sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Uma benção para o fim de ano.


Esta data que nos remete a lembranças, de pais, avós, filhos e amigos.
Que seja uma data de conforto espiritual, que as bençãos de Obátalà cubram cada Orí desta terra.
Que a sabedoria celeste seja benevolente com vossos pedidos.
Esù Enubarijò, seja o guia dos caminhos que todos iremos trilhar no próximo ano, que todas as bifurcações nos sejam favoráveis, que as decisões sejam as mais acertadas possíveis, que a paz visite cada lar.
Que Oseturá nos abra as portas do universo.
Aqueles que estejam distantes, presos, internados, padecendo de suas faculdades mentais também possam receber a benção celeste.
Òrìsán’la, misericordioso e protetor da humanidade, nos dê a paz e o equilíbrio que tanto buscamos, que a armaduras e as armas sejam deixadas no fundo do armário e esquecidas pelo resto de nossas vidas.

  Oriki Olodunmarè.


Olodumare, nós seus filhos, viemos.
Viemos receber suas bênçãos, hoje.
Estamos implorando em nome dos 16 odus
Que vós ouçais nossas orações.
Quando vós ouvirdes essa oração, nos conceda.
Proteja nossos pais
Proteja nossas mães.
Protejas nossas esposas/maridos.
Proteja nossos filhos.
Proteja nossos vizinhos e amigos.
E estenda sua proteção a todos que nos querem bem.
Proteja a todos principalmente minha família.
Nós o pedimos em nome do senhor do dia.
Para que vós saibais o que estamos fazendo.
Para que vós estejais atentos as nossas coisas.
Para que vós estejais atento as nossas necessidades.
Pai, seus filhos lhe pedem.

Àse.


Ogbe meji nos fala sobre Orí.

Oluwara Okun1 (Orunmilá)
Aquele que tem Ori duro como ferro.
A noz de palmeira de Osonyin olha para o sol, mas não racha.
Mulher brigona gera filhos com dificuldade
Jogou para: Ori é um melhor defensor.
Filho de Magala que usa uma coroa de cauwris.
Sim. Havia Ori.
Dinheiro não tinha marido para aconselhar-se com ele, o que poderia ela fazer?
Eles disseram que ela deveria ir até Ori.
Ela deveria pegar duas nozes de cola,
E ela deveria ir até Ori.
Quando Dinheiro pegou as duas nozes de cola e estava indo.
Ela passou entre as Dezesseis Deidades.
Ela passou entre eles.
Sàngo disse, “Você que está passando, porque não nos cumprimenta?
Ela disse:
Eu?
Quando eu não estou olhando para você?
Sàngo levantou-se e ele arrancou as nozes de cola das mãos dela.
Ele pegou uma delas
E a enfiou inteira na boca.
Ele pegou a outra para Olofin
Onde Ori estava sentada com Olofin.
Ele foi lá e a deu para ele.
Olofin agradeceu a ele.
Ori veio,
Ele disse:
Quem pegou as nozes de cola desta mulher?
Sango disse:
Fui eu.
Ori disse:
 Isto mostra o quanto estúpido você é em fazer isso.
Sango disse:
Eu, Lakio?
Ori disse:
 O que pode você fazer?
Eles começaram a lutar.
Quando Ori ergueu Sàngo,
E quando ela o jogou, ela o jogou em Koso.2
Òrìsá Oko disse, “Há! Meu amigo.
Quando Ori o jogou, ela jogou Òrìsá Oko para Irawo.
Ifa disse, “Há! Meu irmão mais novo.
E quando ela jogou Ifa, ela o jogou em Ado.
Ela lançou Oyá e a jogou em Ira.
Ela jogou Egungun em Oje.
Há! Sapponan disse:
Quem vai me jogar?
Quando ela jogou Saponan, ele caiu em Egun.
Ela jogou Elegbara, ele caiu em Iworo.
Há! Ele jogou Obalufon para Erin.
Qual problema?
O que eles deveriam fazer?
Eles foram embora.
Òrìsá Oko em Irawo disse que eles deveriam fazê-lo.
No terceiro ano eles vieram juntos de novo.
Eles disseram Nossa luta do outro dia,
Nós lutaremos novamente
Para ver como Ori conseguirá arremessar a todos nós.
Eles vieram ao pátio de Ori,
E Ori estava lá.
Ela tinha ido aos divinadores.
E eles disseram que Ori deveria trazer comida, ela deveria trazer bebida.
Quando eles vieram para os jardins dos fundos de Ori,
Eles disseram Ori, oh! Saudações, oh!
Ori respondeu Ho!
Eles disseram, Venham, eles disseram, A luta do outro dia veio, oh!
E Ori saiu. Ela disse Há!
Ela disse você, Orunmila, é você que está aí?
Ele disse, Estou aqui.
Ela disse, Eu pensei que você era chamado de O pequenino que vive de sua sabedoria.
Ela disse você está aprendendo a ser tolo.
Ela disse não se aprende sabedoria.
Ele disse, quando eu o arremessei em Ado,
Ela disse o que você tinha?
Ela disse você é quem eles estão venerando em Ado agora.
Ela disse Sàngo, o que você tem?
Ela disse você é aquele que estão adorando em Koso agora.
Ela disse òrìsá Oko, o que era você?
Você e aquele que estão cultuando em Irawo hoje em dia.
Ela disse você, Sapponan, o que você tem?
Ela disse você é aquele que estão cultuando em Egun hoje.
Ela disse você Elegba, o que você tem?
Ela disse você é aquele que estão cultuando em Iworo hoje.
Ela disse você, Oro quem eles estão cultuando em Olufon hoje?
Oro disse, é a mim.
Ela disse o que eram vocês antes?
Ela disse você Egungun, o que você fazia antes de chegar a Oje?
Há! Ela disse você ouviu aquilo Obalufon?
Obalufon disse, eu sou aquele que eles estão cultuando em Erin.
Então que significa tudo isso?”
Espere. Deixe-nos ver o que ela vai nos dar.
É verdade que os locais para os quais ela nos arremessou eram bons.
Então eles entraram na casa em direção a Ori.
Ori deu-lhe comida, ela deu-lhes bebida.
Eles terminaram de comer,
E eles começaram a dançar, eles regozijavam.
E Ori louvava seus divinadores, e seus divinadores louvavam Òrìsá
Que seus divinadores falavam a verdade.
Ofuwara Okun,
Aquele que tem uma Ori dura que nem ferro.
As nozes de palmeira de Osanyin olham para o sol, mas não racham.
Mulheres brigonas geram crianças com dificuldade
Jogou para Ori é o melhor defensor,
Filho de Magala que usa uma coroa de cauwris.
Ele cantou, Ori é o melhor defensor.
Ori é o melhor defensor.
Aquele para quem Ori é bom não há nada igual.
Ori é o melhor defensor.
Ai está como Ori sobrepujou todas as demais Deidades.
Òrìsá diz que uma benção é o que ele prediz aqui,
Como disse Òrìsá
Aqui nós vemos Eji Ogbe.
Esta pessoa deve ir e sacrificar para sua Ori.
Como Òrìsá predisse.
Eji Ogbe, Ambos os Ogbe.


1.      Um dos nomes de louvor de Ifa.


2.      Koso, Irawo, Ado, Ira, Oje, Egun, Iworo, Erin, e Olufon são as cidades associadas com estas deidades.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Como alimentar o seu Orí



Alimento é vida.
Uma refeição é uma dádiva e uma festa.
Os Yorùbá são um povo do campo, fazendeiros e dão muito valor a vida, ao alimento e a água que é tão difícil de ser obtida.
Cada povo dá valor ao que lhe é importante e caro.
Para os Yorùbá a água e o alimento são muito importantes.
Mesmo para nós, quando queremos receber bem sempre fazemos com alimentos e bebidas.
A religião deles e sua teologia não é artificial, não foi criada em um concílio, ela existe permeando toda a sua vida e existência, assim, os iorùbás agradam seu Deus e todos as suas divindades e representantes com o alimento.
Eles assim comemoram a vida, com o alimento, dando, recebendo e compartilhando.
Sendo assim nosso Orí deve ser alimentado para que possa influenciar positivamente em nossa vida.
O sentido é a reposição do àse, a energia vital que usamos para nos alinhar-mos energeticamente.
Com o àṣẹ nós nos alinhamos com o Orí divino, que esta no Ọ̀run.
O Ebori , vai então, repor o àṣẹ,  facilitar o alinhamento do Orí que está no òrun com o nosso Orí inu que está no ayé.
Alimentar o Ori é quase uma obrigação para os seres humanos.
Ao longo de nossa vida devemos fazer Ebọ́rí muitas vezes.
No mínimo uma vez por ano, algumas pessoas podem precisar de mais vezes.
A  questão é que fazer um Ebọ́rí não é um banquete servido ao òrìsá, mas uma oferenda direcionada e exclusiva do Ori.
Ori é singular e único, seu alimentos sõ servidos conforme sua vontade e necessidade.
Com ou sem animais, com ou sem alimentos.
Obi e água, são obrigatórios, a partir deste ponto, podemos acrescentar novos alimentos, satisfazendo suas necessidades.
Esta relação é feita na presença do suplicante durante consulta ao oráculo e com perguntas únicas e seqüenciadas.
Ori você aceita...?
E é feito o lançamento do oráculo e assim sucessivamente até que ele esteja satisfeito com a oferenda (ebó).
Simples e direto, porém, de uma responsabilidade imensa.
Poemas, adurás, orikis, òfos e orin, fazem parte deste Oro fundamental em nossas vidas.
Ifá nos remete a um Ese (escritura sagrada) onde o Odu Ògundá meji nos releva a autoridade e a influência de Ori em nosso dia-a-dia.

Ògúndá méjì
Ori pẹ̀lẹ́! Ori o!
Atètè ni rán
Atètè gbà mi
Ẹ súre fún mi níwájú àwọn òrìṣà
Kò sí òrìṣà le yín emi bi Ori ba kó jẹ́
Ori pẹ̀lẹ́!Ori o!
Orí àìkú
Eni tí Orí rẹ gbà bọ rẹ ó jú yọ̀

Tradução:

Ori eu te chamo! Ori o.
Aquele que atende rapidamente
Aquele que rapidamente me socorre
Você me abençoa antes de todos os òrìṣà
Nenhum òrìṣà pode me abençoar se Orí não permitir.
Ori eu te chamo, Ori o.
Ori imortal
Aquele Ori que aceitar a oferenda estará muito agradecido.

Texto adaptado do senhor Marcos Sabino.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Entendendo o Orí



Quando nascemos, o Orí (cabeça), é o primeiro Òrìsà que recebemos, nele trazemos as impressões que estão gravadas no inconsciente, a nossa origem no universo. Ligados a ele por nosso Elédà, (mente superior) e fonte de inteligência para a sobrevivência no Ayé (Terra). 
E dele (Orí), geramos toda a força propulsora que nos conduz em nossa jornada, não somente para a vida em si, mas também para saúde, prosperidade e equilíbrio, o qual está diretamente ligado ao Òrum (Céu), portanto aquele que conhece o próprio destino, da mesma forma que nos conduzirá na passagem do mundo físico ao espiritual, Ikú (a morte).

Assim, Orí = origem do ser = Elédà (mente superior), está ligado ao Òrum, e ao mesmo tempo ligado a Terra (Ayé), sobrevivendo após a morte para transmutar a morte física para a vida do espírito e desta forma guardando em sua memória as marcas de sua origem.

 “O pensamento provoca a ação", "a ação provoca a reação" e todos os frutos colhidos serão a resposta de nossa conduta, de nosso equilíbrio tanto mental como emocional, e isto é ter bom Orí, que saudaremos Olori re e para aqueles com um mau Orí diremos Olori Burúkú, aquele de cabeça ruim, fraca.

Olódùnmarè, nosso Deus maior nos deu a perfeição, deixando conosco a sabedoria transcendente, a qual somente poderá ser compreendida com um bom Orí, assim diz o Oríkì (reza), "Nada se faz sem um bom Orí," nem mesmo nosso corpo tem comando, não anda, não prospera, não tem alegrias, não tem saúde.
Ifá em nossa vida
Ifá, é a soma da sabedoria suprema, a cosmogenia e a cosmologia, a vida e a morte, o nascimento da natureza, a visão total do mundo e da existência estabelecendo normas éticas que irão comandar as sociedades e os homens e assim determinando uma conduta nobre diante de todas as forças que se formam contra o bem da humanidade, a força que conduz a sustentação do planeta vivo.

Neste processo tão poderoso, aquele que for iniciado em seu Culto estará agregando a si uma permissão para obtenção de um poder muito maior perante Olódùnmarè, assim existindo a necessidade por parte dos Sacerdotes conhecedores plenos da extensão deste mesmo poder avaliar o candidato com muita clareza e assim permitindo ou não esta iniciação.

Nem todos estão habilitados a carregarem em seu Orí, esta força que liga o ser com o sagrado. Seus Sacerdotes, apoiados nos conhecimentos milenares, carregados por uma cultura de tradições em botânica, mineralogia, zoologia conseguem unir os elementos da natureza à energia vital de cada indivíduo procurando o equilíbrio entre as forças espirituais e materiais de cada um, esta união da ciência com o mundo espiritual precisa de mentes sãs.
A Conduta dos Filhos de Ifá
Fica assim muito claro que para estes filhos a conduta é de suma importância e que haverá a necessidade de muito domínio de suas emoções onde a humildade, a paciência, o caráter, a dignidade, a sabedoria, deveram ser superiores a qualquer tipo de vaidade, prepotência, arrogância, ambição, sendo estas últimas características que poderão ser usadas indevidamente a fim de obter proveito próprio, mas, que sem dúvida serão cobradas pela lei universal de ação e reação.

Quando se fala que o Òrìsà castiga, é uma inverdade, pois na realidade a maior parte do sofrimento é fruto do desequilíbrio entre a emoção e a razão humana e conforme as atitudes tomadas perante seus semelhantes às forças que irão reagir em sua vida tanto poderão ser positivas como negativas, conquanto seja um fruto do seu bom ou mau Orí, a resposta daquilo que você é.

Em nosso mundo Ocidental achamos que o valor do homem está na obtenção somente de bens materiais e para o consumo destas necessidades não se mede esforços nem os meios de alcançá-los, mesmo que muitas vezes as formas usadas sejam totalmente incompatíveis com as Leis Superiores. Não há respeito nem pela natureza, nem com seus semelhantes.
Na África, no entanto existe em seu povo a Consciência Plena dos compromissos que existem entre as forças da natureza e os homens, e que o verdadeiro bem não está em usar estes poderes de uma forma inconseqüente, explicando-se assim sua simples forma de vida, os verdadeiros valores do homem não estão em sua conta bancária, mas em seu Elédà, no uso da sabedoria adquirida não somente para o bem de si próprio, mas, para manter o equilíbrio do planeta.
A terra é a sustentação da vida, todo o mundo físico está sobre ela, carros, asfaltos, prédios, plantação ou qualquer outra coisa, isto tudo faz parte da ilusão do homem, sua maior riqueza está na natureza, sem ar ele não vive, sem terra ele não anda, sem fogo ele não tem progresso, e sem água ele não nasce.
O ser humano vive obcecado dentro de suas ilusões, por isto ele adoece, trapaceia, chora e ri, deixando-se levar por valores que não são dele, mas, da condição de uma sociedade, a sua origem pura está perdida em meio a tudo isto e o desequilíbrio se instala em seu Orí, gerando a inveja, a ansiedade, a impaciência, a depressão, ele é um ser desconectado de seu Eu interior (Elédà), sem isto não consegue ouvir sua própria consciência e chegar verdadeiramente a Deus.
Quanto mais nos aprofundamos conseguindo entender a grandeza da sabedoria divina, mais distantes estaremos das banalidades, uma vez que a riqueza já está codificada dentro de nossa alma, é uma força sutil que nossa sensibilidade grotesca não consegue perceber, e como resultado não tem paz, felicidade e prosperidade.
Antes de qualquer compromisso com Ifá, esta pessoa deve estar informada e preparada para assumir esta conduta.
A lealdade com o princípio Divino estará acima de tudo.


A Transformação dos filhos Iniciados em Ifá:
No momento da iniciação o destino vivido por esta pessoa até então, estará sendo limpo, enterrado, dela serão tiradas todas as forças contrárias e haverá uma mudança no trajeto até então vivenciado, fazendo com que seu Orí encontre o destino do momento de sua concepção, apagando as imperfeições conseqüentes de sua vida refletida pela sociedade onde nasceu, cresceu e vive para reencontrar a sua origem perfeita.
Mas para que esta força de fato venha adentrar em seu Orí e passe a fazer parte de sua existência estes novos filhos deverão procurar além de cumprir leis, entender, estudar o sentido desta filosofia para que a magia desta iniciação prevaleça neste Orí, sendo ela independente de seu òrìsà guardião.
Ifá, é um culto tradicional considerado a fonte de todas as outras formas de adoração, é um livro de orientação, um roteiro, que trata você como indivíduo único e através do qual receberá suas regras de conduta pessoais Eewos, (tabus) de acordo com sua origem ancestral, leis estas que irão levá-lo a obtenção da realização de sua felicidade de acordo com sua própria história e missão.

Aqui não pode haver a alimentação de sonhos que não fazem parte de seu destino, mas a leitura daquilo que você sempre foi, desde os primórdios e a busca de seu aprimoramento através das soluções apresentadas nos jogos divinatórios de Ifá.
Assim em nada se parece a qualquer religião, associações ou fraternidades que existem, onde todos são tratados como massa independendo da inteligência, e onde seu Eu Interior não é respeitado.

O aprendizado correto da forma de sua cultuação requer um grau elevado no domínio de seu comportamento já cheio de vícios de personalidade este é o verdadeiro Àse, o nascer novamente com a maturidade e a consciência adquirida e poder reformular sua vida de forma a satisfazer sua vida.



quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Odù Òfún'rété (Òfún Irété)

Wereweri no céu...

Òwèwè, aquele que limpa a pobreza com perfeição.
Foi visto no jogo para somente um Orì e também para quatrocentos e uma divindades celestiais.
Quem iria a Ọlọrùn o criador-chefe para tentar abrir o obi do ase.
Ogbon, sabedoria, os dirigiu para fazerem o sacrifício...
Quatrocentas e uma divindades desobedeceram a sua ordem.
Somente Orì obedeceu, e seu sacrifício foi aceito.
Qual era a ordem dada por Ogbon?
Eles tinham de acordar ao amanhecer e louvar o supremo criador.
Todos os Òrìşà perderam a hora.
Somente Orì acordou e se atirou ao chão em homenagem a Ọlọrùn.
Depois disto todos os Òrìşà foram a deus, o criador-chefe, e pediram a Ogbon para apresentar o obi de autoridade.
Todos tentaram, mas não conseguiram abri-lo.
Somente Orì conseguiu porque tinha feito o sacrifício (ebo) e dividindo o obi, ele obteve as respostas (divinou).
A resposta foi favorável e uma alta louvação ocorreu.
Houve grande excitação e júbilo nos céus.
O lugar mais alto e central (o Apèrè) daí passou a pôr direito pertencer a Ori.
Quando Orì se sentou, os outros Òrìşà, cheios de inveja, conspiraram para destroná-lo.
Òrìşànlá foi o primeiro a desafiar sua autoridade.
Orì o pôs no chão e em Ajalamó aonde os destinos são moldados.
Em Ajalamó Òrìsá’nlá se tornou o especialista e escultor dos destinos.
Orì criou Amakisi no leste, aonde a luz matinal surge na Terra.
Orì conquistou todos os Òrìşà e os criou aonde eles são hoje reverenciados.
Ao acordar, eu homenageio Ọlọrùn.
Deixe todas as coisas boas virem a mim.
Meu Orì me deu vida.
Dê-me o poder de ultrapassar a mortalidade e eu não morrerei.
Deixe todas as coisas boas pertencerem a mim, como a luz pertence à Amakisi.
Orì é importante porque é o que escolhemos no Ọrùn para nos acompanhar neste mundo para atingirmos nosso destino.
Orì é o que nos dá a oportunidade de fazer escolhas.
Mesmo antes do Òrìşà, há o Orì que nos direciona e nada pode se manifestar se não fizermos uma escolha.
É Orì que nos leva de volta ao òrìşà.
Se olharmos o termo Orì (sa) é a coroação da cabeça que a isto se refere.
É a coroação do Orì das divindades que os tornam Òrìşà
Todos eles escolhem seu destino.
E esta escolha quem faz e Orì.
Não há nada que possa acontecer sem fazermos uma escolha ou saudarmos Orì.
Por isto é que Orì vem primeiro, porque nos leva a Olodumare (Ọlọrùn).
Orì é a "ligação direta” com Olodumare.
Ligação com a força chamada Ẹlẹdá, energia incondicional, o pensamento de Ọlọrùn que todos temos dentro de nós.

É por isto que é dito quando saudamos nossas cabeças, estamos saudando Ẹlẹdá, porque isto é feito através de nosso Orì.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Oriki Òrúnmìlá.




Òrúnmìlá!

Testemunha do destino o Segundo de Oludumare.
Tu és muito mais eficaz do que a medicina,
Tu és a Órbita Imensa que evita o dia da morte.
Meu Senhor,
Espírito Todo-Poderoso e misterioso que nos salvou e que lutou com a morte.
Para ti a saudação é devida na primeira parte da manhã.
Tu és o equilíbrio que ajusta as Forças do Mundo.
Tu és o Aquele cujo esforço é para reconstruir a criatura ruim.
Reparador da má sorte.
Aquele que te conhece, torna-se imortal, oh rei indiscutível,
Perfeição da Casa da Sabedoria!
Meu Senhor!
Infinito em conhecimento!
É por não te conhecer, na íntegra, que eles são fúteis.
Ah, se pudéssemos te conhecer na íntegra, tudo estaria bem com a gente.
Epá òrìsá.
Ase o!

 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Sagrado Odù Òsé mèjì

Todos os Imortais do Ọrùn estavam reunidos no dia em que foram trancados em uma batalha contra a Vila das Mulheres.
Foi uma batalha em que os Imortais sabiam que nunca poderiam ganhar.
Ọba Ọrùn (Chefe do céu) convidou os Òrìşà para fazer uma viagem do Ìkợlé Ọrùn (Reino dos Ancestrais) para o Ìkợlé Ayé (Terra) em um esforço para acabar com a guerra.
Şàngó (Espirito do relâmpago), Ògun (Espírito do Ferro), Ọmọlu (Espírito das Doenças Infecciosas) e Ẹbọra Eégún (todos os espíritos ancestrais guerreiros que morreram), concordaram em unir suas forças na batalha contra a Aldeia das Mulheres.
Lutaram com coragem e convicção, mas encontraram uma derrota amarga.
Yemợjà (Mãe dos Peixe), Ợya (Espirito do Vento) e Ìyáàmi (Espirito das mães) concordaram em juntar forças na batalha contra a Vila das Mulheres.
Eles lutaram com coragem e convicção, mas encontraram uma derrota amarga.
Quando todos retornavam de suas batalhas contra a Vila das Mulheres, recusaram-se a travar mais combates.
Naquela época, foi Òşún (Espírito da sensualidade), que disse que iria acabar com a batalha contra a Vila das Mulheres.
Òşún colocou uma cabaça de água na cabeça e dançou do Ìkợlé Ọrùn (Reino dos Ancestrais) ao Ìkợlé Ayé (Terra).
Quando se aproximou da Vila das mulheres, Òşún continuou dançando e cantando ao ritmo de um tambor.
Quando ela chegou ao centro da aldeia, as mulheres se juntaram a Òşún.
Elas dançaram e cantaram ao ritmo de seu tambor.
As mulheres da aldeia seguiram para o santuário de Òşún, onde cantaram e dançaram para ela neste dia.

Comentário:
Alguns contos de Òşún são populares no Ocidente e tendem a caracterizá-la como "superficial" e "narcisista".
Nesta história, Òşún é apresentada como uma poderosa guerreira que é treinada para resolver um conflito em que derrotou todas as forças espirituais do Reino do Invisível.
Esta história deixa claro que nem todas as formas de proteção que envolve a guerra ou o comportamento, é tradicionalmente identificado como "agressivo".
Esta história também envolve dois aspectos do poder feminino que se repetem em toda a literatura Ifá.
É incomum no mito ocidental encontrar histórias sobre um grupo de mulheres que têm a força coletiva para derrotar todas as forças espirituais da Natureza.
Na cultura yorùbá tradicional, nas sociedades secretas, as mulheres estão centradas em torno dos mistérios.
Esta tradição tem sido denegrida pelos escritores ocidentais, que tendem a rejeitar as sociedades, tratando-as como formas de "bruxaria".
Na verdade, as sociedades secretas femininas são parte integrante da vida política e da religião yorùbá tradicional.
São as mulheres que colocam o ade (coroa) na cabeça do Oba (Rei).
Este poder é dado às mulheres porque o Ade contém o àse (poder espiritual) da proteção que só vem através do poder feminino.
Quando esse poder é invocado como um meio de proteção, é extremamente eficaz e extremamente volátil.
São feitos rituais para ativar este poder e uma vez que foram acionados, fazem parte do awo ou Mistérios de Òşún.
É por isso que Òşún têm altos cargos dentro das sociedades secretas femininas.

Esta história é uma apresentação metafórica de um dos aspecto do Poder Espiritual da Mulher que permanece como um tabu para os não iniciados.

O Sagrado Odu Òkànràn

Ese Ifá.

A filha mais velha da mulher sênior do Ooni de Ilè Ifé foi ao Ilè Iku (cemitério), no mesmo dia que dela a mãe fez a viagem do Ikolè Ayè (Terra) para Ikolè Òrun (mundo invisível dos antepassados).
Na noite daquele dia ocorreu uma disputa entre a filha mais velha do Ooni de Ilè Ifé  e suas irmãs.
As irmãs começaram a discussão sobre quais esposas e  filhas do Ooni eram menor ou maior. (mais velhas e mais novas).
Ao pôr do sol quando o ìsìkú (funeral) foi consumado, as irmãs mais jovens do Ooni de Ilè Ifé acusaram a filha mais velha de ser uma impostora.
Eles disseram que não acreditavam que ela era a filha da mulher sênior do Ooni.
A discussão começou pouco antes de os anciãos da família começarem a distribuir a herança do ancestral de sua mãe.
O mais precioso bem da mãe era um conjunto de contas azuis que ela usava para sua proteção.
Sempre foi lembrado que todas as contas haviam sido prometido para a filha mais velha. Ninguém poderia negar, a família sabia desta promessa.
Essas contas cobiçadas só poderiam  ser da mulher que fosse realmente a filha mais velha.
Os principais ouviram os argumentos das menores e em seguida, rejeitaram as acusações e as deram como infundadas.
Vendo que eles tinham sido derrotadas, as irmãs mais novas colocaram as contas em um pote que havia sido preparado com ògèdè (magias).
Como a filha mais velha não tinha conhecimento de ògèdè, ela chegou e recupou as contas que estavam dentro do pote.
Na viagem de volta, as pernas da mulher bambearam, ela caiu e não conseguia andar. Como ele estava deitado no chão segurando as contas, seus braços cairam.
Sozinha na floresta durante a noite a mulher estava determinada a ter o que de direito lhe pertencia.
Ele orou a Ìyá mi Agbá  e foi transformada em uma árvore.
No dia seguinte, as irmãs passaram pelo lugar onde ela tinha deixado cair as contas.
Ao estender as mãos para pegá-los, eles notaram que a árvore tinha crescido durante a noite. Eles também sentiram a presença de Ìyá mi Agba, que tinha feito da árvore sua casa.
Como as irmãs não tinham nada para oferecer ao pé do santuário, deixaram as contas na base da árvore.
A partir desse dia as irmãs mais jovens deixaram as contas permanecer com seu legítimo proprietário.

Comentário: A família iorubá tradicional da ênfase considerável em relação aos altos (mais velhos) dentro da família.
As razões para isso está relacionada a questões como etiqueta social de responsabilidade da família. Em ocasiões formais, as famílias saem em público vestindo roupas iorubá feitas a partir do padrão do mesmo tecido entre as mulheres, a mãe idosa vai usar o Gele  mais alto na cabeça como uma indicação.
É costume cumprimentar o mais antigo ou seja primeiro o pai. O estilo de ornamento na cabeça indicar quem são os maiores em uma família caso alguém não saiba.
A mulher mais velha em um relacionamento poligâmico é responsável por todas as finanças de toda a família.
Esta é uma posição de considerável poder e prestígio dentro da cultura ioruba e seria impensável  questionar a autoridade de uma mulher que assumiu esse papel.
Na história, as acusações são dirigidas contra a filha mais velha e não contra a esposa morta.
Uma vez que o problema foi resolvido, a inveja das irmãs mais jovens motivou-as a recorrer ao uso de ògèdè em um esforço para satisfazer sua ganância.
Neste ponto, a história torna-se uma declaração simbólica sobre a dinâmica de Justiça como uma Força da Natureza no mundo.
O ògèdè usado pelas irmãs contra a filha mais velha que perdeu suas mãos e pernas.
A perda dos braços sugere que ela não sabia como resolver o problema e a perda de pernas sugere que ela não sabia para onde levar o problema.
Em desespero, ela reza por orientação invocando as forças das Ìyá mi Agbá.
As Ìyá mi são potências coletivas da Maternidade.
De acordo com os escritos de Ifá, tanto ancestrais como Òrìsá nascem através do ventre da mãe.
Isto significa que a filha mais velha está orando diretamente à fonte de toda manifestação das forças espirituais, no panteão de Ifá.
A resposta para as orações foi transformar a filha mais velha em uma árvore.
A árvore se torna um santuário e as irmãs oferecem as contas motivadas pelo respeito ao àse (poder espiritual) de Ìyáàmi.
A partir de uma perspectiva ocidental de que a história parece sugerir que a justiça divina ocorreria.
Mesmo se a pessoa tiver que esperar o além para receber a compensação.
Esta interpretação é baseada em um conceito não linear de tempo, ela é consistente com o conceito de tempo circular na base de muitos símbolos de Ifá.
Na África, as árvores são muitas vezes utilizadas como um santuário para vários espíritos dos antepassados.
Quando a história diz que a mulher se torna uma árvore, sugere que ela foi possuida pela força e a sabedoria das forças espirituais a qual apelou para pedir ajuda.
É o efeito do alinhamento entre a filha mais velha e os espíritos dos antepassados ​​que motivou as irmãs mais jovens em sua ganância.
Se um awo ler esta história no curso de uma divinação, a mensagem pode não ser esperar por justiça na vida após a morte.
A mensagem pode pedir para  recorrer diretamente aos poderes de Ìyáàmi que interviria no interesse da Justiça mãe.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Onilé ganhou o governo do planeta Terra


Onilé era a filha mais recatada e discreta de Olodùmaré.
Vivia trancada em casa do pai e quase ninguém a via.
Quase nem se sabia de sua existência.
Quando os òrìsá seus irmãos se reuniam no palácio do grande pai para as grandes audiências em que Olodùmaré comunicava suas decisões,
Onilé fazia um buraco no chão e se escondia, pois sabia que as reuniões sempre terminavam em festa, com muita música e dança ao ritmo dos atabaques.
Onilé não se sentia bem no meio dos outros.

Um dia o grande deus mandou os seus arautos avisarem:
haveria uma grande reunião no palácio e os òrìsá deviam comparecer ricamente vestidos,
pois ele iria distribuir entre os filhos as riquezas do mundo e depois haveria muita comida, música e dança.
Por todos os lugares os mensageiros gritaram esta ordem e todos se prepararam com esmero para o grande acontecimento.

Quando chegou por fim o grande dia,
cada òrìsá dirigiu-se ao palácio na maior ostentação, cada um mais belamente vestido que o outro,
pois este era o desejo de Olodùmaré.
Iemanjá chegou vestida com a espuma do mar, os braços ornados de pulseiras de algas marinhas, a cabeça cingida por um diadema de corais e pérolas, o pescoço emoldurado por uma cascata de madrepérola.
Osòósi escolheu uma túnica de ramos macios, enfeitada de peles e plumas dos mais exóticos animais.
Osonyin vestiu-se com um manto de folhas perfumadas.
Ogum preferiu uma couraça de aço brilhante, enfeitada com tenras folhas de palmeira.
Osum escolheu cobrir-se de ouro, trazendo nos cabelos as águas verdes dos rios.
As roupas de Osumarè mostravam todas as cores, trazendo nas mãos os pingos frescos da chuva.
Iansã escolheu para vestir-se um sibilante vento e adornou os cabelos com raios que colheu da tempestade.
Sango não fez por menos e cobriu-se com o trovão.
Osalá trazia o corpo envolto em fibras alvíssimas de algodão e a testa ostentando uma nobre pena vermelha de papagaio.
E assim por diante.
Não houve quem não usasse toda a criatividade para apresentar-se ao grande pai com a roupa mais bonita.
Nunca se vira antes tanta ostentação, tanta beleza, tanto luxo.
Cada òrìsá que chegava ao palácio de Olodùmaré provocava um clamor de admiração,
que se ouvia por todas as terras existentes.
Os òrìsá encantaram o mundo com suas vestes.
Menos Onilé.
Onilé não se preocupou em vestir-se bem.
Onilé não se interessou por nada.
Onilé não se mostrou para ninguém.
Onilé recolheu-se a uma funda cova que cavou no chão.

Quando todos os òrìsá haviam chegado, Olodùmaré mandou que fossem acomodados confortavelmente, sentados em esteiras dispostas ao redor do trono.
Ele disse então à assembléia que todos eram bem-vindos.
Que todos os filhos haviam cumprido seu desejo e que estavam tão bonitos que ele não saberia escolher entre eles qual seria o mais vistoso e belo.
Tinha todas as riquezas do mundo para dar a eles, mas nem sabia como começar a distribuição.
Então disse Olodùmaré que os próprios filhos, ao escolherem o que achavam o melhor da natureza, para com aquela riqueza se apresentar perante o pai, eles mesmos já tinham feito a divisão do mundo.
Então Yemojá ficava com o mar, Òsum com o ouro e os rios.
A Òsóòsi deu as matas e todos os seus bichos, reservando as folhas para Osonyin.
Deu a Iansan o raio e a Sàngo o trovão.
Fez Obatalá dono de tudo que é branco e puro, de tudo que é o princípio, deu-lhe a criação.
Destinou a Òsumarè o arco-íris e a chuva.
A Ògun deu o ferro e tudo o que se faz com ele, inclusive a guerra.
E assim por diante.
Deu a cada òrìsá um pedaço do mundo, uma parte da natureza, um governo particular.
Dividiu de acordo com o gosto de cada um.
E disse que a partir de então cada um seria o dono e governador daquela parte da natureza.
Assim, sempre que um humano tivesse alguma necessidade relacionada com uma daquelas partes da natureza, deveria pagar uma prenda ao òrìsá que a possuísse.
Pagaria em oferendas de comida, bebida ou outra coisa que fosse da predileção do òrìsá.
Os òrìsá, que tudo ouviram em silêncio, começaram a gritar e a dançar de alegria,
fazendo um grande alarido na corte.
Olodùmaré pediu silêncio, ainda não havia terminado.
Disse que faltava ainda a mais importante das atribuições.
Que era preciso dar a um dos filhos o governo da Terra, o mundo no qual os humanos viviam e onde produziam as comidas, bebidas e tudo o mais que deveriam ofertar aos òrìsá.
Disse que dava a Terra a quem se vestia da própria Terra.
Quem seria? Perguntavam-se todos?
"Onilé", respondeu Olodùmaré.
"Onilé?" todos se espantaram.
Como, se ela nem sequer viera à grande reunião?
Nenhum dos presentes a vira até então.
Nenhum sequer notara sua ausência.
"Pois Onilé está entre nós", disse Olodùmaré e mandou que todos olhassem no fundo da cova, onde se abrigava vestida de terra, a discreta e recatada filha.
Ali estava Onilé, em sua roupa de terra.
Onilé, a que também foi chamada de Ilê, a casa, o planeta.
Olodùmaré disse que cada um que habitava a Terra pagasse tributo a Onilé,
pois ela era a mãe de todos, o abrigo, a casa.
A humanidade não sobreviveria sem Onilé.
Afinal, onde ficava cada uma das riquezas que Olodùmaré partilhara com filhos òrìsá?
"Tudo está na Terra", disse Olodùmaré.
"O mar e os rios, o ferro e o ouro, Os animais e as plantas, tudo", continuou.
"Até mesmo o ar e o vento, a chuva e o arco-íris,
tudo existe porque a Terra existe, assim como as coisas criadas para controlar os homens
e os outros seres vivos que habitam o planeta, como a vida, a saúde, a doença e mesmo a morte".
Pois então, que cada um pagasse tributo a Onilé, foi à sentença final de Olodùmaré.
Onilé, òrìsá da Terra, receberia mais presentes que os outros, pois deveria ter oferendas dos vivos e dos mortos, pois na Terra também repousam os corpos dos que já não vivem.
Onilé, também chamada Aiê, a Terra, deveria ser propiciada sempre, para que o mundo dos humanos nunca fosse destruído.
Todos os presentes aplaudiram as palavras de Olodùmaré.
Todos os òrìsá aclamaram Onilé.
Todos os humanos propiciaram a mãe Terra.

E então Olodùmaré retirou-se do mundo para sempre e deixou o governo de tudo por conta de seus filhos òrìsá.