de um Orisa receptor.
O sacerdote precisa ser iniciado e preparado, pois passando por determinados rituais que tem por principal finalidade promover um aumento do seu Asé e força vital essencial, além é claro de um conhecimento específico para poder direcionar esse Asé de maneira específica, ao ponto de pegar um copo com água ativá-lo, dar para alguém tomar e aliviar os seus problemas e males.
O ebó ori, o igba Ori e a iniciação contribuem de forma decisiva para nossa evolução, pois através desses rituais ganhamos recursos extras para o domínio dessa forças.
O sacerdote busca através da magia do sobrenatural direcionar o ebó para promover o crescimento e o progresso de seus suplicantes e filhos.
Além do que, o poder da magia nos previne de todos os males que as energias negativas possam nos causar, pois nos das condições de nós sacerdotes nos alinharmos com os Orisas e com as forças consumidoras dos ebós.

O Asé da magia é que nos favorece no ebó.

O sacerdote usa anéis preparados que o protegem na hora do ebó, patuás, preparados mágicos e medicinas para que seus desejos se consagrem e esteja protegido na hora de ebós.
Usa Afosés para que sua manifestação oral se consagre no astral e se realize na vida da pessoa.
Eyonus aye, ebos ingeridos, o preparo da vista para transportar o ebó.
Sendo assim podemos concluir que um ser humano passa por várias situações antes de estar apto a realizar suas funções sacerdotais.

Já em relação aos poderes sobrenaturais do espaço Ikolé Orun, faz parte da base de um sacerdote o Ojubó Esu, Iyá mi Aye e Ogun, venerar a terra de maneira correta, Babá egungun, Oso e outros pactos com energias uteis a um sacerdote.

Quanto menos Ojubó ele possuir mais cargas em cima do sacerdote.

Existe um ditado em Yoruba que diz: A folha é que faz ferver a água dentro do copo!
Sendo assim podemos concluir que a força está dentro do sacerdote e em suas mãos, pois o Asé está dentro de cada um!
Portanto os elementos presentes em um ebós nada mais são de que agenciadores do ebó, materiais utilizados em sua confecção, pois sem a responsabilidade e o conhecimento do sacerdote para invocar suas forças e energias sobrenaturais e direcioná-la da formas correta de nada é válido.
Para o ebó existir, é necessário que ele tenha um nome, ato do ebó pra qual finalidade e um fim, ou seja, pra onde realmente ele deve ir.
Batizamos o ebós com um início, por que estou fazendo esse ebó e o que me levou a fazê-lo?
E um fim qual a finalidade deste ebó?
A razão pelo qual o ebó esta sendo feito, a conscientização do ebó em relação ao seu objetivo, devemos conversar com o ebó, pois é através desse diálogo que damos vida a ele e mandamo-lo para frente e de encontro à solução para esta pessoa.
No ato do ebó quando falamos com cada elemento material fazemos com que esse elemento manifeste seu asé que está dentro dele mesmo e seu segredo, a força desses Asé esta no conhecimento da energia dos elementos.
Por isso um ebó pode curar uma doença, pobreza, tirar obstáculos e abrir caminhos para as pessoas. Por isso muitas vezes os elementos dos ebós são os mesmos, pois somos nós é que direcionamos a energia deles.
O ebó trás vários benefícios, além de realizar o objetivo específico ele trás consigo um situação de saúde dinheiro e felicidade.
Não existe um ebó que seja para um só objetivo específico. Cada elemento trás consigo e injeta no ebó suas energias que irão trazer para o cliente soluções. A situação é muitas vezes complexa e sofisticada, o Orisa é sofisticado por que ele é muito simples, basta conhecê-lo.

Òrìsà é solução e não sofrimento!

Após a utilização é necessário o processo da reza, onde o cliente ou o filho nos acompanha através da conscientização do problema, a pessoa expressa sua vontade e desejo e nesse momento ela se abre para a energia da vida, devendo nesse momento pedir com convicção para convencer a sorte.
O poder da palavra é muito importante, pois constrói e destrói, por isso falamos com o ebó e com a pessoa com o poder claro para que a pessoa se livre de todo sofrimento e perturbação.

Reza para conscientizar o ebó de sua função, Reza para propiciar e encaminhar o ebó.

Essas rezas levam o ebó e com ele o problema, atraindo novas possibilidades.
O ebó não pode ter enfoque negativo, pois a energia é dinâmica e bilateral capaz de enlouquecer alguém.
Pode se tratar de energias muito complexas por isso é necessário termo os Ojubós Orisas para suportarmos essas energias dinâmicas!
Após essa invocação que formamos o ebó, concentramos todos os elementos utilizados no ebó e assim consertamos os problemas da pessoa numa energia só, ou seja, no ebó.
Ao realizarmos isso tudo damos personalidade e forma ao ebó, porém isso é só começo.
A partir daí a responsabilidade do sacerdote vai diminuindo, já que ele joga a responsabilidade e os problemas nos elementos e no ebó montado, para transformar o destino.
Sendo assim podemos concluir que os sacerdotes nada mais são do que interlocutores entre o homem e os Orisas.
O destino de cada ebó pode ser:

*na encruzilhada em T
*no rio
*no mar
*na cachoeira
*na estrada
*na mata
*montanha
*Ojubó Èsù, Ògún, Yami.
*na feira
*aos pés de uma árvore
*Na copa de uma árvore
*no lixo e etc...
Os destinos são múltiplos, e cada destino tem a ver com a fase e o momento da vida de cada pessoa.
O tempo do ebó é uma coisa específica que deve ser consultado no jogo, pois cada ebó tem seu tempo certo e destino correto. A cada consulta gera um Odú que gera um ebó, por isso o jogo não deve ser consultado desnecessariamente.

Animais e Sacrifícios
Um animal pode ser utilizado e não sacrificado, porém ao ser sacrificado nós sacerdotes buscamos na vida desse animal força vital de energia para alimentar um filho ou um cliente. Os elementos do sacrifício são de suma importância, pois visão sempre o benefício da pessoa.
*O cabrito ou a cabra: Trabalham pela resistência, pela reconquista da energia vital em todos os seus aspectos e dimensões.
Para a energia vital precisamos do ejé para manter a vida, reforçá-la impedindo assim a morte. Na verdade quando sacrificamos um animal encaminhamos seu espírito e fazemos a troca de energia dando a pessoa à energia vital necessária.

Muitas vezes utilizamos à parte interna dos animais (órgãos) correspondentes a o que esta causando mal e doenças a pessoa.
Por ex: O coração é utilizado para levar problemas de coração da pessoa para o coração do animal.
Nos ebós de cura tiramos determinadas partes do animal e colocamos no ebó, com isso definimos o ebó, trazemos assim energia vital à pessoa a parte afetada.
Este transporte garante assim a sobrevivência da pessoa.
O ejé na pessoa, no Esu, no banho ou no ebó, tem o poder de revitalizar a pessoa em energia para que isso faça reflexo no físico, ou seja, na saúde e vida cotidiana da pessoa.
Antes de sacrificarmos um animal nós encostamo-nos à testa e no peito da pessoa, em caso de doença a mãe pode ser representante da pessoa, encostamos então os elementos no peito esquerdo da mãe. Se for o pai encostamos à testa e no peito.
Não existe distancia para o ebó e seus elementos, a pessoa pode estar do outro lado do mundo. (porque em qualquer lugar do planeta existem os elementos fundamentais, água, terra, fogo e ar).

Obs. para doença é importante sempre colocar um pouco de ejé no Ojubó Esu, no ebó, para consagrar o ebó, no banho e na pessoa, e a parte do animal correspondente a doença da pessoa com bastante dendê.

A ovelha: possui um ase destinado abrir caminho e a prolongar a vida das pessoas.
O carneiro: animal importante quanto a questões de justiça, perseguições físicas e espirituais de energia negativa e traições, pois com ele fazemos prevalecer à justiça no caminho da pessoa.
Quando for feito um ebó dirigido a Songo, 12 edun ara (pedra de Sango) mais todas as comidas de Sango mais a cabeça do animal.
O galo: Serve para alimentar Esu com energia para alguém e também para absorver problemas da pessoa. Propicia a pessoa à energia que direcionamos no final do ebó, abre caminhos à pessoa.
A galinha: absorve os problemas, atrai a estabilidade e preservação da vida da pessoa, ao ser oferecido as Yami ela atua em um campo de proteção ampla e ilimitada, proteção de eliminar problemas e inverter e prevenir situações.
Obs. as Yami são muito ligadas às curas por serem detentoras da vida na terra e consumidoras de ebós.
O pombo: Para fazer as coisas se tornarem favoráveis as pessoas, absorver e encaminhar um problema e ativar o poder de Odu Ifá.
A D'angola: Ela possui energia dinâmica para trazer resistência e harmonização à vida da pessoa. Reduzir o cansaço e esgotamento, estress e para a pessoa renovar as suas forças e conquistas.

O Igbin: Sua energia trás a ponderação, seu ejé equilibra e harmoniza o ebó e tudo o que foi feito. Usado muitas vezes como complemento do ebó.
É usado para pessoas que não conseguem absorver o asé que está sendo colocado em seu caminho.
O igbin prepara a pessoa para receber tudo aquilo que esta sendo dado a ela, usado também para pessoas que alternam bons e maus momentos.
Pois ele tem o poder de colocar o que esta ausente na vida da pessoa.
Pepeyé: Aquele que tem a longevidade, também utilizado para limpeza na pessoa e para questões físicas.
Elementos

Ogédé (banana): Para simplificar e facilitar situações.
Owo eró: búzios utilizados para comprar o sofrimento das pessoas.
Moedas antigas: Utilizadas para pagar os Ajóguns (energias negativas que são ligadas com as Yami.
Ebo (canjica): para paz e harmonia.
Grãos: símbolo de abundância, multiplicação sempre torrados.
Atare: Utilizado para consagrar o diálogo dar forças as palavras, utilizados em comidas e também para multiplicar os desejos.
Ekó (akasá): Para alimentar as energias e acalmá-las.
Eyin adié (ovos de galinha): para dar a vida, para fazer prevalecer à sorte e transforma a negatividade.
Eyin pepeyé (ovos de pata): limpar a negatividade e revitalizar.
Obi: utilizado com oráculo para conversar com as energias e os ebós, aplacar a ira de energias negativas e a fruta da vida onde no momento de comunhão com os Orisas a pessoa se conecta com sua ancestralidade.
Orogbo: utilizado para vida longa, aumento de resistência e perseverança da pessoa, quando utilizado com casca para que um segredo não seja revelado.
Oyin (mel): Utilizado para alegria, bem estar, harmonia, prosperidade e para que algo ou alguém nunca seja desprezado.
Epo (dendê): Elemento de efeito calmante, trás equilíbrio e facilidades.
Ayó (sal): Para sorte e preservação, para que a pessoa consiga manter suas conquistas.
Ejá aró: peixe defumando utilizado para iniciativa e vencer obstáculos.
Ejáaró tutu: peixe fresco utilizado para dar força ao Ori e que essa pessoa nunca bata cabeça na vida.
Ilé (terra): utilizada para abençoar a pessoa para que seu destino seja o melhor possível.
Carne vermelha: trás garra.
Ireke (cana de açúcar): Pra prosperidade e felicidade.
Asó funfun (pano branco): Usado como elemento de ligação e transporte entre os elementos do ebó e as energias da natureza.

Adìn Dudu: Elemento utilizado para atrair e ativar a ira de energias negativas (Esu, ajoguns, Yami, etc..)
Adìn funfun: Elemento utilizado para cura de espírito de uma pessoa, indispensável no culto a Obatalá.
Ori (gordura vegetal): para acalmar a dor, neutralizar negatividades, usado em determinadas medicinas para atrair a simpatia das pessoas.
Efun: para atrair o asé, para ser presenteada e ganhar coisas de alguém, Utilizado também em rituais de iniciações para pintar os filhos para livrá-los da morte como Obatalá livrou a galinha da angola pintando-a.
Osun: usado para que a essência vital o asé e as conquistas não se acabem.
Agbe: Para atrair a sorte e atingir objetivos difíceis sem ter prejuízos, pois o pássaro Agbe ele mergulha fundo pra caçar sem se afogar.
Alukó: pena roxa utilizada para que a pessoas encontre a própria sorte, sem ter prejuízos, pois o pássaro Aluko voa o mais alto possível sem queimar suas asas.
Leké-leké: ave sagrada traz harmonia leveza e nitidez às pessoas.

Ikodidé: Simboliza o nascimento, para consagrar o que esta sendo feito trazer muita sorte para a pessoa.
Yerosun: Elemento sagrado de Ifá tem o poder de transmitir o asé de Odú ao que esta sendo feito, ativar o Odú Ifá.
Erú (cinza): utilizada para apagar o sofrimento, perseguição e morte da vida da pessoa, e para aumentar a capacidade de entendimento das pessoas.
Iyepé okun (areia do mar): utilizada para trazer sorte, sabedoria, grandeza.
Iyepé Odó (areia de rio): proteção e riqueza devem ser utilizadas na entrada das casas.
Akará e Abará: tem o poder de atrair e neutralizar energias.
Fava de Opelé: utilizada para equilibrar o destino de uma pessoa.
Aridan: para atrair brilho e sorte a vida da pessoa.
Bejerekun e Lelekun: para afastar forças intrusas e surpresas desagradáveis.
Agbón bigbé (coco seco): usado para aliviar qualquer tipo de problema e sofrimento.
Esun Isu (inhame assado): usado para Ogun para abertura de caminhos.
Iyán (inhame cozido): usado para solução de dúvidas para Obatalá, sofrimentos físicos depressões e mesmo doenças graves


2 comentários:

  1. onde posso encontrar informações sobre waji

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  2. Anonimo Waji pertence a Osun.
    Representa a noite, a profundeza das florestas.

    Ire o

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O Culto Tradicional Yorùbá, vem resgatar nossa cultura milenar, guardada na cabaça do tempo.