quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

ITANS DE ÒGÚNDA-MEJI / ÒGÚNDA JA MEJI

Ògúnda Meji foi um dos mais poderosos divinadores, tanto no céu como na terra. Ele era considerado por ter a força de Ògún e a inteligência de Ọrúnmilá em seu trabalho. Foi ele quem revelou a estória da segunda tentativa de fazer as divindades colonizar a terra. Obara Bodi um dos discípulos de Ọrúnmilá revelará mais tarde os detalhes da primeira tentativa de colonizar a terra e como foi fundada.
ÒGÚNDA-MEJI
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Ògún, a divindade do ferro e a mais velha das divindades criadas por Deus era também fisicamente mais forte que todas as 200 divindades. Ele freqüentemente era referido como o Desbravador de Caminhos, porque guiou a segunda missão de reconhecimento do céu para a terra. Diz Ògúnda- Meji, que foi por conta dos atributos físicos de Ògún que Deus apontou-o para abrir uma trilha para a segunda habitação na terra. Ele era conhecido por ser egocêntrico vaidoso e quase nunca consultava alguém para aconselhar-se.
Ele confiava quase que exclusivamente em suas habilidades produtivas e força física. O que explica o porquê não se incomodou em ir à divinação ou consultar alguém quando foi indicado por Deus para empreender a tarefa de estabelecer habitação na terra.
Assim que recebeu de Deus a ordem de prosseguir, ele o fez quase que imediatamente. Deus lhe deu 400 homens e mulheres para acompanhá-lo na missão. Chegando a terra, não demorou em descobrir as conseqüências de não fazer os preparativos adequados antes de virem do céu.
Seus seguidores mortais logo ficaram com fome, e exigiram comida. Já que vieram para o mundo sem nenhum suprimento, ele apenas poderia recomendar-lhes a cortar gravetos de uma floresta próxima para comer. O processo de se alimentar com gravetos não os satisfez e logo seus seguidores começaram a morrer de fome. Apreensivo por perder todos os seus seguidores por inanição decidiu retornar para o céu e comunicar o Pai Todo Poderoso que sua missão era impossível.
Em seguida Deus convocou Olokún, a divindade da água para guiar a segunda missão para a terra.
Ele também é igualmente orgulhoso e cheio de alto confiança. Também lhe foi dado 200 homens e 200 mulheres para acompanhá-lo. Ele também não fez nenhuma consulta nem divinação com os mais velhos celestes antes de vir para a terra. Chegando ele também não teve indício de como alimentar seus seguidores. Ele apenas pediu-lhes para beberem água quando ficassem com fome. Já que a água não podia alimentá-los com eficiência, começaram a morrer de fome. Logo em seguida, ele também retornou com seus seguidores que sobreviveram ao céu para informar o fracasso de sua missão. Deus então convocou Ọrúnmilá, acompanhado por 200 homens e 200 mulheres para
estabelecer uma habitação na terra. Ọrúnmilá ponderou se ele poderia ter sucesso na missão a qual tinha desafiado os esforços dos mais velhos e das divindades mais fortes como Ògún e Olokún.
Deus persuadiu-o a fazer o seu melhor, porque era necessário despovoar o céu, estabelecendo uma habitação satélite na terra. Seu servo fiel Okpele avisou Ọrúnmilá a não recusar a tarefa porque com as preparações adequadas, ele estava convencido que o sucesso o aguardava.
Com as palavras de persuasão de seu Okpele favorito, Ọrúnmilá concordou em partir na missão, mas apelou a Deus em lhe dar a indulgência para se preparar em alguns dias antes de partir.
Ọrúnmilá implorou as divindades mais velhas do céu para assisti-lo no planejamento de sua missão.
Eles lhe garantiram que ele teria sucesso em estabelecer uma habitação na terra. Ògúnda-Meji, um de seus próprios filhos pediu-lhe seis cawries e avisou-o para coletar um de cada dos animais e plantas comestíveis no céu, para a missão. Ele também avisou para dar um bode para Èşu e apelar para Èşu segui-lo para a terra na missão.
Após fazer todos os sacrifícios prescritos, ele foi finalmente liberado por Deus. Antes de partir implorou a Deus para permitir que Ule, (Owa em Bini) a divindade da habitação, fosse com ele.
Mas Deus lhe disse que não era Sua intenção divina despachar duas divindades para terra ao mesmo tempo, já que Ele pretendia mandá-las uma após outras. Deus, entretanto assegurou a Ọrúnmilá que ele teria sucesso na terra, e enviaria seu servo Okpele para voltar ao céu e buscar Ule (Owa), para auxiliá-lo. Ele então partiu para a terra.
Tão logo Ọrúnmilá partiu, Èşu foi contar a Ògún que Ọrúnmilá estava viajando para terra pela rota a qual ele (Ògún) estabeleceu. Ògún imediatamente foi bloquear a rota com uma espessa floresta.
Quando os partidários de Ọrúnmilá se aproximaram da floresta, não sabiam o que fazer. Ele enviou o rato para procurar um caminho através da floresta. Antes que o rato retorna-se, Ògún apareceu a Ọrúnmilá e interrogou-o pela ousadia em prosseguir para a terra sem informá-lo. Ele, entretanto explicou que havia enviado Èşu para informá-lo e quando Ògún relembrou que foi Èşu quem realmente avisou-o, imediatamente limpou a floresta para Ọrúnmilá prosseguir em sua jornada.
Antes de deixá-lo, Ògún avisou Ọrúnmilá que apenas outra obrigação ele lhe devia, era alimentar seus seguidores com os gravetos da mesma forma que ele fez, e então Òrúnmìlá prometeu fazer.
Nesse meio tempo, Èşu também informou a Olokún que Ọrúnmilá estava em seu caminho para a terra para ter sucesso aonde eles falharam. Olokún reagiu provocando um largo rio para bloquear o avanço. Quando Ọrúnmilá veio à margem do rio, despachou um peixe para procurar uma passagem através do rio. Enquanto aguardava pelo retorno do peixe, Olokún apareceu e interrogou-o porquê ele ousou embarcar em uma viagem para a terra sem obter sua permissão.
Ọrúnmilá explicou que longe de desdenhar Olokún, ele tinha na verdade enviado Èşu para informá-lo de sua missão na terra. Quando Olokún compreendeu que Èşu tinha vindo a ele, retirou a água para Ọrúnmilá prosseguir em sua jornada. Contudo alertou Ọrúnmilá que ele estava sob a obrigação divina de alimentar seus seguidores como ele (Olokún), com água. Ọrúnmilá prometeu acatar o conselho de Olokún. Sem mais obstáculos em seu caminho, Ọrúnmilá prosseguiu sua jornada.
Chegando ao mundo, ele rapidamente avisou a todos os seus seguidores masculinos para limpar o mato e construir cabanas temporárias cobertas com esteiras (Aghen). Quando aquela tarefa foi completada, retiraram os produtos agrícolas e sementes que ele trouxe para seus seguidores plantarem no mato que tinham limpado. Ao anoitecer todos eles se retiraram para dormir em suas cabanas. Èşu, que tinha recebido um bode antes da missão partir do céu, foi trabalhar nas sementes plantadas e nos animais. Quando eles levantaram ao amanhecer, descobriram que todos os produtos agrícolas tinham não apenas germinado, mas tinham produzido frutos, prontos para a colheita. Estes incluíam inhames, plantações, milho, vegetais, frutas, etc. Ao mesmo tempo toda a criação que eles trouxeram do céu tinham se multiplicado durante a noite. Aquele foi o primeiro milagre operado por Ọrúnmilá na terra, como uma manifestação direta dos sacrifícios que ele fez antes de vir do céu.
Quando seus seguidores então pediram por comida antes de se lançarem ao trabalho rotineiro do dia, ele lhes disse, em respeito à injunção de Ògún, para cortar gravetos do mato ao lado para comer. Eles fizeram como lhes foi dito. Após mastigarem os gravetos por um longo tempo, lhes disse para beberem água como ele foi advertido em fazer por Olokún. O processo de acatar as instruções dadas a ele por Olokún e Ògún é seguido até os dias de hoje por toda a humanidade, por meio da rotina de começar o dia com a mastigação de gravetos ou escovação dos dentes e enxaguando a boca com água.
Tendo atendido aos desejos de seus mais velhos, Ọrúnmilá disse ao seu povo para se alimentar com os animais e plantas que abundavam no povoado. Eles tinham sucesso em preparar o terreno para uma habitação permanente na terra. Satisfeito que nada então ficou em seu caminho para o sucesso na terra, Okpele propôs a Ọrúnmilá que era hora de enviá-lo para informar a Deus que a terra já estava adequadamente habitável o suficiente para Ule juntar-se a ele. Ọrúnmilá concordou, mas lhe disse que ele primeiro convocaria Èşu para acompanhá-lo na terra antes de pedir por Ule. Tendo prometido anteriormente acompanhá-lo assim que fosse convocado, Èşu imediatamente concordou
em acompanhar Okpele a terra.
Antes da chegada Ọrúnmilá pediu a seus seguidores para construir uma cabana para Èşu na entrada do povoado. Tão logo Èsù instalou-se em seus aposentos, Ọrúnmilá enviou um bode a ele. Ele ficou muito feliz em comer a sua comida preferida, a qual imaginou que não estaria disponível na terra.
Quando Okpele veio conferir se Èşu estava bem, o primeiro lhe disse-lhe para pedir a Ọrúnmilá para perdoá-lo por causa das dificuldades iniciais que criou antes do mesmo partir do céu, incitando Ògún e Olokún contra ele. Ọrúnmilá perdoou e implorou a Èşu para ficar na terra para ser seu posto de ouvinte, prometendo sempre alimentá-lo. Após aguardar em vão pelo fracasso de e retorno para o céu de Ọrúnmilá e seus seguidores, Olokún decidiu no céu retornar a terra para descobrir como a missão estava indo. Quando Olokún chegou a terra, encontrou Èşu que lhe disse que Ọrúnmilá tinha tido sucesso em tornar a terra habitável. Quando Olokún encontrou Ọrúnmilá, pediu-lhe para
perdoar por conta dos obstáculos iniciais criados por ele. Ọrúnmilá lhe disse que as desculpas não eram necessárias porque o sucesso não é gratificante sem dificuldades iniciais. Contudo Ọrúnmilá disse para Olokún concordar em viver com ele na terra. Ele então concordou em fazê-lo, mas insistiu que teria que ir ao céu para pedir ao Pai Todo Poderoso para permiti-lo retornar com seus seguidores. Olokún chegou ao céu e Deus permitiu-lhe retornar a terra com seus seguidores.
Quando Ògún ouviu que Olokún havia partido para acompanhar Ọrúnmilá na terra, ele também decidiu ir e ver as coisas por si mesmo. Quando Okpele viu Ògún partindo do céu para a terra, alertou Òrúnmìlá que imediatamente instruiu seus seguidores a dar outro bode a Èşu para evitar algum choque entre eles. Quando Ògún chegou, Èşu ainda estava comendo seu bode e estava muito ocupado para se incomodar. Ele simplesmente indicou a Ògún para seguir para onde Ọrúnmilá morava. Assim que Ọrúnmilá viu Ògún, se ajoelhou para cumprimentá-lo, sendo seu irmão mais velho. Ògún retribuiu a altura desculpando-se com Ọrúnmilá pelas dificuldades iniciais que criou para ele. Novamente Ọrúnmilá explicou que as desculpas eram desnecessárias porque sem aqueles problemas duros, provavelmente não teria tido indicio de como alimentar seus seguidores. Ọrúnmilá então persuadiu Ògún em ficar na terra com ele, porque sem ele (Ògún) era impossível para alguma tecnologia se desenvolver na terra. Ọrúnmilá explicou que sabia apenas fazer divinação, mas que não sabia como inventar ou fabricar. Sentindo-se lisonjeado, Ògún rapidamente concordou em retornar ao céu para ter permissão de Deus para voltar com seus seguidores para a terra. Ògún por fim retornou com seus seguidores.
Foi naquele estágio que Ọrúnmilá finalmente enviou Okpele para trazer Ule do céu. Quando Okpele narrou a mensagem de Ọrúnmilá para Deus, o Pai Todo Poderoso, instantaneamente convocou Ule para seguir para a terra para auxiliar Ọrúnmilá. Èşu foi novamente o primeiro agente que Ule encontrou chegando a terra. Èşu encaminhou-o para encontrar Ọrúnmilá em sua cabana. Longe de desafiar Ule como fez com Olokún e Ògún, Èşu implorou a Ule que ele sempre seria mais bem sucedido que seus irmãos mais velhos e sem ele ninguém teria satisfação completa na terra, porque ele era caracteristicamente paciente e inofensivo. Quando Ule encontrou Ọrúnmilá, prestou-lhe
respeito, fazendo-o capaz de vir e auxiliá-lo na terra. Ọrúnmilá retrucou proclamando com seu instrumento de autoridade (Aşe) que:
Se respeito lhe fosse prestado, seria sempre estendido a terra; Olokún sempre moraria na água tendo em vista o rio que usou para bloquear sua aproximação a terra, mas que ele seria o distribuidor de riquezas e prosperidade para a espécie humana; Ògún sempre seria usado para produzir grandes feitos, mas que ele próprio sempre trabalharia
agitadamente noite e dia e não teria paz de mente.
Ele então disse aos três para seguirem em seus caminhos em separado. Os três deixaram os aposentos de Ọrúnmilá. Eles mal haviam se movido para fora do aposento, quando subitamente Ule desfaleceu morto. Assim que caiu morto seu corpo desapareceu da vista e em seu lugar uma constelação de casas, prédios, e residências surgiram no chão. Desta forma, Ule tinha se transfigurado em casas respeitáveis para todos os habitantes existentes e futuros morarem. Ọrúnmilá rapidamente deixou sua cabana coberta de esteiras e foi para ficar no melhor e mais agradável aposento produzido para ele por Ule. Ògún ficou aborrecido e se recusou a ficar em qualquer um dos aposentos providenciados por Ule. Então construiu sua própria casa caindo aos pedaços, chamada izegede, a qual onde ele está até hoje.
O Olokún também se sentiu provocado e voltou-se para a água para constituir-se nos oceanos, mares e rios dessa terra. Os homens e as mulheres trazidos para a terra por Ọrúnmilá, Olokún e Ògún, logo começaram a casar entre si e multiplicar-se pelos quatro ventos desta terra. É importante relembrar que o fim da vida e reencarnação posterior dos seguidores que inicialmente vieram com Ọrúnmilá, Ògún, Olokún, e outras divindades tornaram-se os sacerdotes e filhos destas divindades até hoje e para a eternidade. Aqueles que desviaram o caminho do rebanho, ou que não foram privilegiados em descobrir sua família, são os homens e mulheres que passam por todos os tipos de
dificuldades na terra.
Neste estágio Okpele partiu para o céu, mas avisou a Ọrúnmilá para procurar por ele depois de algum tempo no caminho para a fazenda. Por fim transformou-se em uma árvore cujos frutos são usados até hoje para preparar o instrumento divinatório Okpele. Ele disse a Ọrúnmilá como usar as sementes que ele traria dali em diante para divinação.

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