quarta-feira, 2 de março de 2011

ITANS DE OSÁ - MEJI

OSAMEJI É ACUSADO DE SER UM FEITICEIRO
Numa noite, ele sonhou que foi chamado a juízo perante a conferência das divindades e acusado de
uma ofensa secreta. Na manhã seguinte ele foi até um Awo chamado Asare Lo, Awa Ajoyo, para
divinação. Foi avisado a fazer sacrifício com um carneiro, dez caracóis, um coelho e um peixe para
Ifá, a fim de que talvez alguém não levantasse uma falsa acusação contra ele. Ele fez o sacrifício.
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Neste meio tempo houve confusão entre os dezesseis Olodus de Ọrúnm.lá quando Orongun-Meji
acusou Osameji de ser o feiticeiro que estava matando os filhos Eji-Elemere. A acusação criou tanto
furor que os dezesseis Olodus convocaram uma conferência para solucionar a questão. Eles
descobriram que os filhos de Eji-Elemere estavam sendo mortos por suas esposas. Osameji foi
então inocentado e Orangun-Meji foi avisado a se desculpar por mentir contra ele.
OSAMEJI DESCOBRE A CAUSA DOS SEUS PROBLEMAS
Ele estava ficando preocupado porque estava justamente solucionando um problema após o outro.
Ele foi a um Awo chamado Esi Saara, Esi Jasan, que o avisou a dar um bode a Èşu e um porco para
Ifá e oito ovos e um bode castrado para as mais velhas da noite. Ele fez o sacrifício.
Logo após o sacrifício, sua esposa mais velha sentiu uma palma em sua face e começou a confessar
como estava fomentando um problema após o outro para ele por meio de feitiçaria. A mulher
confessou tudo que ela havia feito e prometeu que daí em diante ele não iria ter mais problemas e
que desfrutaria felicidade perpétua por todo o resto de sua vida. A mulher então lhe implorou por
perdão e ele a atendeu. Depois disso, Osameji não teve mais problemas com feiticeiras.
OSAMEJI FINALMENTE AJUSTA SUAS CONTAS COM A FEITIÇARIA COM UM CONVÊNIO
Ele foi o único que as trouxe ao mundo e que as salvou da extinção total da face da terra. O caso a
princípio diz respeito a Oríşa N’Lá que, como representante do próprio Deus na terra, era o chefe
das divindades, inclusive a comunidade feiticeira.
Oríşa tinha dois lagos ao redor de sua casa. Um deles costumava secar durante a estação seca
enquanto que o outro provia suprimento de água por todo o ano. Os dois lagos eram usados
normalmente por tudo e todos. Mas as esposas de Oríşa estavam gracejando dele por permitir
feiticeiras, entre outros, a fazerem uso do seu lago. Ele reagiu fazendo do lago permanente
exclusivo para o uso de sua família, neste meio tempo permitindo as feiticeiras a usarem aquele que
secava na estação seca.
Tendo conhecimento que seu lago não poderia provê-las com água durante a estação quente, as
feiticeiras foram à divinação em que fazer para garantir suprimento de água por todo ano em seu
lago. Foram avisadas a dar um bode para Èşu, que após comer, mergulhou no lago exclusivo de
Oríşa N’Lá, removeu a pedra com a qual o manancial do lago era represada e transferiu-a para o
lago das feiticeiras. O efeito da pedra foi impedir a água de escoar solo adentro. Garantido que seu
lago já não mais secaria, elas designaram dois pássaros para guardá-lo contra intrusos. Os pássaros
eram chamados Ikaare (Akpalakperam em Bini) e Otuutu (Emrimohi em Bini).
Quando chegou a estação seca o lago de Oríşa N’Lá rapidamente secou, enquanto que o das
feiticeiras permaneceu cheio de água. As feiticeiras deram aos dois pássaros o sinal de chamada
para alertá-las se algum intruso viesse para apanhar água de seu lago. Quando os familiares de Oríşa
N’lá ficaram sem água, foram ao lago das feiticeiras. Os pássaros os permitiu coletar água mas as
esposas também foram ao lago para tomar seus banhos. Foi neste momento que os pássaros
começaram a dar seus sinais de chamado para suas líderes.
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Ikaare foi o primeiro a anunciar “Aya Orísa weeee” e Otuutu gritou “Aya Orísa ponmi tu tu tu tu “.
Com o que, as intrusas compreenderam que havia guardas vigiando o lago. Elas rapidamente deram
meia volta e correram para casa.
Quando as feiticeiras vieram perguntaram aos guardas quem eram os intrusos e eles responderam
que eram membros da família de Oríşa N’Lá. Elas juraram punir Oríşa N’Lá por infringir a
proclamação que ele mesmo fez, por permitir sua família de usar o lago.
As feiticeiras avançaram cantando:
Eni Asoro, omo eronk aafobo oniyan,
To Oríşa Taayare, Aarije, Aarimu.
Pandemônio é permitir perder hoje
Todos os pássaros da floresta irão falar como seres humanos.
Nós devoraremos Oríşa N’Lá suas esposas neste dia.
Quando Oríşa N’Lá ouviu a canção de guerra das feiticeiras à distância, fugiu da sua casa para
tomar refúgio com Ògún. Ògún ficou preparado para fazer a guerra com os invasores e sentou-se de
fronte a sua casa aguardando a chegada das feiticeiras. Assim que elas chegaram no portão de Ògún,
ele arremessou seu fósforo e lançou faíscas de fogo. Mas elas engoliram Ògún com seus
instrumentos ígneos e Oríşa N’Lá escapou pela porta dos fundos. Ele tomou refúgio no palácio de
Şàngó e o mesmo fato aconteceu a ele. Oríşa N’Lá correu para a casa de todas as outras divindades
mas todos elas foram engolidas pelas feiticeiras invasoras.
Oríşa N’Lá por fim correu para a casa de Ọrúnm.lá e ele preparou um esconderijo em seu altar para
escondê-lo. Ele fez Oríşa N’Lá se esconder sobre o altar e cobriu-o com sua cabeça se projetando
através do pano branco. Este é hoje a importância para a elevação que se projeta sobre a cobertura
branca no altar de Ọrúnm.lá. È chamada de Oríte.
Osameji então retirou sua tábua divinatória (Akpako) e preparou seu pó divinatório e marcou seu
próprio Ifá e com Uroke, ele soprou-o sobre sua casa bradando Ero, Ero, Ero, (que está em paz, paz,
paz): Quando as feiticeiras alcançaram a encruzilhada fechada para sua casa perderam seu rumo e
ficaram confusas. Mas enviaram seus dois batedores para orientar o seu avanço para aonde quer que
Oríşa N’Lá estivesse. Os dois batedores encontraram Ọrúnm.lá frente a sua casa e disseram que eles
haviam seguido os passos de Oríşa N’Lá até sua casa. Ele confirmou que ele de fato estava
guardando-o, mas apelou a eles que ele já estava tão pálido e sem vida que se o matassem naquelas
condições, não haveria carne nele. Ele os convenceu a darem sete dias para engordá-lo antes de o
matarem. Ele então se ofereceu para partilhar da carne de Oríşa N’Lá.
Ele falou para eles um encantamento o qual é proibido ser mencionado ou falado porque invoca
devastação. O resumo é que ele conjurou-os para aceitarem qualquer explicação que ele desse por
ocultar Oríşa N’Lá. Sob a influência do encantamento eles concordaram e retornaram para a base.
Na manhã seguinte Osameji fez divinação e ele foi avisado a dar uma galinha branca para Ifá e um
bode para Èşu. Ele rapidamente fez sabendo que as feiticeiras encurtariam o compromisso de
seguir-se dias e noites. Ele também foi avisado a preparar um banquete com coelhos para as
feiticeiras e preparar vinho de palma envenenado com Iyerosun e o encantamento sobre o qual não
poderia ser mencionado.
Ele também preparou uma área cercada à frente da sua casa e colocou um tipo de goma adesiva,
chamada Aare em Yoruba, e Uho em Bini, para besuntar a cerca. Ele preparou dezesseis assentos de
madeira, também besuntados com a goma, e colocou-os dentro do cercado.
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O dia marcado chegou e Osameji preparou o banquete colocando a comida e bebida dentro do
cercado. Tão logo as feiticeiras chegaram, tomaram seus assentos e começaram a comer e beber.
Após comerem e beberem disseram a Osameji para entregar Oríşa N’Lá e antes que ele pudesse dar
uma resposta uma delas avistou Oríşa N’Lá dentro do altar de Ọrúnm.lá donde ele surgiu para ver
os invasores. Aquela que o viu gritou que Oríşa N’Lá estava sob o altar de Ọrúnm.lá. Quando elas
se moveram para atacar, Èşu havia colado-as firmemente em seus assentos e elas estavam
impossibilitadas. Quando tentaram rolar os assentos a cola na cerca deteve suas asas. Elas estavam
totalmente dominadas.
Neste ponto, Osameji deu sua faca de Ifá (Aza) para Oríşa N’Lá e ele fixou-a no Uroke e eles
começaram a destruir as feiticeiras uma após a outra. Quando haviam destruído todas, elas deram o
sinal de rendição. Eles não sabiam que uma delas deu um jeito para se esconder sob o altar de
Ọrúnm.lá, o mesmo lugar aonde Oríşa N’Lá tinha se escondido antes do ataque.
Enquanto eles estavam matando-as eles estavam cantando:
“Ota mi po yee
Okon kon nu uku saan paa yeye.”
Meus atacantes são muitos.
Eu os matarei um após o outro.
Quando Oríşa avistou que uma estava escondida sob o altar de Ọrúnm.lá, ele quis matá-la da
mesma forma, mas Osameji impediu-o, pois ele não poderia destruir nada colocado sob seu altar de
Ifá da mesma forma que sua vida (Oríşa N’Lá) foi poupada sob o mesmo altar.
Eles então retiraram a feiticeira que era uma mulher e removeram a cola de seu corpo. Quando eles
examinaram-na atentamente descobriram que ela estava grávida. Osameji então comentou que era
proibido matar intencionalmente uma mulher grávida. Em Bini se diz: “Aigbozi gbeken”.
Oríşa N’Lá insistiu que se era permitido a mulher sobreviver, ela daria origem a mais feiticeiras que
tentariam destruir o mundo como a primeira geração de feiticeiras tentou. Acredita-se
decididamente que se aquela mulher tivesse sido morta naquela noite, teria significado o fim da
genealogia (criação) da feitiçaria na face da terra. Oríşa N’Lá contudo sugeriu que ela seria
obrigada a tomar um juramento de não destruir pessoas inocentes na terra.
Osameji então propôs a Oríşa N’Lá que o solo (Ile) era a única divindade com capacidade para
destruir as feiticeiras se elas se comportassem mal, visto que o solo é a única força que supervisiona
todas as outras forças e ações terrestres. Ele cavou um buraco no chão e preencheu-o com todos os
tipos de alimentos comestíveis com obi colocado no topo delas. Eles então fizeram-na jurar ao chão
(Ile) matá-la ou a qualquer um de seus filhos de geração a geração se elas em alguma ocasião
matassem algum dos filhos seus ou de Ọrúnm.lá sem uma causa justa. Ela fez o juramento e comeu
o obi no topo do monte.
Contudo ela lhes pediu para deixá-la saber como iria comer se não podia matar nenhum dos filhos
de Deus ou de Ọrúnm.lá. Oríşa N’Lá replicou que se ele ou algum de seus filhos as ofendesse ou
suas coisas fossem retiradas delas, ele pagaria pela ofensa matando um animal, seja um carneiro,
uma cabra, ave, etc e derramaria o sangue do lado de fora da casa. Aquele é o sinal que as oferendas
haviam pago a ela pelas ofensas cometida. Elas então deixaram no sozinho. Este é o significado da
Sarah com que os filhos de Deus fazem até hoje. É o sinal que a oferenda é de um filho de Deus e as
feiticeiras irão aceitá-la e garantir os pedidos do ofertante.
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Por outro lado Osameji disse que se ela visse alguma comida preparada em um pote e depositada na
encruzilhada, na beirada estrada ou no topo de um incinerador, ela deverá saber que é de um filho
de Ọrúnm.lá e deverá aceitar a comida e deixar o ofertante sozinho. Este é o Etutu (Izobo em Bini)
que Ọrúnm.lá freqüentemente adverte os seus seguidores a fazer de noite quando estão com
problemas com as feiticeiras. Este é o motivo porque o Iyerosun marcando Osameji é
freqüentemente traçado na tábua de divinação quando oferendas são feitas para a noite.
O encantamento, que não pode ser mencionado aqui, e que os sacerdotes de Ifá repetem quando
estão fazendo uma oferenda para a noite, é para fazê-los se lembrar que as oferendas pertencem a
Ọrúnm.lá e que devem se lembrar do juramento que ministraram a sua mãe naquele dia fatídico.
O significado destas revelações é que nenhuma outra divindade é capaz de resistir às feiticeiras
quando elas decidem atacar. Elas podem subjugar todos eles, com exceção de Deus e Ọrúnm.lá, por
causa do jeito que eles as manipularam naquela noite fatídica. Alguém que acredita que encantos e
outros preparados diabólicos podem subjugar a feitiçaria está apenas se iludindo, a menos que elas
quebrem contrato que sua mãe registrou naquela noite e que salvou-as da extinção total.

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