quarta-feira, 2 de março de 2011

ITANS DE OSÁ - MEJI

Seu primeiro trabalho como sacerdote de Ifá foi auxiliar uma mulher grávida em seu trabalho de parto. Èşu tinha estado por muito tempo aguardando-o para iniciar seu sacerdócio antes de encontrá-lo para resgatar seu bode. Assim que se tornou um homem, ele se casou como uma jovem, moça bonita que também era uma feiticeira. A casa que vivia era também habitada por feiticeiras.
Toda a cidade na qual ele morava era um local infestado de feiticeiras. Èşu o empurrou ao local como punição por sua estúpida recusa em lhe dar um bode. Quando ele foi à cidade descobriu que
todo mundo tinha deixado a cidade em direção a fazenda, de tal forma que ele aguardou durante todo o dia seguinte em que a cidade já estava desolada exceto de uma mulher grávida que estava em trabalho de parto. Sendo a única pessoa ao redor, ele auxiliou a mulher a dar a luz.
Não tendo comido desde o dia anterior ele estava realmente faminto e quando tentou achar alguma coisa na casa para comer, se dirigiu para o depósito de comida aonde inadvertidamente deixou cair um ovo que se quebrou em pedaços. O próximo objeto que ele tocou imediatamente mudou a pigmentação de suas duas mãos para albino branco. Este acontecimento assustou-o tanto que ele correu para a floresta.
Quando os habitantes da cidade retornaram da fazenda a recém mulher parida lhes contou do visitante que veio a cidade. Assim que eles ouviram sobre sua chegada, começaram a procurá-lo, pois estavam certos de transformar a próxima vítima sacrificial no culto das feiticeiras. Neste meio tempo, ele encontrou um caçador na floresta que lhe disse que a cidade de que veio estava totalmente habitada por feiticeiras. Ele também lhe disse que o povo estava o procurando naquele instante e que sua vida estava em perigo. Para se desviar do perigo, foi solicitado a dar um bode a Èşu imediatamente.
Ele então providenciou um bode de sua bolsa divinatória e deu-o a Èşu. Após sacrificar o bode, o caçador pegou folhas da floresta e lavou a cabeça de Osameji com elas. Osameji não sabia da onde o homem pegou água e nem o pote com o qual lavava as folhas. Então compreendeu que Èşu havia provavelmente se transfigurado no caçador. O caçador lavou a suas mãos com a substância bem como todo seu corpo. Imediatamente suas mãos recuperaram a sua pigmentação normal.
Neste meio tempo, a criança recém parida que falou do dia em que nasceu, narrou como Osameji veio à cidade e como a cor de suas mãos mudou. Com aquela marca de identificação todo o povo
achava que seria fácil prendê-lo assim que o capturassem, mas após o banho que o caçador lhe deu, seu corpo inteiro começou a escurecer tanto quanto antes.
Quando ele tentou escapar da área, Èşu lhe disse para não se esconder porque era necessário desmentir a informação dada sobre ele ao povo, pela criança recém nascida, com medo que as feiticeiras perseguissem-no aonde quer que fosse até que o matassem. Èşu enfatizou que ele já era um alvo e que uma vez que as feiticeiras marcavam alguém para a execução, não havia escapatória, exceto através de cheque-mate e sacrifício. Com o que ele concordou e seguiu Èsù para a cidade.
Quando chegou à cidade, a mulher identificou como o homem que quebrou o ovo e poluiu seu remédio. Quando elas o questionaram, ele negou. Elas avisaram-no para mostrar suas duas mãos as quais tinham dito que havia se tornado branco do remédio que ele tocou. Elas descobriram que as suas duas mãos tinham a mesma cor do resto do seu corpo, tão negras quanto o carvão. O povo então se voltou para a mulher para ela explicar como sabia que era o estrangeiro quem cometeu a ofensa e ela revelaram que foi seu filho mais velho que disse.
Já que ficou claro que a mulher havia mentido, acusaram-na de ingratidão grosseira por tentar destruir o homem que veio auxiliá-la no esforço de conseguir dar a luz em tempo, quando ninguém estava em casa. As mais velhas rapidamente modificaram o veredicto de morte pela execução da mulher e seu filho. Osameji suplicou em vão para poupar a vida dos dois, mas elas disseram para não desperdiçar suas palavras, porque nada havia como perdoá-las em sua própria tradição. A mãe e a criança foram executadas porque é proibido sob pena de morte para alguém mentir na cidade.
Para agradecer Osameji pela assistência que prestou em sua ausência, ela recompensou-no com presentes compostos por um homem, uma mulher e uma cabra, todos feiticeiros. Chegando a casa ele ofereceu a cabra para Ifá e deu outro bode para Èşu para expressar sua gratidão por ter vindo em seu socorro no momento crítico. Ele então fez um banquete em louvor a Ọrúnmilá.


AS FEITICEIRAS DESCOBREM A VERDADE.

Durante o encontro seguinte das feiticeiras elas descobriram que foi Èşu quem auxiliou Osameji a falsificar os acontecimentos da história que lhes foi dada pela mulher e pela criança executadas, e então decidiram que Osameji deveria morrer antes do final daquele ano. Ele viu em seu sonho e decidiu convocar os seguintes Awo para divinação:
Ajibola ni sawo ki maaki, meeki
Opolo mi ko yongidi le wa
Akidan mi Ata mode
Ojo ko ba mu ni run, Oni moni dede.

Quando consultaram Ifá para ele, seu Odu surgiu. Eles lhe disseram que a morte estava por acontecer antes que aquele ano acabasse e que nada poderia ser feito para pará-lo. Após estas más notícias, ele ficou sozinho e começou a chorar. Quando a esposa viu que o fim do seu marido estava por vir, ela empacotou seus pertences e partiu.
Chegando ao mercado ela encontrou dois sacerdotes chamados Oleu ken bi aja e olurin kurin Omã erukunse soro soro. Eles a questionaram se por acaso não seria a esposa de Osameji e ela confirmou, mas adicionou que as feiticeiras haviam lançado uma sentença de morte sobre seu marido e que havia sido confirmado na divinação que ele morreria antes que o ano acabasse, e que era por conta da irreversibilidade da situação que ela estava partindo.
Eles a persuadiram a retornar com eles para sua a casa e garantiram a ela que estavam convencidos que haveria de ter um remédio porque Ọrúnmilá não se rende às impossibilidades. Eles ainda encontraram Ọsameji chorando com seus olhos baixos. Quando lhes contou o Odu que surgiu, eles perguntaram se ele estava chorando porque o significado dele era aquele, e que era o ano em que prosperidade estava vindo em seu caminho, se ele pudesse fazer o sacrifício necessário. Eles lhe disseram que ele teria um novo filho naquele ano, construiria sua própria casa e teria dinheiro plenamente, se ele pudesse dar:

I ) Bode para Èşu;
II ) Porco para Ifá e
III) Pombo para Olokún.

Ele rapidamente comprou as coisas e eles o auxiliaram a fazer o sacrifício. Ele indenizou os visitantes e eles partiram da casa.
E no final daquele mês sua esposa perdeu sua menstruação e ficou grávida. Não muito tempo depois sua popularidade aumentou muito e seu trabalho se tornou muito próspero e dinheiro veio a ele de todas as direções. Tão logo sentiu que tinha dinheiro suficiente, ele comprou sua própria casa.
Após completar sua casa, sua esposa deu à luz. Ele adentrou o novo ano com opulência e contentamentos sem precedentes.
Para expressar sua gratidão aos divinadores que lhe trouxeram a prosperidade, ele deu um porco e uma cabra a ifa, e um bode a Èşu e um galo e um pombo para Olokún. Para o banquete ele convocou os dois pares de Awo que lhe fizeram divinação e após a vitória e comemoração, ele cantou em louvor aos Awo e divindades e todos se alegraram por ele sobreviver a suas dificuldades.

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